SESSÃO 7

156 - Sinais de Mudança

 

   No dia seguinte a fazer brownies na casa dos Tōjō.

   Como era domingo, Haruto havia voltado para casa e estava limpando seu quarto.

"Deixar a casa abandonada realmente faz a poeira acumular."

   Determinado a terminar de limpar seu quarto antes do almoço, Haruto movia o aspirador de pó de um lado para o outro.

   Então, seu celular vibrou no bolso.

"Uma ligação?"

   Ele desligou o aspirador e pegou o telefone. Na tela, estava exibido o nome "Kazu-senpai".

"Kazu-senpai? O que será que é isso?"

   Confuso, Haruto atendeu a chamada.

"Alô?"

"Yo, bom dia."

"Bom dia. O que foi?"

"Bem, tem algo que achei que devia te contar direitinho. Agora é uma boa hora?"

"Sim, tudo bem."

   Uma ligação repentina de Ishikura.

   Haruto não fazia ideia do que era esse “algo” que Ishikura queria lhe dizer, inclinando a cabeça em dúvida.

"Então, uh… ontem. Eu na verdade me confessei para a Shizuku."

"…O quê!?"

   A revelação chocante foi tão inesperada que levou um momento para Haruto processar. Sua reação atrasada saiu como um grito surpreso.

"Espera, hã!? Kazu-senpai!? Para a Shizuku!?"

"Sim."

"E-Então, hum… o que a Shizuku disse?"

   Para Haruto, tanto Ishikura quanto Shizuku eram amigos de infância do mesmo dojo.

   Eles eram rivais, família e companheiros insubstituíveis.

   Agora, esse relacionamento poderia mudar significativamente.

   Haruto sentiu seu coração acelerar enquanto perguntava ansiosamente.

   Pelo telefone, Ishikura respondeu com uma risada.

"Ela me destruiu. Disse que eu era o inimigo das mulheres, o pior tipo de cara… ah, e um pervertido também."

"Espera… isso quer dizer que ela te rejeitou?"

"Quem sabe?"

   Haruto perguntou hesitante, mas Ishikura respondeu de forma leve.

"Você sabe como a Shizuku sempre brinca e nunca fala seus verdadeiros sentimentos, né?"

"Sim, isso é verdade."

"Então, achei que enquanto eu continuar tentando, ainda tenho uma chance."

   Haruto queria apoiar os sentimentos de Ishikura.

   Tanto Ishikura quanto Shizuku eram amigos preciosos para ele.

   Seria mentira dizer que ele não sentia nenhuma hesitação ou tristeza com a possibilidade de seu relacionamento mudar.

   Mas se eles pudessem ser felizes juntos, isso seria algo que Haruto realmente celebraria.

"Eu ainda não fui completamente rejeitado. Agora que me confessei, vou continuar avançando até receber uma resposta clara."

"Kazu-senpai… Se tiver alguma coisa que eu possa fazer para ajudar, é só falar. Eu faço qualquer coisa."

"Valeu, isso significa muito. Para ser honesto… não me resta muito tempo."

"Hã? Como assim? Você vai deixar a cidade?"

"Sim… vou me formar no próximo ano, afinal."

   Ao ouvir essas palavras, Haruto sentiu uma tristeza profunda e indescritível.

   Ishikura, que era um ano mais velho, sempre fora como um irmão mais velho em quem ele podia confiar.

   Logicamente, ele entendia que Ishikura partir para a faculdade era inevitável.

   Mas emocionalmente, ele não conseguia aceitar.

   Haruto reprimiu a vontade infantil de implorar para que ele ficasse e, em vez disso, falou de propósito com um tom alegre.

"Então, nesse caso, você realmente precisa dar tudo de si com a Shizuku!"

"Exatamente."

"Você tem algum plano?"

"Hmm, nada concreto ainda. Mas com a Shizuku, as coisas não vão ser fáceis…"

"Sim, é a Shizuku, afinal…"

   Shizuku era uma mestre em manter a expressão séria enquanto fazia piadas infinitas — uma verdadeira trapaceira.

   Conquistá-la não seria tarefa fácil.

"Bem, eu não sou do tipo que usa táticas sorrateiras. Vou só continuar sendo honesto com ela."

"Isso é tão típico de você, Kazu-senpai."

"Eu sou péssimo nesses joguinhos românticos."

   Ishikura riu pelo telefone.

   Depois de conversar mais um pouco, Haruto encerrou a ligação.

"Kazu-senpai e Shizuku… espero que as coisas deem certo para eles."

   Desejando do fundo do coração que o relacionamento deles tomasse um rumo positivo, Haruto retomou a limpeza.

****

   A manhã de segunda amanheceu clara e brilhante, como se compensasse o clima sombrio do fim de semana.

   Enquanto ia para a escola, Haruto se pegou perdido em pensamentos, revivendo sua conversa com Ishikura.

   Percebendo sua distração, Ayaka, caminhando ao seu lado, o observou curiosa.

"Haruto? Aconteceu alguma coisa?"

   Enquanto falava, ela apertou suavemente sua mão.

"Hm? Ah, desculpa. Eu só estava pensando em umas coisas."

"Pensando?"

   Ayaka inclinou a cabeça de forma fofa, fazendo Haruto sorrir de leve.

"Sim. Talvez eu acabe pedindo seu conselho em breve. Quando isso acontecer, vou contar com você."

"…Tudo bem, entendi."

   Compreendendo que ele não estava pronto para falar sobre isso ainda, Ayaka não pressionou.

   Em vez disso, ela assentiu firmemente e disse: "Quando você precisar de conselhos, vou fazer o meu melhor para ajudar!"

   Ishikura havia contado a Haruto sobre sua confissão, provavelmente pensando em como a dinâmica do trio poderia mudar.

   Independentemente de Ishikura conseguir ou não, o relacionamento dos três amigos próximos jamais seria o mesmo.

   Se isso acontecesse, seria confuso para Haruto ficar no escuro.

   Provavelmente por isso Ishikura tinha ligado para ele antecipadamente.

   Por conta disso, Haruto não podia compartilhar isso com ninguém ainda.

   Além disso, Ayaka havia se aproximado de Shizuku.

   Mesmo que Haruto ficasse em silêncio, havia a possibilidade de Shizuku acabar desabafando com Ayaka.

   Enquanto ele ponderava, uma voz familiar chamou por trás.

"Yo!"

"Oh, bom dia, Akagi-kun."

"Bom dia, Tōjō-san. Haru, e aí?"

"Bom dia. Você parece tão sonolento quanto sempre."

   Tomoya, irradiando sua energia habitual despreocupada, juntou-se a eles e imediatamente começou a falar sobre os brownies.

"Eu dei os brownies que fizemos para a Haruka, e ela adorou."

"Bom, ela realmente ama chocolate."

"Exato. Agora ela não para de me pedir para fazer mais. Estou pensando em virar aprendiz do Kazu-senpai."

"Se você falar isso, o Kazu-senpai com certeza vai ficar feliz."

   Tomoya riu, dizendo: "Talvez seja hora de virar um pâtissier!"

   Ao ouvir isso, os olhos de Ayaka brilharam.

"Vamos fazer shortcake na próxima, né?"

   Vendo sua empolgação, Haruto sorriu.

"Sim, vamos fazer quando todos estiverem livres."

"Yay!"

   O rosto dela iluminou mais do que o sol da manhã.

   Enquanto caminhavam, Ayaka avistou um rosto familiar à frente.

"Bom dia, Shizuku-chan!"

"…! O-Oi, bom dia, Aya-senpai."

   Assustada pelo cumprimento animado de Ayaka, Shizuku deu um pequeno sobressalto antes de se virar lentamente.

"Bom dia, Haru-senpai, Tomo-senpai."

   Ela os cumprimentou com sua expressão neutra habitual.

"Bom dia."

"Yo."

   Haruto, porém, não pôde deixar de observar Shizuku atentamente.

   Seria imaginação dele, ou ela estava um pouco diferente hoje?

   Antes que pudesse descobrir, Shizuku girou nos calcanhares abruptamente.

"Está um lindo dia. Bem então, vejo vocês mais tarde."

   Ayaka piscou, confusa.

"Shizuku-chan?"

   Parando no meio do caminho, Shizuku se virou.

"O que foi?"

"Eu pensei que a gente fosse caminhar para a escola juntas?"

   Shizuku continuou com a expressão inalterada, mas de repente deu um sorriso torto.

"Oh? Então a Aya-senpai quer andar de mãos dadas comigo?"

"Hã? De mãos dadas?"

"Mesmo tendo o Haru-senpai? Que escandaloso."

"Espera, o quê!? Escandaloso!?"

"Você precisa ser punida."

"Punida!?"

   Shizuku levantou as mãos dramaticamente.

"Veja! O poder da God Hand Shizuku!"

-E-Espera! O que você está fazendo!?"

   Um segundo depois, Ayaka foi pega em um ataque implacável de cócegas.

   Sob o céu claro da manhã, suas risadas ecoaram, chamando a atenção de outros alunos, que pararam e encararam a cena em puro espanto.

   Só quando Haruto interveio que a loucura finalmente terminou.

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