SESSÃO 7

151 - Cuidado Com Comentários Impensados

 

   No dia seguinte a assistir a um drama com Ayaka, Haruto passou a tarde brincando com Ryota enquanto esperava por Tomoya e os outros chegarem.

"Mano, olha! É um castelo!"

   Ryota mostrou orgulhosamente uma torre que havia construído com seus blocos favoritos.

"Oh, isso é incrível, Ryota! Vamos colocar um portão no castelo."

"Um castelo precisa de muralhas também, né?"

   Haruto e Ayaka adicionaram um portão e muralhas em volta da torre de Ryota, fazendo com que parecesse ainda mais um castelo de verdade. Os olhos de Ryota brilharam de empolgação, trazendo uma sensação morna ao coração de Haruto. Enquanto aproveitava a reação inocente de Ryota, Ikue, que conversava com Kiyoko à mesa de jantar, falou:

"A propósito, Saki e os outros chegam por volta de uma hora, certo?"

   Ikue olhou para o relógio na parede, e Haruto assentiu.

"Sim, acho que eles devem aparecer a qualquer momento."

   Assim que disse isso, a campainha tocou. Ayaka verificou o monitor do interfone.

"Sim?"

"Ei, Ayaka! Chegamos!"

"Bem-vindos! Vou destrancar agora."

   Ela desligou o monitor e foi até a entrada. Vendo isso, Ryota, que estava concentrado nos blocos, correu até ela.

"Saki-neechan?"

"Isso mesmo. Eu te disse que minhas amigas viriam hoje para fazermos doces, lembra?"

   Ayaka explicou enquanto saía da sala de estar, com Haruto a acompanhando para receber os convidados.

"Mano, muitos amigos vão vir?"

"Só quatro hoje."

"Eu conheço eles?"

   Ryota, um pouco tímido com estranhos, olhou para Haruto com um leve tom de preocupação.

"Só tem uma pessoa que você ainda não conheceu. Os outros estiveram aqui na última sessão de estudos."

"Hum… Shizuku-neechan e Tomoya-oniichan?"

"Isso mesmo! Você tem boa memória."

   Haruto afagou a cabeça de Ryota, que sorriu feliz. Enquanto isso, Ayaka abriu a porta para dar as boas-vindas a Saki e aos outros.

"Ufa, oi, Ryota!"

"Saki-neechan, bem-vinda!"

   Saki o cumprimentou enquanto fechava o guarda-chuva, e Ryota correu em sua direção com um grande sorriso — até notar Tomoya ao lado dela.

"…Hum, oi."

   Ele hesitou, deu um passo para trás e puxou de leve a calça de Haruto, fazendo uma reverência tímida para Tomoya.

"Olá, Ryota."

   Percebendo a leve timidez do garoto, Tomoya se agachou para ficar na mesma altura e sorriu gentilmente.

"Depois, vamos comer muitos doces gostosos, tá?"

"…Tá."

   A menção de doces fez Ryota se animar um pouco. Vendo que suas palavras surtiram efeito, Tomoya sorriu satisfeito. Haruto, porém, notou que o ombro de Tomoya estava molhado.

"Ei, Tomoya. Seu ombro tá molhado. Teu guarda-chuva furou?"

"Hã? Ah, na verdade, uma rajada de vento quebrou ele no caminho."

   Tomoya riu, e Ayaka olhou para ele preocupada.

"Você se molhou muito?"

   Tomoya fez um joinha.

"Nada, fiquei de boa! Aizawa deixou eu dividir o guarda-chuva com ela."

   Então virou para Haruto com um sorriso malandro:

"Haruto, eu consegui uma caminhada bem romântica com a Aizawa! Tá com ciúmes?"

"Hã? Ah… uh, claro, acho."

   Pego de surpresa, Haruto piscou e apenas assentiu. Saki, porém, franziu a testa para Tomoya.

"Ei, Akagi! Para de falar como se fosse romântico! E Otsuki, ao menos finge que ficou com ciúmes!"

"Haha, foi mal, foi mal."

   Haruto riu sem jeito, enquanto Saki cruzou os braços com um resmungo. Nesse momento, Ryota, curioso, olhou para ela.

"Saki-neechan, o que é um guarda-chuva romântico?"

"Hã? Ah, hum…"

   Ela se atrapalhou, sem saber explicar. Ryota então virou para Tomoya.

"Tomoya-oniichan, você gosta da Saki-neechan?"

"Eh!? P-Por que você perguntou isso?"

   Pegando Tomoya completamente de surpresa, o garoto gaguejou.

"Porque ‘romântico’ é algo que meu pai e minha mãe têm, né? Significa duas pessoas que se amam. Então, se você e a Saki-neechan são românticos, vocês têm que ser como meu pai e minha mãe!"

   A explicação séria de um garotinho de cinco anos deixou Tomoya desnorteado.

"Ah, bom, é… isso foi só uma piada! Uma piada, Ryota!"

   Ryota inclinou a cabeça.

"Neechan, o que é piada?"

"Uh? Uma piada? Hum… acho que significa uma mentira engraçada?"

   Ayaka tentou explicar, mas Ryota olhou para Tomoya com um ar sério.

"Mentir é feio! Você tem que ser sério quando fala de amor, senão não vai ser de verdade!"

   Ele puxou a manga de Haruto.

"Mano, você contou seu amor pra Mana de verdade, né? Por isso vocês namoram!"

"Uh… é, isso mesmo."

   Haruto sentiu o coração acelerar com aquela mudança repentina de assunto. Então Ryota encarou Tomoya:

"Isso significa que, se você quiser ser romântico com a Saki-neechan, tem que ser honesto com seu amor! Sem mentiras!"

   Tomoya, esmagado pela determinação pura de uma criança, forçou um sorriso e assentiu.

"C-Claro. Entendi."

   Satisfeito, Ryota virou para Saki.

"Saki-neechan, fica feliz, tá?"

"Ei, ei, ei! Calma aí! Isso é rápido demais! Eu nem sei se eu namoraria o Akagi!"

"Por quê? Você odeia o Tomoya-oniichan?"

   Saki tentou explicar, mas Ryota continuou com suas perguntas inocentes. Observando sua luta, Haruto deu um sorriso.

   Ele mesmo sabia o quão implacáveis eram os ataques de “Por quê?” do Ryota.

"Ei, Haruto. O Ryota é sempre assim insistente?"

   Tomoya sussurrou.

"Só com pessoas em quem ele confia. Você devia tomar cuidado com o que fala perto dele."

"Anotado…"

   Tomoya suspirou, assentindo com seriedade. Então Ryota olhou para ele com uma expressão séria.

"Hã? O-O que foi?"

"Tomoya-oniichan, agora você tem que se esforçar."

"Hum… eu tenho?"

"Sim! Porque ‘a mulher é como o mar!’"

   Ryota estufou o peito, orgulhoso. Tomoya franziu a testa, confuso.

"O mar? Ah… tá, vou me esforçar?"

   Haruto também não fazia ideia do que Ryota queria dizer, então olhou para Saki. Ela estava cobrindo o rosto, exausta.

"Aizawa, o que significa ‘a mulher é como o mar’?"

"Não pergunta pra mim! Também não sei. Mas já que o Ryota ficou satisfeito com essa resposta, deixa assim…"

   Ela virou para Tomoya e sussurrou:

"Akagi! Daqui pra frente, chega de papo romântico na frente do Ryota! Nem brincando, nem sério — só não fala!"

"O-Okay…"

   Enquanto ela o repreendia, Ryota os olhava com olhos brilhando.

   Percebendo que ele observava, Saki rapidamente se afastou de Tomoya.

   Então, a campainha tocou novamente.

"Ah, deve ser a Shizuku e os outros."

   Ayaka abriu a porta — e congelou no mesmo instante.

"Hã…!?"

   Do outro lado da porta, um homem com uma cara quase ameaçadora apareceu de repente, deixando Ayaka completamente paralisada.

   Seu olhar afiado parecia perfurar tudo ao redor. O cabelo era curto, com três linhas raspadas na lateral.

   À primeira vista, Ishikura definitivamente não parecia um cidadão comum.

   Para piorar, sua presença física musculosa era tão marcante que, se alguém dissesse que ele já havia derrotado um urso com as próprias mãos, Ayaka talvez acreditasse sem questionar.

"Ah, ah… hum…"

   Com a mão ainda na porta, Ayaka abriu e fechou a boca sem conseguir falar.

   Percebendo a reação estranha, Saki franziu a testa e olhou por cima do ombro dela.

"Ayaka, o que foi? Se a Shizuku tá aqui, então— hã!?"

   O momento em que Saki viu Ishikura, ela também congelou.

   Era como se tivessem encarado a Medusa e virado pedra.

   Então Shizuku apareceu atrás de Ishikura.

"Olá, Aya-senpai, Saki-senpai."

"Ah, ah, Shizuku-chan…"

"Uh, o-oi…"

"Hmm, como esperado do Kazu-senpai, impondo medo nos corações de donzelas inocentes num instante."

   Vendo a reação delas, Shizuku assentiu satisfeita.

"Como deve ser — ‘Kazuaki Ishikura’ não seria ele mesmo de outro jeito."

"Não fale como se isso fosse normal!"

"Eek." "Hii!"

   Com a voz alta de Ishikura, ambas as garotas estremeceram.

   Percebendo isso, ele rapidamente se curvou.

"Ah, desculpa por isso. Ei, Shizuku, para de falar coisas estranhas."

"A culpa não é minha. Tudo começa pela cara intimidadora do Kazu-senpai."

"Já disse que eu não—"

   No meio da frase, ele olhou para Ayaka e as outras e ficou em silêncio.

   Ayaka falou timidamente:

"H-Hum… você é o amigo do dojo do Haruto, certo?"

"Ah, sim. E você deve ser a Ayaka-san, namorada do Haruto?"

"S-Sim."

   Ayaka assentiu de forma desajeitada, e Ishikura se curvou educadamente.

"Entendi. Obrigado por sempre cuidar do nosso Haruto."

"Ah, não, não, eu que agradeço por vocês cuidarem dele."

   Por algum motivo, a conversa parecia um diálogo entre dois pais falando sobre o próprio filho.

   Mas talvez isso tenha ajudado Ayaka a relaxar um pouco, já que ela abriu mais a porta e os convidou a entrar.

"Está chovendo, então por favor entrem. Você também, Shizuku-chan."

"Com licença."

"Com licença."

   Seguindo Ayaka, os dois entraram na casa Tōjō.

   Nesse momento, Ryota, que estava ao lado de Haruto, cruzou olhares com Ishikura.

"—!?!?!?!?!?!"

   Instantaneamente, Ryota girou nos calcanhares e disparou em direção à sala, como um coelho assustado.

   Ishikura, que gostava muito de crianças, ficou visivelmente abatido e olhou para Haruto com expressão desolada.

"…Será que eu devia mesmo ter vindo?"

"Tá tudo bem. Quando o Ryota-kun conhecer o verdadeiro você, ele não vai mais fugir."

"Tem certeza?"

"…Provavelmente."

   Haruto desviou o olhar ao responder.

   E assim, a sessão de confeitaria na casa Tōjō começou.

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