SESSÃO 6
150 - Dois Guarda-Chuvas ②
Ishikura segurava um guarda-chuva em uma das mãos enquanto estava parado diante do portão do Dojô Dōjima e tirava o celular do bolso.
"Espero que a Shizuku não tenha dormido demais."
Antes de sair de casa, ele havia mandado uma mensagem dizendo: "Tô a caminho", e ela tinha sido visualizada.
Agora que ele tinha chegado ao Dojô Dōjima, que também era a casa dela, mandou outra mensagem: "Tô no portão." Mas dessa vez, ela permaneceu não lida.
"Não me diga que ela voltou a dormir…"
Ishikura não sabia onde ficava a residência dos Tōjō, então precisava que Shizuku o guiasse.
"Aff…"
Suspirando, ele passou pelo portão e seguiu em direção à porta de entrada da casa dela, que ficava ao lado do dojô.
Quando estava prestes a bater, a porta abriu de repente com força.
Do outro lado estava Shizuku, parada ereta, braços cruzados.
"Oh, então você realmente tá acordada."
Vendo que ela já estava vestida e pronta pra sair, Ishikura comentou:
"Eu achei que você podia ter voltado a dormir."
Ele levantou um pouco a voz para falar com ela, já que estava a alguns passos de distância.
No entanto, Shizuku não respondeu. Ao invés disso, ela ficou olhando silenciosamente para o céu.
"Hã? Ei, o que foi?"
Como o comportamento excêntrico de Shizuku não era novidade, Ishikura não se preocupou muito.
Mas, de repente, ela disparou para fora de casa — sem guarda-chuva.
"Ei, ei! Pega seu guard—"
"Hah!"
Sem aviso, Shizuku correu direto até Ishikura, que estava perto do portão, e se jogou nele.
Ele mal conseguiu segurá-la com uma mão, impedindo que ambos caíssem.
"Mas que diabos foi isso?!"
"Kazu-senpai, esqueci meu guarda-chuva. Vamos dividir."
"Sua casa tá bem ali! Vai pegar!"
Ishikura apontou para a porta da casa, exasperado.
Shizuku fez bico.
"Quando eu tava me arrumando, não tava chovendo."
"Isso foi antes. Agora tá chovendo. Então volte lá e pega seu guarda-chuva. Agora."
Ele apontou novamente para a casa. Vale lembrar: a chuva estava forte desde a manhã. Não tinha parado nem por um minuto.
Mas Shizuku se recusava obstinadamente a sair da cobertura do guarda-chuva dele.
"Não. Se eu voltar agora, vai parecer que perdi para a chuva."
"Que tipo de batalha é essa? Aceita a derrota logo."
"Kazu-senpai, você sabe quem eu sou? Eu sou a Shizuku-chan, a invencível Shizuku-chan que não se curva a nenhuma força da natureza."
"Você soa completamente maluca! Ugh, tá bom…"
Percebendo que seria mais rápido e fácil simplesmente caminhar juntos sob a mesma sombrinha do que discutir, Ishikura suspirou e começou a andar.
Ao ver sua rendição, Shizuku sorriu vitoriosa.
"Como você é sortudo, Kazu-senpai, em poder dividir um guarda-chuva com uma beleza tão deslumbrante."
"...Sim, sim. Sou muito sortudo mesmo."
Ele respondeu sem entusiasmo enquanto começavam a caminhar juntos.
"Então, a casa dos Tōjō é longe daqui?"
"Se eu correr na velocidade máxima, uns dez minutos."
"Por que você tá me passando o tempo em modo corrida? Isso não me diz nada."
"Então se dermos três passos pra frente e dois pra trás, talvez uma hora."
"Isso faz menos sentido ainda! Anda normal!"
Segurando a têmpora como se evitasse uma dor de cabeça, Ishikura gemeu.
"Só me guia direito, ok?"
"Minhas habilidades de navegação são mais precisas que os apps de GPS mais recentes."
"É, duvido muito disso…"
Apesar do ceticismo, Ishikura não tinha escolha a não ser seguir Shizuku, já que não sabia o caminho.
Ainda sob a mesma sombrinha, eles seguiram juntos, e Shizuku começou a dar direções… duvidosas.
"Kazu-senpai, vire à direita num bom momento."
"...Define ‘bom momento’. Eu não faço ideia de onde fica a casa."
"Confie nos seus instintos. Não pense, só sinta."
"Eu não tenho algum tipo de instinto de localização!"
"Mas você parece que teria."
"Isso não tem nada a ver! E eu não pareço isso!"
Enquanto Ishikura retrucava, Shizuku respondeu com ar convencido:
"Ah, vamos lá, não seja tão modesto."
Quantas vezes ainda teria que corrigir ela antes de chegarem ao destino? A simples ideia já era cansativa.
"Ah, vira aqui."
"Da próxima vez, me dê instruções normais..."
Ishikura suspirou com toda a alma.
Então, Shizuku repentinamente virou para ele com uma expressão completamente neutra.
"Kazu-senpai, meus pés estão molhando."
"Porque você se recusou a pegar sua sombrinha."
Ele já tinha inclinado a sombrinha mais para o lado dela para mantê-la seca.
"Se eu inclinar mais, eu que vou ficar encharcado."
"Você sempre se banha no sangue dos seus inimigos, então um pouco de chuva não deveria te incomodar, né?"
"Mas o que—?! Desde quando eu sou algum monstro sanguinário?!"
"Combina com você. Deveríamos te dar um nome de ringue: KAZU Chuva Sangrenta."
"Eu não preciso de um nome de ringue! E esse é o pior nome que já ouvi!"
As provocações incessantes de Shizuku fizeram Ishikura gemer, mas ele ainda respondia a cada uma delas.
Vendo isso, o canto dos lábios dela se ergueu discretamente.
"Ai... Você simplesmente não entende nomes legais, Kazu-senpai. Por isso sempre vai parecer intimidador."
"Cala a boca. E eu não pareço intimidador!"
Então, sem aviso, Shizuku parou de andar e olhou para ele.
"Ah, é. Kazu-senpai, me carregue nas costas."
"...Hã?"
Ishikura piscou, confuso.
"Por que eu faria isso?"
"Se você me carregar, meus pés não vão molhar. Eu até seguro a sombrinha pra você."
"Você só pode estar brincando..."
Ela o encarou de baixo, esperando calmamente, nem um pouco abalada pelo olhar incrédulo dele.
"Aff... Tá bom. Sobe."
Desistindo, Ishikura se agachou um pouco para que ela pudesse subir em suas costas.
Shizuku não perdeu tempo e se acomodou.
"Pelo amor... Você não tem vergonha de pedir carona nas costas nessa idade?"
Completamente satisfeita, ela respondeu:
"Nem um pouco. Na verdade, me sinto ótima."
Pegando a sombrinha dele, ela sorriu.
"Pensar que eu tenho o infame Kazu, o Aterrorizante, como meu transporte pessoal. De fato, eu sou a grandiosa e imbatível Shizuku-chan."
Ela deu um tapinha de leve na cabeça dele, toda convencida.
"Continua falando e eu te derrubo."
"Você não faria isso. Você é bonzinho demais."
"Ugh... Você sabe mesmo como escapar das coisas..."
Apesar do grunhido, um sorriso quase imperceptível surgiu nos lábios de Ishikura.
Com Shizuku dando direções enquanto estava em suas costas, Ishikura continuou em direção à residência dos Tōjō.
Por um momento, ele ouviu o som das gotas batendo no guarda-chuva antes de falar.
"Ei, Shizuku. Tá tudo bem?"
"Hmm? Com o quê?"
"...Estar perto do Haruto e da Tōjō. Isso dói?"
"……"
Shizuku não respondeu.
Mas nas costas dele, ele sentiu seu corpo enrijecer — só um pouco.
Ela sempre brincava e o provocava.
Mas hoje, Ishikura tinha percebido — ela estava fazendo isso mais do que o normal.
Conhecendo-a desde a infância, ele sabia.
"Você não precisa forçar se for difícil demais, tá?"
"...Eu gosto de gatos."
"Hã?"
"Eles são adoráveis. Mesmo se arranharem ou morderem, eu ainda quero ficar perto deles."
"...Entendi."
"É."
Ela ficou em silêncio por um momento, e então voltou de repente ao tom de sempre.
"Kazu-senpai?"
"Hm?"
"Esta é sua chance de saborear meu charme suave e irresistível."
"...Hã?"
E assim, o absurdo recomeçou.
Traduzido por Moonlight Valley
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