SESSÃO 6
149 - Dois Guarda-Chuvas ①
Tomoya olhou para o céu carrancudo através de sua guarda-chuva de plástico enquanto a chuva caía sem parar.
Como previsto, a chuva estava forte desde a manhã de sábado. Ainda assim, muitas pessoas estavam circulando, tornando a estação um lugar movimentado.
Ao entrar na estação, Tomoya fechou seu guarda-chuva e seguiu em direção à catraca.
"Cheguei um pouco cedo demais, pelo visto."
Ele olhou para o painel eletrônico acima da catraca, confirmando o horário de chegada do trem, e murmurou para si mesmo.
Movendo-se até a parede perto da saída, ele tirou o celular e começou a rolar pelas redes sociais para passar o tempo.
Alguns minutos depois...
"Ei, Akagi-kun! Te deixei esperando?"
"Yo, Aizawa-san."
Tomoya levantou o olhar do celular, erguendo uma das mãos em cumprimento com um sorriso casual.
"Nem um pouco. Estou aqui há uns dez minutos só."
"Ahaha, isso é bastante tempo! Foi mal, foi mal. Mas não é nessa hora que você deveria dizer: ‘Acabei de chegar’?"
"Ah, verdade. Então vamos fingir que eu acabei de chegar."
"Ok!"
Depois dessa troca breve, ambos riram.
"Beleza, vamos pra casa da Ayaka."
"Entendido."
Tomoya começou a caminhar ao lado de Saki. Ao saírem da estação, ele abriu novamente seu guarda-chuva de plástico.
Saki tirou de sua bolsa um dobrável e o abriu.
Depois de caminharem em silêncio por um tempo, Tomoya falou de repente.
"Essa chuva que fica só garoando assim meio que acaba com o clima, né?"
Ao ouvir isso, Saki olhou para o céu através de seu guarda-chuva.
"Sério? Eu não gosto de chuva no geral. Mas existe algum tipo de chuva que realmente levanta o astral?"
"Talvez aquela pancadona repentina em que o guarda-chuva não serve pra nada? Sabe, do tipo que te faz querer sair correndo e gritar: ‘Uooooou!’"
"Ahaha, o quê? Não me identifico nem um pouco com isso!"
Saki riu, balançando a cabeça diante da ideia ridícula.
"Eu odeio molhar meus sapatos. Dá um trabalho secar depois."
"É, entendo. Mas a chuva que eu falei não molharia só os sapatos — deixaria a roupa toda encharcada, até a roupa íntima."
"Haha, verdade. Espera—Akagi-kun, que tipo de conversa é essa?!"
"Ops, foi mal."
"Sério! Ficar falando ‘roupa íntima encharcada’ na frente de uma moça é totalmente inapropriado, sabia?"
Saki fez uma expressão de falsa raiva, exagerando a reação.
Tomoya, entrando na brincadeira, riu e fez uma reverência teatral.
"Minhas mais profundas desculpas, milady. Também deixei de trazer um buquê de rosas para o nosso encontro."
"Exatamente! Me encontrar sem pelo menos cem rosas? Inaceitável."
"Minhas sinceras lamentações. Imploro por seu perdão."
"Você é irrecuperável."
[Almeranto: Sinceramente torcendo pelos dois. Você consegue, Tomoya.]
Saki bufou de forma brincalhona diante da reverência exagerada de Tomoya. Alguns segundos depois, não conseguiu segurar e soltou uma risadinha.
"Que conversa é essa, afinal? Quem eu deveria ser?"
"Algum tipo de herdeira rica, talvez?"
"Não tem como herdeiras de verdade falarem assim."
"É mesmo? Falando em herdeiras, tecnicamente, a Tōjō-san é uma, né?"
"Ah é, a Ayaka é. Hmm... Ayaka como uma herdeira... Isso até que é engraçado."
Saki inclinou a cabeça, pensativa, antes de rir.
Se Ayaka estivesse ali, provavelmente protestaria: "Por que você tá rindo?!" Mas naquele momento, estavam só Tomoya e Saki.
Tomoya concordou com um aceno.
"A Tōjō-san não passa muito essa imagem, né? Ela é mais... tipo... avoada? Meio distraída?"
Até pouco tempo atrás, Tomoya não sabia muito sobre Ayaka Tōjō.
Falavam que ela era a garota mais bonita da escola, sempre recebendo declarações de garotos, mas nunca aceitando nenhuma. Parecia completamente desinteressada em romance.
Essa era a imagem que ele tinha da "idol da escola" Ayaka.
Mas depois que ela começou a namorar Haruto — seu melhor amigo — Tomoya teve mais oportunidades de conversar com ela, e sua impressão mudou completamente.
"Sabe, a Tōjō-san é bem mais fofa do que eu imaginava."
Até então, ela parecia uma flor intocável no alto de um pico distante. Mas, na realidade, era só uma garota normal e acessível.
Ouvindo isso, Saki sorriu de lado.
"Oh? Akagi-kun, será que…? Você tá caindo pela Ayaka? Vai rolar um triângulo amoroso com o Ōtsuki-kun?"
"Claro que não. Isso é só minha opinião objetiva. A Tōjō-san é atraente, com certeza, mas não tenho interesse nela desse jeito."
Tomoya declarou firmemente.
Saki o observou com curiosidade.
"Hmm? Isso quer dizer que você já gosta de outra pessoa?"
"Quem sabe?"
Tomoya deu um sorriso provocador, encarando-a.
"Oh? Tá curiosa sobre minha vida amorosa?"
"Nem um pouco!"
"Caramba, tão rápido?! Vai, mostra um pouco de interesse em mim!"
Tomoya exagerou sua reação, fingindo estar chocado.
Saki caiu na risada.
"Como a melhor amiga da Ayaka, só queria garantir que não existem obstáculos na vida amorosa dela."
"Eu também. Nunca iria querer atrapalhar a felicidade do Haru."
O tom de Tomoya ficou um pouco mais sério.
"Ele já passou por muita coisa, então fico muito feliz que ele tenha encontrado alguém importante pra ele. Espero que eles continuem felizes pra sempre."
Saki o observou em silêncio enquanto ele falava.
"...Akagi-kun, você é um cara melhor do que eu pensava. Mais decente do que eu imaginava."
"Hã?"
"Minha impressão sobre você pode ter mudado um pouco."
"Oh? Oh?"
Tomoya abriu um sorriso.
"Então agora é uma boa impressão?"
"Sim, eu diria que sim."
"Ótimo! Então, qual era sua impressão antes?"
"Hmm... Um cara superficial e lixo?"
"Espera, o quê?!"
Tomoya arregalou os olhos em choque.
Saki riu, segurando a barriga.
"Ahaha! Brincadeira!"
"Ei, essa foi pesada!"
"Desculpa, desculpa. Mas eu pensava que você fosse mais do tipo 'Uhuuuu!'"
Saki sorriu brilhantemente para ele.
"Mas no fim, você realmente presta atenção nas pessoas."
Nesse momento, Tomoya parou de andar de repente.
Uma forte rajada de vento passou por eles.
O vento virou a sombrinha de plástico de Tomoya do avesso, quebrando sua armação.
"Ah! Meu querido amigo pereceu!"
Tomoya lamentou sua agora inútil sombrinha barata.
Saki não resistiu a comentar.
"Por que você tá chamando uma guarda-chuva de plástico de ‘querido amigo’? Se vai ser tão sentimental, pelo menos compre uma decente."
"Aizawa-san, amizade não tem preço."
"Aham, sei. Enfim, chega aqui antes que você fique encharcado."
Saki suspirou e o chamou para ficar sob o guarda-chuva dela.
"Valeu. Minha apreciação pela Aizawa-san acabou de subir cinco pontos."
"Só cinco?! São mil!"
"Isso é demais! Eu teria que te pedir em casamento na hora!"
"Por favor, não. Isso seria assustador."
Saki fez uma expressão horrorizada de brincadeira, dando um passo pra longe.
Tomoya agiu como se estivesse devastado.
Ambos riram.
Enquanto continuavam andando, trocando provocações leves, Saki sorriu.
"Estou ansiosa pra assar hoje."
Tomoya olhou de lado e sorriu de canto.
"Aizawa-san, você tá mais animada pra assar… ou pra comer?"
"Ei! Eu sei cozinhar, tá?"
"Sério? Então os lanches que você come na escola são feitos por você?"
"Claro! Minha mãe que faz."
"Isso não é você cozinhar!"
A troca brincalhona continuou enquanto eles caminhavam pela chuva sob uma única sombrinha.
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