SESSÃO 6
148 - O Dever de um Namorado
Ayaka agarrava-se a Haruto por trás enquanto eles assistiam a um drama juntos.
Segundo ela, abraçar Haruto tornava as cenas assustadoras menos aterrorizantes. Ela também explicou feliz que, se uma cena ficasse assustadora demais, podia espiar a tela por cima do ombro dele, o que tornava tudo muito mais suportável.
Estar tão perto da pessoa que amava fazia até um drama cheio de terror se tornar uma experiência divertida para Ayaka.
Por outro lado, Haruto estava mentalmente exausto.
A garota por quem ele era completamente apaixonado o estava abraçando por trás. Só isso já era o suficiente para fazer seu coração parecer prestes a explodir.
E quando uma cena particularmente assustadora aparecia, Ayaka pressionava o rosto contra suas costas e envolvia os braços e as pernas ao redor dele o mais apertado possível.
Para piorar, ele não conseguia ignorar a sensação inconfundível de duas coisas macias pressionando suas costas.
[Almeranto: São os 2 três oitão da Mahi– Cof cof, digo, da Ayaka kkkkkkk.]
Sua única salvação era que o drama era incrivelmente envolvente.
A história cativante o arrastava para aquele mundo, permitindo que, por alguns momentos, ele afastasse seus pensamentos impuros.
Mesmo assim, ele se viu preso em um ciclo — corando com o abraço de Ayaka, depois se distraindo com o drama, apenas para voltar à realidade sempre que ela mordiscava brincando seu lóbulo da orelha, obrigando-o a suprimir as emoções que subiam.
Haruto se arrependeu de sua provocação anterior, percebendo o preço que teria de pagar. Ainda assim, ele continuou assistindo ao drama com Ayaka agarrada a ele.
Quando terminaram o quarto episódio, Ayaka olhou para o relógio.
"Como a gente faz? Eu quero muito continuar assistindo…"
"Já passou da meia-noite."
"É… É muito tarde pra começar outro episódio, né? Mas eu não consigo parar de pensar no que vai acontecer… O que você acha, Haruto?"
Ayaka apoiou a bochecha gentilmente em seu ombro por trás, olhando para cima com uma expressão incerta.
Se Haruto virasse um pouquinho a cabeça, poderia facilmente roubar um beijo. Seu coração batia forte enquanto ele olhava para o relógio.
"Hmm… Também tô curioso sobre a próxima parte, mas…"
"Será que a gente vê só mais um?"
"Não, temos coisas pra fazer amanhã. Vamos encerrar por hoje."
"Ah, verdade. A gente tem que fazer doces, e seria difícil se ficarmos sem dormir."
"Tem isso, mas… eu também acho que seria um desperdício ver tudo de uma vez."
Haruto coçou a bochecha, um pouco envergonhado.
"Se a gente maratonar tudo agora, o tempo que eu passo com você vai acabar rápido demais… e eu não gosto disso."
Os olhos de Ayaka se arregalaram com sua confissão quieta, seu olhar brilhando de alegria.
"Eu sinto o mesmo! Eu amo passar tempo com você, Haruto!"
Radiante, ela deu um beijo em sua bochecha levemente corada, intensificando o tom.
"Então, vamos encerrar por hoje e escovar os dentes."
"Okay!"
Ayaka acenou animada, ainda sorrindo, enquanto Haruto se levantava da cama e seguia para o banheiro.
O restante da família Tōjō já estava completamente adormecida, deixando a casa na mais completa escuridão.
"…Sabe, depois de ver aquele drama, o escuro fica meio assustador," admitiu Ayaka, agarrada ao braço de Haruto enquanto caminhavam.
"É, programas de terror fazem isso. Dá até uma vontade de evitar olhar no espelho enquanto toma banho."
"De jeito nenhum! Eu não vou tomar banho agora, nem pensar!"
"Ainda bem que a gente tomou mais cedo, né?"
Enquanto conversavam, desceram até a pia.
"Mas, bem… Aquele drama é só ficção."
"C-Certo! Não existe esse negócio de zumbi na vida real!"
Ayaka concordou vigorosamente com a cabeça.
Enquanto Haruto colocava pasta de dente na escova, falou casualmente:
"Bom… Zumbis em si podem não existir, mas a ideia não é totalmente impossível."
"…Hã?"
"Tipo, não do jeito do drama, mas existem vírus e patógenos que podem deixar alguém num estado parecido com zumbi."
"…O quê? O quê?"
"Tipo a raiva — já ouviu falar, né? Quando os sintomas aparecem, a taxa de mortalidade é quase 100%. Por isso as pessoas têm que tomar vacina antes de progredir. Parece um pouco com um vírus zumbi, não acha?"
"E-Espera! Pera! O quê!?"
"E também existem vários vírus e bactérias não descobertos que podem causar pandemias. Quem pode garantir que um vírus zumbi não exista?"
"H-Hii!? O quê!?"
"E tem parasitas que controlam completamente insetos, fazendo eles irem pra áreas perigosas ou até se afogarem. Não é meio parecido com transformá-los em zumbis?"
"……………………"
"Se algo assim infectasse humanos e os fizesse atacar os outros, isso já seria um tipo de zumbi, né? Embora eles não apodrecessem, então talvez não… Mas o que define um zumbi, afinal? Só ser um cadáver ambulante?"
Com a escova na mão, Haruto refletiu em voz alta.
Então ouviu uma voz baixa e trêmula.
"H-Haruto…"
Ele olhou para Ayaka, agora pálida como um fantasma e tremendo visivelmente.
"Z-Zumbis… Eles são reais?"
"A-Ah, não — desculpa! Eles não são reais! Definitivamente não são!"
"Mas… você acabou de dizer—"
Zumbis eram apenas fantasia.
Existiam só nas telas.
Era isso que Ayaka repetia mentalmente para suprimir seu medo — até Haruto mencionar a possibilidade de existirem, fazendo sua ansiedade disparar.
"Foi só um exemplo! As chances de isso acontecer são basicamente zero!"
"Mas não completamente zero, né?"
"Uh—Não! É zero! Absolutamente zero! E mesmo se houvesse chance, seria tipo ganhar a pior loteria do mundo!"
"Ugh…"
A simples possibilidade de zumbis existirem fez um arrepio percorrer Ayaka.
Mesmo escovando os dentes, ela evitou olhar no espelho e se agarrou firme à mão de Haruto.
Depois de terminarem, voltaram para o andar de cima.
Haruto olhou para a mão que ela ainda segurava e falou, hesitante:
"Então… Boa noite?"
"…Ugh."
Ayaka ainda parecia apavorada, encarando-o com olhos suplicantes.
"…Desculpa por falar de zumbis."
"…Ei, Haruto."
"Sim?"
"Você disse antes que faria qualquer coisa pra me fazer feliz, né?"
"Disse."
"Então…"
Com olhos marejados, Ayaka segurou as duas mãos dele com força.
"Podemos dormir juntos hoje?"
"…Tudo bem."
Haruto já imaginava que ela pediria isso. Ele fez uma pausa e então assentiu.
Afinal, era culpa dele que ela estivesse assustada.
Como namorado, era seu dever assumir responsabilidade e fazer com que ela se sentisse segura.
Ele repetiu essa lógica na cabeça para tentar suprimir os pensamentos impróprios que começavam a surgir.
Sem perceber sua luta interna, Ayaka abriu um sorriso brilhante.
"Eba! Então… em qual quarto a gente dorme?"
"Uh… Provavelmente no seu. Sua cama é semi–double, né?"
"Ah, verdade."
A cama de Ayaka era semi–double, enquanto Haruto estava no quarto que futuramente seria o de Ryōta, onde dormia em um futon.
Sorrindo, Ayaka puxou Haruto pela mão até seu quarto.
"Já tá tarde, então vamos dormir rápido."
Ela parou ao lado da cama, corando levemente ao se virar para ele.
"…Você quer o lado da parede?"
"Não, você pode ficar com ele."
"Okay."
Ayaka entrou na cama e olhou para ele com expectativa.
Haruto engoliu em seco enquanto se deitava ao lado dela.
"…Com licença."
"Bem-vindo."
Rindo baixinho, ela se aconchegou nele.
"Isso é meio empolgante."
"É."
"Acha que consegue dormir?"
"Mm… Mas eu me sinto segura, então acho que vou conseguir."
Ela entrelaçou o braço no dele.
"Não tá mais com medo?"
"Não. Agora estou completamente feliz."
"Que bom."
Ayaka deu um sorriso sonolento, e Haruto não pôde deixar de sorrir gentilmente de volta.
"O drama foi bem interessante, né?"
"Foi."
"Vamos ver o resto juntos."
"Combinado. Aquele drama tem seis temporadas, então ainda temos muito pra aproveitar."
"Eba."
Ayaka murmurou feliz, depois soltou um bocejo fofo.
Como já passava de meia-noite, o sono claramente a dominava.
"Se eu ficar com medo de novo, você dorme comigo?"
"Claro."
"Fufufu, obrigada…"
Ayaka apoiou a cabeça no ombro de Haruto e lentamente fechou os olhos.
"Estou ansiosa pra fazer doces amanhã também."
"É. Vamos poder comer vários brownies deliciosos."
"Parece… um sonho…"
Ayaka murmurou baixinho, sua voz se apagando.
Alguns minutos depois, o som de sua respiração tranquila encheu o quarto.
Haruto olhou para Ayaka, agora dormindo profundamente ao seu lado. Cuidadoso para não acordá-la, ele se sentou devagar e a observou com uma expressão suave.
"Honestamente, você é fofa demais. Será que você percebe isso?"
Ele afastou gentilmente os fios de cabelo que cobriam seu rosto.
"Dormindo com essa expressão tão indefesa… O que você espera que um garoto do ensino médio faça, Ayaka?"
Dizendo isso, Haruto acariciou sua bochecha com ternura.
Talvez por cócegas, ela murmurou um leve "Mmm…" e se mexeu um pouco no sono.
Haruto a observou por um momento antes de sair com cuidado da cama, garantindo que não faria barulho.
Afinal, ele era um garoto de ensino médio completamente normal.
Dividir uma cama com a garota que amava despertava todos os tipos de sentimentos dentro dele. Mas ele se segurou.
A vida pacífica que tinha na casa dos Tōjō era construída na confiança que Shuichi e Ikue depositaram nele. Ele não tinha intenção alguma de trair essa confiança.
Acima de tudo, Ayaka era extremamente preciosa para ele. Por isso, queria construir um relacionamento que nenhum dos dois jamais se arrependesse.
Suprimindo a leve vontade que persistia em seu peito, ele colocou um beijo suave em sua bochecha antes de seguir para a porta.
"Boa noite, Ayaka. Até amanhã."
Com essas palavras finais, Haruto saiu silenciosamente do quarto de Ayaka.
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