SESSÃO 6

147 - Travessura

 

   Haruto estava sentado na cama, encostado na parede.

   Ayaka, aninhada contra ele, assistia atentamente a um dorama.

"O primeiro episódio acabou. Vamos ver o segundo também, né?"

"Sim. Tô curioso demais pra saber o que acontece."

   Haruto abraçou Ayaka suavemente por trás enquanto falava.

"Imaginei. Certo, começando o episódio dois."

   Enquanto o segundo episódio começava, Ayaka se aconchegou ainda mais em Haruto, novamente absorvida no dorama.

   Este episódio era ainda mais intenso que o primeiro.

   Um dos companheiros do protagonista foi repentinamente sequestrado.

O grupo descobriu que o amigo havia sido levado para um prédio abandonado e decidiu invadir o local.

"Ugh… esse prédio tem energia ruim…"

   Vendo a atmosfera sombria e quase zumbificada do lugar abandonado, Ayaka murmurou baixinho.

"Esses protagonistas são corajosos demais."

   Haruto comentou enquanto colocava um pedaço de pipoca na boca, depois ofereceu outro casualmente para Ayaka.

   Ela comeu com um “pop” pequeno antes de falar, ansiosa:

"Com certeza eles vão ser atacados por zumbis… Ah, espera! Eles tão indo pro porão! Nãooo… Você nunca vai pro porão de um prédio abandonado…"

   Claro, seus avisos foram ignorados e os protagonistas desceram para a escuridão.

   O porão estava completamente envolto em breu, a única iluminação vindo das lanternas deles. Eles procuravam desesperadamente pelo amigo com a visibilidade limitada.

   Uma trilha sonora tensa aumentava a ansiedade até que — de repente, um ruído ecoou pelo silêncio.

   Ayaka se assustou.

"Ah! … Ah, é só um gato…"

   Aliviada, soltou o ar. O protagonista também murmurou "Só um gato, né…" ao mesmo tempo que ela.

   Haruto achou isso divertido e sorriu de lado.

"Assustar o público antes de deixá-lo relaxar — técnica clássica de terror."

"Ugh, eu odeio isso… Meu coração não aguenta…"

   Apesar das palavras, Ayaka continuou grudada na tela, incapaz de desviar o olhar.

   Outro barulho alto.

   Desta vez não era alarme falso — zumbis reais atacaram o grupo.

"Ahhh!!"

   Ayaka soltou um gritinho quando a tela se encheu de zumbis de repente. Seu corpo tremeu.

   Os protagonistas estavam em sério perigo.

   Um deles foi pego e arrastado para baixo por vários zumbis. Incapaz de suportar a cena, Ayaka agarrou a mão de Haruto, pressionando-a sobre o rosto.

"Ah não… Eles vão morrer todos…"

"Isso tá ruim…"

   Ela espiava pelos dedos, incapaz de olhar totalmente.

   O grupo lutou desesperadamente e de alguma forma conseguiu repelir os zumbis.

   Mas o amigo que havia sido arrastado—foi mordido.

"Eu gostava desse personagem… Ele já era?"

"Não necessariamente. Se eles encontrarem a vacina armazenada nesse prédio, talvez consigam salvar."

"Tomara…"

   Ainda segurando a mão de Haruto, Ayaka a apertou contra o peito como se estivesse rezando.

   Haruto, distraído pela sensação contra a palma, forçou-se a voltar a focar na tela.

   O grupo discutia sobre o que fazer.

   Deviam acabar com o amigo antes que ele se transformasse?

   Ou arriscar tudo para tentar encontrar uma vacina?

   Um dos membros insistia veementemente em deixá-lo para trás pelo bem do grupo.

   Ayaka fez um biquinho. "Não gosto desse cara."

   Haruto lhe deu outro pedaço de pipoca enquanto pensava—o que ele faria?

   Se fosse Ayaka quem tivesse sido mordida… faria qualquer coisa para encontrar uma vacina.

   Eventualmente, o protagonista decidiu — iriam salvar o amigo.

   O que insistia em abandoná-lo ficou nitidamente descontente, mas o protagonista, firme, assumiu toda a responsabilidade.

   Ayaka soltou o ar em alívio.

"Esse protagonista é uma pessoa tão boa."

"É. Num mundo assim, você provavelmente precisa de algum tipo de crença pra continuar são."

"Faz sentido… Ei, Haruto, qual é a sua crença?"

"Hmm? Seria… a felicidade da Ayaka?"

"O q—?! … Ugh, não brinca comigo!"

"Tô falando sério."

"V-Você tá…?"

"Sim. Completamente sério."

"E-Eu vejo…"

   Ayaka murmurou, ainda com as costas encostadas em Haruto.

   Ele não conseguia ver o rosto dela — apenas as orelhas, que estavam ficando vermelhas.

   Enquanto as encarava, ouviu um sussurro baixinho.

"Você sempre me pega desprevenida… tsk… fufu."

   A cena intensa do dorama continuava, mas uma atmosfera diferente envolvia os dois.

   Os protagonistas retomaram a busca na escuridão.

   Traumatizada pelo ataque anterior, Ayaka cobriu o rosto com a mão de Haruto desde o início, espiando pelos dedos.

"Assim não é difícil assistir?"

"É assustador demais do outro jeito."

"Mas você ainda assim olha pelas brechas?"

"Sim. Assim, eu aguento."

   Ayaka acenou, mantendo o rosto escondido.

   Ela se contraía a cada momento de suspense.

   Ao observá-la, um pensamento travesso passou pela mente de Haruto.

   Bem ali diante dele — sua orelha.

   Ele lembrou.

   Daquela vez em que Ayaka tinha mordiscado repetidamente seu lóbulo…

   E de como ele teve que aguentar a sensação estranha o tempo todo.

   Agora, ela estava focada no dorama, totalmente desprevenida.

   Haruto olhou alternando entre a tela e a orelha dela, então se inclinou.

"Uuughh—Gao!"

   Imitando o gemido de um zumbi, ele mordiscou o lóbulo dela de brincadeira.

"HYAAAHHH!!"

   Ayaka gritou, pulando alguns centímetros apesar de estar sentada.

   Haruto ficou impressionado com o quanto alguém podia saltar mesmo sentado.

     É isso que chamam de força movida a adrenalina?

   Enquanto ponderava, Ayaka lentamente pegou o controle, apertou pause e congelou a tela.

   O quarto ficou em silêncio.

   Então, muito devagar, ela virou a cabeça para Haruto.

"Haa~ru~to~!"

   Os olhos, levemente marejados, encaravam-no.

"Uh… desculpa?"

"Idiota! Idiota! Idiota! Isso foi horrível!"

   Ela virou-se completamente para ele e começou a socar seu peito com as duas mãos, levemente.

"Você disse que eu podia morder sua orelha a qualquer hora…"

"Agora não! Que timing é esse?! Faz isso numa hora normal!"

"Então… tá tudo bem em outras horas?"

"Sim! Na verdade, eu quero que você faça! Mas não agora! Certo?!"

   Ela continuou batendo nele, seu ataque misturado com uma confissão inesperada.

   Haruto sabiamente escolheu não comentar essa parte.

"Ok, ok. Não vou fazer de novo."

"Ugh! E pensar que eu achei você fofo quando disse que sua crença era a minha felicidade!"

   Enquanto Haruto pedia desculpas, Ayaka fez um biquinho profundo.

"Certo. Então, a partir de agora, eu vou me dedicar à sua felicidade."

"Sério?"

"Sério."

"Então você vai fazer tudo que eu disser?"

"...Sim, tudo o que você disser."

   Após uma breve hesitação, Haruto assentiu.

   Satisfeita, Ayaka se acomodou novamente entre suas pernas.

   Então, de repente, virou-se.

"Hm? O que foi?"

"Sem mais me assustar, entendeu?"

"Prometo que não."

   Ayaka virou de volta — e imediatamente virou de novo.

"Jura por Deus?"

"Juro."

"Hmm… Ah! Eu sei — vamos trocar de lugar!"

"Você quer dizer trocar de posição?"

"Aham!"

   Ela rapidamente se levantou e foi para trás de Haruto.

"Tá, vai um pouco mais pra frente."

"Assim?"

"Perfeito!"

   Ela deslizou para o espaço entre Haruto e a parede, enlaçando braços e pernas ao redor dele por trás.

"Assim, você não pode me assustar, e eu posso me esconder atrás de você quando ficar assustador. Perfeito, né?"

   Espiando por cima do ombro dele, ela sorriu.

"...Ayaka? Pode afastar um pouco?"

"Não!"

"Como esperado…"

   Haruto suspirou, sentindo o calor dela nas costas.

"Certo, vamos continuar."

"Afirmativo!"

   Ele apertou play, resignando-se a assistir enquanto tentava ignorar as distrações atrás dele.

"Ah, e se eu decidir morder seu lóbulo em algum momento, você não tem direito de recusar. Você disse que faria tudo o que eu quisesse."

"...Aceito meu destino."

 

 

— Almeranto: Caramba... Esses dois últimos capítulos provavelmente foram os mais doces e melosos até agora, namoral. Tô aqui chutando a parede pra dá uma aliviada na emoção.

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