SESSÃO 6

146 - Um Momento Celestial

 

   Deitado na cama, Haruto repousa a cabeça no colo de Ayaka.

   De cima, a voz animada dela chega até ele.

"Haruto, você prefere legenda ou dublagem?"

"Normalmente eu vou de legenda, mas como isso significa que não posso desviar os olhos da tela, estou bem com dublagem desta vez. E você?"

"Eu sou do time dublagem. Então, vamos com essa?"

"É."

   Haruto responde brevemente. Ayaka continua acariciando a cabeça dele com a mão direita enquanto usa o controle remoto com a esquerda para ajustar as configurações de áudio e legenda antes de iniciar o filme.

Quando os logos das produtoras aparecem na tela, ela murmura "Tá começando" e coloca o controle de lado.

   Haruto, ainda com a cabeça sobre suas coxas, vira um pouco o corpo para encarar a tela do DVD portátil. Nesse momento, a mão esquerda de Ayaka, que havia largado o controle, pousa gentilmente perto da cintura dele.

"Aliás, Haruto, você disse que estava interessado nesse dorama antes. É o seu tipo de série?"

"Mais ou menos. Além disso, foi um assunto enorme por um tempo, então fiquei curioso."

"Não esperava que você se importasse com trends. Sempre achei que você fosse alguém que não liga pra isso, então fiquei um pouco surpresa."

"É assim que você me via? Bom, acho que realmente não acompanho músicas que estão na moda, por exemplo."

"É, você é mais do enka."

   Ouvindo a risadinha suave de Ayaka acima dele, Haruto inclina a cabeça para olhá-la.

"Você tá tirando sarro de mim?"

"Não, de jeito nenhum. Eu adoro quando você canta enka, Haruto."

"...Valeu."

   Ayaka sorri radiante para ele, fazendo Haruto virar o rosto de volta para o dorama, tentando esconder o constrangimento.

   Mais uma vez, sua risadinha gentil chega até ele. Então, do nada, o cabelo dela cai suavemente sobre o rosto dele e, ao mesmo tempo, uma sensação quente e delicada toca sua bochecha esquerda.

   Um quase inaudível “chu” fica no ar, e Haruto instintivamente ergue o rosto novamente — encontrando o sorriso brilhante de Ayaka.

"...Ayaka-san?"

"Hehe, quando você tá deitado no meu colo, posso te beijar o quanto eu quiser."

   Ela fala feliz, claramente se divertindo.

   Diante da expressão fofa e encantadora dela, Haruto sente uma mistura de alegria, vergonha e uma excitação meio constrangedora, fazendo seu coração formigar.

"...Isso exige reserva antecipada. Não trabalhamos com serviço no mesmo dia."

"Hmm? Então... eu vou te beijar agora."

   Antes que ele possa protestar, Ayaka pressiona os lábios levemente contra a bochecha dele de novo.

"Espera, você ouviu o que eu acabei de dizer?"

   Haruto tenta manter a boca firme para não sorrir enquanto a encara sério. Mas ela só continua sorrindo.

"Ouvi sim. Por isso te avisei antes de te beijar."

"Você ignorou completamente a parte do ‘mesmo dia’, né..."

"Sim."

   Ayaka confirma na hora, fazendo Haruto soltar uma risadinha.

"Haruto, você não gosta? Não quer me beijar?"

"...Claro que não."

"Você quer me beijar?"

"...Quero."

"Então... chu."

"Mm."

   O terceiro beijo de Ayaka cai nos lábios de Haruto.

   Nesse ponto, ele já não consegue controlar os músculos do rosto — seus lábios se curvam num sorriso impossível de esconder.

"Isso foi traiçoeiro."

"Não foi. Eu só queria te beijar."

"...É exatamente isso que torna isso traiçoeiro."

   Ainda com a cabeça no colo dela, Haruto levanta a mão e acaricia suavemente a bochecha de Ayaka.

"Você realmente precisa ter mais noção de o quão charmosa é. Desse jeito, eu posso ter parada cardíaca."

"Isso seria um problema. Eu teria que te fazer respiração boca a boca."

"Espera, isso é pra ressuscitação, e eu não tô— mmph."

   Antes que ele termine a frase, Ayaka sela seus lábios com outro beijo.

   Como ele está deitado no colo dela, não há para onde fugir. Assim como ela disse, é “beijo ilimitado”.

"Sentindo-se revigorado?"

"Eu tô é prestes a parar de vez."

"Então eu tenho que continuar com a RCP."

      Divertindo-se muito mais do que deveria, Ayaka continua roubando os lábios dele. Haruto, percebendo que é inútil corrigi-la sobre métodos adequados de ressuscitação, apenas afaga a cabeça dela.

"Chu... Hehe, travesseiro de colo é o melhor."

"...Da próxima vez que eu ganhar um, preciso me preparar mentalmente."

"Então eu vou te surpreender com um travesseiro de colo emboscado."

"Não, sério, não. Isso é perigoso."

"Perigoso por quê?"

"Isso é... Ah, espera, a gente mal viu o dorama. Se não prestarmos atenção agora, não vamos entender nada depois."

   Enquanto os dois pombinhos estão completamente imersos no próprio mundinho, o DVD portátil continua exibindo o dorama mundialmente famoso, sendo completamente ignorado.

"Verdade. Vamos voltar do começo."

   Ayaka pega o controle e rebobina o episódio.

"Dessa vez vamos focar, ok?"

"É, vamos assistir direito."

   Haruto a alerta, e Ayaka acena obedientemente.

   Fiel à palavra, ela evita beijos repentinos e assiste quietinha ao dorama.

   A cena de abertura mostra o cotidiano pacífico do protagonista.

   Quando o personagem principal, um jornalista, chega ao escritório, Ayaka lança um olhar para o saco de pipoca.

"Qual sabor você quer primeiro? Salgada ou manteiga com mel?"

"Hmm... salgada."

"Okay."

   Ela acena e abre o saco de pipoca salgada.

"Deitado assim fica difícil alcançar a pipoca."

"Então eu te dou na boca."

Ela pega dois pedacinhos de pipoca e leva um aos lábios de Haruto.

"Aqui."

"Valeu."

   É sexta-feira à noite.

   Vadiando, assistindo a um dorama enquanto recebe pipoca e descansa no colo de Ayaka — Haruto não consegue evitar murmurar:

"Isso deve ser o paraíso..."

"Hm? Você disse alguma coisa?"

   Ayaka inclina a cabeça, olhando para baixo.

"Ah, nada. Parece que os zumbis vão aparecer."

"É... tá ficando meio assustador."

   A atmosfera antes pacífica muda para algo mais tenso.

   Um distrito noturno normalmente movimentado aparece agora estranhamente silencioso, suas luzes piscando de forma sinistra.

"Cenas assim geralmente significam um ataque de zumbis de repente. Ah, lá vêm eles."

"Ahh!?"

   Um zumbi ensanguentado arrebenta a janela de um restaurante e avança sobre o protagonista. Ele é derrubado no chão.

   O zumbi, mostrando os dentes, se debate de forma frenética. O protagonista luta para empurrá-lo. A câmera treme intensamente, enfatizando a tensão da cena.

   A mão de Ayaka, que acariciava a cabeça de Haruto, congela.

"Ah não, ele vai ser mordido! Ele— ah! Ahhh, foi por pouco— ah!"

"Se o protagonista virasse zumbi logo de cara, a história acabaria. Ele vai ficar bem."

"Nunca se sabe... Ahh! Ele foi mordido! Foi mordido mesmo! Olha!"

"Hã? Ah, é verdade... E agora?"

   Haruto esperava uma fuga previsível, mas o protagonista realmente é mordido.

   Ayaka arregala os olhos. "Ele foi mordido..."

   Intrigado com o rumo inesperado, Haruto começa a teorizar.

"Talvez ele seja imune ao vírus? Ou talvez exista uma vacina, e a história gire em torno disso..."

"Os zumbis são assustadores, mas esse dorama é muito bom!"

"É."

   O dorama aclamado mundialmente mostra seu valor enquanto os dois mergulham na trama.

   Cerca de trinta minutos depois, Haruto se mexe um pouco.

"Hm? O que foi?"

"Deitado assim é difícil ver a tela."

"Quer sentar?"

"É, talvez."

"Okay... Oh, tive uma ideia!"

   Os olhos de Ayaka brilharam.

"O que foi?"

   Ela abre um sorriso radiante.

"Senta e abre um pouco as pernas."

"Assim?"

Ele apoia uma almofada na parede, se recosta e senta com as pernas ligeiramente afastadas.

Então, Ayaka se senta entre elas.

"Hehe, assento VIP."

   Ela se recosta nele.

   Haruto, percebendo que isso é outro tipo de paraíso, a envolve com os braços.

"Hehe, agora posso cobrir meus olhos com suas mãos quando ficar assustador."

   Rindo, ela pega as mãos dele e as coloca sobre seus olhos.

"Se eu espiar entre os dedos, não é tão assustador."

"Isto é totalmente um clichê de filme de terror."

   Rindo, Haruto aperta o abraço.

 

– Almeranto: Ayaka é o demônio do beijo, isso que eu entendi.

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