SESSÃO 6

145 - A Determinação de Ayaka Tojo ③

 

   Depois do jantar, eu relaxei no sofá enquanto rolava casualmente as redes sociais no meu celular.

   A propósito, o Haruto foi levado pelo Papai, e os dois estavam jogando shogi juntos.

"Hmm, entendo, entendo…"

   Papai analizava o tabuleiro de shogi com uma expressão séria.

   Haruto também encarava o tabuleiro atentamente, totalmente focado.

   Eu estava um pouco frustrada pelo Papai ter tirado o Haruto de mim, mas ao mesmo tempo, estava feliz de ver o lado sério dele.

   Com a mão apoiada levemente no queixo, perdida em pensamentos, o Haruto parecia muito legal.

     …Será que eu deveria tirar uma foto escondida?

   Enquanto eu encarava o perfil do Haruto pensando nisso, nossos olhos se encontraram de repente.

"!?"

"Hm?"

   O olhar afiado do Haruto, que até então estava fixo no tabuleiro, suavizou no instante em que nossos olhos se encontraram. Esse contraste fez meu coração dar um salto.

   Pensando que meu rosto devia ter ficado vermelho, falei com ele.

"E então? Acha que consegue ganhar?"

"Hmm, o rei do Shuichi-san está difícil de encurralar, então não consigo dizer se vou conseguir romper ou não."

"Uau, sério?"

   Eu não entendia muito de shogi, mas a peça do Papai rotulada como “Rei” parecia isolada, enquanto o “Rei” do Haruto estava bem protegido por outras peças. Para mim, parecia que o Haruto estava em uma posição mais sólida.

   Haruto voltou a olhar para o tabuleiro, concentrado novamente com aquela expressão séria.

     Suspiro… ele é realmente legal.

   Eu queria que ele terminasse logo de jogar shogi com o Papai e prestasse atenção em mim, mas ao mesmo tempo, queria ficar vendo seu perfil focado por mais um tempinho.

   Enquanto eu me perdia observando ele, feliz, Kiyoko-san, que estava escrevendo em seu diário na mesa de jantar, veio se sentar ao meu lado.

"Ayaka-san, posso sentar aqui?"

"Claro. …É tricô?"

   Kiyoko-san se acomodou no sofá com um suave "Pronto", segurando um novelo de lã e duas agulhas de tricô.

"Sim. A sacola que eu estava usando está ficando gasta, então pensei em fazer uma nova."

"Você vai fazer sua própria eco-bag? Isso é incrível!"

"Depois que você se acostuma, tricotar é bem simples."

   Com um sorriso gentil, Kiyoko-san colocou os óculos e puxou um fio de lã macio, de cor bege clarinha.

"Posso ver você tricotando?"

"Claro, fique à vontade."

   Curiosa sobre tricô, me inclinei para observar suas mãos.

   Ela enrolou o fio ao redor da mão esquerda e habilidosamente o passou pela agulha da direita.

"Tricô sempre me pareceu uma atividade de inverno."

"Isso porque muita gente tricota cachecóis e suéteres. Mas se você usar fios diferentes, dá para fazer coisas adequadas até para estações quentes."

   Enquanto explicava, ela continuou tricotando rapidamente.

"Uau! Parece mágica."

   Ver o tecido tomando forma do nada num instante era tão fascinante que eu não conseguia desviar o olhar.

"Hehe, Ayaka-san, você gostaria de tentar tricotar?"

"Acha que eu conseguiria?"

"Claro. Estou usando agulhas de tricô agora, mas também existe o crochê, que é ainda mais fácil para iniciantes."

"Sério? Isso parece interessante…"

"Talvez você pudesse praticar fazendo um cachecol para este inverno."

"Um cachecol parece legal!"

   Na minha mente, tricô era sinônimo de cachecol.

   E se eu ficasse boa nisso, talvez neste Natal… eu pudesse dar um cachecol feito à mão para o Haruto?

   Imaginando a cena, lancei um olhar rápido para o Haruto.

   A partida de shogi com Papai parecia ter terminado, e agora eles estavam alegremente revisando o jogo juntos.

   Enquanto eu via o Haruto sorrir e dizer "Ah, entendi, essa foi uma boa jogada", Kiyoko-san continuou falando sobre o encanto do tricô.

"Você pode escolher seus materiais e cores favoritas, e quando se acostuma, pode até personalizar padrões e designs."

"Kiyoko-san! Por favor, me ensine a tricotar da próxima vez!"

   Eu tinha tomado minha decisão — eu daria um cachecol tricotado à mão para o Haruto!

   Com essa determinação no coração, pedi animadamente à Kiyoko-san.

"Claro! Vou adorar ensinar."

   Ela assentiu calorosamente.

   Nesse momento, Mamãe e Ryota voltaram para a sala depois do banho.

"Mano, vamos brincar!"

   Assim que entrou na sala, Ryota correu direto para o Haruto.

     Ugh… agora o Ryota tomou o Haruto de mim.

   Todo mundo na minha família ama o Haruto, então mesmo quando ele está aqui, é difícil ele ficar só comigo. Bom, é ótimo que gostem dele, mas mesmo assim…

   Mas hoje à noite, tínhamos planos de assistir ao drama que eu peguei emprestado da Saki juntos, então eu precisava deixar o Ryota ficar com ele por enquanto. Como irmã mais velha, eu precisava ser paciente.

   Me dizendo isso, virei para a Mamãe.

"Ei, Mãe, posso pegar o monitor do escritório emprestado depois?"

"Claro. Você vai ver um filme no seu quarto?"

"Peguei emprestado um DVD de um drama estrangeiro da Saki, então vou assistir com o Haruto mais tarde."

"Ah, entendi. Sinta-se à vontade para usar."

"Obrigada!"

   Depois de conseguir permissão para usar o DVD portátil, perguntei a Kiyoko-san: "Gostaria de tomar banho primeiro?"

"Oh não, gostaria de tricotar um pouco mais, então pode ir na frente."

"Ok. Então vou tomar meu banho."

   Depois de dar um pequeno aceno para Kiyoko-san, segui para o banheiro.

   Enquanto eu me afastava, ouvia o Ryota e o Haruto brincando de super-heróis.

"Mano, você não precisa tomar banho com a Mana?"

"N-Não, está tudo bem. Estou brincando com você agora, Ryota-kun."

"Tá bom!"

   Com a voz alegre do Ryota e a resposta atrapalhada do Haruto ao fundo, fui tomar banho.

   Quando saí, o Ryota ainda estava grudado no Haruto, e ficou assim até finalmente chegar a hora de dormir.

"Ufa… finalmente posso ter o Haruto só para mim…"

   Sozinha com ele no meu quarto, soltei um suspiro aliviado.

"O Ryota é cheio de energia todo dia."

"Sim, mas não é só o Ryota — o seu pai sempre tenta brincar comigo também, sabia?"

"Haha, verdade."

   Hoje foi shogi, mas o Papai também adorava falar com o Haruto sobre pesca, equipamentos de camping e até convidá-lo para jogar bola no quintal.

   Sinceramente, parecia que o Papai já considerava o Haruto como filho…

   O Haruto sempre ouvia com interesse e nunca recusava, o que provavelmente incentivava ainda mais o Papai.

"Se o Papai ficar chato demais, pode falar, tá?"

"Eu nunca achei ele chato."

   Haruto riu, meio sem jeito.

   A gentileza dele era uma das coisas que eu mais amava, mas também era o motivo de todo mundo tentar roubá-lo de mim.

   Eu estava feliz que minha família gostava dele, mas ao mesmo tempo frustrada por não conseguir tê-lo só para mim.

     É isso que chamam de dilema do amor?

   Pensando nisso, coloquei a pipoca que tinha trazido em cima da mesa.

   Haruto colocou o DVD portátil na mesa também.

"Como vamos assistir?"

"Você tem que usar meu colo de travesseiro, então vamos assistir na cama."

"Ah, é, o colo…"

   Haruto tinha esquecido disso, e suas bochechas ficaram ligeiramente vermelhas.

   A reação dele era adorável, e eu sorri enquanto subia na cama.

   Coloquei uma almofada contra a parede para usar como encosto.

"Certo, Haruto, vem aqui."

   Bati nas minhas coxas, e ele deitou devagar, apoiando a cabeça no meu colo, ainda com o rosto corado.

"Me avisa se suas pernas ficarem dormentes, tá?"

"Sim, obrigado."

   Enquanto eu passava os dedos pelo seu cabelo macio, ele se mexeu um pouco.

"Isso faz cócegas?"

"Não, é só que… você está cheirando a sabonete…"

"Você não gosta?"

"N-Não… eu gosto… gosto muito… até demais, fica meio difícil de me concentrar…"

"Hehe, bom, contanto que você não se importe, vamos ficar assim."

"…Tá."

   Vendo ele acenar timidamente, sorri e peguei o controle do DVD.

"Certo, vamos ver o drama."

"Sim."

   Uma noite de sexta com o Haruto.

   Um momento precioso em que eu podia tê-lo só para mim.

   Enquanto eu pressionava o botão de play, passando os dedos pelo cabelo dele, meu coração batia acelerado de alegria.

 


 

   Determinação da Ayaka: Aproveitar ao Máximo a Noite de Sexta com o Haruto!

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