SESSÃO 7
152 - O Que Importa é o Interior
Depois que Ryota saiu correndo, uma atmosfera constrangedora permaneceu no hall de entrada da residência Tōjō.
Tentando quebrar a tensão, Tomoya falou animadamente com Ishikura.
"Quanto tempo, Kazuaki-senpai!"
"O-Oh. É, faz um tempo, Tomoya."
Ainda se recuperando do choque da reação de Ryota, Ishikura respondeu com um sorriso meio forçado.
Nesse momento, Ayaka colocou um sorriso exagerado e falou.
"Bom, é, ficar parado na entrada não é bom, então vamos para a sala."
Todos assentiram à sugestão da anfitriã e seguiram para a sala de estar.
Ao entrarem, viram Ikue ainda conversando com Kiyoko na mesa de jantar. Ela se levantou com um sorriso acolhedor e cumprimentou os convidados.
"Oh, minha nossa, bem-vindos. Vocês vieram até aqui mesmo com a chuva."
O olhar gentil de Ikue se voltou para Tomoya e Shizuku. A seus pés, agarrado firme à sua perna, estava Ryota.
"Vamos ver, você é o Tomoya-kun e a Shizuku-chan, certo? E..."
Ikue tocou levemente o queixo enquanto olhava para Ishikura.
"Muito prazer. Meu nome é Kazuaki Ishikura, e frequento o mesmo dojo de karatê que o Haruto. Obrigado por me receberem hoje."
Ishikura se curvou educadamente ao se apresentar.
Vendo seu comportamento cortês, Ikue sorriu calorosamente. Mas, no momento em que Ishikura se curvou, Ryota se encolheu e rapidamente se escondeu atrás da mãe.
"Por causa do seu treino de karatê, você parece muito forte e confiável, Kazuaki-kun."
"Oh, obrigado."
Como esperado de Ikue.
Como executiva de uma empresa, ela estava acostumada a lidar com muitas pessoas e não demonstrava nenhum sinal de intimidação diante da aparência imponente de Ishikura. Em vez disso, elogiou sua presença com um sorriso.
Ishikura, por outro lado, parecia pego de surpresa.
Ele estava acostumado a que as pessoas ficassem apreensivas com ele no começo, então não sabia muito bem como reagir ao acolhimento caloroso de Ikue.
Enquanto coçava a bochecha de forma desajeitada, Ikue se apresentou.
"Sou Ikue, mãe da Ayaka e do Haruto."
"Hã? A mãe do Haruto?"
Algo na apresentação de Ikue fez Ishikura parar. Ele se virou para Haruto, confuso.
Ao mesmo tempo, Ayaka, com o rosto corado, interrompeu apressada.
"Mãe! Não se apresente desse jeito!"
"Hmm? O que teve de estranho?"
"Você disse ‘a mãe do Haruto’! Isso ainda não é verdade!"
"Oh, é mesmo. Ainda não."
"Ugh! Mãe!"
Ikue provocou Ayaka de forma brincalhona, enquanto a filha ficava completamente vermelha de vergonha.
Esse tipo de troca entre mãe e filha já havia se tornado rotina na casa dos Tōjō.
Saki bateu palmas suavemente, impressionada com Ikue, enquanto Tomoya murmurou: "Caramba, ela realmente gosta demais dele." Shizuku concordou com um aceno e lançou sua expressão sem emoção para Haruto. "O casamento é só questão de tempo."
Visitando a casa dos Tōjō pela primeira vez, Ishikura ficou atônito com a conversa entre Ikue e Ayaka. Ele encarou Haruto com olhos arregalados.
"Haruto, você..."
"Ahaha…"
Haruto soltou uma risada seca, como se já tivesse aceitado o próprio destino.
O casamento ainda estava longe para um estudante do ensino médio como Haruto. Ainda assim, vivendo na casa dos Tōjō, era fácil imaginar seu futuro — e quem provavelmente estaria ao lado dele.
A piada aparentemente séria de Ikue deixou Ayaka ainda mais vermelha, enquanto Saki ria, achando graça.
Vendo que a tensão ao redor de Ishikura havia diminuído, Ikue sorriu.
Então, ela voltou o olhar para Ryota, que ainda se agarrava à sua perna.
"Ryota, você cumprimentou o Kazuaki-kun direitinho?"
"Uh… ugh…"
Ryota se encolheu e balançou a cabeça devagar.
"Você precisa cumprimentar as pessoas direitinho quando as encontra pela primeira vez."
"...Ugh..."
Ao ouvir a mãe, Ryota apertou ainda mais firme o tecido da calça dela.
A presença intimidadora de Ishikura era suficiente para mexer com muitos adultos. Para uma criança tímida e pequena como Ryota, aquilo devia parecer esmagador.
Vendo-o tremer como um animalzinho frente a um predador, Ishikura olhou para Ikue com um semblante arrependido.
"Ah, eu não me importo. Estou acostumado."
Mas Ikue rejeitou suavemente suas palavras.
"Não, isso não está certo. Cumprimentos são a base da comunicação. Não podemos negligenciar isso."
Ela se agachou para olhar Ryota nos olhos.
"Ryota, você não deve julgar as pessoas pela aparência. Você precisa cumprimentá-las direitinho, olhar nos olhos, conversar, e só então decidir por si mesmo se são boas pessoas ou não."
"...Tá."
Ikue falou num tom firme, mas gentil, dividindo as frases em porções curtas para que Ryota pudesse compreender.
Ryota ficou em silêncio por um momento, a cabeça baixa, até finalmente levantar o olhar e assentir levemente. Então, ele deu um pequeno passo à frente.
"É… é um p-prazer… eu sou o Ryota Tōjō…"
Sua voz era suave e trêmula, mas ele seguiu as instruções da mãe, olhando para Ishikura com olhos cheios de lágrimas, mas determinados.
Os olhos de Ishikura se arregalaram de surpresa.
Ele se agachou para ficar na altura de Ryota e estendeu a mão com um sorriso radiante.
"Prazer em conhecer você, Ryota-kun! Sou Kazuaki Ishikura. Hoje, vou dar o meu melhor para fazer uns doces deliciosos para você!"
"…Eep…"
Ryota se sobressaltou com o aperto de mão entusiasmado de Ishikura e deu um pequeno passo para trás.
Percebendo o erro, Ishikura tentou recolher rapidamente a mão.
Mas antes que ele pudesse evitar o gesto por completo, Ryota estendeu a mãozinha e segurou gentilmente a ponta do dedo indicador dele.
"…O-obrigado. Eu… tô animado… pros doces…"
"!?"
Mesmo ainda tremendo, Ryota tentava o seu melhor para se comunicar.
Ishikura ficou tão emocionado que chegou a tremer um pouco.
Apesar de adorar crianças, ele era frequentemente temido por causa de sua aparência dura. Não era incomum que crianças corressem dele sem nem dizer oi, ou começassem a chorar quando ele falava.
Embora Ryota tenha soltado a mão dele rapidamente e se escondido novamente ao lado de Ikue, Ishikura estava mais do que satisfeito. Ele olhou para Ryota com admiração.
Nesse momento, Kiyoko, que observava tudo com um sorriso gentil, cumprimentou Ishikura.
"Kazuaki-kun, quanto tempo."
"Kiyoko-san, faz tempo mesmo."
"Ouvi do Haruto que vocês vão fazer doces hoje."
"Sim! Vou colocar meu coração e alma para fazer os melhores doces para você, Ikue-san e Ryota-kun."
Os olhos de Ishikura ardiam com determinação.
Kiyoko sorriu calorosamente. "Obrigada", ela disse. Ikue também olhou para Ryota e sorriu. "Estou ansiosa."
Como agradecimento por usarem a cozinha da família Tōjō, eles planejavam compartilhar alguns dos brownies que fariam.
Originalmente, Shizuku e os outros queriam levar um presente, mas Ikue recusou, dizendo que não era necessário. Em vez disso, pediu apenas uma pequena parte do que eles assassem.
"Beleza! Vou fazer os brownies mais deliciosos para o Ryota-kun!"
Ishikura cerrou os punhos cheio de entusiasmo, mas Shizuku protestou.
"Não só para o Ryota-kun. Faça também os melhores brownies para mim."
"Ah, certo. Ok, vamos começar."
"Que resposta meia-boca foi essa? Você é bem atrevido para um cara com cara de mal."
"Minha culpa, minha culpa."
"...Ele ignorou a parte do 'cara de mal'..."
De tão animado, influenciado pela presença de Ryota, Ishikura simplesmente ignorou a provocação de Shizuku. Como sua brincadeira habitual foi descartada tão facilmente, Shizuku ficou por um instante em choque, com expressão vazia, mas olhos levemente arregalados.
"Vamos, Shizuku, para de viajar e começa a preparar as coisas. Quem não trabalha não come."
"Vou começar a te chamar de 'Loli-Yakuza' a partir de agora."
"É, faça como quiser."
"Ugh!"
Ishikura começou alegremente a preparar os ingredientes, totalmente imune às provocações de Shizuku.
Shizuku fez um biquinho irritado, enquanto Tomoya, observando a cena, virou-se para Ishikura e perguntou:
"Kazuaki-senpai, o que eu faço?"
"Hmm, vamos ver… Aliás, o quanto você sabe cozinhar, Tomoya?"
"Mais do que só fritar um ovo, mas não o suficiente para fazer uma omelete!"
"...Entendi."
Ouvindo a resposta excessivamente confiante de Tomoya, Ishikura assentiu como se tudo tivesse feito sentido, enquanto Haruto entrou com uma bronca.
"Que tipo de ‘mais que amigos, menos que amantes’ é essa? Você precisa treinar mais suas habilidades culinárias."
Haruto suspirou em exasperação, e Saki entrou na brincadeira, provocando Tomoya.
"Isso mesmo~! Hoje em dia, garotos que não sabem cozinhar não fazem sucesso, sabia? Né, Ayaka?"
"Hã? Bom, é… eu ficaria mais feliz se alguém soubesse cozinhar do que não soubesse…"
Lançando um olhar para Haruto, Ayaka corou levemente.
"Mas mesmo se o Haruto não soubesse cozinhar, eu ainda amaria ele. Se for o caso, eu poderia ensinar ele a cozinhar."
Talvez imaginando essa cena, Ayaka sorriu docemente para Haruto.
Vendo isso, Saki soltou um suspiro cansado, e Shizuku lançou um olhar morto.
"Hum, Ayaka, a gente não pediu esse nível de detalhe. Você pode não começar a derramar amor do nada?"
"Vou reduzir o açúcar só no brownie da Ayaka-senpai."
"Hã? Não, espera! Isso não foi—"
"Então o que foi, exatamente?"
"Se isso não foi derramar amor, você precisa explicar."
"I-Iss… isso é… hum… ugh..."
Com o rosto completamente vermelho, Ayaka abaixou a cabeça de vergonha.
Ouvindo a troca entre as meninas, Ishikura se inclinou discretamente para sussurrar com Haruto.
"Caramba, você é realmente adorado pela família Tōjō, hein?"
"Haha, bom… é legal, eu acho."
Haruto sorriu de forma constrangida, confirmando a observação.
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