SESSÃO 6

131 - Os Desafios de Ayaka Tōjō ⑦

 

   O intervalo depois do terceiro período.

   Fui para o vestiário para me trocar para o uniforme de educação física.

"Está tão quente, e agora ainda temos aula de educação física lá fora? Ugh, isso é tão deprimente."

   Saki, que trocava de roupa ao meu lado, enfiou os braços na camiseta e resmungou com uma expressão sombria.

"Totalmente. Eles deviam remarcar os festivais esportivos para evitar a temporada de insolação."

   Concordando com ela, desabotoei a camisa do uniforme.

"Se alguém desmaiar de insolação hoje em dia, vai parar em rede nacional… Espera, Ayaka?"

"Hm?"

"Você… está crescendo de novo?"

"Hã?"

   A princípio, não entendi o que Saki queria dizer, mas segui seu olhar e percebi.

"Uh, ahm… Talvez?"

   Olhei para baixo e inclinei a cabeça.

"Agora que você falou, a lingerie que comprei recentemente está um pouquinho apertada…"

"Por que só cresce? Se é pra crescer, deveria ser o corpo todo! Injusto!"

"Quero dizer, o que você quer que eu faça…?"

   Esse crescimento não é algo que eu possa controlar.

   Sinceramente, se continuar aumentando, vai limitar minhas opções de roupas — o que é um grande problema pra mim.

   Especialmente agora que estou namorando o Haruto. Ter minhas opções de moda limitadas na frente dele? Absolutamente inaceitável.

   Eu sempre quero parecer fofa na frente dele.

   Sem contar que eu não gosto do jeito que os olhares de outros homens me fazem sentir.

   Eu adoraria que o Haruto não conseguisse tirar os olhos de mim, mas atenção de qualquer outra pessoa? Isso só me assusta.

     Será que… o que o Haruto acha?

     Será que ele prefere maiores? Ou ele gosta de algo mais modesto?

     Talvez eu devesse perguntar a ele da próxima vez…

     Mas como eu perguntaria algo assim? Trazer o assunto casualmente?

   Enquanto eu estava perdida em pensamentos sobre ele, Saki sorriu para mim com um ar travesso.

"Ayaka, você está pensando nele agora, não está?"

"Hã? Ah… Sim…"

"Está se perguntando sobre as preferências dele, não é?"

"Ugh…!"

   Ela acertou em cheio, e eu não pude evitar ficar envergonhada.

"Será que todo esse crescimento é alimentado pelo seu amor por ele? Sua sortuda apaixonada!"

"Ei, Saki! Para com isso! Não, para! Isso faz cócegas!"

   Saki de repente me atacou, me fazendo contorcer enquanto eu tentava desviar das cócegas implacáveis.

   No meio do nosso caos, uma voz hesitante chamou atrás de mim.

"Ahm… Tōjō-san? Posso falar com você um minuto?"

"Hã? Ah, claro. O que foi?"

   Afastando as mãos da Saki, virei e vi uma colega de classe parada ali, parecendo desconfortável.

   Era Terazawa-san.

   Nós pertencíamos a círculos diferentes, então normalmente só trocávamos cumprimentos rápidos.

   Com seu jeito reservado, Terazawa-san mexeu num fio de seu cabelo médio enquanto falava cautelosamente.

"Ahm… Tem algo que eu queria te perguntar…"

   Ela parou e lançou um olhar meio constrangido para Saki.

   Saki entendeu na hora e disse: "Ok, vou deixar vocês à vontade", antes de se afastar.

"Vou para o campo primeiro", ela disse, acenando enquanto saía do vestiário.

   Terazawa-san fez uma pequena reverência de agradecimento antes de se virar para mim novamente.

"Então, o que você queria perguntar?"

"Bom, ahm…"

   Enquanto eu ajeitava a camiseta, ela tirou o celular do bolso.

"No sábado passado, eu… eu vi algo…"

   Ela me mostrou a tela do celular e, no instante em que vi a foto, minha mente ficou em branco.

   Era uma foto tirada dentro de um trem, pela janela que separa dois vagões.

   No centro da imagem estava um casal, claramente muito próximo.

   A garota apoiava a cabeça no ombro do garoto com um sorriso radiante, segurando o braço dele com força.

   Terazawa-san hesitou antes de falar.

"Me desculpe por tirar isso sem permissão — eu sei que parece que eu estava espionando. Mas… quando vi isso, não consegui parar de pensar…"

   Ela olhou de novo para a foto e então encarou meus olhos com certeza.

"Isso… É o Otsuki-kun e você, não é?"

   A foto era inconfundivelmente do Haruto e de mim, tirada na volta do nosso encontro no aquário.

"Is-isso… ahm…"

   Pega de surpresa, não consegui encontrar palavras. Meus pensamentos giraram, trazendo à tona memórias antigas.

"Não roube a pessoa de quem eu gosto!"

   Uma amiga havia gritado isso pra mim no fundamental.

   Aquele momento me fez evitar meninos e me afastar de qualquer romance.

   Será que estava acontecendo de novo?

   Só de pensar nisso, meu peito apertou, e meu coração começou a bater rápido demais.

"Me diga, Tōjō-san. Você está namorando o Otsuki-kun? Ele é a pessoa que você disse que gostava?"

"Isso… Isso…"

   Eu não consegui responder.

   Eu não conseguia pensar direito.

   O que eu devia fazer?

   Só consegui encarar Terazawa-san, que esperava pacientemente por uma explicação. O olhar dela deixava minhas memórias mais nítidas, me sufocando.

   Desesperada para fugir, olhei para o relógio na parede.

"Eu-eu tenho que ir! Vamos nos atrasar para a aula!"

"Espera, Tōjō-san!"

   A voz dela ecoou atrás de mim, mas eu não olhei para trás enquanto fugia do vestiário.

   Minha respiração estava curta, e eu mal consegui me acalmar enquanto corria em direção ao campo.

   Logo antes de sair do prédio da escola, encontrei Saki.

"Uau, você foi rápida—ei, Ayaka, você está bem? Está pálida."

"...Estou bem."

   Saki, trocando os sapatos, olhou preocupada enquanto se juntava a mim.

"Aconteceu alguma coisa com a Terazawa-san?"

   O olhar preocupado dela analisava meu rosto.

   Eu queria confiar nela, mas com outros estudantes ali perto, eu não podia arriscar que ouvissem.

   Forçando um sorriso, balancei a cabeça.

"Não, nada. A propósito, a aula de educação física hoje é corrida de média distância, né? Sou péssima em correr voltas — é tão chato."

"...É. Eu não me importo, na verdade — gosto de correr."

   Embora ela me lançasse um olhar suspeito, Saki entrou no jogo e seguiu o assunto.

   Agradeci silenciosamente enquanto fazíamos conversa fiada, tentando me distrair para manter a compostura.

   Quando a aula começou, fizemos alongamento antes de correr ao redor da pista.

   Ao sinal, todos começaram a correr no próprio ritmo.

   Saki, sendo rápida, logo se distanciou, enquanto eu ficava para trás, lutando para controlar a respiração.

   Ficando atrás do grupo, percebi Terazawa-san diminuindo o ritmo e vindo em minha direção.

   Em pânico, tentei acelerar, mas minhas pernas não obedeceram. Ela facilmente igualou meu passo.

"Ei, Tōjō-san. Sobre mais cedo…"

"Hah… hah… Não… não podemos… falar na aula…"

   Ofeguei, tentando dispensá-la, mas ela ignorou minhas tentativas fracas.

"Por favor, Tōjō-san. Eu preciso saber sobre vocês dois!"

   Havia um tom desesperado na voz dela, e aquilo me deu uma sensação ruim.

"...Por… quê…?"

   Perguntei com hesitação, ainda ofegante.

   Ela olhou para baixo por um momento, depois me encarou com determinação.

"Porque eu gosto dele. Eu gosto do Otsuki-kun!"

"Ah—!"

   As palavras dela atingiram como um raio, e as memórias do rosto choroso da minha amiga do fundamental voltaram com tudo.

   Estava acontecendo de novo.

   O medo me paralisou, deixando meu corpo rígido. Eu tropecei e caí com força no chão.

"Ah!"

"Tōjō-san! Você está bem?!"

   Assustada, Terazawa-san parou e se ajoelhou ao meu lado.

"Eu—eu estou bem, só caí—ah!"

   Quando tentei me levantar, uma dor aguda atravessou meu tornozelo direito, e desabei de novo.

   Terazawa-san correu até mim, alarmada.

"Não force! Fica parada!"

"Mas…"

   Antes que eu pudesse insistir, murmúrios começaram a se espalhar quando outros alunos perceberam minha queda.

     Eu precisava me levantar antes que—

"Ayaka!"

   A voz familiar me fez olhar para cima, e lá estava ele — Haruto, correndo em minha direção.

   Ele se agachou ao meu lado e examinou meu tornozelo inchado com cuidado.

"Está torcido", ele disse, com a voz firme.

   Antes que eu pudesse reagir, ele passou um braço sob meus joelhos e o outro nas minhas costas, me levantando facilmente no colo — em um carregamento de princesa.

   O campo inteiro prendeu a respiração.

"H-Haruto?!"

"Não se mexa. Vai piorar."

"Ah, c-certo…"

   O tom sério dele me fez apenas concordar, mesmo com meu coração disparado.

"Sensei, vou levá-la para a enfermaria", ele disse com convicção.

"O-Ok, Otsuki, pode ir", o professor respondeu, meio atordoado.

   Enquanto Haruto me carregava, meu rosto queimava sob os olhares dos colegas.

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   O Dilema da Ayaka: Já Foi Descoberto… Certo?

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