SESSÃO 6
132 - Abertamente
Na enfermaria, a enfermeira levantou cuidadosamente o tornozelo direito de Ayaka enquanto falava.
"Bem, é uma torção leve. Se você mantiver bem enfaixado e descansar, vai melhorar rápido."
Apesar do tom um pouco brusco, a enfermeira tratava o ferimento de Ayaka com cuidado. Enquanto prendia firmemente a bandagem, ela lançou um olhar para Haruto, que permanecia calado ali perto.
"Por hoje, não coloque muito peso nesse tornozelo. Entendeu? Como pode ser complicado se movimentar pela escola, é seu trabalho cuidar bem dela, namorado."
"Sim, entendido."
A resposta imediata de Haruto fez a enfermeira assentir, e logo ela terminou o curativo.
"Como está? Sente que ficou firme?"
"Sim, muito obrigada."
"Da próxima vez que tropeçar, faça isso de um jeito mais elegante."
Diante do comentário um tanto excêntrico da enfermeira, Ayaka não conseguiu evitar um sorriso sem graça.
"Eu vou, ah... tentar não tropeçar da próxima vez."
"Não importa o quanto você tome cuidado, às vezes vai tropeçar. Essa é a vida."
Com uma expressão cheia de significado, a enfermeira soltou essa observação filosófica, carregada de experiência. Ayaka respondeu com um sorriso hesitante.
"Bom... perceber isso ainda está um pouco longe para vocês dois", disse a enfermeira, olhando para o relógio na parede.
"Com esse pé, educação física está fora de questão. Que tal tirar uma soneca naquela cama até a hora do almoço?"
Apontando com o polegar para uma das camas da enfermaria, ela se levantou sem cerimônia.
"Tenho coisas a resolver na sala dos professores, então vou sair um pouco. Se acontecer qualquer coisa, gritem até os pulmões doerem. Eu volto… a contragosto."
Com algo que parecia uma piada — pelo menos, era o que eles esperavam — ela deixou a enfermaria.
[Almeranto: Diferenciada essa enfermeira aí.]
"É a primeira vez que venho aqui… Ela é uma professora interessante", comentou Haruto.
"Sim. O nome dela é Suzaki-sensei. Ela é surpreendentemente popular com as meninas. Dizem até que ela dá conselhos amorosos."
"Ela dá bons conselhos?"
Lembrando dos comentários anteriores de Suzaki-sensei, Haruto perguntou curioso.
"Provavelmente? Uma amiga minha disse que encontrou uma nova perspectiva sobre o amor depois de conversar com ela."
"...Interessante."
Haruto se perguntou que tipo de "nova perspectiva" ela oferecia. Olhou para Ayaka, que estava sentada na cadeira.
Considerando que Ayaka já tinha uma visão um tanto peculiar sobre relacionamentos, Haruto secretamente torcia para que ela não resolvesse pedir conselhos ali. Era a última coisa que ele queria: que ela adquirisse ideias ainda mais excêntricas.
Mas, no instante em que ele pensou nisso, a porta da enfermaria abriu com um estrondo.
"Ei, namorado. Eu não me importo que você mate aula para ficar com sua namorada, mas aqui ainda é uma escola. Se comportem. Aquela cama é propriedade pública. Divirtam-se — com responsabilidade."
Sem esperar resposta, Suzaki-sensei fechou a porta e desapareceu.
Enquanto ouviam seus passos se afastarem, Haruto riu.
"Ela realmente tem um senso de humor único."
"Com certeza", concordou Ayaka, com as bochechas ligeiramente coradas, provavelmente influenciada pelas palavras da professora.
"Quer que eu te ajude a deitar?"
"Quero, sim."
"Certo, vamos lá."
Haruto se abaixou e ofereceu o ombro. Ayaka se apoiou nele enquanto caminhavam até a cama, onde ela se sentou com cuidado.
"...Você vai voltar para a aula?"
"É, provavelmente."
Quando respondeu, Ayaka o olhou de baixo, sentada na cama. A expressão levemente triste dela fez Haruto hesitar.
"Na verdade... vou ficar mais um pouquinho."
Assim que ele disse isso, o rosto de Ayaka se iluminou de imediato. Ao ver essa reação, Haruto sorriu e sentou ao lado dela.
"Ficar sozinhos assim na enfermaria parece cena de mangá de romance. Dá uma certa emoção", admitiu Ayaka, inclinando-se para ele com um leve rubor nas bochechas.
"É mesmo? Aliás, que tipo de coisa costuma acontecer nesses mangás?"
Como não era fã de romances, Haruto perguntou por pura curiosidade.
A cor nas bochechas de Ayaka aumentou, e ela desviou o olhar.
"Isso é… segredo."
"Agora fiquei ainda mais curioso."
"...Talvez possamos ler um juntos algum dia?"
"Claro."
Haruto sorriu, aceitando a sugestão.
"Bom, eu deveria voltar para a aula. Se eu ficar muito tempo aqui, o pessoal pode começar a desconfiar."
Quando conferiu a hora e se levantou, a expressão alegre de Ayaka se obscureceu.
"...Todo mundo já percebeu nosso relacionamento, né?"
"...Provavelmente."
Haruto assentiu, vendo Ayaka olhar para baixo, claramente apreensiva.
Depois de um breve silêncio, ele respirou fundo e falou:
"Ayaka, me desculpa por ter te carregado daquele jeito na frente de todo mundo."
Assustada, Ayaka levantou o rosto rapidamente e balançou as mãos em negação.
"N-Não pede desculpa! Você não fez nada de errado, Haruto. Eu fiquei tão feliz que você veio correndo até mim!"
A sinceridade dela fez Haruto sorrir. Ele a encarou diretamente e falou com convicção:
"Ayaka."
"Sim?"
"Eu quero ficar com você na escola também. Quero viver minha vida escolar com você abertamente."
Ayaka ouviu em silêncio enquanto Haruto compartilhava seus sentimentos.
"Eu sei que você teve experiências ruins. E sei também que relacionamentos entre meninas podem ser complicados. Mas… eu não quero mais esconder nosso namoro."
Haruto endireitou a postura, encarando-a por completo.
"Na escola, eu quero estar ao seu lado. Quero criar memórias com você — memórias preciosas nesse um ano e meio que ainda temos. Se algo acontecer, quero ser o primeiro a correr até você. Então…"
Ele segurou a mão dela com delicadeza.
"Vamos assumir isso de vez. Se acontecer alguma coisa, eu vou te proteger. Prometo que nunca vou deixar você ficar triste."
"Haruto…"
Ela sussurrou o nome dele, a voz tremendo ao absorver aquelas palavras.
Depois de alguns segundos, Ayaka colocou a outra mão sobre a de Haruto, segurando firme.
"Sim. Eu quero ficar com você também, Haruto — em casa e na escola."
Com um sorriso determinado, ela respondeu:
"Eu quero namorar você abertamente!"
Tomado por um impulso carinhoso, Haruto a puxou para um abraço. Ayaka soltou um suspiro suave, envolvendo os braços ao redor dele.
"Eu te amo, Haruto."
"Eu também te amo."
Depois de se separarem, os lábios deles se tocaram brevemente antes de Haruto se levantar.
"Certo, vou voltar para a aula."
"Tá bom."
Ayaka assentiu, com o rosto corado de felicidade e vergonha. Haruto acenou de leve e saiu da enfermaria.
Andando pelo corredor de volta ao campo, Haruto repetiu suas próprias palavras na cabeça e gemeu baixinho:
"‘Eu vou te proteger’... Ah, cara…"
Ele nunca imaginou que teria a oportunidade — ou a coragem — de dizer algo tão dramático.
Mas, apesar da vergonha, não havia mentira alguma naquelas palavras.
Não importa o quê, ele queria continuar ao lado de Ayaka, protegê-la, fazê-la feliz.
"Parece que minha vida escolar ficou bem mais emocionante", murmurou ele.
Como o namorado de Ayaka Tōjō — a idol da escola inteira — só de imaginar a atenção que aquilo atrairia já o deixava arrepiado.
"Bom… se for para ver o sorriso dela, vale a pena."
Com esse pensamento, ele seguiu de volta para o campo, onde seus colegas o aguardavam.
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