SESSÃO 5

119 - Um Jogo Só para Dois

 

   Depois de provocar Haruto e Ayaka à vontade por causa do “Cofrinho do Casamento do Ryota”, Tomoya e os outros se despediram de Ikue e Kiyoko antes de ir embora.

   Como ainda havia tempo antes do jantar, Haruto e Ayaka voltaram para o quarto dela e decidiram estudar até que a comida ficasse pronta.

“Ugh... isso foi tão constrangedor...”

   Assim que chegaram, Ayaka despencou sobre a mesa, enterrando o rosto nos braços com um suspiro alto.

“O cofrinho do Ryota provavelmente vai virar motivo de piada por um bom tempo”, comentou Haruto com um sorriso sem graça.

“A Shizuku com certeza vai pegar no nosso pé por isso”, resmungou Ayaka.

   Haruto riu nervosamente, sabendo muito bem que era um destino inevitável.

“Sinceramente, a Shizuku sempre exagera nas provocações. Até a Saki e o Akagi entraram na brincadeira dessa vez…”

   Lembrando de como até Saki, que raramente provocava alguém, tinha se juntado a Tomoya para zombar deles com um sorriso malicioso, Ayaka inflou as bochechas e fitou os lanches intactos sobre a mesa. Seu olhar pousou em uma caixa de Pocky.

“Não só o cofrinho… a Shizuku também foi quem trouxe à tona o jogo do Pocky. Não tem como eu fazer algo assim na frente de todo mundo. Né, Haruto?”

“É, se a gente fizesse, ia só dar mais munição pra eles zoarem a gente”, respondeu Haruto, assentindo.

   Ayaka encarou silenciosamente a caixa de Pocky por um momento antes de se endireitar e pegá-la.

“Mas… não é normal casais brincarem assim?”

“Uh, bem… acho que a Shizuku só estava inventando coisa”, disse Haruto, coçando a bochecha.

“Mesmo assim… não acho que o que ela disse seja totalmente mentira.”

   Dito isso, Ayaka se levantou e pegou um mangá da estante, voltando para sentar ao lado de Haruto.

“Olha essa cena”, ela disse, abrindo o livro e mostrando para ele.

   Haruto olhou para a capa e fez uma careta.

“‘Meu Namorado Possessivo é Demais pra Mim?’”

“Sim! Ou como os fãs chamam, OreSuki! É super popular e muito bom!” disse Ayaka, com os olhos brilhando de empolgação.

[Almeranto: Olha só! Não esperava por essa, e OreSuki é bom mesmo.]

  Haruto gemeu por dentro. Então era por isso que a visão dela do que casais faziam era tão distorcida…

   A cena que Ayaka mostrou retratava um protagonista ousado e travesso pressionando a garota tímida a jogar o jogo do Pocky. A menina, claramente envergonhada, parecia hesitante, mas não totalmente contra.

“Eles nem estão namorando ainda?”, Haruto perguntou.

“Não! Mas pensa comigo: se eles conseguem fazer isso antes de namorar, não faz sentido que casais façam também?”, concluiu Ayaka com convicção.

“Uh… acho que faz sentido…”, respondeu Haruto hesitante, sentindo que não tinha escolha a não ser concordar. Ele não conseguia deixar de se impressionar com a influência que um único mangá tinha sobre a visão romântica de alguém.

   Com as provocações de mais cedo já esquecidas, Ayaka pegou um palitinho de Pocky, colocou na boca e se virou para Haruto.

“Certo, Haruto, vamos tentar”, ela disse, inclinando levemente o rosto para alinhar o Pocky com a altura da boca dele.

   Ao ver sua expressão determinada, Haruto não pôde deixar de se sentir nostálgico, lembrando-se das vezes em que ela o empurrara para “praticar” cenários românticos durante as férias de verão. Fosse trocarem palavras doces, dar colo no colo ou outras atividades de casal, Ayaka sempre tomava a iniciativa.

   Ayaka, a idol da escola, era surpreendentemente assertiva em particular. Haruto não conseguia evitar imaginar como seus colegas reagiriam se descobrissem. A ideia lhe arrancou um pequeno sorriso.

“O que foi?”, perguntou Ayaka, a voz abafada pelo Pocky entre os lábios.

“Nada”, disse Haruto, balançando a cabeça.

   Então, ele se inclinou e mordeu a outra ponta do Pocky.

“Isso é meio vergonhoso”, disse Ayaka, as bochechas coradas.

“É… estamos mais perto do que eu achei que ficaríamos”, admitiu Haruto, sentindo seu rosto esquentar.

“Certo, vamos começar. Preparado? Vai!”, anunciou Ayaka.

   Ao sinal dela, Haruto começou a mordiscar sua ponta do Pocky, aproximando-se devagar. Ayaka fazia o mesmo, seus olhos desviando timidamente para ele enquanto a distância encurtava. Logo estavam tão perto que Haruto fechou os olhos de vergonha. Um instante depois, uma sensação suave e quente roçou seus lábios.

   Haruto abriu os olhos e encontrou Ayaka corada, com um sorriso tímido preenchendo sua visão.

“Bom… acabamos nos beijando”, disse Ayaka, rindo baixinho.

“É”, respondeu Haruto, um leve sorriso surgindo enquanto ele mastigava o último pedaço de Pocky.

“Então… quem ganhou?”, perguntou Ayaka.

“O perdedor não solta o Pocky antes de beijar?”, disse Haruto, tentando lembrar das regras.

“E se eles se beijam?”, Ayaka inclinou a cabeça.

“Talvez quem comer mais do Pocky ganha?”, sugeriu Haruto, incerto.

“Hmm… me pergunto quem comeu mais agora há pouco?”

“Não sei. Eu fechei os olhos no final.”

“Eu também.”

   Rindo, Ayaka pegou outro Pocky.

“Vamos de novo.”

“Certo. Dessa vez, quem comer mais ganha, ok?”

“Uhum!”

   Com as regras acertadas, o casal pegou outro palitinho e começou novamente. Quando Ayaka se inclinou, ela de repente soltou:

“Haruto, eu te amo!”

   Surpreso, Haruto congelou por um segundo, permitindo que Ayaka avançasse rapidamente pelo Pocky, encerrando o jogo com outro beijo. Dessa vez, seu sorriso vitorioso dizia tudo.

   Os dois continuaram a brincar, encontrando cada vez novas maneiras de surpreender — ou superar — o outro. Para Haruto e Ayaka, vencer importava menos do que rir e aproveitar esses momentos feitos só para eles dois.

 

– Almeranto: Capítulo mizeravi, preciso de insulina, pq vou ficar diabético com isso kkkkkkk.

 

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