SESSÃO 5

114 - A Próxima Estratégia

 

   No caminho de volta da escola.

   As ruas residenciais estavam mais silenciosas em comparação ao auge do verão, com o canto das cigarras começando a diminuir. Haruto, Ayaka e Shizuku caminhavam lado a lado.

"Ei, Ayaka-senpai? Se você não declarar seu amor pelo Haruto-senpai, posso acabar abraçando ele de novo!"

   Caminhando à direita de Haruto, Shizuku provocou Ayaka com um gesto exagerado, fingindo que envolvia os braços ao redor dele.

   Ayaka, ainda com as orelhas vermelhas de vergonha, lançou um olhar ressentido para Shizuku, os olhos marejados de tanta humilhação.

"Uuugh… Shizuku-chan, você é tão má… Eu posso parar de falar com você para sempre!"

"Se você fizer isso, não vai conseguir se aproximar do Haruto-senpai na escola. Tudo bem pra você?"

"Uugh…"

"Vamos, Ayaka-senpai, declare seu amor como fez antes."

   Embora seu rosto permanecesse inexpressivo, o tom de Shizuku deixava claro o quanto ela se divertia provocando Ayaka.

   Haruto, percebendo que já era hora de intervir, falou para acabar com aquilo.

"Ei, para de pegar no pé da Ayaka."

   Observando as duas discutirem daquela forma, Haruto não pôde deixar de se perguntar qual delas era realmente a veterana.

"Ah, entendi. O Haruto-senpai está do lado da amada namorada."

"Claro que estou. Sou o namorado dela."

"Haruto-kun…"

   Ao ouvir as palavras de Haruto, Ayaka sorriu timidamente, transbordando felicidade. Shizuku, ainda inexpressiva, inflou as bochechas em falsa birra.

"Hmph. Acho que sou só a intrusa aqui."

   Haruto riu da reação exagerada dela.

"Mas falando sério, Shizuku, sou grato a você. Graças à sua ajuda, consegui me aproximar da Ayaka na escola."

"Você está realmente grato?"

   Shizuku lançou um olhar desconfiado para Haruto.

"Sim, estou."

"E você, Ayaka-senpai?"

"Sim, do fundo do meu coração."

"Então, Haruto-senpai, me beije."

   Shizuku fez sua declaração absurda com a maior naturalidade. Haruto, acostumado às piadas dela, apenas riu, mas Ayaka, despreparada, ficou pálida de pânico.

"O que você está dizendo, Shizuku-chan!?"

"Vocês dois disseram que são gratos, então achei que eu poderia aceitar essa gratidão em forma de beijo."

"Por que precisa ser um beijo do Haruto-kun!?"

"Viu? A Ayaka-senpai é tão rápida em monopolizar o Haruto-senpai."

"Claro que sou! Eu sou a namorada dele!"

   Agarrando-se firmemente ao braço de Haruto, Ayaka declarou sua posição com paixão. Entretida, Shizuku semicerrou os olhos maliciosamente.

"Ficar tão exaltada assim… Será que a Ayaka-senpai ainda não beijou o Haruto-senpai?"

   Corando instantaneamente, Ayaka rebateu.

"J-ja beijamos!"

"Não só na bochecha. Quero dizer boca com boca."

"B-bo-boca com bo-boca também!"

"E… beijo francês?"

"Be-bei-b-beijo f-fran-fran-francês t-também!"

   Enquanto Ayaka tentava responder, suas palavras saíam embaralhadas de tanta vergonha, seu rosto completamente vermelho. Incapaz de continuar assistindo, Haruto interveio mais uma vez.

"Chega, Shizuku. Ayaka, calma."

"Ah… tá…"

   Ayaka abaixou a cabeça, praticamente soltando fumaça das orelhas enquanto tentava se recompor do ataque implacável de Shizuku.

"Ayaka-senpai envergonhada é tão fofa."

"...Shizuku-chan, eu te odeio…"

"Mas acho que estou começando a amar a Ayaka-senpai."

   Preso entre as duas garotas, Haruto só conseguiu rir com exasperação.

   Depois de continuarem com seu bate-boca por mais alguns minutos, chegaram a uma interseção. Shizuku parou de andar.

"Bem, Ayaka-senpai, eu vou por aqui."

"Ah, entendi. Nós vamos pelo outro caminho."

   Ayaka apontou para a esquerda, enquanto Shizuku indicou a direita.

"Parece que é despedida. Até mais, Shizuku-chan."

   Aliviada por finalmente se livrar das provocações de Shizuku, Ayaka se despediu rapidamente. No entanto, Shizuku ergueu uma sobrancelha.

"Nós? A casa do Haruto-senpai fica direto, não é?"

   Diante de seu olhar inquisitivo, Haruto coçou a cabeça, sem jeito.

"Ah… na verdade, eu estou ficando na casa da Ayaka agora."

"O quê!?"

   A expressão normalmente calma de Shizuku se desfez em puro choque.

"Ayaka-senpai, você está morando com o Haruto-senpai!?"

"Bom, um… não é bem assim…"

"Como não é!? Namorados vivendo sob o mesmo teto — como mais você chamaria isso!?"

   Shizuku se inclinou para frente, pressionando Ayaka com as palavras, enquanto Ayaka tentava acalmá-la erguendo as mãos defensivamente.

"É que, veja bem, a avó do Haruto-kun trabalha como nossa empregada, então…"

"A avó do Haruto-senpai é a empregada da Ayaka-senpai?"

   Shizuku virou o olhar para Haruto, que explicou:

"É, o antigo local de trabalho da minha avó fechou, e quando ela estava procurando outro emprego, a família da Ayaka contratou ela."

"E isso levou vocês dois a morarem juntos?"

"É, foi o pai da Ayaka que sugeriu."

   Haruto explicou as circunstâncias, e Shizuku cruzou os braços, assentindo lentamente.

"Entendi… A família da Ayaka-senpai armou uma estratégia ardilosa para capturar o Haruto-senpai, até conquistando seu ponto fraco — a avó dele. Bastante estrategista, Ayaka-senpai."

"O-o que você está falando? Eu só queria ajudar o Haruto-kun!"

   Ayaka respondeu às pressas, a voz um pouco mais aguda que o normal. Shizuku semicerrrou os olhos.

"Ah, que admirável."

"Espere, Ayaka-senpai, isso significa que sua família é rica?"

"U-um… bem…"

   Haruto, sem saber o que dizer, olhou para Ayaka, que hesitou antes de responder.

"Uh… meus pais dirigem empresas, então…"

"Espera, você é filha de presidentes de empresas?"

"Um, acho que sim…?"

   Quando Ayaka olhou para Haruto como se pedisse confirmação, ele assentiu.

"É, basicamente."

   Shizuku suspirou dramaticamente.

"Ótima aparência, corpo perfeito e agora uma família rica também… Justiça realmente é uma ilusão."

   Ayaka só conseguiu sorrir sem graça.

"E Ayaka-senpai, isso significa que sua casa é grande?"

"Ah, talvez um pouquinho maior que a média?"

"É uma mansão," Haruto comentou simplesmente, recebendo um aceno impressionado de Shizuku.

"Entendi. Já pensei na nossa próxima estratégia."

"Hã? O que é?" perguntou Ayaka, inclinando-se curiosamente.

"Hehe, é segredo. Aliás, como sua casa é grande, vai funcionar perfeitamente."

   Sem dar mais explicações, Shizuku pegou o celular.

"Vamos trocar contato."

"Ah, claro…"

   Ainda confusa, Ayaka compartilhou suas informações. Depois de confirmar a troca, Shizuku levantou a cabeça.

"Pronto. Te conto o plano amanhã."

   Com isso, Shizuku virou nos calcanhares e foi embora.

"O que você acha que é o plano da Shizuku-chan, Haruto-kun?"

"Hmm… conhecendo ela, difícil prever."

   Haruto sorriu com um leve constrangimento enquanto Ayaka inclinava a cabeça, curiosa.

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