SESSÃO 5
112 - O Plano da Shizuku
O sol do fim do verão banhava o pátio em sua luz dourada.
Sentado de pernas cruzadas na grama, sob a sombra de uma árvore, Haruto encarava sem expressão a marmita que havia trazido.
Observando a falta de entusiasmo dele, Tomoya, sentado ao lado na mesma posição, resolveu falar.
“Ei, Haru, você tá bem? O calor do verão te derrubou? Se não quiser esse frango frito, eu pego.”
“Claro…”
“Espera, sério? Você vai mesmo me dar? Não vou recusar.”
“Vai em frente…”
As respostas distraídas de Haruto não mudaram, mesmo enquanto Tomoya pegava alegremente o frango de sua marmita.
“Cara, sua comida é boa como sempre.”
“Aham…”
“…Ei, Haru, o que tem com suas orelhas? Você fica mexendo nelas faz um tempo já.”
Haruto estava puxando e esfregando suavemente seus lobos das orelhas entre o polegar e o indicador.
“Ei, Tomoya…”
Ele lentamente virou para olhar o amigo.
“Você já… teve seu lóbulo da orelha mordido antes?”
“O quê? Meu lóbulo da orelha? Não, acho que nunca.”
Tomoya franziu o cenho, confuso com a pergunta bizarra de Haruto.
“Um cachorro de rua te atacou ou algo assim?”
“Talvez… você poderia dizer que fui atacado…”
“Sério?! Você tá bem?”
“Sim, quer dizer… não foi exatamente desagradável. Na verdade, eu… meio que não me importei. Ter sua orelha mordiscada não é tão ruim, sabia?”
“…Você é inacreditável”, murmurou Tomoya, olhando para Haruto com uma mistura de descrença e diversão.
A conversa estranha foi interrompida por uma voz familiar chamando ao longe.
“Aí estão vocês, Otsuki-kun.”
Era Saki, que avistara Haruto e Tomoya no pátio se aproximou, acenando alegremente.
“Ei, Aizawa-san. O que houve?”
Haruto desviou o olhar para Saki quando ela entrou na sombra da árvore.
“Queria te perguntar uma coisa. Posso sentar aqui?”
“Vá em frente.”
“Obrigada.”
Saki sentou ao lado de Tomoya, e então continuou: “A Tojo-san não está com você?”
“Ah, a Ayaka provavelmente ainda está atolada com perguntas”, respondeu Saki com um sorriso meio amargo, referindo-se ao enxame de alunos sempre curiosos sobre Ayaka.
“O interesse dos nossos colegas na Tojo-san é um pouco exagerado, não acha?”
“Totalmente”, concordou Saki, rindo. “Embora, se o segredo dela vazasse, esta escola entraria em colapso.”
Ela lançou um olhar brincalhão para Haruto, que coçou a cabeça, sem graça.
“Então, Aizawa-san, o que você queria perguntar?”
“Certo. A Ayaka comentou algo antes — a Dojima-san, ela é tipo sua amiga de infância?”
“Shizuku? Acho que sim. O pai dela administra o dojo de karatê onde treino há anos, então nos conhecemos desde pequenos.”
“Ah, entendo…” Saki assentiu, pensativa.
“Por quê? Aconteceu algo com a Shizuku?”
“Bem, hoje de manhã, a Ayaka encontrou ela no caminho da escola. E aparentemente, a Shizuku pediu para serem amigas.”
“A Shizuku disse isso?” Haruto piscou, surpreso.
“Sim. Elas até vieram juntas para a escola.”
“Sério…?”
Haruto murmurou, tentando entender o que Shizuku estava planejando.
“Haruto, você contou pra Shizuku sobre sua situação com a Tojo-san, né?” perguntou Tomoya.
“Sim, ela disse que ajudaria…”
“Então talvez ela esteja tentando se aproximar da Ayaka como parte do plano?”
“Isso… provavelmente é isso”, admitiu Haruto, ainda incerto sobre o que Shizuku tinha em mente.
Saki, observando a confusão de Haruto, acrescentou com uma risada: “A Ayaka me disse que a Shizuku falou algo como ‘Vamos ser melhores amigas para sempre!’”
“Sim, isso é exatamente o tipo de coisa que a Shizuku diria”, riu Haruto, imaginando a cena.
“Ela é um pouco excêntrica, mas a Shizuku é uma boa pessoa. Eu confio nela quando diz que vai ajudar.”
“Se você diz, Otsuki-kun, então eu acredito também”, respondeu Saki, sorrindo.
O sinal anunciando o fim do intervalo de almoço ecoou pelo pátio.
“Droga, mal toquei no meu almoço,” exclamou Haruto, percebendo tarde demais que seu frango frito já tinha sumido.
“Ei, Tomoya…”
“Eu perguntei antes de pegar!”
“Sim, mas você comeu tudo!”
Saki caiu na gargalhada ao ver os dois discutindo.
****
Naquela tarde, depois do fim das aulas, Haruto começou a arrumar suas coisas. Ele olhou na direção de Ayaka, cercada por sua habitual multidão de admiradores, e suspirou antes de caminhar em direção à porta.
Mas antes que pudesse sair, Shizuku apareceu na entrada dos fundos da sala.
“Ei, Ayaka-senpai! Vamos para casa juntas!”
Haruto congelou, surpreso, ao ver Shizuku marchar pela sala, indiferente aos olhares da comitiva de Ayaka.
“Vamos, senpai, vamos fugir daqui rapidinho”, disse Shizuku, agarrando o braço de Ayaka e a puxando.
Os outros alunos, confusos e irritados, começaram a protestar, mas Shizuku permaneceu firme.
Com Saki intervindo para amenizar a situação, o grupo acabou saindo junto — Haruto e Tomoya inclusive — juntando-se à saída animada das duas.
Apoie a Novel Mania
Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.
Novas traduções
Novels originais
Experiência sem anúncios