SESSÃO 5
111 - As Dificuldades de Ayaka Tōjō ④
Eu me deitei na minha cama, relembrando minha interação anterior com Haruto. Minha mão repousava suavemente sobre meu peito, tentando acalmar meu coração acelerado.
“Talvez eu tenha exagerado um pouco…”
[Almeranto: Um pouco? Tá fazendo o autocontrole do menino de refém quase kkkkkk.]
Murmurei baixinho, refletindo sobre minhas ações.
Originalmente, eu só pretendia conversar com ele a sós, mas no momento em que vi seu rosto, não consegui conter minhas emoções.
E o motivo disso? Os acontecimentos na escola hoje.
O aparecimento repentino de uma garota — Dōjima-san — na nossa sala. Ela parecia bastante familiarizada com o Haruto, saindo com ele de forma amigável.
Haruto disse que ela era sua amiga de infância, e eu não duvidei de suas palavras. Ele é o tipo de pessoa que qualquer um admiraria, e como sua namorada, tenho orgulho disso.
Mas no fundo, uma tempestade de emoções desconhecidas girava dentro de mim.
“O amor realmente começa depois que você começa a namorar… a Saki estava certa, afinal…”
Lembrei das palavras da minha melhor amiga.
Quando contei para ela que virei namorada do Haruto, ela disse: “Você finalmente chegou na linha de partida do romance.” Na época, eu não entendi totalmente, mas agora entendo.
Nos romances e mangás que li, a história geralmente termina feliz depois que os personagens confessam seus sentimentos. Mas na realidade, as coisas continuam mesmo depois que vocês ficam juntos.
Antes de me tornar namorada do Haruto, eu sentia um turbilhão de emoções — ansiedade, empolgação, alegria e medo. Mas desde que começamos a namorar, esses sentimentos só se intensificaram.
Agora, além de alegria e felicidade, há outra coisa. Algo desconhecido: ciúmes.
Eu nunca tinha sentido ciúmes de verdade antes. Ver casais felizes me deixava com inveja, claro, mas nunca com ciúmes.
Mas hoje, vendo Haruto e Dōjima-san conversando, eu não pude negar: eu estava com ciúmes.
Eu queria conversar mais com ele, abraçá-lo, sentir seu calor. Eu queria que ele estivesse ao meu lado, que olhasse só para mim, que sorrisse e falasse só comigo…
Esse ciúme possessivo me consumiu num instante.
No começo, tentei reprimir. Afinal, fui eu quem decidiu manter alguma distância na escola. Sentir ciúmes era egoísta, e eu sabia disso.
Mas quanto mais tentava sufocar o sentimento, mais forte ele se tornava, e eu me vi buscando a presença do Haruto para aliviar meu turbilhão interno.
Quando finalmente fiquei diante dele, minhas emoções tomaram conta. Incapaz de me controlar, me agarrei nele, buscando segurança em seu calor. Eu até mordi ele — um ato impulsivo, movido pela necessidade esmagadora de fazê-lo sentir minha presença, de marcar meu lugar no coração dele.
De volta ao meu quarto, senti vergonha, refletindo sobre minhas ações.
Eu não quero ser uma namorada que só recebe. Quero retribuir e ser igual a ele. Mas agora, me sinto um fardo — egoísta e carente.
Se algum dia dermos o próximo passo e morarmos juntos, eu preciso contribuir. Não posso simplesmente depender do Haruto em tudo.
“Talvez eu devesse pedir para a Kiyoko-san me ensinar a cozinhar…”
Com esses pensamentos, adormeci.
****
Na manhã seguinte, caminhei para a escola sozinha, já que Haruto saiu mais cedo para evitar andar comigo.
“Eu queria tanto que pudéssemos caminhar juntos, de mãos dadas…”
Murmurando nostalgicamente, tentei afastar os sentimentos remanescentes de ontem. Para me distrair, pensei no café da manhã.
“A comida da Kiyoko-san era incrível…”
Sua sopa de missô com tofu e cebola, salmão grelhado, omelete enrolado, hijiki cozido com soja — nada extravagante, mas tão reconfortante quanto um abraço quente.
Pensando no Haruto se tornando família algum dia, dei uma risadinha, minha imaginação voando longe. Mas meu devaneio foi interrompido.
“Tōjō-senpai, certo?”
“Hã?”
Virando-me para a voz, vi uma garota baixinha com uma expressão impossível de ler.
“Ah… Dōjima-san?”
A garota que despertou meus ciúmes ontem estava parada diante de mim.
“Sim, eu sou Shizuku Dōjima, da turma 1. Prazer em conhecê-la.”
“Ah, uh, eu sou Ayaka Tōjō, da turma 2.”
Ela se curvou educadamente, e eu rapidamente imitei o gesto, embora de forma meio desajeitada.
Dōjima-san parecia do tipo que não demonstra muitas emoções. Mas era inegavelmente fofa — com olhos brilhantes e claros, cabelos negros lisos. Apesar de sua estatura pequena, havia algo cativante nela.
Enquanto eu a observava, ela falou novamente, com seu tom neutro de sempre.
“O Haru-senpai já te contou sobre mim?”
“S-Sim, contou.”
“E sobre minha oferta de ajuda?”
“Sim… ele mencionou.”
Ela assentiu levemente e deu um passo à frente, seu olhar firme e direto.
“Então, Tōjō-senpai, eu gostaria que nós duas nos tornássemos melhores amigas.”
“Melhores amigas? Espera, o quê…?”
Surpresa, só consegui encará-la.
Dōjima-san continuou, explicando seu raciocínio com sua típica objetividade.
“Se você quer passar mais tempo com Haru-senpai na escola, nós precisamos ser próximas — como melhores amigas inseparáveis.”
“Inseparáveis… melhores amigas?”
Mesmo confusa, eu não conseguia simplesmente negar.
“Tudo bem, se você for totalmente contra, não vou forçar,” acrescentou ela.
“N-Não, não é que eu seja contra, só estou… surpresa.”
“Ótimo! Então já somos melhores amigas,” declarou ela com uma convicção assustadora.
“Mas… isso não é meio repentino? Não deveríamos nos conhecer melhor primeiro?”
“Isso é irrelevante. Eu também não te conheço, e para ser sincera, eu nem me importava até agora.”
Sua franqueza doeu um pouco. Mas antes que eu pudesse reagir, ela se colocou ao meu lado, seus movimentos rápidos e decididos.
“De agora em diante, somos melhores amigas. Vamos para a escola juntas, Ayaka-senpai.”
“Espera, Dōjima-san—”
“Me chame de Shizuku.”
“Uh… Shizuku-chan?”
“Sim, Ayaka-senpai?”
Seus olhos sérios prenderam os meus, esperando minha resposta.
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