SESSÃO 5

110 – Tudo Bem Eu Ser Um Pouco Egoísta Por Um Tempo?

 

   Ayaka fechou a porta suavemente atrás de si e entrou casualmente no quarto.

"Você estava estudando, né?" disse ela, olhando para os materiais espalhados sobre a mesa.

"Sim, faz parte da minha rotina diária."

"Uau, como esperado de você, Haruto. Eu preciso seguir seu exemplo… especialmente com as provas chegando."

   A expressão de Ayaka ficou um pouco sombria ao se lembrar das provas de meio de semestre que aconteceriam na próxima semana. Haruto, percebendo a mudança, lançou-lhe um olhar gentil.

"A propósito, não tinha algum tipo de recompensa se você tirasse mais de 80 em todas as provas?"

"Tinha. Você lembrou da nossa promessa?"

"Claro."

   O rosto de Ayaka se iluminou de alegria com o aceno firme de Haruto.

"Eu estou ansiosa pela recompensa que você vai me dar."

"Oh? Então você já está assumindo que vai tirar acima de 80 em todas as matérias?" provocou Haruto, achando graça da confiança dela.

"Bom, eu tenho estudado com esse objetivo. Mas…"

   As palavras dela se perderam enquanto ela desviava o olhar para baixo, olhando para ele com uma expressão vulnerável.

"Se eu não conseguir… você vai me consolar?"

"...Claro, eu vou te consolar."

"Yay", ela soltou uma risadinha suave.

   Embora o gesto parecesse claramente calculado para ganhar carinho, Haruto não conseguiu evitar rir da fofura dela. Percebendo que Ayaka estava de pé desde que entrou, ele comentou:

"Desculpa, Ayaka, você ficou de pé esse tempo todo. Por que você não se senta—"

   Mas ele parou no meio da frase. O quarto que estava usando era o de Ryota, praticamente vazio. Além da escrivaninha que Shuichi havia arrumado para ele, não havia cadeira, almofada, nem cama—apenas o futon que Haruto tinha estendido mais cedo.

"Não tem onde sentar, né…" disse ele, olhando ao redor.

   Em resposta, Ayaka corou levemente e, com hesitação, falou:

"Então… será que eu posso sentar no seu colo?"

"Hã? Quero dizer… claro, mas como você—?"

   Sentado na cadeira diante da mesa, Haruto inclinou a cabeça em dúvida. Ayaka, as bochechas rosadas, aproximou-se devagar. De frente para ele, ela se abaixou suavemente até se acomodar sobre suas coxas.

"Assim", disse baixinho, colocando as mãos de leve sobre os ombros dele.

   A proximidade repentina fez o coração de Haruto disparar. O calor e a sensação sobre suas coxas eram intensos, e ele podia ouvir claramente o bater acelerado do próprio coração.

"A-Ayaka? Isso não é… meio perto demais?"

"...Você não gosta?"

"Não é isso… é só que meu coração está batendo tão rápido que chega a doer."

"Sério? Eu deixei seu coração assim tão acelerado?"

"Bom, claro… se a garota de quem eu gosto senta tão perto assim, qualquer um ficaria igual."

"Fufu, entendo. Meu coração também está acelerado, sabia?"

   Ayaka o encarou com olhos brilhantes, inclinando-se ainda mais para perto. Haruto percebeu suas bochechas vermelhas e o pequeno tremor em seu corpo, entendendo que ela precisava de muita coragem para estar tão vulnerável assim.

"Desculpa, Ayaka. Acho que te deixei insegura por causa da Shizuku…"

   Ayaka deu um pequeno sobressalto ao ouvir isso.

"...Não é isso", ela sussurrou, olhando para baixo. "Não é insegurança…"

   Devagar, ela levantou o olhar para encontrar o dele.

"Haruto… tudo bem se, só por um tempinho, eu for egoísta?"

   A voz dela carregava uma pontinha de culpa ao pedir permissão. Haruto sorriu de forma calorosa.

"Você não precisa limitar a ‘um tempinho’. Pode ser o quanto quiser."

"Você é doce demais, Haruto. Se você disser isso, eu só vou ficar mais gananciosa."

"Eu não me importo."

"Nossa…"

   Ayaka tentou fazer um biquinho, mas seu esforço logo se desmanchou, dando lugar a um sorriso carinhoso. Ela envolveu o pescoço de Haruto com os braços, entrelaçando as mãos atrás dele.

"Sabe, como eu disse antes, eu confio nos seus sentimentos por mim, então eu não estou insegura. É só que… eu fiquei com ciúmes."

"Com ciúmes? Da Shizuku?"

   Ela assentiu levemente.

"Na escola, ver a Dōjima-san falando com você tão abertamente… eu não pude evitar sentir inveja. Quero dizer, eu não posso fazer isso com você."

"Entendo…"

"Eu sou sua namorada, mas nem consigo falar com você na escola enquanto ela consegue…"

   Ela soltou uma risadinha sem graça.

"Eu estou sendo ridiculamente egoísta, né? Eu que disse que devíamos manter nosso relacionamento em segredo…"

   A voz dela tinha um toque de arrependimento. Haruto, ainda sorrindo gentilmente, tentou tranquilizá-la.

"Mas isso foi por causa do que aconteceu no fundamental, certo? É totalmente compreensível."

"É… mas vendo a Dōjima-san hoje, eu percebi que eu também quero poder interagir com você na escola. Mas ainda tenho medo…"

"Ayaka…"

   Haruto levantou os braços e a envolveu num abraço suave, oferecendo conforto enquanto ela permanecia sentada em seu colo.

"Você não precisa se forçar. A gente não pode ficar junto na escola, mas podemos passar tempo assim em casa. Vamos descobrir a parte da escola juntos, no nosso ritmo."

"Obrigada, Haruto-kun."

   Ayaka sorriu brilhantemente e encostou a bochecha no pescoço dele, abraçando-o com força.

"Eu te amo…"

"Eu também te amo."

   Haruto passou os dedos pelos cabelos macios dela, falando com ternura.

"Ei, Haruto-kun…"

   Ayaka se afastou um pouco, olhando para ele com um brilho travesso nos olhos.

"O que foi?"

"Posso usar meus privilégios de namorada?"

   Seus narizes quase se tocaram quando ela perguntou. Haruto inclinou a cabeça, curioso.

"Privilégios? Claro, vá em frente…"

   No momento em que ele concordou, Ayaka se aproximou. Haruto preparou-se para um beijo, inclinando-se levemente para frente. Mas os lábios dela passaram direto pelo rosto dele.

   Antes que ele entendesse o que estava acontecendo, uma sensação quente, suave e levemente úmida tocou seu ouvido esquerdo.

"Ah!"

   Haruto ficou rígido, apertando os braços ao redor dela por reflexo.

"Mm…"

   A respiração dela roçou seu ouvido, fazendo seu coração disparar violentamente. Sua pulsação estava tão forte que ele temia que Ayaka pudesse ouvir.

   Alheia ao tumulto interno dele, ela mordiscou gentilmente seu lóbulo mais uma vez, enviando um arrepio por todo seu corpo. Haruto fechou os olhos com força, tentando suportar aquela sensação estranha e arrebatadora.

   Quando ela finalmente se afastou, o sorriso travesso dela era ao mesmo tempo adorável e provocante.

"Eu não resisti a mordiscar seu lóbulo, Haruto-kun."

"Eu já disse antes para você não fazer isso…"

   Apesar da bronca, a voz dele não tinha força alguma.

"Mas não é normal uma namorada mordiscar a orelha do namorado?"

   Ela inclinou a cabeça de maneira inocente, e Haruto não conseguiu responder.

"Desde o começo, eu acho suas ideias de relacionamento… digamos, não muito convencionais, Ayaka."

   Ayaka riu baixinho, deixando claro que suas leituras de romances e mangás influenciavam bastante sua visão de romance.

"Você não gostou?"

"Não exatamente, mas é… estranho, eu acho."

"Então, posso mordiscar seu outro lóbulo também?"

"Ayaka, você estava ouvindo o que eu acabei de dizer?"

"Claro! Você disse que não odiou."

   Com um sorriso radiante, ela apertou o abraço ao redor dele.

"Você gosta tanto assim de mordiscar minhas orelhas?"

"Sim! Elas são incríveis!"

   Ela sussurrou essa confissão antes de voltar a mordiscá-lo, agora no ouvido direito. Haruto suportou novamente, sua autocontenção sendo posta à prova.

   Quando ela finalmente terminou, Ayaka olhou para ele com uma expressão satisfeita.

"Eu estou começando a achar que morder seus lóbulos pode virar um hábito."

"Por favor, não transforme isso num hábito. Meu coração não vai aguentar."

   Ayaka riu do pedido dele, inclinando a cabeça com um sorriso provocador.

"Sabe… se você mordiscasse meus lóbulos, entenderia como é maravilhoso."

   Ela prendeu o cabelo atrás da orelha, oferecendo-lhe uma visão clara. Haruto, pego de surpresa, desviou o olhar, sem saber para onde encarar.

"Vai em frente, Haruto-kun. Você pode mordiscar meu lóbulo."

   Ele engoliu seco, reunindo toda a força de vontade que tinha.

"...Não, eu vou deixar passar."

"Por quê?"

"Porque… eu talvez não consiga parar."

   As palavras dele deixaram Ayaka piscando, confusa. Haruto só conseguiu oferecer um sorriso torto diante da expressão inocente dela.

 

– Almeranto: Sabia que esse capítulo não ia ser coisa boa, meu kokoro não aguenta esse estímulo todo kkkkkkk, e sempre que acontece cenas assim, começo a rir descontroladamente. Ayaka é muito ousada!

 

 

Traduzido por Moonlight Valley

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