SESSÃO 5

109 - Um Jantar Animado

 

   Tendo colocado seus pertences no quarto do Ryota, Haruto esperou na sala com o garoto até que o jantar ficasse pronto.

   Recentemente, Ryota havia se empolgado com duelos de samurais. Segurando uma espada de brinquedo, Haruto enfrentava Ryota, que o encarava com uma expressão determinada.

"Agora então, Ryota-kun, vamos duelar com honra!" Disse Haruto, fazendo uma pose dramática.

"Hehehe, Mano, sabia? Eu sou um mestre do Niten Ichi-ryu!" declarou Ryota com confiança, empunhando duas espadas de brinquedo, uma em cada mão.

   Haruto não conseguiu deixar de rir ao ver o sorriso adorável — e ousado — de Ryota, enquanto ele mencionava o lendário estilo de combate com duas espadas.

"Ryota-kun, você gosta do Miyamoto Musashi?" perguntou Haruto, curioso.

"Hã? Miyamoto Musashi? Quem é esse?" Ryota inclinou a cabeça, confuso.

   Haruto achou divertido que Ryota conhecesse o nome do estilo, mas não o famoso espadachim associado a ele.

[Almeranto: Pra mim, o lendário espadachim de duas espadas é outro…]

   Assistindo àquela troca divertida, Haruto se maravilhou com as peculiaridades das crianças pequenas. Ryota, no entanto, estava tão animado que nem percebeu e balançou as duas espadas dramaticamente.

"Mano! Niten Ichi-ryu é o estilo mais forte de todos!" proclamou Ryota.

"Certo então, se você é um mestre do Niten Ichi-ryu, eu vou ser um praticante do estilo Ganryu!" disse Haruto, imitando uma postura exagerada.

"Ganryu? O que é isso?" Ryota perguntou, com os olhos brilhando de curiosidade.

"É o estilo do Sasaki Kojiro", respondeu Haruto.

"Eu não sei quem é, mas Ganryu parece legal! Eu quero usar também!" Ryota exclamou, empolgado.

"Então vamos encenar o famoso duelo de Ganryujima!" sugeriu Haruto.

"Sim! Um duelo!" Ryota comemorou, sem entender muito bem, mas totalmente feliz com a ideia.

   Enquanto Ryota balançava suas espadas com entusiasmo, sua irmã mais velha, Ayaka, sentada no sofá, não pôde deixar de sorrir de canto com as travessuras do garoto.

"Ryota, não balance isso desse jeito, você vai se machucar", Ayaka alertou.

"Tá tudo bem! Eu sou um mestre do Niten Ichi-ryu!" Ryota insistiu, confiante.

"Isso nem faz sentido…" murmurou Ayaka, exasperada. Haruto interveio para apoiar Ryota.

"Usar duas espadas é o sonho de todo garoto."

"Haruto-kun, você também admira espadachins históricos?" perguntou Ayaka, divertida.

"Bom… sim, acho que sim", admitiu Haruto.

   Enquanto Haruto e Ayaka conversavam, Ryota aproveitou para lançar um ataque surpresa. "Mano, uma abertura!"

   Haruto bloqueou o golpe com facilidade, seus reflexos aprimorados por anos de karatê. Mesmo assim, ele fingiu perder para deixar a brincadeira divertida.

"Aaaargh! Fui derrotado!" gritou Haruto, caindo de joelhos dramaticamente.

"Eu venci! Eu venci, Mano!" Ryota comemorou, levantando os braços no ar.

"Você é forte, Ryota-kun", disse Haruto, sorrindo.

"Claro!" Ryota respondeu, radiante.

   Nesse momento, Shuichi voltou para casa e entrou na sala.

"Bem-vindo de volta, papai!" Ryota correu até ele, animado.

"Estou de volta, Ryota. Estava duelando com o Haruto-kun?" perguntou Shuichi, se agachando para ficar à altura do filho.

"Sim! Foi um duelo de Ganryujima!" Ryota respondeu.

"Entendi. E quem venceu?" perguntou Shuichi.

"Eu!" disse Ryota triunfante.

"Então Ryota deve ser o Miyamoto Musashi desta era", disse Shuichi com um sorriso caloroso.

"Não, papai! Eu não sou o Miyamoto Musashi. Eu sou um mestre do Niten Ichi-ryu!" insistiu Ryota.

"Ah, é claro, desculpe. Ryota é um espadachim moderno", disse Shuichi, dando um tapinha na cabeça do menino.

   Após agradecer a Haruto por brincar com Ryota, Shuichi foi para a cozinha, onde a avó de Haruto, Kiyoko, preparava o jantar.

"Obrigado por preparar a refeição de hoje, Kiyoko-san", disse Shuichi educadamente.

"É um prazer. Por favor, aproveitem a refeição", respondeu Kiyoko com um sorriso gentil.

   A mesa do jantar estava repleta de mais do que karaage. Havia também salada de tofu com wakame, polvo com pepino avinagrado e uma reconfortante tigela de missoshiro.

"Hmm, tudo parece delicioso", comentou Shuichi, genuinamente satisfeito.

"Obrigada, Kiyoko-san", disseram o casal Tōjō em uníssono.

"Imagina, por favor aproveitem enquanto está quente", respondeu Kiyoko modestamente.

"Então… itadakimasu." Disse Shuichi, juntando as mãos. Todos o acompanharam, pegando seus pratos.

"Mano, a cor desse karaage tá meio diferente." Disse Ryota, curioso.

"Provavelmente porque os temperos são diferentes", respondeu Haruto, olhando o prato.

"Vovó, quais são os sabores do karaage hoje?"

"Vamos ver." Começou Kiyoko, apontando para cada tipo. "Esse é shoyu com alho, o ao lado é shio-kōji. O mais amarelinho é curry, e o avermelhado é ume shiso."

"Viu, Ryota? Qual você quer experimentar primeiro?" perguntou Haruto.

"Sabor curry!" Ryota respondeu sem hesitar.

   Haruto deu uma risadinha e colocou um pedaço no pratinho do garoto.

   Observando a interação, Shuichi pegou um pedaço para si.

"Acho que vou no de shoyu com alho", declarou.

"O de ume shiso parece maravilhoso", disse Ikue, pegando um para ela.

   Assim que provaram, seus rostos relaxaram de satisfação.

"Mm! Incrível! O sabor do shoyu com o aroma do alho… perfeito!" disse Shuichi.

"O de ume shiso também é delicioso", acrescentou Ikue. "É suculento, mas tem um final tão refrescante."

   Os elogios iluminaram o rosto de Kiyoko.

"Hmm… isso… isso pede… uma cerveja", murmurou Shuichi, como se estivesse lutando contra um dilema interno.

"Mas… hoje é meu dia de não beber… hmm…"

"Querido, só um copo", disse Ikue com um sorriso conhecedor.

   O rosto de Shuichi se iluminou imediatamente.

   Ayaka suspirou com um sorriso torto ao ver seus pais, então comeu um pedaço de karaage com shio-kōji. Os olhos dela se arregalaram.

"Isso é incrível… A carne tá tão macia!"

   Vendo a reação dela, Haruto sorriu, enquanto servia Ryota com um pedaço de shoyu com alho.

"É porque o frango foi marinado em salmoura antes, né, vovó?" disse Haruto.

"Sim, exatamente", confirmou a avó.

"Salmoura?" Ayaka inclinou a cabeça, curiosa.

"Salmoura é uma mistura de água, sal e açúcar usada para amaciar e deixar a carne mais suculenta. Você deixa a carne de molho antes de cozinhar", explicou Haruto.

"Uau, eu não fazia ideia de que isso existia", disse Ayaka, impressionada.

   Ikue assentiu, saboreando polvo com pepino.

   De repente, ela se voltou para Haruto.

"A propósito, Otsuki-kun, tudo bem se eu começar a te chamar de Haruto-kun daqui pra frente?"

   O sorriso de Ikue era caloroso enquanto ela explicava. "Agora que temos a Kiyoko-san aqui, parece mais natural." Aliás, Shuichi já havia feito essa mudança.

"Claro, não me importo nem um pouco", respondeu Haruto.

"Ótimo! Então, deixe-me dizer formalmente: muito prazer novamente, Haruto-kun", disse Ikue com um sorriso radiante. Sua expressão alegre se sobrepôs à de Ayaka na mente de Haruto, fazendo-o desviar o olhar.

"M-Muito prazer também", gaguejou ele, o coração disparando enquanto se perguntava se Ayaka se tornaria alguém tão radiante quanto Ikue no futuro.

   Ikue deu uma risadinha.

"Minha nossa, Ayaka, seus olhos estão um pouco intensos agora", provocou.

"N-Não estão! Estão normais!" Ayaka retrucou, corando.

"Ah é? Mas não se preocupe, eu sou devotada ao seu pai e mais ninguém", disse Ikue com um sorriso travesso.

"Eu já disse que não é isso!" Ayaka protestou, ficando ainda mais vermelha.

   Enquanto mãe e filha trocavam provocações, Ryota, sentado próximo, comia feliz um karaage de ume shiso.

"Mano, esse é muito bom! Eu adoro esse sabor!"

"Gosta mesmo? Quer mais um?" perguntou Haruto.

"Sim, sim!" Ryota respondeu animado, fazendo Haruto sorrir.

   Observando a cena animada, Kiyoko olhava tudo com uma expressão serena e satisfeita. A presença da família Otsuki tornava o jantar dos Tōjō mais vivo e caloroso do que nunca.

 

****

 

   Depois do jantar, Haruto passou a noite brincando com Ryota e, mais tarde, tomou um banho relaxante com ele. A energia aconchegante da casa se estendeu até a noite.

   Quando chegou a hora de dormir, todos foram para seus quartos. Haruto entrou no quarto do Ryota, espalhando seus materiais de estudo pela mesa.

"Eu realmente não posso agradecer o suficiente à família Tōjō", murmurou, pensativo.

   Desde que perdeu os pais cedo, Haruto vivia com os avós. Quando seu avô faleceu no início do ensino fundamental, restaram apenas ele e sua avó.

   Sua vida com a avó sempre fora tranquila. Quando não conversavam, a casa era silenciosa ou preenchida pelo som alto da televisão. Não era algo que ele tivesse odiado — nem amado. Era simplesmente… o normal.

   Mas após vivenciar um dia como aquele, Haruto percebeu como um lar barulhento podia ser agradável. Aquilo elevava seu humor e deixava seu coração leve.

   Ao abrir seu guia de estudos, Haruto sentiu crescer uma sensação de afeto pela vida que começava a compartilhar com os Tōjō.

   Perdido nos estudos, ele se assustou com uma batida suave na porta.

"Entre", disse ele, levantando o olhar.

   A porta se abriu devagar, e Ayaka colocou a cabeça para dentro, hesitante.

"Haruto-kun… você está indo dormir agora?" perguntou baixinho.

"Ainda não. Por quê?"

"Um… será que eu posso ficar aqui um pouquinho?"

"Claro, não me importo."

   Ayaka sorriu timidamente com a resposta, entrou no quarto e fechou a porta com cuidado.

 

– Almeranto: Hmmm… O que teremos no próximo capítulo? Tô curioso.

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