SESSÃO 5

108 - A Namorada Perfeita, Não É?

 

   Quando Haruto voltou para casa, ele começou a conferência final de seus pertences para se mudar para a casa da família Tōjō.

“Troca de roupa, carregador, material de estudo e… certo, acho que é isso.”

   Depois de confirmar que não havia esquecido nada na bolsa de viagem, Haruto colocou a mochila nos ombros, trancou a casa e seguiu para a residência dos Tōjō.

   Aliás, sua avó tinha ido para a casa dos Tōjō por volta do meio-dia e já estava trabalhando como empregada lá.

   Agradecido à família Tōjō por oferecer um novo emprego para sua avó, Haruto caminhava com um sentimento de apreciação.

   Ele parou em frente ao enorme terreno. Antes de tocar o interfone, tirou o celular do bolso para ver se tinha mensagens. Como não havia nada, soltou um suspiro leve.

   A expressão de surpresa de Ayaka quando Shizuku o arrastou mais cedo voltou à sua mente. Haruto esperava que ela tivesse mandado alguma mensagem ou perguntado sobre aquilo, mas, para sua surpresa, ela não reagiu de forma alguma.

“Bom, vamos nos ver pessoalmente daqui a pouco mesmo. Eu falo com ela lá.”

   Murmurando para si mesmo, Haruto apertou o botão do interfone.

“Sim~?”

“Aqui é o Otsuki.”

“Oh, Haruto-kun! Vou abrir o portão agora.”

   Segundos depois, o portão se abriu, revelando Ikue com um sorriso animado.

“Bem-vindo de volta, Haruto-kun.”

“Ah, é… Obrigado. Desculpe incomodar.”

   Ikue o recebeu calorosamente, mas o “Bem-vindo de volta” o deixou um pouco constrangido. Inclinando a cabeça, ele entrou.

“Haruto-kun, você deveria dizer ‘Cheguei’, não ‘Desculpe incomodar’.”

“Ah, certo, verdade.”

   Ikue manteve o sorriso radiante enquanto o corrigia, e Haruto sorriu de volta de forma meio sem jeito.

“Dizer ‘Cheguei’ não é só para o lugar — é também para as pessoas que estão esperando por você.”

“Certo… Cheguei.”

“Bem-vindo de volta.”

   O sorriso gentil de Ikue deixou Haruto tanto tímido quanto aquecido por dentro. Com esse sentimento, ele entrou na sala de estar, onde Ayaka brincava com Ryota.

   Ayaka, segurando uma espada de brinquedo e duelando com Ryota, virou-se para ele com um sorriso.

“Oh, Haruto-kun. Bem-vindo de volta.”

“Ah, é. Cheguei.”

   Ouvir o alegre “Bem-vindo de volta” de Ayaka encheu Haruto de uma felicidade diferente de antes.

“Ayaka, sobre o que aconteceu hoje na escola…”

   Haruto começou a explicar sobre Shizuku, mas a voz animada de Ryota o interrompeu.

“Mano, bem-vindo de volta!!!”

   Largando a espada de plástico, Ryota correu direto para Haruto.

“Uou, opa aí. Cheguei, Ryota-kun.”

   Haruto se agachou para segurar o garoto.

“Você vai morar com a gente a partir de hoje, né?”

“Isso mesmo. Vamos nos dar bem.”

“Sim! Por favor, cuide de mim!”

   O sorriso brilhante e os olhos cintilantes de Ryota eram contagiantes, suavizando a expressão de Haruto. Enquanto isso, a avó de Haruto — que estava preparando o jantar na cozinha — observava a cena com um sorriso caloroso.

“Bem-vindo de volta, Haruto.”

“Cheguei, vovó.”

   Era a troca de sempre entre Haruto e sua avó, mas agora acontecendo na casa dos Tōjō. O cenário estranho deixava Haruto com uma sensação diferente.

   Notando que sua avó preparava sobrecoxas de frango em uma tigela grande, Haruto deduziu que o jantar seria karaage.

“Vovó, quer ajuda com alguma coisa?”

“Não precisa. Apenas desfaça suas coisas e brinque com o Ryota-kun.”

   Normalmente, Haruto cozinharia ao lado da avó, aprendendo suas técnicas, mas como era seu primeiro dia na casa dos Tōjō, ela insistiu para que ele passasse tempo com Ryota. Assentindo, Haruto colocou a mão sobre a cabeça do menino.

“Ryota-kun, depois que eu desfizer minhas coisas, vamos brincar até o jantar, ok?”

“Eba!”

   A empolgação de Ryota fez Haruto sorrir. Então Ayaka falou:

“Haruto-kun, deixa eu te ajudar com a bagagem.”

   Ela pegou a bolsa de viagem.

“Oh, essa é pesada. Pode levar a mochila no lugar?”

“Tá bom. Ryota, já voltamos, tá?”

   Pegando a mochila, Ayaka pediu para o irmão esperar. Nesse momento, Ikue voltou para a sala e se dirigiu ao menino.

“Vamos brincar juntos até seu irmão e sua irmã voltarem.”

“Hm… tá bom!”

   Ryota assentiu após olhar para Haruto e Ayaka. Sua cooperação surpreendeu Ayaka, que esperava que ele fizesse birra.

   Então Ryota olhou para ela com uma expressão orgulhosa.

“Mana, você precisa passar tempo com o mano pra nutrir o amor e virar uma família de verdade. Vou ajudar porque quero que ele vire parte da nossa família logo.”

“Ah, é-é mesmo… Obrigada.”

   Corando, Ayaka tentou processar a declaração do irmão caçula.

“Aliás… onde você ouviu essa de ‘nutrir o amor’?”

“A mamãe e o papai estavam falando disso! Então eu vou ajudar vocês a ficarem juntos!”

   Ryota ainda acrescentou um animado “Boa sorte, Mana!”, enquanto Ayaka lançava um olhar afiado para a mãe.

“Oh, ele ouviu sem querer”, Ikue disse com uma risadinha.

“‘Ouviu sem querer’? Sério, mãe? Aff… Haruto-kun, vamos.”

   Com um suspiro exasperado, Ayaka puxou levemente o braço de Haruto, guiando-o até o quarto de Ryota no andar de cima. Haruto a seguiu com um sorriso torto.

   O plano era que Haruto usasse o quarto de Ryota durante sua estadia. Enquanto desencaixotava ali, no cômodo ao lado do quarto de Ayaka, ela se desculpava de forma constrangida.

“Desculpa meus pais falarem essas coisas estranhas.”

“Tá tudo bem. Na verdade… eu fico feliz de morar com você, Ayaka. E, bom… embora ‘nutrir o amor’ soe meio estranho, acho que essa é mesmo uma boa chance de nos conhecermos melhor.”

“É-é. Eu também. Quero saber mais sobre você, Haruto-kun.”

   As palavras dela, ditas com um sorriso tímido, encheram Haruto de alegria.

“Então, sobre hoje na escola…”

“Ah, é. Aquela garota… a Dōjima-san?”

   Finalmente a sós, Haruto começou a explicar sobre Shizuku.

“Ela é filha do mestre do meu dojo. A gente pratica karatê junto desde criança, então ela é meio que uma amiga de infância.”

“Entendi. Vocês pareciam próximos, mas faz sentido.”

   Ayaka assentiu pensativa, parecendo aceitar a explicação. Haruto olhou diretamente nos olhos dela, falando com sinceridade.

“Eu sou próximo da Shizuku, e ela é uma amiga importante. Mas quem eu amo é você, Ayaka. Só você.”

“...Obrigada. Isso me deixa feliz.”

   Ayaka sorriu suavemente, desviando o olhar com vergonha.

“Eu até contei pra Shizuku que a gente tá namorando, e quando expliquei sobre você, ela ofereceu ajuda. Por isso ela foi à sala hoje, mas…”

   Haruto hesitou antes de continuar.

“A Shizuku é uma boa pessoa, e eu acho que ela realmente quer nos apoiar, mas… desculpa.”

   Ele inclinou a cabeça, pedindo desculpas. Surpresa, Ayaka sacudiu as mãos, aflita.

“Por que você tá se desculpando? Não tem nada pra se desculpar!”

“É que… eu pensei que talvez você tivesse ficado insegura.”

   Lembrando da expressão surpresa de Ayaka mais cedo, Haruto explicou. Mas ela balançou a cabeça.

“Não, nada disso. Eu fiquei surpresa porque alguém tão próxima de você apareceu do nada, mas…”

   Ela olhou para ele rapidamente antes de continuar, corando.

“Eu consigo sentir o quanto você se importa comigo, então… não fico preocupada.”

“Ah, que bom…”

“Uhum.”

   Um silêncio doce e meio constrangedor tomou conta entre os dois. Para quebrar a tensão, Ayaka estufou o peito e fez um sorrisinho provocativo.

“Então, Haruto-kun? Não acha que eu sou a namorada perfeita por ser tão compreensiva?”

   Corando, ela fez uma pose fofa. Haruto, tomado pela afeição, a puxou para um abraço suave.

“Acho sim. Você é a melhor, Ayaka. A namorada perfeita pra mim.”

   Ao ouvi-lo sussurrar em seu ouvido, ela se remexeu nos braços dele, claramente envergonhada.

Apoie a Novel Mania

Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.

Novas traduções

Novels originais

Experiência sem anúncios

Doar agora