SESSÃO 5

105 - Duas Silhuetas Sobrepondo Memórias

 

   O silêncio da noite envolvia o bairro residencial. Sob a suave luz do luar, Haruto e Ayaka caminhavam devagar, de mãos dadas.

“Os fogos estavam tão lindos hoje,” Ayaka disse com um sorriso.

“Sim, estavam incríveis. Sempre foram tão espetaculares assim? Acho que me arrependo de não ter prestado atenção antes,” Haruto respondeu.

   O rosto de Ayaka se iluminou enquanto falava sobre os fogos que tinham visto. Haruto também parecia impressionado — até que Ayaka virou-se para ele com um sorriso radiante.

“Vamos assistir juntos todo ano daqui em diante... e para sempre.”

“É, vamos sim,” Haruto assentiu, com um tom suave, enquanto olhava para a expressão tímida dela. Ayaka sorriu feliz em resposta, e Haruto acabou murmurando: “Entendi.”

   Ele percebeu que os fogos tinham parecido tão deslumbrantes porque ele os tinha visto ao lado dela. O céu iluminado e os olhos brilhantes de Ayaka tornaram o evento realmente memorável.

“Pra mim também foi assim,” Ayaka disse calorosamente. “Ver os fogos com você tornou tudo ainda mais especial.”

   A voz alegre dela fez Haruto sorrir também.

   Eles continuaram conversando tranquilamente sobre os acontecimentos da noite enquanto seguiam em direção à residência Tōjō.

   Haruto usava um yukata que pertencia ao pai de Ayaka, Shūichi. A condição para emprestar a roupa tinha sido que Haruto escoltasse Ayaka até em casa, e ele segurava sua mão firme enquanto caminhavam.

“Aliás, não acha que a condição do Shūichi pra me emprestar o yukata foi meio aleatória?”

   Haruto inclinou a cabeça, confuso. Para ele, escoltar Ayaka com segurança já era algo natural, sem necessidade de imposição.

“Hmm... Talvez o papai só quisesse que você fosse lá em casa depois do festival,” Ayaka sugeriu.

“Talvez... mas por quê?”

“Quem sabe?”

   Os dois inclinaram a cabeça ao mesmo tempo, sem conseguir imaginar o motivo de Shūichi.

   Haruto olhou para os pés de Ayaka. “Ei, Ayaka, seus pés estão bem? Estão doendo?”

   Ela usava sandálias geta com o yukata. Sem experiência, esses calçados poderiam machucar ou causar bolhas.

   Ayaka sorriu. “Estou bem. A mamãe afrouxou as tiras antes pra não machucar.”

“Que consideração da Ikue-san,” Haruto disse, aliviado.

   Nesse momento, Ayaka soltou um pequeno som.

“Hã? O que houve?”

“Na verdade... talvez meus pés estejam doendo, sim...”

“O quê?! Você está bem?”

   Assustado, Haruto olhou para os pés dela.

“S-sim... digo, talvez esteja doendo demais pra eu continuar andando...”

“Tudo bem, eu te dou uma carona nas cos—”

“Sim!” Ayaka interrompeu imediatamente, o rosto se iluminando de empolgação.

   Haruto semicerrrou os olhos para ela. A expressão dela estava carregada de expectativa, e ela desviava o olhar.

“Ayaka, sério isso?”

“Bom... meus pés doem mesmo... não consigo mais andar...” Ayaka disse, virando o rosto dramaticamente.

   Haruto ficou olhando para ela por um momento, depois riu baixo. “Tá bom, eu te levo.”

   Ele se agachou e ofereceu as costas. Ayaka hesitou por um instante, então subiu, envolvendo suavemente os braços ao redor dos ombros dele.

“Obrigada, Haruto. Hm... eu estou pesada?”

“Nem um pouco,” Haruto respondeu enquanto ajustava o peso dela e retomava a caminhada.

   Enquanto avançavam, Ayaka relaxou, encostando-se totalmente em suas costas.

“Haruto, suas costas são tão quentinhas,” ela murmurou. “E o jeito que você anda é tão calmo... dá vontade de dormir.”

“Pode tirar um cochilo até chegarmos, se quiser.”

   Ayaka balançou a cabeça imediatamente. “De jeito nenhum. Se eu dormir, vou perder a chance de aproveitar a carona. Quero saborear o momento.”

“S-saborear...? Não é tudo isso.”

“É sim, pra mim é,” Ayaka insistiu, abraçando-o mais forte.

“Uh, Ayaka? Se você apertar assim, eu consigo sentir... ahn... certas coisas. Pode afrouxar um pouco?” Haruto gaguejou, o rosto esquentando.

“Não! Não vou soltar,” ela respondeu, pressionando a bochecha nas costas dele.

   Haruto suspirou. “Tá bom.”

Alguns minutos depois, o casal chegou perto da residência Tōjō, onde Haruto a colocou gentilmente no chão.

“Obrigada, Haruto. Foi incrível,” ela disse, abrindo um sorriso.

“Fico feliz que tenha gostado,” Haruto respondeu, sentindo uma pontada de saudade da sensação dela encostada em suas costas.

“Você vai entrar, né?” Ayaka perguntou, segurando a porta aberta.

“Vou sim, só um pouco,” Haruto disse.

   Lá dentro, encontraram Ikue e Shūichi tomando algo leve na mesa de jantar. Ao vê-los, Shūichi pôs a taça de vinho de lado e exclamou:

“Bem-vindos de volta! Haruto-kun, esse yukata ficou perfeito em você! Como eu imaginei!”

Ikue virou-se com um sorriso. “Bem-vindos, vocês dois. Olha só, querido — o yukata dele e o da Ayaka parecem exatamente com os que nós usávamos quando éramos jovens.”

“Exato! Parece até que voltamos no tempo!” Shūichi acrescentou animado.

   Haruto entendeu na hora. O yukata da Ayaka e o yukata de Shūichi que ele estava usando deviam ter lembrado o casal Tōjō de sua juventude.

“Haruto-kun, obrigado por escoltar a Ayaka. Esse yukata combina mesmo com você,” Shūichi disse, pegando o celular. “Posso tirar uma foto?”

“Claro,” Haruto concordou.

   Enquanto Shūichi tirava fotos sem parar, Ayaka suspirou. “Pai, você está tirando fotos demais.”

“Um dia você vai entender, quando tiver filhos,” Shūichi retrucou, fazendo Ayaka engasgar e ficar vermelha na hora.

“Obrigado, Haruto-kun. E se você gostar desse yukata, considere-o seu,” Shūichi ofereceu, sorrindo amplamente.

   Haruto recusou educadamente, mas no fundo, ficou tocado por aquele momento caloroso em família.

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