SESSÃO 5

101 - A Manhã Depois de Passar a Noite

 

   Haruto sempre acorda cedo para estudar nas horas tranquilas da manhã.

   Esse hábito está tão profundamente enraizado que, mesmo na manhã seguinte a ter passado a noite na casa da família Tōjō, ele naturalmente acordou quando o céu começou a clarear.

   Sentando-se lentamente, Haruto olhou para o lado e encontrou Ryota esparramado em posição de estrela-do-mar, braços e pernas esticados ao máximo.

“Clássico Ryota. Ousado até dormindo”, Haruto murmurou com uma risada.

   Ele pegou o cobertor amassado no pé da cama de Ryota, estendeu e o colocou cuidadosamente sobre a barriga do amigo. Tomando cuidado para não perturbar sua expressão tranquila, Haruto saiu do futon. Pegando sua toalhinha de mão e a escova de dentes entre seus pertences, ele desceu para o banheiro do primeiro andar.

   Ainda sonolento, Haruto encarou seu próprio reflexo no espelho, sem foco, enquanto escovava os dentes.

   O banheiro da casa Tōjō era tão espaçoso e impecável quanto se esperaria de uma residência tão grandiosa, com sua elegante decoração branca. Haruto sentiu um toque de sofisticação enquanto lavava o rosto e o secava com a toalha.

   Depois de jogar água fria no rosto, os últimos vestígios de sono desapareceram. Haruto soltou um pequeno suspiro, ajustou sua aparência no espelho e então notou algo no canto do reflexo — manchas brancas de água.

“Hm... isso é...”

   Haruto se aproximou para inspecionar as manchas, logo percebendo várias outras.

“Manchinhas de água, seu tempo acabou. Vou eliminar todas vocês.”

   Ele declarou, tomado por uma estranha animação típica do início da manhã.

   Pegando produtos de limpeza debaixo da pia, Haruto começou seu ataque às manchas.

   Tendo lidado com tarefas domésticas na casa dos Tōjō durante o verão, ele conhecia bem o lugar. O borrifador em sua mão continha o limpador caseiro de vinagre feito por sua avó, um remédio infalível para essas manchas.

   Ele borrifou a solução, esperou um instante e então limpou com um pano. Como as manchas eram pequenas, saíram com facilidade.

“Contemplem o poder do limpador especial da vovó”, Haruto murmurou triunfante, com um sorriso travesso.

   Assim que terminou com o espelho, seu modo limpeza ativado por completo, Haruto começou a arrumar a área ao redor. Quando deu por si, o banheiro inteiro brilhava.

   Enquanto admirava seu trabalho satisfeito, uma voz o chamou por trás.

“Haruto-kun?”

   Virando-se, Haruto viu Ayaka parada ali em seu pijama.

“Ah, bom dia, Ayaka.”

“Bom dia... Você estava limpando?”

“Sim. As manchas no espelho chamaram minha atenção enquanto eu escovava os dentes.”

   Ayaka olhou para ele, depois para o banheiro impecável.

“Você limpou mais do que só o espelho...”

“Ah... eu não consegui parar quando comecei.”

“Que tipo de ‘interruptor’ é esse?”

   Ayaka riu baixinho, cobrindo a boca com a mão.

   Vendo-a assim, Haruto não pôde deixar de ficar encantado.

   A figura de Ayaka em pijama tinha um charme raro e desprotegido. Seu cabelo normalmente arrumado estava levemente bagunçado, com uma mecha teimosa levantada. Seus grandes olhos expressivos pareciam um pouco caídos pelo sono, dando a ela uma aparência suave e adorável.

   Incapaz de conter seus sentimentos, Haruto disparou: “Ayaka, você fica absolutamente adorável quando acaba de acordar.”

“Hã...? Hã?!”

   Ayaka congelou por um momento antes de seu rosto ficar vermelho vivo. Ela rapidamente o cobriu com as mãos.

“N-não olha! Não olha pra mim!”

“Espera, por quê?”

“Porque meu cabelo tá bagunçado, e eu nem lavei o rosto ainda!”

“Mas esse cabelo levemente bagunçado te deixa ainda mais charmosa pra mim.”

   Espiando pelos vãos entre os dedos, Ayaka soltou um gemidinho.

“Você é tão provocador, Haruto-kun...”

“Eu não estava provocando. Eu falei sério.” Haruto disse com um sorriso gentil.

“...De verdade?” Ayaka perguntou, a voz abafada enquanto ela pressionava o rosto contra o peito dele.

   Haruto assentiu. “De verdade.”

“Então... só um pouquinho, tá? Mas não olha pro meu rosto!”

“Tudo bem, eu vou resistir”, Haruto respondeu, rindo suavemente enquanto a envolvia nos braços.

   Ayaka afundou ainda mais o rosto no peito dele, suas mãos segurando firme suas costas.

“Seu rosto tá tão vermelho”, Haruto brincou baixinho.

“...Eu disse pra não olhar!”

“Ok, ok”, Haruto respondeu, sua risada ecoando suavemente na quietude da manhã.

 

****

 

   Mais tarde, os dois prepararam o café da manhã juntos na cozinha dos Tōjō. O aroma de comida fresca logo encheu o ar, atraindo o resto da família para o andar de baixo.

   Naquela manhã, Haruto descobriria o quão calorosamente ele havia sido aceito pela família de Ayaka — embora os comentários provocativos deles sobre a proximidade do casal tenham deixado ambos completamente corados.

 

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