SESSÃO 5

102 - Isso Importou Mesmo?

 

   O céu começou a ficar carmesim, entrando no crepúsculo.

   Apesar da chegada da noite, o caminho por onde Haruto andava estava iluminado pelas inúmeras luzes das barracas de comida alinhadas dos dois lados da estrada.

   Vozes animadas chamando clientes ecoavam de todas as direções, criando uma atmosfera vibrante. A rua estava lotada de pessoas, movendo-se pelos estreitos espaços entre as barracas.

   Era o maior festival de fogos de artifício da cidade natal de Haruto.

   Embora tivesse sido cancelado uma vez por causa da chuva, foi remarcado para a data reserva e estava acontecendo sem nenhum problema.

   Caminhando lado a lado com seu melhor amigo Tomoya, Haruto matou um pouco da fome com um espetinho de karaage recém-comprado.

“Isso aqui custa 400 ienes por um único espeto. Que absurdo,” Haruto murmurou, encarando o palito vazio.

“Esses 400 ienes incluem o imposto de atmosfera, meu amigo. Isso é preço de festival,” Tomoya respondeu.

“Bom, é… acho que sim,” Haruto disse, dando uma última olhada no espeto antes de jogá-lo na lixeira ao lado da rua.

“Essa multidão é insana, como sempre,” ele comentou.

“Nem fale. Só de andar já cansa,” Tomoya respondeu, impressionado.

   Haruto deu de ombros.

   Naquela noite, ele planejava assistir aos fogos com Ayaka. Se não fosse por isso, ele nem teria se dado ao trabalho de vir a um lugar tão lotado.

   Virando-se para Tomoya, que mastigava takoyaki enquanto observava a multidão, Haruto expressou sua gratidão.

“Valeu, Tomoya.”

“Hã? ‘Valeu’ pelo quê?”

“Por vir comigo ao festival.”

   Originalmente, Haruto planejava ir direto ao festival com Ayaka. Porém, serem vistos juntos pelos colegas de escola poderia revelar o relacionamento deles.

   Para evitar isso, Haruto veio com Tomoya, enquanto Ayaka veio com Saki. Eles planejavam se encontrar “por acaso” no local.

“É, é. Seja grato,” Tomoya respondeu.

“Pode deixar, Tomoya-sama,” Haruto provocou.

“Coloca mais emoção nisso!” Tomoya disse rindo.

“Mas sinceramente, vir com você significa que eu vou ver a Tōjō-san de yukata,” Tomoya admitiu com um sorriso malandro.

“Esse é o seu verdadeiro motivo, né?”

“Obviamente. Sem isso, eu não viria a um festival lotado só de caras suados.”

   Haruto riu da declaração ousada de Tomoya.

   Apesar da piada, Haruto apreciava a disposição do amigo em ajudar.

   Parados ao lado da rua, afastados da multidão, os dois conversavam casualmente enquanto esperavam Ayaka e Saki.

“A Tōjō-san e a amiga dela já chegaram?” Tomoya perguntou.

“Sim, elas já estão vindo pra cá,” Haruto respondeu, verificando suas mensagens com Ayaka.

   Como deveriam se encontrar por coincidência, evitaram combinar algo muito explícito.

“Acha que a Aizawa-san também vai estar de yukata?”

“Provavelmente. Ayaka comentou algo sobre isso mais cedo.”

   Haruto se lembrou da observação animada de Ayaka naquela manhã, dizendo que estava ansiosa para ver o yukata da Saki.

“A propósito, Haruto, você ao menos tem um jinbei?”

“Não. Esse aqui é emprestado do pai da Ayaka, o Shūichi.”

“Caramba. O quanto a família Tōjō gosta de você?”

   Haruto riu da reação meio surpresa, meio exasperada de Tomoya.

   Coincidentemente, Tomoya também estava usando um jinbei, formando assim uma dupla totalmente adequada ao festival.

   Terminando seu último takoyaki, Tomoya comentou casualmente: “Cara, ver a Aizawa-san de yukata vai ser ótimo. Mal posso esperar, Haru.”

“Hã? É… talvez.”

“Que reação mais morninha é essa? Deixa eu adivinhar: você é um desses tipos ‘a garota mais fofa do mundo é a minha namorada’?”

“Exatamente. Não existe ninguém mais fofa que a Ayaka pra mim,” Haruto respondeu com naturalidade.

   Tomoya fez uma careta. “Ugh, tá bom, tá bom. Parabéns pela sua namorada mais fofa do mundo.”

“Obrigado pela bênção,” Haruto disse com um sorriso.

“Exploda logo!” Tomoya retrucou, fazendo ambos rirem.

   No meio da brincadeira, uma voz chamou por eles.

“Ei, vocês dois, estão aqui sozinhos?”

   Virando-se para a voz, Haruto viu duas mulheres que pareciam um pouco mais velhas, sorrindo para eles.

“Se estiverem sozinhos, por que não assistem aos fogos com a gente?”

   Elas pareciam universitárias, pelo ar mais maduro.

   Haruto se lembrou de outras vezes em que ele e Tomoya haviam sido abordados assim. A boa aparência de Tomoya e seu inexplicável charme com mulheres mais velhas faziam com que situações assim — investidas reversas — acontecessem de vez em quando.

“Ah, desculpa, a gente tá esperando alguém,” Tomoya disse, lançando um sorriso educado.

   Provavelmente aquele tipo de sorriso era o motivo pelo qual mulheres assim o achavam tão atraente, pensou Haruto ao olhar para a outra mulher. Ela pareceu surpresa quando seus olhos se encontraram e logo desviou, puxando a amiga pela mão.

“Vamos, vamos. Eles têm namoradas — não é justo incomodar.”

“Puxa, que pena. Vocês são totalmente o meu tipo, viu.”

   A primeira mulher lançou um último olhar para Haruto e Tomoya, e Haruto sentiu uma estranha sensação de estar sendo caçado.

“Aha…”

   Ele soltou uma risada tensa, tentando ignorar.

   Nesse momento, uma voz familiar chamou:

“Haruto-kun!”

   Olhando na direção da voz, Haruto viu Ayaka e Saki se aproximando.

   Ayaka usava um yukata branco adornado com peixinhos vermelhos brilhantes, emprestado de sua mãe, Ikue. Seus passos rápidos, por pouco não bagunçando seu yukata, a levaram direto até Haruto. Ela agarrou o braço dele e se apertou contra ele.

“Desculpa por fazer você esperar, Haruto-kun!”

“Ah, não, de boa. Não esperei muito,” Haruto respondeu, um pouco sobrecarregado pela presença alegre — e intensa — de Ayaka.

   Embora sorrisse radiante, Haruto sentiu a mesma aura feroz que ela mostrara no dia anterior quando Ryota a provocou sobre sua barriguinha durante o banho.

   Ayaka virou o olhar para as duas mulheres que haviam se aproximado deles.

“Haruto-kun, quem são essas pessoas?”

“Ah, bem, elas só falaram com a gente por acaso—” Haruto começou, mas foi interrompido.

“Espera, essa garota é sua namorada?!” uma das mulheres exclamou.

“Sim, isso mesmo,” Ayaka respondeu.

“Uau! Ela é adorável! Que casal fofo! Isso é melhor do que os fogos! Obrigada pela vista maravilhosa!”

   E assim, a mulher acenou alegremente, arrastando a amiga junto com ela.

“O que foi isso…?” Haruto murmurou, atônito.

   Momentos depois, Saki se aproximou.

“Oi, Otsuki-kun, Akagi-kun,” ela cumprimentou, seu yukata roxo com hortênsias balançando levemente.

“Aquelas garotas estavam dando em cima de vocês?” ela perguntou de forma provocativa.

   Tomoya passou a mão no cabelo de forma exagerada. “É difícil ser tão bonito assim.”

“Eu diria que só fui arrastado pra isso por causa do Tomoya,” Haruto acrescentou, apontando para o amigo.

   Saki riu. “Pelo visto a Ayaka tá em modo vigia pra proteger o namorado precioso dela.”

“Eu não tô em modo vigia,” Ayaka disse com um sorriso doce, apertando um pouco mais o braço de Haruto.

   Mas sua postura fazia Haruto sentir como se estivesse sendo protegido de algum perigo iminente.

“Enfim, agora que estamos todos aqui, vamos explorar as barracas até os fogos começarem?” Saki sugeriu.

“Ótima ideia! Tô morrendo de fome,” Tomoya disse.

“Você já comeu um monte e ainda tá com fome?” Haruto perguntou incrédulo.

“Óbvio! Sou um estudante do ensino médio!”

   O grupo riu e partiu para aproveitar o festival, sua conversa descontraída se misturando à atmosfera movimentada ao redor.

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