SESSÃO 4

94 - A Persuasão de Shuichi

 

   Shuichi e Kiyoko saíram da sala de estar para o deque de madeira no pátio.

   Quando a luz deslumbrante do sol caiu sobre eles, ambos semicerraram os olhos contra o brilho.

"Que lugar adorável", comentou Kiyoko.

"Estive ocupado demais este ano para cuidar, mas no ano que vem quero colocar alguns vasos aqui e cultivar vários tipos de flores", disse Shuichi.

"Isso parece uma ideia maravilhosa", respondeu Kiyoko com um aceno.

   Shuichi fez um gesto em direção ao sofá no deque. "Por favor, sente-se."

"Obrigada. Vou sim", disse ela, acomodando-se no sofá.

   Depois de confirmar que ela estava confortável, Shuichi sentou-se no sofá ao lado dela. O assento macio e acolchoado afundou gentilmente sob seu peso, oferecendo um abraço aconchegante que fez surgir um sorriso em seu rosto.

   Aquele deque e aquele sofá eram uma das partes favoritas da casa para Shuichi, um detalhe no qual ele tinha insistido quando a construiu.

"É incrivelmente confortável", disse Kiyoko com uma expressão relaxada.

   Embora as férias de verão já tivessem acabado, os dias ainda continuavam sufocantemente quentes. No entanto, no começo da tarde, a luz do sol suavizava um pouco, e a brisa leve era agradável contra a pele aquecida pelo sol.

"É perfeito para tomar sol", acrescentou ela.

"Fico feliz que tenha gostado. Sinta-se à vontade para usar este espaço sempre que quiser relaxar", disse Shuichi.

"Muito obrigada", respondeu Kiyoko com uma reverência educada.

   Por um momento, os dois recostaram-se nos sofás, apreciando o ar e a luz do verão. Eventualmente, Shuichi quebrou o silêncio.

"Kiyoko, seu neto Haruto é um jovem notável."

"Obrigada. Mas devo dizer, acho que Ayaka também é uma garota adorável e excepcional. Acima de tudo, ela tem um coração puro e gentil", respondeu Kiyoko calorosamente.

"Obrigado", disse Shuichi com um sorriso sincero, claramente encantado com o elogio à filha.

"Alguns podem chamar de mimo, mas Ayaka cresceu sendo uma criança tão sincera e direta. Ela é um pouco atrapalhada e adora ser mimada, mas tem um bom coração e é muito sensível aos sentimentos dos outros."

"Isso não é mimo algum. Acho que Ayaka é exatamente como você descreve", disse Kiyoko, tranquilizando-o.

   Shuichi inclinou a cabeça em agradecimento. Então, olhando diretamente nos olhos dela, continuou:

"Posso não conhecer Haruto muito bem ainda. Só o conhecemos há cerca de um mês. Mas eu passei todos os 17 anos da vida de Ayaka observando-a crescer."

   Endireitando-se a partir do encosto do sofá, ele enfrentou Kiyoko diretamente.

"Ayaka escolheu o Haruto. Como pai, quero respeitar a decisão dela. Se ela tivesse escolhido alguém obviamente errado, eu me sentiria obrigado, como pai, a guiá-la. Mas pelo que vi do Haruto, ele é um jovem admirável."

   Shuichi fez uma breve pausa, olhando para o céu de verão com os olhos semicerrados.

"Acredito que Haruto tem o que é necessário para fazer Ayaka feliz", disse com convicção.

"Agradeço muito sua opinião sobre Haruto, mas..." Kiyoko hesitou, ainda relutante quanto à permanência de Haruto na casa dos Tojo.

   Shuichi baixou o olhar do céu para o pátio, falando com reflexão.

"Haruto me contou que foi a senhora quem o ensinou todas as tarefas domésticas que ele sabe."

"Sim, ele aprende rápido. Tudo que se ensina, ele pega com facilidade", disse Kiyoko orgulhosa, o rosto suavizado pela luz do verão.

"Isso é incrível. A competência de Haruto é realmente impressionante", concordou Shuichi, antes de fazer outra pergunta.

"A senhora ensinou tudo isso ao Haruto para que ele pudesse viver de forma independente um dia, não foi?"

   Entendendo o significado por trás da pergunta, Kiyoko baixou o olhar e assentiu.

"Estou envelhecendo. Um dia, vou deixar o Haruto para trás. Quando isso acontecer, ele ficará completamente sozinho, sem família para depender. Ele ainda precisará continuar vivendo, então eu queria que fosse capaz de se virar sozinho."

"A ideia de estar completamente sozinho, especialmente tão jovem, deve ser aterrorizante", disse Shuichi.

   Ao contrário de Haruto, Shuichi era cercado por família — seus pais, sua esposa Ikue, a filha Ayaka e o filho Ryota. Apenas imaginar perdê-los fazia um calafrio percorrer seu corpo.

   Embora suas situações fossem diferentes, Shuichi compreendia o peso emocional que Haruto carregava.

"O tempo é imparcial", murmurou Kiyoko. "Mas sua justiça pode ser cruel."

   Os dois compartilharam um momento de silêncio sombrio antes de Shuichi voltar a falar, desta vez com um tom mais leve.

"O tempo pode tirar, mas também pode trazer uma nova família para a vida de alguém."

"Nova família?" Kiyoko perguntou, intrigada.

   Sorrindo calorosamente, Shuichi continuou: "Claro, isso depende das escolhas de cada um. Os pais não devem interferir sem necessidade. Mas como pais, é natural desejarmos a felicidade dos nossos filhos. E às vezes, orientá-los um pouco não faz mal, não é?"

   Kiyoko ouviu enquanto o sorriso de Shuichi se aprofundava, embora seus olhos transmitissem uma determinação séria.

"Quaisquer que sejam as escolhas de Haruto e Ayaka, eu as respeitarei. Mas se eles escolherem seguir o mesmo caminho, nós o receberemos com alegria como parte da nossa família."

   Os olhos de Kiyoko se arregalaram, chocada com as palavras de Shuichi.

"Você pensou tão longe assim?"

"Conversei brevemente com Ikue, e ela concorda comigo", respondeu ele.

   Percebendo o quanto a família Tojo valorizava Haruto, Kiyoko ficou surpresa e profundamente comovida. Shuichi prosseguiu:

"Kiyoko, você acha o Haruto querido?"

"Mas é claro", respondeu ela firmemente, apesar de surpresa pela pergunta repentina. Haruto era seu neto amado, alguém que ela prezava mais do que tudo.

"Então imagine o quão preciosos seriam os filhos dele — seus bisnetos."

"Meus bisnetos..."

   A menção inesperada deixou Kiyoko momentaneamente sem palavras.

"Haruto tem traços tão marcantes. Talvez seus filhos herdem essa beleza. E se for uma menina, talvez se pareça com a Ayaka. Só de imaginar, já me faz sorrir", disse Shuichi com alegria.

"Os filhos do Haruto..." A mente de Kiyoko voltou-se para a lembrança de quando segurou Haruto recém-nascido. Ela recordou o calor e o peso de seu corpinho, uma mistura de leveza e profundo significado.

   Se ela pudesse sentir aquela alegria novamente enquanto ainda estivesse viva...

   Percebendo que suas mãos tremiam de emoção, Kiyoko ergueu o olhar quando Shuichi falou suavemente:

"Mesmo vivendo sob o mesmo teto, espero que Haruto e Ayaka mantenham limites apropriados enquanto forem estudantes. Eu confio que agirão com responsabilidade."

   Ele só havia sugerido que Haruto ficasse com eles porque acreditava no caráter dele e em sua capacidade de valorizar Ayaka.

"Eles não são mais crianças inconsequentes", acrescentou Shuichi.

"Você tem razão", respondeu Kiyoko, finalmente assentindo.

"Eu não sei quais decisões o Haruto tomará, mas… se um dia ele desejar fazer Ayaka feliz, por favor, acolham-no como parte da família de vocês", disse Kiyoko, fazendo uma profunda reverência.

"Claro. Com prazer", respondeu Shuichi, retribuindo a reverência com um sorriso caloroso.

Apoie a Novel Mania

Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.

Novas traduções

Novels originais

Experiência sem anúncios

Doar agora