SESSÃO 4

92 - Aqueles que Compartilham Segredos

 

 

   Ayaka espiou por trás da Saki e, ao ver Haruto, abriu um sorriso enorme e começou a correr em direção a ele.

   Ela parecia um cachorrinho que acabara de ver seu dono.

   Se Ayaka tivesse um rabo, ele certamente estaria balançando sem parar.

   No entanto, Saki agarrou a gola da camisa de Ayaka, interrompendo sua corrida.

“Fica, Ayaka!”

   O tom da Saki era como o de alguém dando um comando para um cachorro.

   Segurada pela nuca, Ayaka soltou um fofo e abafado “Fugyu!” ao ser parada.

   Ayaka rapidamente se virou, lançando um olhar descontente para Saki.

“Hmmm!”

“Não vem com ‘hmm’ pra mim,” Saki retrucou, ignorando o protesto enquanto olhava ao redor.

   Havia dois outros grupos de alunos almoçando no terraço. Depois de observá-los brevemente, Saki puxou Ayaka para mais perto de Haruto e dos outros, levando-os para a sombra da torre de água. Assim que estavam escondidos, Saki a repreendeu.

“O que você ia fazer se alguém visse? Já esqueceu a confusão que foi quando você disse que gostava de alguém no primeiro dia depois das férias?”

“M-me desculpa...” Ayaka pediu, cabisbaixa.

   Os alunos que conversavam alegremente sob o sol pareciam não perceber a presença da idol da escola. Mas se algum deles tivesse visto a cena de agora há pouco, não seria difícil deduzir de quem ela gostava.

   Depois de pedir desculpas à Saki, Ayaka virou-se para Haruto também.

“Desculpa, Haruto.”

“Bem, ninguém notou, e eu também fico feliz em te ver,” Haruto respondeu.

   No instante em que ele disse isso, a expressão apagada de Ayaka floresceu como uma flor desabrochando.

   Vendo isso, Saki soltou um suspiro leve de exasperação e examinou a área mais uma vez, confirmando que ninguém os observava.

“Ayaka, liberada!” Saki deu o sinal verde.

“Ah, Saki! Eu não sou um cachorro!” Ayaka inflou as bochechas, irritada com os comandos que mais pareciam para um animalzinho.

“Você literalmente estava prestes a saltar em cima do Otsuki como um cachorro,” Saki rebateu.

“B-bom, é porque… meu corpo só se mexeu sozinho quando vi o Haruto de repente!” Ayaka gaguejou, envergonhada.

   Tomoya, observando o comportamento dela, semicerrrou os olhos e se inclinou em direção a Haruto.

“Ei, Haru. O que você fez com a Tōjō-san? Ela tá completamente apaixonada por você.”

“Eu não fiz nada. Só confessei normalmente, e agora estamos namorando.”

“Você tem um talento pra encantar pessoas sem querer, sabia? Acho que a Tōjō-san foi mais uma vítima.”

“Para de fazer parecer algo ruim,” Haruto disse, franzindo o cenho.

“O fato de você não perceber torna tudo pior,” Tomoya devolveu.

   Ayaka interveio timidamente na conversa. “Akagi-kun, posso sentar ao lado do Haruto?”

“Claro! Sinta-se à vontade!” Tomoya sorriu e fez um gesto dramático.

“Obrigada.” Ayaka não hesitou e sentou-se bem apertadinha ao lado de Haruto, seu sorriso iluminando tudo ao redor.

   Ao ver esse sorriso, Tomoya fechou os olhos, colocou a mão sobre o peito e olhou para o céu. “Uma deusa desceu até nós…”

“Para com isso,” Haruto murmurou.

“Haru, seu sortudo desgraçado. Explode logo.”

“Não, obrigado.”

“Ugh, que inveja!” Tomoya reclamou, rangendo os dentes teatralmente.

   Saki aproximou-se dele. “Akagi-kun, posso sentar aqui?”

“Hã? Ah, claro.”

   Saki se acomodou ao lado de Tomoya. Ele olhou para ela com curiosidade, fazendo-a sorrir de canto antes de lançar um olhar para Ayaka, que irradiava felicidade perto de Haruto.

“Ficar perto da Ayaka apaixonada é demais pra mim. É tipo levar uma overdose de açúcar.”

“Ah, entendi,” Tomoya respondeu com um aceno compreensivo.

   Enquanto isso, Ayaka sorria radiante. “Eu fico tão feliz de poder sentar do lado do Haruto até na escola.”

   Haruto sorriu calorosamente com as palavras dela. Observando os dois, Tomoya fez uma careta como se tivesse engolido um tijolo de chocolate branco. Ele pegou o café au lait da mão de Haruto.

“Ei! Esse é o meu café!”

“Cala a boca!” Tomoya rosnou e virou a bebida de uma vez, ignorando os protestos.

“Isso é doce demais. Eu preciso de algo sem açúcar,” ele reclamou, devolvendo a lata vazia.

“Quer pegar um café sem açúcar depois? Eu pago,” Saki ofereceu, com um sorriso torto.

“Valeu. Vou aceitar,” Tomoya respondeu.

   Haruto cortou o assunto. “Então, por que vocês dois estão aqui? Disseram que estavam procurando um lugar mais tranquilo.”

“Pois é,” Saki suspirou. “Tá exaustivo. Toda hora as pessoas ficam enchendo a Ayaka de perguntas.”

   Depois da declaração “Eu gosto de alguém” que ela fez no primeiro dia de volta às aulas, tanto ela quanto Saki vinham sendo bombardeadas sem parar com perguntas sobre quem era a pessoa misteriosa.

“Ser perguntada a mesma coisa mil vezes é uma tortura…” Saki gemeu.

“D-desculpa por te envolver nisso,” Ayaka se desculpou de novo.

“Bem, ver a Ayaka tão feliz assim é legal, então não me importo tanto,” Saki respondeu com um sorrisinho cansado.

   Tomoya inclinou a cabeça. “E se a gente usar esse lugar como esconderijo na hora do almoço? Não fica tão cheio.”

“Não é má ideia,” Saki concordou.

   Ayaka olhou para Haruto com olhos esperançosos. “Sério?”

   Haruto hesitou. “Bem, agora está tranquilo, mas não dá pra garantir que vai continuar assim.”

“Se alguém ver vocês dois juntinhos aqui, seria difícil explicar,” Saki acrescentou.

   Ayaka corou. “Eu não faria isso na escola!”

   Saki sorriu de canto. “Sei…”

   Tomoya abriu um sorriso confiante. “Não se preocupem, eu vou encontrar um esconderijo de verdade pra vocês.”

“Eu ajudo também!” Ayaka acrescentou animadamente.

   E assim, começou a busca deles por um santuário secreto.

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