SESSÃO 4

91 - Coabitação

 

   Sob um céu azul claro, uma brisa suave soprava sobre o terraço da escola, amenizando o calor do verão. Em um canto ensolarado, perfeito para aproveitar o almoço, uma voz surpresa ecoou da sombra da torre de água.

"Sério?! Espera, isso não é praticamente morar junto?!"

   Tomoya exclamou, quase engasgando com seu pão de yakisoba, chocado com a revelação de Haruto.

"Ei, não cospe comida por aí. Que nojo."

"Idiota! Qualquer um cuspiria a comida ouvindo algo tão chocante!"

"Não considere isso uma reação normal. Tenha modos. Engula antes de falar."

   A repreensão de Haruto soava como uma bronca de pai. Ignorando-a, Tomoya continuou interrogando o amigo com entusiasmo.

"Morar com a Ayaka?! Isso é o sonho de qualquer garoto! Isso é incrível!"

"Shh! Abaixa a voz!"

   Haruto olhou rapidamente ao redor e levou o dedo aos lábios, pedindo silêncio.

   Na escola deles, o terraço era aberto aos alunos. Em dias agradáveis, muitos levavam seus lanches para aproveitar o espaço ao ar livre. No entanto, o local onde Haruto e Tomoya estavam — sombreado pela torre de água ao meio-dia — não era popular, já que a maioria preferia as áreas ensolaradas. Esse lugar isolado era perfeito para conversas privadas.

   Atualmente, havia dois outros grupos no terraço, sentados longe deles, conversando animadamente sob o sol. Haruto suspirou, aliviado ao perceber que o grito de Tomoya não havia chegado aos outros.

"Você chama isso de morar junto, mas não é um pouco diferente?" Haruto perguntou.

"Como assim diferente?"

"Bem, morar junto normalmente significa só o casal dividindo um lugar."

"Hmm… agora que você falou, faz sentido." Tomoya coçou a cabeça, tentando processar essa diferença.

   A proposta de Shuichi no dia anterior sugeria contratar a avó de Haruto como empregada residente e convidar Haruto a ficar na casa dos Tōjō. Animado, Tomoya havia chamado isso de “coabitação” ao ouvir a notícia. No entanto, como os pais de Ayaka, Shuichi e Ikue, seu irmão mais novo, Ryota e até a avó de Haruto viveriam sob o mesmo teto, não combinava com a imagem que Haruto tinha de coabitação.

"A família inteira da Ayaka vai estar lá, e até minha avó. Como isso seria coabitação?"

"Hmm, mas isso não é ainda mais intenso do que morar junto?" Tomoya disse, inclinando a cabeça em reflexão.

"Como assim intenso?"

"Pensa — você vai morar com a família dela! É tipo pular um nível. Tudo que vocês precisam agora é um registro de casamento e pronto."

"Espera aí, isso é cedo demais! Estamos namorando há só uma semana!" Haruto protestou.

"Haha, Haru, o amor verdadeiro não se importa com o tempo, sabia?"

   Tomoya fez uma pose dramática, jogando a franja para trás ao dizer isso.

"Ugh, você tá muito constrangedor agora," Haruto disse, fazendo careta.

"O quê? Essa foi a minha imitação do ‘Apóstolo do Amor’!"

"Que diabos é um Apóstolo do Amor?"

"Uma figura lendária que espalha amor e incentiva casamentos, é claro!"

"Quando você fala assim, só parece um golpista."

   A rejeição seca de Haruto fez Tomoya rir. Então, como se tivesse uma ideia brilhante, Tomoya estalou os dedos.

"Então não é coabitação — é co-residência! Isso combina, né?"

"Co-residência? Acho que faz sentido."

   Tomoya rapidamente pegou o celular para pesquisar o termo e mostrou o resultado para Haruto.

"Viu? Aqui diz que ‘co-residência’ significa familiares ou pessoas não relacionadas vivendo juntos na mesma casa."

"Espera, então tecnicamente… é isso que vai ser?"

"Exatamente! Cara, tô com muita inveja!" Tomoya provocou, cutucando Haruto com um sorriso largo.

   Haruto suspirou, ainda inseguro.

"Não vou morar lá o tempo todo, sabe. Não posso simplesmente deixar minha casa abandonada."

   Embora a ideia de ficar com Ayaka fosse atraente, Haruto valorizava a casa onde cresceu. Os pertences dos pais, o altar memorial do avô falecido e outras lembranças preciosas estavam ali. Ele não podia abandonar tudo.

"Casas precisam de alguém morando nelas, senão se deterioram rápido," Haruto disse.

"Mas sua avó vai estar trabalhando na casa dos Tōjō. Isso te deixa sozinho em casa, certo?"

"É, basicamente."

   O convite de Shuichi tinha sido, em parte, por preocupação com essa situação.

"Então você vai morar com a Ayaka e também experimentar morar sozinho? Isso é tipo duas vitórias!" Tomoya disse animado.

"Você tá fazendo isso parecer conveniente demais," Haruto respondeu, rindo.

   Ele explicou que os detalhes ainda não estavam decididos e seriam conversados no sábado, quando ele e a avó visitariam os Tōjō. Tomoya recostou-se enquanto bebia seu suco de laranja.

"Ah, e o festival de fogos que foi adiado vai acontecer domingo, né? Você vai com a Ayaka?"

"Esse é o plano, mas depende da conversa de sábado."

   Tomoya sorriu de forma maliciosa.

"Mano, você tá vivendo um sonho. Um encontro no festival com a Ayaka e uma co-residência? A vida tá boa, hein?"

   Haruto riu sem jeito, mas não discordou.

   Enquanto continuavam conversando, passos se aproximaram. Os garotos instintivamente ficaram em silêncio, atentos. Logo, uma figura familiar surgiu de trás da torre de água.

"Oh? Akagi e Ōtsuki? O que vocês estão fazendo aqui?"

   Era Saki, que parecia surpresa ao vê-los. Haruto relaxou ao notar que era alguém que já sabia do seu relacionamento com Ayaka.

"Só conversando sobre a Ayaka," Haruto respondeu.

"Ah, então é por isso que vocês estão num lugar tão isolado," Saki disse com um olhar compreensivo.

   Mas antes que ela pudesse continuar, outra voz chamou animadamente:

"Haruto?!"

   Surgindo por trás da Saki estava nada menos que…

Apoie a Novel Mania

Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.

Novas traduções

Novels originais

Experiência sem anúncios

Doar agora