SESSÃO 4

89 - A Inspiração de Ayaka

 

   Enquanto Haruto caminhava pelas ruas residenciais que levavam à casa da família Tōjō, as palavras de sua avó mais cedo ainda ecoavam em sua mente.

   Considerando a idade dela, encontrar um novo emprego parecia praticamente impossível. A única opção viável seria aproveitar suas habilidades excepcionais na cozinha, mas Haruto não tinha conexões para tornar isso possível.

"Parece que eu mesmo vou ter que assumir o trabalho..."

   Ele sabia que sua avó se oporia ferozmente à ideia, mas não havia outras opções viáveis.

   Perdido em pensamentos, Haruto percebeu que já havia chegado à mansão familiar. Depois de tantas visitas durante as férias de verão, seu corpo parecia ter memorizado o caminho até a propriedade dos Tōjō.

   Haruto apertou o interfone com naturalidade.

"Cheguei."

"Haruto-kun! Eu estava esperando por você. Vou abrir agora!"

   A voz animada e empolgada de Ayaka ecoou pelo interfone, aliviando momentaneamente a mente preocupada de Haruto.

   A porta da frente abriu rapidamente, e Ayaka apareceu, radiante. Ela puxou gentilmente a manga da camisa de Haruto, convidando-o para entrar. Juntos, seguiram para a sala de estar.

"O Shūichi-san e a Ikue-san estão trabalhando hoje?" Haruto perguntou, olhando ao redor da sala vazia.

"Sim, os dois vão fazer hora extra. Mais tarde eu vou ter que buscar o Ryōta."

"Quer que eu vá junto?"

"Sério? Se você for, o Ryōta vai ficar super feliz!"

   Enquanto conversavam, os dois se sentaram lado a lado no sofá da sala. Assim que se sentaram, Ayaka se aconchegou em Haruto, abraçando seu braço com carinho.

"Finalmente posso recarregar minhas energias com o Haruto-kun."

"Recarregar? Eu não sou um nutriente, sabe."

"Para mim, o Haruto-kun é um dos nutrientes essenciais", disse Ayaka, esfregando a bochecha no ombro dele enquanto segurava seu braço com firmeza.

   Haruto olhou para seu braço, praticamente enterrado contra o peito dela, e soltou um sorriso torto.

"Hoje na escola foi difícil até me aproximar de você", comentou ele, tentando manter a compostura.

"Eu sei. É tão difícil não poder conversar com você estando tão perto…" Ayaka disse, franzindo suavemente as sobrancelhas com um suspiro.

   Haruto acariciou gentilmente o cabelo dela, fazendo Ayaka relaxar ainda mais e se inclinar nele com uma expressão de puro contentamento.

   Embora vê-la tão feliz aquecesse o coração de Haruto, o peso da situação de sua avó continuava a incomodá-lo.

   Deveria deixar sua avó se esforçar ainda mais, ou deveria desistir de ir para a universidade e começar a trabalhar logo após o ensino médio?

   Sua avó era sua única família. Forçá-la além de seus limites seria doloroso para Haruto, mas trabalhar no lugar de estudar talvez deixasse nela um sentimento de culpa.

"O que eu devo fazer...?"

   Haruto soltou um pequeno suspiro sem perceber.

   Notando isso, Ayaka, que estava com a cabeça apoiada no ombro dele, levantou o rosto e o encarou com preocupação.

"...Haruto-kun?"

"Ah, desculpa, não é nada", Haruto disse rapidamente, tentando esconder seu desconforto com um sorriso.

   Mas a expressão preocupada de Ayaka não mudou.

"Desculpa... A culpa é minha, não é? Por causa do que eu disse na escola..." ela murmurou, desanimada.

   Haruto a puxou suavemente para mais perto e respondeu em um tom calmo para tranquilizá-la: "Não, Ayaka. Meu suspiro não foi por causa disso."

"Então... tem outra coisa te incomodando?" Ayaka perguntou, com preocupação evidente na voz.

   Haruto hesitou. Deveria envolver Ayaka nos problemas da família Ōtsuki? Isso não só a preocuparia como também poderia deixá-la aflita sem necessidade.

"É… é só um probleminha, nada demais", ele disse evasivamente.

"Sério?"

   Ayaka inclinou levemente a cabeça, mantendo o olhar fixo nele. A beleza dela tão de perto deixou Haruto inquieto, e ele desviou os olhos.

"Haruto-kun, se for algo que você não quer falar, eu não vou insistir. Mas se contar pra mim puder aliviar um pouco seu peso, eu realmente gostaria de ouvir", Ayaka disse com cuidado, escolhendo cada palavra com atenção.

   A preocupação genuína dela despertou um sentimento de gratidão no coração de Haruto. Mesmo assim, ele ainda não conseguia afastar a hesitação.

   Ayaka continuou, com palavras gentis, mas firmes:

"Agora mesmo, você parece tão aflito... Eu não sei se posso ajudar, mas se conversar comigo puder te fazer sentir nem que seja um pouquinho melhor, por favor, me conta."

   Depois de um breve momento, ela acrescentou, com um sorriso tímido, porém sincero:

"Até porque… eu sou sua namorada. Eu quero estar ao seu lado."

   As palavras sinceras dela tocaram profundamente Haruto. Percebendo que, se continuassem juntos, ele acabaria contando tudo de qualquer forma, ele respirou fundo e confessou suas preocupações sobre a situação de sua avó.

   Ayaka ouviu atentamente, e sua expressão ficou mais séria.

"Então é isso que estava te deixando assim..."

"É. A universidade é cara, e só com bolsas de estudo não dá pra cobrir tudo."

"Mas você está no topo da sua turma, Haruto-kun..."

"Mesmo assim, minha avó insiste que eu vá para a universidade. Mas ela já não é jovem, e eu não posso deixar ela se sobrecarregar."

   A lembrança de quando sua avó desmaiou por insolação passou pela mente de Haruto, fazendo-o estremecer.

"Haruto-kun, eu quero que sua avó fique saudável e feliz por muito tempo", Ayaka disse, se aproximando ainda mais.

"Eu também. Ela é minha única família..." Haruto respondeu, a vulnerabilidade evidente na sua voz.

   Ayaka segurou o braço dele com mais força, transmitindo preocupação e determinação. Haruto esboçou um leve sorriso, sentindo-se um pouco melhor.

"Obrigado, Ayaka."

"De nada. Se eu puder fazer qualquer coisa para ajudar—ah!"

   De repente, Ayaka ofegou, seus olhos brilhando com uma ideia.

"Ei, Haruto-kun, tudo bem se eu conversar com meus pais sobre isso?"

"Hã? O Shūichi-san e a Ikue-san? Não vejo problema, mas... por quê?"

   Em vez de responder, Ayaka rapidamente começou a digitar algo no celular, seus dedos se movendo a uma velocidade impressionante. Haruto, sem saber o que ela estava planejando, apenas observou em silêncio.

   Pouco depois, o celular dela vibrou com uma ligação.

"Alô? Pai? Sim... Certo. Uhum", Ayaka disse, assentindo enquanto ouvia.

"O quê? Haruto-kun? Sim, ele está aqui. Certo, só um instante."

   Ela virou-se para Haruto com um sorriso.

"Meu pai quer falar com você. Pode atender?"

"Ah… claro..."

   Pegando o celular, Haruto falou nervosamente:

"Alô, aqui é o Haruto."

"Ah, Haruto-kun. A Ayaka me contou tudo. Parece que você está passando por um momento difícil."

"Sim... Obrigado pela preocupação."

"Não há de quê. Me diga, você tem algum compromisso hoje?"

"Não, nada em especial."

"Ótimo. Estarei indo para casa daqui a pouco. Poderia esperar aqui com a Ayaka? Gostaria de conversar sobre algo."

"Mas... o senhor não estava trabalhando hoje?"

"Vou voltar ao escritório depois da nossa conversa. É um assunto de negócios", Shūichi disse enigmaticamente.

   Após encerrar a ligação, Haruto devolveu o celular para Ayaka.

"O que seu pai disse?"

"Ele vai chegar em 30 a 40 minutos. Quer que a gente espere aqui."

"O que exatamente você contou pra ele?" Haruto perguntou, ainda confuso.

   Com um sorriso tímido, Ayaka respondeu:

"Ainda não sei como vai ser, mas... acho que vai ser bom tanto para você quanto para sua avó. E para mim também."

   Suas bochechas coraram enquanto ela acrescentava suavemente:

"Porque ajudar você me deixa feliz."

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