SESSÃO 4
88 - Um Novo Desafio
A sala de aula fervilhava como uma colmeia perturbada no primeiro dia de volta das férias de verão.
Haruto lançou um olhar em direção à comoção de seu assento perto da janela, no fundo da sala. No centro do alvoroço estava Ayaka, cercada por um grupo de garotas que a bombardeavam com perguntas.
"Ei, Tōjō-san! Quem é o seu crush?"
"Será alguém desta sala?"
"Quando você começou a gostar dele? Foi durante as férias?"
As expressões das garotas variavam entre empolgação por terem a chance de ouvir sobre a vida amorosa de uma figura famosa, sorrisos suspeitos procurando por pistas, e pura curiosidade enquanto se inclinavam para frente.
Fora do círculo, alguns garotos lançavam olhares furtivos, fingindo não se importar enquanto apuravam os ouvidos para captar as respostas de Ayaka. Entendendo suas intenções, Ayaka sorriu serenamente, oferecendo respostas vagas.
"Não posso dizer quem é, mas ele é incrível", ela provocou.
"Ah, conta pra gente!" elas imploraram.
"É segredo", Ayaka respondeu com uma risadinha.
Essa troca brincalhona vinha se repetindo sem parar.
Haruto observava a cena, apoiando o queixo na mão, frustrado por não poder aliviar o incômodo pelo qual sua namorada estava passando. Justo quando estava perdido em pensamentos, Tomoya se aproximou, soltando um riso irônico.
"Isso é insano", Tomoya comentou.
"Bem, considerando o quão popular ela é, não é surpreendente", Haruto respondeu, com um tom levemente irritado.
Como era o primeiro dia do trimestre, não havia aulas regulares — apenas a cerimônia de abertura e a chamada. No momento, os alunos apenas matavam tempo depois de voltar da assembleia no ginásio.
"Hoje é meio período, mas amanhã vai ser pesado", Tomoya observou.
"É… se isso acontecer em todo intervalo, ela vai acabar exausta."
Enquanto Haruto se preocupava com a situação de Ayaka, uma aliada confiável entrou em ação.
"Ei, Ayaka, quer ir ao banheiro antes da professora chegar?" Saki Aizawa, sua melhor amiga, chamou animadamente.
Sorrindo, Saki tocou suavemente no ombro de Ayaka, que concordou de bom grado, sua expressão relaxando.
"Claro, vamos."
As duas deixaram a sala juntas, deixando as outras garotas sem escolha a não ser voltar para seus lugares, já que seu alvo tinha ido embora. Observando a cena, Tomoya admirou silenciosamente a intervenção de Saki.
"Aizawa-san é esperta. Tirou a Tōjō-san dali tão naturalmente."
Depois que o grupo se dispersou, Tomoya se voltou para Haruto.
"A Aizawa-san sabe sobre vocês dois?"
"Sabe, a Ayaka disse que contaria pra ela", Haruto confirmou.
"Então agora só eu e a Aizawa-san sabemos do segredo, hein?" Tomoya sorriu.
"E a Shizuku também sabe", Haruto acrescentou.
"Oh, a Shizuku-chan também tá por dentro?" Tomoya levantou as sobrancelhas.
"Sim. Quando eu contei, ela disse ‘Droga de casal apaixonado’, fazendo bico", Haruto admitiu com um leve sorriso.
"A Shizuku-chan fez bico? A Shizuku-chan que nunca muda de expressão?" Tomoya ficou surpreso.
"Às vezes ela faz umas caretas engraçadas, sabe", Haruto respondeu.
"Sério? Hmm..." Tomoya murmurou, acenando com significado.
"Por que esse aceno estranho?" Haruto perguntou.
"Por nada", Tomoya respondeu inocentemente.
Antes que Haruto pudesse insistir, seu celular vibrou no bolso. Uma mensagem de Ayaka havia chegado. Discretamente, ele abriu a tela enquanto checava seus arredores.
[Desculpa, Haruto-kun. Eu fui a que disse para mantermos isso em segredo, mas acabei deixando escapar que tenho alguém que eu gosto…]
Haruto não conseguiu evitar um sorriso suave diante do pedido de desculpas dela. Mesmo sendo ela quem estava sofrendo, ainda se preocupava com ele.
[Não é sua culpa, Ayaka. Você não precisa se desculpar], ele respondeu.
[Obrigada. É que… enquanto eu estava conversando com o Minato-senpai, pensamentos sobre você surgiram na minha cabeça, e eu não consegui me controlar…]
O rosto de Haruto se contraiu enquanto ele tentava suprimir um sorriso, soltando um ruído estranho no processo.
"Ei, Haru, que cara creepy é essa?" Tomoya provocou.
"Essa é minha cara normal. Não chama de creepy."
"Não tem como essa ser sua cara normal. Se for, você é um cara realmente esquisito", Tomoya retrucou.
Ignorando a provocação, Haruto voltou sua atenção para a próxima mensagem de Ayaka.
[Podemos nos encontrar depois da aula hoje?]
Junto da mensagem, ela enviou um adesivo fofo de um coelhinho espiando timidamente.
[Vou passar na sua casa esta tarde], Haruto respondeu.
[Yay!!] A resposta empolgada de Ayaka trouxe um sorriso natural ao rosto de Haruto.
"Sério, Haru, o que você tá sorrindo aí?" Tomoya questionou.
"Nada que te interesse", Haruto rebateu, guardando o celular no bolso.
****
Depois da cerimônia de abertura, Haruto voltou para casa. Ele notou que o calor parecia mais ameno do que no verão, pensou ao abrir a porta.
"Cheguei", anunciou casualmente. Esperando que a casa estivesse vazia, já que sua avó geralmente trabalhava, ele ficou surpreso ao encontrá-la na sala.
"Vó? A senhora está em casa?"
Sua avó levantou a cabeça, surpresa, e então sorriu gentilmente.
"Bem-vindo de volta, Haruto."
"A senhora teve folga hoje?" ele perguntou.
"Sim… mais ou menos", ela respondeu de forma vaga.
A avó de Haruto trabalhava em um restaurante próximo, administrado por uma velha amiga. O trabalho flexível tinha sido uma bênção, especialmente depois que ela começou a trabalhar para sustentar Haruto após o acidente que tirou seus pais.
Indo para a cozinha, Haruto chamou: "Tô pensando em fazer yakisoba para o almoço. Pode ser?"
"Pode sim", ela respondeu distraída.
Após uma pausa, Haruto acrescentou: "Eu tô planejando ir à casa da Ayaka depois."
"Está bem", ela repetiu, ainda parecendo distante.
Sentindo que algo estava errado, Haruto voltou para a sala.
"Vó, a senhora tá bem?" ele perguntou, visivelmente preocupado.
Ela hesitou antes de soltar um suspiro profundo. "Na verdade… o restaurante da Kikuchi-san vai fechar."
"O quê?! Sério?"
A avó explicou que a saúde da amiga havia piorado, tornando impossível continuar administrando o restaurante. Preocupado com a chance de sua avó não conseguir outro trabalho na sua idade, Haruto sugeriu:
"Talvez eu devesse pular a faculdade e começar a trabalhar depois do ensino médio."
Sua avó recusou imediatamente.
"Não. Você vai para a faculdade. É para isso que você tem se esforçado. Deixe o resto comigo."
A resolução firme dela deixou Haruto sem argumentos, pelo menos por enquanto. Após o almoço, ela o empurrou gentilmente para fora da porta com um sorriso, dizendo para não fazer Ayaka esperar.
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