SESSÃO 4
87 - Um Choque Após as Férias
A luz matinal brilhava intensamente, seus raios caindo do céu claro e sem nuvens. A vibrante extensão azul acima anunciava o início de um dia promissor, inspirando um humor leve e cheio de esperança. Era um clima perfeito, daqueles que fazem você querer aproveitar o dia com um sorriso.
Ainda assim, sob esse céu alegre, o estudante do ensino médio Tomoya Akagi caminhava com uma postura preguiçosa. Soltando um bocejo exagerado, ele lançou um olhar de lado para Haruto, que andava ao seu lado.
"Ei, Haru," ele murmurou.
"O que foi, Tomoya?" Haruto respondeu no mesmo tom.
"Por que você está indo para a escola comigo?"
"...Está dizendo que não quer andar comigo?" Haruto perguntou, levantando uma sobrancelha.
"Eu achava que éramos melhores amigos, Tomoya," ele continuou, com uma falsa tristeza na voz. Com os ombros caídos de forma exagerada, murmurou baixinho: “E depois de toda a ajuda que eu te dei com a lição ontem…”
Tomoya ficou imediatamente aflito. "N-não, não é isso! Eu não me importo de andar com você ou algo assim!"
"Bom saber," Haruto respondeu, sua expressão mudando de repente para indiferença. "Porque estou achando essa caminhada com você incrivelmente tediosa."
Tomoya girou para encarar Haruto, olhos arregalados. "Você acabou de dizer que éramos melhores amigos, não disse!?"
Seu grito indignado ecoou pela estrada enquanto eles seguiam para a escola após as férias de verão.
****
As férias de verão, longas, porém passageiras, haviam terminado ontem. Hoje era o primeiro dia de volta, marcado pela cerimônia de abertura. Haruto e seu melhor amigo Tomoya caminhavam pela rota familiar até a escola. À medida que se aproximavam, mais estudantes retornando à rotina começavam a aparecer ao redor deles.
Um estudante passou por eles, sua aparência completamente desleixada. Mesmo sendo o primeiro dia de aula, ele parecia exausto, com olheiras profundas, como se carregasse o peso do mundo nos ombros. Tomoya observou o garoto por um momento antes de voltar o olhar para Haruto, agora com uma expressão séria.
"Você está falando sério que não vai para a escola com a Tojo-san hoje?"
O nome "Tojo" fez o garoto que acabara de passar estremecer levemente, embora ele continuasse andando sem olhar para trás. Haruto, percebendo isso, baixou a voz antes de responder hesitante:
"Ah… bem..."
"Que resposta meia-boca é essa? Você conseguiu a namorada mais fofa da escola nas férias de verão," Tomoya disse, com exasperação na voz.
Haruto suspirou enquanto verificava se o garoto estava fora de alcance. "Quero dizer, eu preferiria andar com ela do que com algum cara suado, obviamente."
"Ei! Suado foi desnecessário! Eu sou sensível, sabia? Trata os meus sentimentos com carinho!"
"Ouvi dizer que vidros à prova de balas conseguem parar tiros de sniper hoje em dia," Haruto provocou.
"Haruto, que tal parar de disparar tiros de sniper verbais em mim primeiro?"
Os dois continuaram sua provocação habitual enquanto seguiam para a escola. Mas Tomoya não ia largar o assunto.
"Se você pudesse ir para a escola com a Tojo-san, não seria tipo ganhar na loteria? A maioria dos caras diria que não ligaria se o mundo acabasse amanhã, desde que conseguissem isso."
"Essa é uma mentalidade estranha," Haruto respondeu, revirando os olhos. Ainda assim, murmurou suavemente: "Não que eu não entenda o sentimento…”
"Então por que não faz isso? O que te impede?"
"Tojo e eu concordamos em manter nosso relacionamento em segredo na escola," Haruto admitiu após uma pausa.
"Hã? Por quê?" Tomoya perguntou, confuso.
"Por causa das amizades dela," Haruto explicou. "No fundamental, um cara se declarou para ela e isso fez ela brigar feio com uma amiga. Desde então, nunca mais se falaram. Ficou um trauma."
Tomoya refletiu. "Ah, entendi. Então ela tem medo de que, se outras garotas gostarem de você, elas fiquem com raiva dela por estar namorando você. Isso?"
"É," Haruto disse, assentindo.
Tomoya coçou o queixo. "Parece que a Tojo-san está pensando demais."
"Não fala assim," Haruto retrucou, dando um soquinho no ombro dele. "Você tá fazendo parecer que eu não valho o esforço."
"Ow! Violência não resolve nada!" Tomoya protestou dramaticamente. Então, com os braços atrás da cabeça, perguntou: "Então, você está bem em manter isso em segredo para sempre?"
"Claro que não," Haruto admitiu com um suspiro. "Mas eu não sei o que fazer."
"É, eu entendo. Amizades entre garotas podem ser complicadas," Tomoya disse, olhando para um grupo de garotas conversando animadamente à frente.
Haruto acompanhou o olhar. "Se fosse só meu problema, eu lidaria. Mas se as amizades da Ayaka estiverem em jogo..."
"Verdade. Eu me sentiria mal se a Tojo-san acabasse sofrendo bullying por causa disso," Tomoya disse, pragmático. "Mas você? É, você aguenta umas agressões."
"Muito obrigado," Haruto murmurou, rolando os olhos enquanto socava Tomoya novamente.
Os dois continuaram brincando até chegarem ao portão da escola. A mente de Haruto voltou para a mensagem alegre que Ayaka havia enviado mais cedo: "Bom dia! Já estou indo para a escola!"
A essa altura, ela provavelmente já estava lá dentro. Ao passar pelos portões, Tomoya de repente parou, apontando para frente.
"Ei, o que é aquilo? Tem um monte de gente na entrada."
Seguindo o olhar de Tomoya, Haruto viu um grande grupo reunido perto da porta de entrada.
"Será inspeção de uniforme?" Tomoya perguntou.
"Nem pensar," Haruto respondeu. "Fariam isso no portão, não na entrada."
Eles trocaram olhares curiosos e seguiram até a aglomeração. Quando se aproximaram, uma voz alta ecoou do centro do grupo.
"Tojo Ayaka! Eu ainda gosto de você!"
Haruto congelou. Seu coração afundou enquanto ele empurrava seu caminho através da multidão, com Tomoya logo atrás.
Quando Haruto finalmente chegou ao centro, ele a viu: Ayaka Tojo, parada de forma desconfortável diante de um estudante com uma expressão determinada.
"Não é…?" Haruto começou, tentando se lembrar do garoto.
Tomoya forneceu a resposta. "Esse é o Minato-senpai, do terceiro ano."
Minato-senpai. O mesmo garoto que havia proposto casamento a Ayaka antes das férias — com direito a anel de noivado.
Agora, sua voz ecoava novamente, resoluta e inabalável.
"Durante as férias, eu não consegui parar de pensar em você. Percebi o quanto fui egoísta naquela ocasião. Por favor, me dê outra chance!"
"Ah, hum... Eu..."
"Mas antes das férias, eu só pensava em mim e nunca considerei seus sentimentos! Sinto muito por ter te envergonhado na frente da escola inteira!"
"S-Sim. Hum..."
"Desde então, eu refleti muito e passei as férias inteiras pensando em como poderia me aproximar de você! E agora eu finalmente encontrei a resposta!"
Kaito-senpai expressou seus pensamentos com energia. Sua intensidade deixava Ayaka incapaz de interrompê-lo, seu rosto preocupado.
Alheio à expressão dela, Kaito-senpai avançou, confiante.
"Tojo Ayaka! Quero que comecemos como amigos com a intenção de virarmos um casal! Por favor, estou te pedindo!"
Com uma declaração explosiva, Kaito-senpai fez uma profunda reverência e estendeu a mão direita para Ayaka.
A força de seu gesto arrancou suspiros e murmúrios da multidão. Todos os olhares se voltaram para Ayaka, esperando sua resposta.
Sentindo o peso dos olhares, o rosto de Ayaka ficou completamente vermelho enquanto ela fitava intensamente a mão estendida.
Vendo Ayaka ser abordada por Kaito-senpai, Haruto sentiu um sentimento estranho e desagradável despertar dentro dele. Seu coração disparou.
Após um longo momento de silêncio, Ayaka inclinou levemente a cabeça.
"Me desculpe!"
No instante em que as palavras deixaram seus lábios, a mão de Kaito-senpai tremeu visivelmente.
"Hum, eu... Eu fico muito feliz pelos seus sentimentos, Senpai, mas eu não posso corresponder."
As palavras firmes e claras de Ayaka fizeram Kaito-senpai levantar lentamente a cabeça. Embora seu rosto mostrasse decepção, ainda restava um traço de esperança.
"Posso ao menos saber por quê?"
"Sim... hum, ser amigos tudo bem, mas eu não posso aceitar algo que já comece com a condição de virar um casal..."
"E por quê?"
"Isso porque... porque... eu, hum... eu já gosto de outra pessoa."
"O-o quê!?"
A confissão de Ayaka enviou uma onda de choque não só por Kaito-senpai, mas também por toda a multidão.
Entre os poucos não afetados estava Tomoya, que sorriu e cutucou o melhor amigo ao lado.
Haruto, tentando esconder o constrangimento, afastou Tomoya de forma exagerada.
A revelação impressionante de Ayaka havia causado impacto.
Embora abalado, Kaito-senpai se agarrou a uma última esperança e perguntou:
"E-então, quem é essa pessoa que você gosta?"
A esperança dele estava na possibilidade de Ayaka estar mentindo — talvez ela tivesse inventado um amor só para rejeitá-lo. Era doloroso, mas menos devastador do que acreditar que ela realmente amava outro.
Diante da pergunta desesperada, Ayaka corou profundamente. Olhando para baixo de forma tímida, respondeu com voz suave:
"Isso é... segredo."
"O-o quê?!"
Sua postura lembrava uma flor delicada balançando na brisa de verão — corada, sorrindo suavemente e cheia de felicidade. A expressão perfeita de uma garota apaixonada.
Kaito-senpai, atingido pela beleza esmagadora de Ayaka, ficou parado, boca aberta, como se sua alma tivesse deixado o corpo.
Quem poderia ser o responsável por inspirar tal expressão na idol da escola?
Os garotos ao redor compartilhavam a mesma pergunta ardente.
No primeiro dia após as férias de verão, um anúncio chocante se espalhou como fogo pela escola: A idol da escola, Tojo Ayaka, tem alguém de quem ela gosta!
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