SESSÃO 4
81 - O Amor de Ayaka Tōjō (8)
Depois de terminar a ligação com Haruto, eu me sentei na cama, abraçando meus joelhos.
“Por que… por que tem que ser assim…”
Um resmungo frustrado escapou dos meus lábios. A única resposta foi o som incessante da chuva pesada batendo contra a janela.
Fogos de artifício iluminando o céu de verão.
Assistir a eles lado a lado com alguém que você ama.
Era algo que eu sempre sonhei — algo que eu desejava profundamente.
Achei que meus sonhos se tornariam realidade quando me apaixonei pela primeira vez, quando meus sentimentos foram correspondidos e quando nos tornamos um casal. Mas, como água escorrendo pelos meus dedos, aquele sonho desapareceu diante dos meus olhos.
“Eu queria tanto ver os fogos…”
Apoiei a testa sobre os joelhos e suspirei profundamente.
Quando vesti meu yukata mais cedo, fiquei tão animada.
Fiquei imaginando como Haruto reagiria. Será que ele diria que eu estava fofa?
Só de imaginar sua reação, meu coração disparava enquanto eu amarrava a faixa do yukata. Só faltava arrumar o cabelo.
Mas lá fora, a chuva não parava.
Aquela chuva fria e implacável parecia se infiltrar no meu coração, deixando-o cada vez mais pesado.
“Haah…”
Soltei mais um suspiro — já nem sabia quantos havia dado — e então forcei minha cabeça para cima, tentando colocar um sorriso no rosto.
“Mas só foi adiado! Semana que vem, o Haruto e eu com certeza vamos ver os fogos juntos!”
Minha voz exageradamente animada soou vazia enquanto se misturava à chuva na casa silenciosa.
Todos estavam fora — papai estava viajando a trabalho, Ryota estava num acampamento de pernoite e mamãe havia ido como acompanhante.
A ausência da minha família tornava ainda mais pesado o sentimento de solidão no meu coração.
“Talvez eu devesse ligar para o Haruto.” Murmurei.
Agora que somos um casal, não seria estranho ligar sem motivo, certo? Não seria incômodo para ele… certo?
Pensando nisso, abri a tela de conversa com Haruto.
Só de imaginar ouvir a voz dele, meu coração já batia mais rápido e meu humor melhorava um pouco.
Toquei o botão de ligação com ansiedade.
(...)
“…Hã? Ele não está atendendo…”
O tom de chamada continuou, mas não houve sinal de que ele atenderia. Meus lábios, que haviam se curvado inconscientemente num sorriso, lentamente desceram.
“Talvez ele esteja estudando…”
No fim, Haruto não atendeu.
Ele era o melhor aluno da nossa série, mas não era só talento — ele se esforçava para manter aquelas notas.
Talvez estivesse tão concentrado estudando que nem notou minha ligação.
Meu dedo pairou sobre o botão de ligar novamente, mas então hesitei e o afastei.
“Eu não devo atrapalhar.”
Se ele estava concentrado, a última coisa que eu queria era interrompê-lo com ligações repetidas.
“Eu também deveria estudar.” Falei para mim mesma.
Eu havia prometido ao Haruto que tiraria mais de 80 em todas as matérias na prova depois das férias de verão. Ele até disse que me daria uma recompensa se eu conseguisse. Eu precisava estudar sério para isso.
Tentando pensar em algo divertido para melhorar meu humor, me levantei.
“Ah, mas eu devo trocar de roupa primeiro…”
Quando desci da cama, lembrei que ainda estava de yukata.
Eu não podia correr o risco de amarrotá-lo ou sujá-lo, então precisava tirá-lo com cuidado.
Ao estender a mão para a faixa, meus movimentos pararam.
A essa hora, eu deveria estar segurando a mão do Haruto, caminhando juntos entre as barracas do festival…
“Eu queria dividir uma algodão-doce com o Haruto…”
Por mais que eu tentasse me animar, não conseguia evitar me sentir triste de novo. Ainda assim, eu sabia que não podia continuar daquele jeito. Determinada, decidi ligar as luzes do meu quarto.
Mas, no momento em que me movi para fazer isso, a campainha tocou.
“Hã? Quem será?”
Não havia entregas previstas, e a tempestade lá fora tornava improvável que alguém estivesse circulando naquele tempo.
Curiosa, saí do meu quarto e chequei o monitor do interfone na sala de estar.
O que eu vi fez meus olhos se arregalarem de choque.
Meu coração bateu tão rápido que parecia que ia saltar do peito.
“Haruto!?”
Vendo a imagem dele na tela, eu corri até a porta de entrada e a abri sem pensar.
Lá estava ele, encharcado pela chuva pesada, segurando um guarda-chuva que mal fazia diferença.
Haruto, pingando água, sorriu para mim.
“Desculpa por aparecer assim de repente.”
Com aquelas palavras, finalmente saí do meu transe.
“V-você precisa entrar agora mesmo! Vai pegar um resfriado!”
Eu agarrei seu braço e o puxei para dentro. Parado na entrada, ele fechou seu guarda-chuva inútil com um sorriso sem graça.
“Por que…”
Isso não é um sonho, né? Não é uma ilusão criada pela minha vontade… né?
Timidamente, estendi a mão e toquei seu braço.
Sólido e quente — não era uma ilusão.
“Hã? O que foi?”
“N-nada… mas você precisa trocar de roupa! Está todo molhado!”
As roupas encharcadas dele estavam frias sob minha mão.
“Você pode usar algumas roupas do meu pai por enquanto!”
“Tudo bem. Eu já esperava me molhar, então trouxe uma troca,” ele disse, levantando uma mochila grande do ombro.
“Você se importa se eu usar o banheiro para trocar?”
“Claro que não! Você também pode tomar um banho quente se quiser!”
“Sério? Então vou aceitar.”
“Sim, por favor! Senão você vai ficar doente!”
Aliviado, Haruto sorriu, e eu não consegui impedir meu coração de acelerar.
Enquanto ele seguia para o banheiro, notei que ele também carregava uma sacola grande.
“O que tem aqui?” perguntei.
“Isso é surpresa para mais tarde,” ele disse com um sorriso brincalhão antes de desaparecer no banheiro.
Assistindo-o se afastar, meu coração parecia mais leve do que nunca. Apesar da chuva, eu sentia como se meu mundo estivesse brilhando novamente.
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Impressão da Ayaka sobre Haruto: o cabelo molhado do Haruto é devastador…
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