SESSÃO 3

70 - O Usual Não É Tão Simples

 

   Alguns dias após a viagem de acampamento com a família Tojo...

   Como de costume, Haruto visitou a casa dos Tojo e estudou ao lado de Ayaka em seu quarto.

"Haruto-kun, sobre esse problema..."

"Ah, você precisa decompor essa questão em ângulos conhecidos e depois usar o teorema de adição..."

   Haruto interrompeu seus próprios estudos para explicar a solução a Ayaka.

"Ah, entendi... então, para esse aqui, é 30° e 45°, e como é seno..."

   Ela bateu seu lápis mecânico no caderno, tentando se lembrar da fórmula. Haruto deu uma dica.

"Cosmos floresce, floresce cosmos..."

"Ah! Certo! Então é seno de 30° vezes cosseno de 45°..."

   Graças à dica dele, Ayaka aplicou a fórmula trigonométrica e finalmente encontrou a resposta. Ela soltou um suspiro satisfeito.

"Eu resolvi!"

   Seu rosto se iluminou com a sensação de conquista, mas ao ver o próximo problema — mais um de trigonometria —, ela fez bico.

"Por que a gente precisa aprender trigonometria? Seno, cosseno, tangente... não é como se fôssemos usar isso quando adultos."

   Haruto riu da reclamação fofa dela.

"Arranha-céus, aviões, estradas e carros — todos devem algo à trigonometria."

"Sério? De verdade?"

"Com certeza. Além disso, se você dominar trigonometria, pode cortar um bolo perfeitamente!"

"O quê? Bolo? Como isso funciona?"

   Ayaka inclinou a cabeça, confusa com o comentário dele.

"Por exemplo, para dividir um bolo em três partes iguais, você usa 2π/3, depois decompõe em π/2 + π/6, e como sen(π/6) é 1/2, você marca metade do bolo e depois metade disso..."

"Espera! Espera! Eu não estou entendendo nada!"

"Sério?"

   Haruto parecia confuso enquanto Ayaka cobria as orelhas, tentando bloquear a explicação.

"Se você não conseguir cortar o bolo direito, pode acabar brigando com o Ryota."

   Com isso, Ayaka se aproximou um pouco, sua voz suave.

"Nesse caso, eu vou só pedir pra você cortar pra mim, Haruto-kun."

"Uh..."

   A voz doce dela o deixou sem palavras. Desde aquela noite estrelada durante o acampamento, Ayaka parecia mais próxima do que antes, e Haruto a achava cada vez mais encantadora.

"Mas talvez eu não esteja lá quando você precisar cortar."

"...Você não vai estar?"

   Evitando contato visual, Haruto focou no caderno, a voz baixa. Ayaka o observava com olhos ligeiramente marejados.

"Enfim, precisamos focar nos estudos. As férias de verão estão quase acabando."

   Ele rapidamente mudou de assunto. Antes, ele conseguia lidar com as sessões de “prática de casal”, mas agora seus sentimentos por ela estavam ficando fortes demais. Ele tinha usado o dever de férias como desculpa para evitar essas sessões.

"Quero que você vá bem na prova que está chegando. Até a Ikue-san sabe que venho aqui para te ajudar a estudar."

"Eu não quero que as férias acabem..."

   A expressão desanimada dela fez Haruto sorrir.

"Se você tirar notas ruins, a Ikue-san vai ficar brava. Ela vai perguntar o que você fez o verão inteiro."

"Eu também não quero isso..."

   Ela se largou sobre a mesa e, de repente, se animou com uma ideia.

"Estudar fica mais fácil com uma recompensa."

"Uma recompensa?"

"Sim, sim."

   Os olhos dela brilharam com expectativa.

"Se você me der uma recompensa, acho que consigo estudar bastante."

   Depois de pensar por um momento, Haruto respondeu, "Ok, se você tirar 95 ou mais em todas as matérias."

"O quê? Nunca! Que tal 60?"

"Sessenta é muito baixo. Pelo menos 90."

"Eu não estudo como você. Que tal 70?"

"E se for... 85?"

"Setenta e cinco?"

"Tá bom. Digamos 80 ou mais."

   Ela sorriu radiante. "Combinado! Vou estudar muito!"

   Ela mergulhou no livro com uma determinação renovada, seu rosto sério, porém contente. Haruto observava, percebendo que tinha caído direitinho na negociação dela.

   Eles continuaram estudando, com Ayaka fazendo perguntas e Haruto explicando. Depois de um tempo, Haruto notou o quarto escurecendo.

"O tempo está mudando?"

   Ayaka olhou para cima. "Sim, vamos acender a luz."

   A previsão dizia sol, mas lá fora nuvens escuras se acumulavam.

"Parece que vai chover."

   De repente, uma chuva forte começou a bater no telhado, e Ayaka lançou um olhar ansioso para Haruto.

"Que intenso."

"É, essas tempestades repentinas têm acontecido bastante ultimamente."

   A chuva ficou mais forte, e o quarto, mais escuro. Quando um relâmpago brilhou e o trovão ecoou, Ayaka se aproximou, claramente assustada. Haruto colocou a mão nas costas dela, tentando acalmá-la.

   Um clarão enorme e um estrondo ensurdecedor vieram logo depois, fazendo Ayaka gritar e agarrar o braço dele com força.

   Quando a energia caiu, ela perdeu o equilíbrio e os dois caíram, com Ayaka por cima de Haruto. Eles ficaram parados, se encarando, surpresos.

   Os únicos sons eram a chuva e seus corações acelerados.

"Haruto-kun..." ela sussurrou, aproximando-se. "A gente ainda não praticou a parte mais importante de ser um casal..."

[Almeranto: Aooo potênciaaa]

   Ela inclinou-se, e Haruto congelou. As luzes do quarto voltaram a piscar, tirando-o do transe. Ele gentilmente a afastou.

   Ele se levantou apressado, o coração disparado. "Já são quase três — preciso começar meu trabalho de meio período!"

   Juntando seus materiais rapidamente, ele saiu, deixando Ayaka olhando para ele, com as bochechas coradas e olhos brilhando.

Apoie a Novel Mania

Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.

Novas traduções

Novels originais

Experiência sem anúncios

Doar agora