SESSÃO 3
69 - Como Dizer “Eu Te Amo” ②
Graças à alta altitude, a temperatura cai bastante à noite, mesmo no auge do verão.
A brisa noturna suave é agradável.
Ayaka, parada ao lado de Haruto, reflete pensativa.
"Sem luzes desnecessárias, dá pra ver tantas estrelas."
"É. Parece até que o céu está mais perto quando tem tantas estrelas assim."
"Eu sei exatamente o que você quer dizer! Bagunça totalmente a noção de distância."
Ayaka concorda animada com a observação de Haruto.
Na noite escura, com apenas a luz suave da lua iluminando levemente ao redor, o céu estrelado acima deles parece quase ao alcance — tão bonito e fantástico que dá a impressão de que as estrelas estão mais próximas.
"Estrelas são misteriosas, né?"
O comentário suave de Haruto desvia o olhar de Ayaka do céu, e ela o encara de lado.
"Pensar que cada um daqueles pontinhos brilhantes é uma estrela como o nosso sol faz você perceber o quão vasto o universo é."
"Você quer dizer estrelas que emitem a própria luz?"
"Sim, como o sol."
Após concordar com a explicação de Ayaka, os olhos de Haruto brilham como os de um garoto enquanto ele observa o céu.
"É provável que cada uma daquelas incontáveis estrelas tenha planetas ao redor, e em um desses planetas pode haver alguém olhando as estrelas como a gente, achando tudo isso bonito. Não é empolgante?"
"Haruto-kun, você é bem romântico, hein?"
Ayaka sorri provocando, mas Haruto responde seriamente, com um toque de entusiasmo.
"Não, é só ciência."
"Sério?"
"Existe até uma equação que estima a possibilidade de vida inteligente fora da Terra."
"Uma equação...?"
"Sim, envolve vários fatores. Até pouco tempo, nem tínhamos comprovado que existiam planetas ao redor de outras estrelas."
"Ah... entendi."
Um pouco perdida com o mergulho repentino de Haruto na astrofísica, Ayaka apenas escuta enquanto ele continua explicando com paixão.
"Recentemente, descobrimos que as estrelas oscilam levemente por causa da força gravitacional dos planetas que orbitam ao redor delas. Isso provou que muitas estrelas têm sistemas planetários, o que significa que a possibilidade de civilizações extraterrestres aumentou bastante."
"Sério...?"
Ayaka, que esperava uma conversa romântica, agora sorri de forma um pouco constrangida com o rumo inesperadamente científico.
"Existe uma grande diferença entre zero e um. Se você multiplicar qualquer coisa por zero, o resultado sempre será zero."
O comentário de Haruto sobre as estrelas soa tanto analítico quanto sonhador. Ayaka parece um pouco desapontada.
"Ei, Haruto-kun..."
"Hum?"
"Você não conhece uma história mais romântica? Tipo... algum mito sobre constelações?"
Haruto inclina a cabeça, pensativo.
"Não muito... Ah, mas..."
Ayaka, inspirada pela lua suavemente brilhante, vira-se para Haruto.
"Sabia que dizer 'A lua está bonita, não está?' é um jeito de confessar amor?"
"Ah, sei. Isso vem do Natsume Sōseki."
"O quê? Sério?"
Tentando levar a conversa para um lado mais romântico, Ayaka é pega de surpresa pela menção a um autor clássico. Haruto, achando graça de sua reação, explica.
"Quando Sōseki dava aulas de inglês, um aluno traduziu 'I love you' diretamente para o japonês. Ele disse que japoneses não expressam amor tão diretamente. Sōseki sugeriu traduzir como 'A lua está bonita, não está?'"
"Uau, eu não sabia disso. Você é tão inteligente, Haruto-kun."
Envergonhado, Haruto coça a bochecha.
"É uma história bem famosa."
"Por que 'Eu te amo' vira 'A lua está bonita'?"
Olhando para o céu, Ayaka reflete. Haruto lança um olhar para ela e responde suavemente.
"Compartilhar a beleza da mesma lua já é o suficiente para expressar amor. Pelo menos essa é a explicação que eu lembro."
"Isso é tão romântico e bonito."
"Bom, hoje em dia não se vê muitas pessoas confessando assim."
Enquanto Haruto pensa sobre como esse tipo de gesto romântico quase não existe mais, Ayaka o observa com atenção.
"Haruto-kun, como você traduziria 'Eu te amo'?"
"Ah... isso é complicado."
O olhar ansioso de Ayaka não vacila, deixando claro que ela não aceitaria uma não-resposta. Haruto ergue os olhos para o céu, procurando inspiração. Ayaka o observa, radiante.
Uma brisa suave de verão traz até ele a fragrância doce e leve de Ayaka, lembrando-o do perfume sutil de mais cedo. Perdido nos pensamentos, ele murmura:
"A brisa noturna sob as estrelas está agradável... talvez?"
Ayaka não diz nada, apenas continua olhando para ele. Envergonhado, Haruto rapidamente acrescenta:
"Não, esquece isso! Foi horrível!"
"Eu achei perfeito, Haruto-kun."
"Para, que vergonha."
Ayaka sorri ternamente. Então, ela sugere:
"Haruto-kun, quer praticar ser um casal?"
"Agora?"
"Sim. Ver as estrelas juntos parece algo que casais fariam."
Eles se aproximam, e Haruto, sentindo o coração acelerar, se pergunta em voz baixa:
"O que deveríamos praticar?"
"Talvez... segurar as mãos e observar as estrelas em silêncio?"
Quando fazem isso, Ayaka sussurra:
"Haruto-kun... também sinto que a brisa está agradável."
Quando seus olhos se encontram, as estrelas perdem o brilho diante da garota ao seu lado. Haruto percebe que não pode mais esconder seus sentimentos.
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