SESSÃO 3
71 - O Que Significa Se Apaixonar
71 - O Que Significa Se Apaixonar
Nos becos residenciais, uma brisa fria permanecia após a chuva. Haruto caminhava sozinho de cabeça baixa.
"Ah... droga..."
Ele murmurou um xingamento sob a respiração, os ombros pesados de arrependimento. Depois de terminar suas tarefas na casa dos Tōjō, Haruto voltava para casa, os pensamentos consumidos pelos acontecimentos no quarto de Ayaka.
"Por que eu... suspiro..."
Os olhos lacrimejantes dela.
Aquela voz baixa e trêmula, cheia de esperança e medo.
Só de pensar em Ayaka — sua imagem, sua voz — seu peito doía de um jeito que ele nunca tinha sentido antes. Por que ele tinha fugido naquele momento?
Ele sabia que seus sentimentos por Ayaka eram reais. Mas quando ela tentou se aproximar, um desejo inexplicável de fugir tomou conta dele. Ele não entendia por que tinha agido daquela forma.
"Eu sou o pior..."
Até durante suas tarefas domésticas, Ayaka tentou falar com ele várias vezes. Mas Haruto fingiu estar ocupado com Ryōta ou imerso na cozinha, evitando-a. Quando ela o convidou para jantar, ele mentiu dizendo que tinha outros planos e saiu da casa dos Tōjō às pressas.
Enquanto caminhava sozinho pelas ruas ao entardecer, ele lentamente recuperou a compostura. Mas junto com ela veio uma crescente sensação de autoaversão. Suas ações tinham sido terríveis.
Quando Ayaka se aproximou dele, ele sentiu um medo indefinido. No fundo, percebeu que tinha medo de a relação entre eles mudar.
Ele se lembrou da expressão de Ayaka quando foi embora — um olhar de profunda ansiedade e tristeza.
"Eu não sabia que era tão covarde..."
Sentindo-se completamente abatido, Haruto perambulou sem rumo pelo bairro. Ele encontrou um parque deserto, mal iluminado, e sentou-se em um balanço enferrujado.
"Haa..."
Ele abaixou a cabeça, soltando um suspiro profundo.
Como ele deveria encarar a família Tōjō novamente?
Perdido em seus pensamentos, mal percebeu uma voz familiar.
"Haruto? O que você está fazendo aqui?"
Ele levantou o rosto e viu Ishikura parado ali, segurando uma sacola de papel e com uma expressão confusa.
"Kaz-senpai? O que você está fazendo aqui?"
"Eu que deveria perguntar isso. Sua casa não fica para esse lado, né?"
"É... eu só estava... pensando em algumas coisas..."
Haruto forçou um sorriso fraco. Ishikura suspirou e sentou-se no balanço ao lado dele.
"Eu escuto se você quiser falar."
"Ah, não, tudo bem..."
"Tem certeza?"
Haruto hesitou, então finalmente assentiu. Mas depois de um longo silêncio, ele olhou para Ishikura novamente.
"Na verdade... você se importaria de ouvir?"
"Claro."
Ishikura, como uma figura de irmão mais velho, sorriu calorosamente. Para os outros, seu rosto sério poderia parecer intimidador, mas para Haruto era reconfortante.
"Pode demorar um pouco..."
"Não tem problema. Pode falar tudo."
Encorajado, Haruto falou sobre Ayaka e seus sentimentos, tomando cuidado para evitar detalhes pessoais sobre a família Tōjō. Ishikura ouviu sem interromper, apenas acenando ocasionalmente. Quando Haruto terminou, Ishikura pensou por um momento.
"Talvez isso tenha a ver com o seu passado."
"Meu passado?"
"Você perdeu seus pais em um acidente de carro quando era jovem. Depois, seu avô faleceu quando você entrou no ensino médio. Você já perdeu pessoas importantes antes. Lá no fundo, provavelmente tem medo de criar novos laços porque teme perdê-los também."
"Eu achei que já tinha superado tudo isso..."
"Você acha que superou. Mas o coração é complicado."
Haruto refletiu sobre as palavras de Ishikura. O medo que sentiu quando Ayaka se aproximou — a vontade de fugir — era porque ela havia se tornado importante para ele. Ele temia perdê-la, assim como perdeu seus pais e o avô.
"Talvez você tenha razão..."
Ao reconhecer isso, Haruto sentiu um peso ser tirado de seus ombros. Ele entendia seus sentimentos por Ayaka com mais clareza agora. O medo de ela se tornar importante significava que ela já era.
"Haa..."
Ele suspirou, dessa vez cheio de determinação nervosa. Ele não podia deixar as coisas como estavam.
"Kaz-senpai... se ela tentou me beijar, isso significa que ela gosta de mim?"
"Provavelmente. Acho que sim?"
A resposta casual de Ishikura fez Haruto rir um pouco. Então, Ishikura ficou sério.
"Haruto, você gosta dela?"
"Gosto... gosto sim."
"Então não se preocupe se ela gosta de você de volta. Você não confessa porque acha que ela vai dizer sim. Você confessa porque seus sentimentos são reais. Respeitar os sentimentos dela é importante, mas se você só confessar porque acha que ela gosta de você, está perdendo o sentido disso."
Haruto ouviu em silêncio.
"O que importa é como você se sente. Seja honesto e sincero. Se ela aceitar, ótimo. Se não, siga em frente ou melhore até que ela veja você de outra forma. Mas não perca tempo se preocupando com o que ela pensa. Isso não é o que homens de verdade fazem."
[Almeranto: Anotado…]
Haruto sorriu, sentindo uma clareza nova.
"Obrigado, Kaz-senpai. Parece que eu acordei."
"Bom saber."
"Se eu fosse uma garota, me apaixonaria por você."
"Nojento. Para."
Haruto riu, sentindo-se mais leve. "Obrigado de novo. Eu te devo uma."
"Não se preocupe com isso." Ishikura se levantou, pegando sua sacola.
"O que tem aí, afinal?"
"Ah, isso? Um novo batedor elétrico. O melhor de todos."
Com seu sorriso ameaçador e uma sacola misteriosa, Ishikura parecia estar fazendo algo suspeito. Haruto riu.
"Estou ansioso por mais das suas sobremesas incríveis."
"Pode esperar."
Eles deixaram o parque, cada um indo para casa.
****
No caminho para casa, Haruto tomou sua decisão. Ele amava Ayaka. Precisava dizer isso a ela. Mas primeiro, tinha que resolver seus erros passados.
Quando entrou em casa, seu coração batia forte.
"Bem-vindo de volta, Haruto", sua avó o cumprimentou calorosamente.
"Vó, tem algo que eu preciso te contar."
Para tornar seu relacionamento com Ayaka real, ele precisava encarar a verdade.
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