SESSÃO 2
42 - Qual Combina Melhor com Ela?
"Oh wow, os pratos caseiros do Otsuki-kun são sempre de primeira!"
Shuichi elogiou enquanto comia o nanbanzuke que Haruto havia preparado.
"O tempero está ótimo, mas a textura desses legumes também está incrível", acrescentou Ikue, saboreando a comida de Haruto.
Após terminar seu trabalho de limpeza, Haruto estava jantando com Shuichi, Ikue, Ayaka e Ryota, que tinham acabado de voltar do trabalho.
"Muito obrigado. Talvez eu tenha passado um pouco do ponto no peito de frango desta vez, ficou um pouco duro", Haruto respondeu humildemente.
"Não, não, isso não incomoda nada. Mas essa picânciazinha dá uma vontade de beber. Isso ia combinar bem com uma cerveja... não, talvez um saquê gelado?"
Enquanto dizia isso, Shuichi olhou para Ikue.
"Hehe, mas não vá beber demais, ok?"
"Claro que não! Por acaso eu tenho uma garrafa boa que um cliente me deu."
Animado, Shuichi foi pegar o saquê. Enquanto isso, Ryota olhava com curiosidade para o nanbanzuke de Ayaka.
"É picante, mana?"
Vendo Ryota inclinar a cabeça confuso, Haruto explicou: "Ryota-kun, o seu é temperado separadamente, então não é picante."
"Mas eu quero comer o picante também!" Ryota protestou, descontente por estar comendo algo diferente dos outros.
"Ainda é cedo pra você", Ayaka tentou dissuadi-lo gentilmente, mas Ryota balançou a cabeça.
"Eu aguento comida picante!"
"Sério? Então quer experimentar um pouco?"
"Quero!"
Assentindo com entusiasmo, Ryota recebeu uma pequena porção do nanbanzuke de Ayaka no seu prato. Seus olhos brilharam ao levar a comida à boca, mas sua expressão logo murchou. Como esperado, era picante demais para ele, mas ele mastigou determinado, recusando-se a desistir. Ayaka não conseguiu conter uma risadinha ao vê-lo assim.
"E aí, Ryota? Está gostoso?"
"... Tá. É gos—"
"Quer mais?"
Antes que Ayaka terminasse, Ryota balançou a cabeça com força, recusando.
Enquanto todos se divertiam com essa troca entre Ayaka e seu irmãozinho, Shuichi voltou com a garrafa de saquê, sorrindo de orelha a orelha.
"Esse aqui não é fácil de achar nas lojas."
Ele colocou a garrafa na mesa, feliz, e se preparou para servir uma dose.
"Oh, Shuichi-san, deixe que eu sirvo para você", Haruto ofereceu.
"Não, não! Não precisa ir tão longe."
"Pelo menos deixe eu servir a primeira dose", Haruto insistiu, estendendo a mão para pegar a garrafa.
"Bem, se você insiste, apenas a primeira então."
Shuichi entregou a garrafa e pegou seu copo.
"Aqui vai", Haruto disse, servindo o saquê.
"Obrigado, obrigado... opa, cuidado aí! Obrigado."
Shuichi, agora com a taça cheia, a levou aos lábios e tomou um gole.
"Ahh! Delicioso."
"Você parece tão feliz sendo servido pelo Otsuki-kun", Ikue comentou sorrindo.
"Claro! Quando o Otsuki-kun for adulto, eu definitivamente quero beber com ele."
"Vou esperar por isso", Haruto respondeu, inclinando a cabeça educadamente.
Então Ikue olhou para Ayaka.
"Isso significa que quando o Otsuki-kun puder beber, a Ayaka também vai poder."
"Isso mesmo. Haruto e eu somos da mesma idade, afinal", Ayaka respondeu.
Ao ouvir isso, Ikue fez uma expressão curiosa. "Oh?"
"O que foi, mãe?"
"Ah, nada. É só que... entendi", disse Ikue, lançando um olhar divertido para a filha. "Ayaka, as coisas parecem estar indo bem com o Otsuki-kun."
Corando levemente, Ayaka assentiu, sem negar o comentário da mãe.
Vendo a reação da filha, Ikue riu baixinho. "Não seria bom se o Otsuki-kun ficasse com você até vocês serem adultos?"
Em voz baixa, só para Ayaka ouvir, Ikue sussurrou: "Vocês combinam."
"É... eu espero que sim", Ayaka respondeu, tímida, mas firme.
Nesse momento, Shuichi, que já estava um pouco bêbado e mais barulhento, olhou para Haruto e Ayaka.
"Então isso significa que quando o Otsuki-kun puder beber, a Ayaka também pode!" repetiu ele, ecoando a observação anterior de Ikue.
"Isso é maravilhoso!" Shuichi declarou, terminando o saquê de seu copo.
"Shuichi-san, aqui", Haruto ofereceu novamente.
"Ah, Otsuki-kun, muito obrigado. Nossa, obrigado, obrigado!" Shuichi disse alegremente, estendendo seu copo mais uma vez, e Haruto o encheu.
Shuichi bebeu com entusiasmo e então disse: "Então, Otsuki-kun e Ayaka podem beber juntos... espera, isso significa... san-san-kudo?" Shuichi deslizou de repente para um assunto estranho.
"Por que a primeira vez que vamos beber juntos tem que ser no casamento?!" Ayaka protestou.
[Almeranto: Explicação cultural no final do capítulo.]
"Isso mesmo, querida. Hoje em dia os jovens preferem casamentos em capela ao invés de cerimônias xintoístas", Ikue acrescentou, completamente fora do ponto.
"Não, não! Antes do casamento tem um negócio chamado cerimônia de maioridade!"
Desesperada, Ayaka respondeu tanto ao pai quanto ao comentário estranho de sua mãe. Mas Ikue ignorou as reclamações da filha e virou-se para Haruto.
"Otsuki-kun, você acha que a Ayaka ficaria melhor com um vestido de noiva ou com traje tradicional?"
"Mãe! Não pergunte coisas estranhas pro Haruto!"
"Não é estranho! A opinião dele pode ser útil algum dia", Ikue sussurrou a última parte no ouvido de Ayaka.
Ayaka, agora completamente vermelha, ficou em silêncio.
"E então, Otsuki-kun, o que você acha?" Ikue insistiu.
Percebendo que não tinha como escapar, Haruto coçou a bochecha, sem jeito, antes de responder: "Uh, bem, Ayaka-san é muito bonita e fofa, então acho que tanto o vestido quanto o traje tradicional combinariam com ela..."
"É mesmo? Então e quanto a um vestido colorido ou um quimono vibrante? Que cores você acha que combinariam com ela?"
Ikue continuou com seu tom brincalhão, e Haruto, com uma risadinha nervosa, respondeu:
"Bom, o clássico rosa ou vermelho ficaria ótimo, mas como a Ayaka-san tem uma pele tão clara e bonita, acho que azul, para um visual mais refrescante, ou roxo, para algo mais elegante e imponente, combinariam muito bem."
Ao ouvir a resposta de Haruto, Ikue sorriu para Ayaka.
"Isso te deu algumas ideias?"
"É... talvez", Ayaka murmurou, com o rosto tão vermelho quanto as orelhas, olhando timidamente para Haruto. Seus olhares se encontraram por um breve momento, e ambos desviaram rapidamente. Ikue os observou com um sorriso satisfeito.
"Vestido de noiva, vestido colorido, quimono branco tradicional e quimono vibrante... Se você usar todos, vai acabar tendo uma cerimônia na igreja e outra no estilo xintoísta. E ainda tem a troca de roupa na recepção... Hmm, talvez eu devesse começar a economizar para o casamento agora", Shuichi murmurou para si mesmo, rosto avermelhado pelo saquê.
"Para, pai! Ainda é muito cedo!" Ayaka protestou.
"Mas você sabe que casamentos são caros! Eu não quero que o seu com o Otsuki-kun seja simples demais!" Shuichi gargalhou, tomando mais um gole. Ayaka arrancou o copo vazio da mão dele.
"Pai, chega! Você tá bêbado!"
"Eu não tô bêbado! Otsuki-kun!"
"Sim?"
Shuichi de repente endireitou a postura, encarando Haruto. Surpresa, Haruto também se ajeitou na cadeira.
"A minha filha pode não ser perfeita, mas eu a entrego a você para o resto da vida", Shuichi declarou sério.
"Ah, ahm... o quê?" Haruto gaguejou.
"Pai, para de atormentar o Haruto!" Ayaka gritou, mas Shuichi apenas riu, claramente se divertindo.
"O Shuichi-san fica bêbado fácil?" Haruto perguntou baixinho para Ikue.
"Bem, o Shuichi fica alegre depois de um gole. Hoje ele tomou três, então já era", Ikue respondeu sorrindo. "Ele aguenta bastante álcool e nunca tem ressaca, então eu não diria que ele é fraco."
"Entendi..." Haruto riu, observando Shuichi e Ayaka discutirem sobre o "casamento".
Enquanto isso, Ryota olhava para a garrafa de saquê com interesse.
"Ei, irmão, isso aí é gostoso?"
"Ryota-kun, você ainda é muito novo para isso. Além disso, acho que você não ia achar gostoso."
"Sério? Mas o papai parecia estar gostando muito."
"É uma bebida que os adultos aprendem a gostar. É meio misteriosa assim."
"Estranho", Ryota comentou, inclinando a cabeça. Então sorriu. "Quando eu crescer, a gente pode beber junto?"
"Claro", Haruto respondeu, sorrindo enquanto Ryota voltava ao seu macarrão.
Então Shuichi falou de novo, desta vez se dirigindo a Haruto.
"Otsuki-kun, eu tenho uma sugestão."
"Sim, o que seria?"
"Vamos fazer um churrasco no quintal neste fim de semana. Que tal vir também?"
"Um churrasco? Ah, então é por isso que o quintal estava sendo limpo..."
"E aí? Você vai comer uma carne boa!"
Haruto hesitou por um momento e olhou para Ikue, sem saber se deveria levar a sério o convite influenciado pelo álcool. Mas Ikue sorriu e assentiu.
"Seria maravilhoso se você viesse, Otsuki-kun. Você é sempre bem-vindo aqui."
"Bem, então, se não for incômodo, seria uma honra participar."
"Ótimo! Está decidido!" Shuichi declarou, animado. Haruto ficou um pouco nervoso com o convite repentino, mas também feliz.
****
Depois do jantar, quando Haruto estava prestes a ir embora, Ayaka disse a Ikue:
"A partir de agora, eu vou estudar com o Haruto, então nos dias em que ele vier ajudar com a limpeza, eu vou vir de tarde e estudar com ele no meu quarto."
"Sério? Que ótimo, o Otsuki-kun não é um excelente estudante?"
"Você é o melhor da sua série, certo? Haruto-kun."
"Ah, sim."
Haruto assentiu um pouco hesitante.
"Isso é impressionante. Estou ansiosa para ver o resultado da prova depois das férias de verão."
"Eh? Ah... será?"
Ayaka desviou o olhar com um sorriso meio ambíguo ao ouvir as palavras de Ikue.
Haruto disse com um sorriso amargo, ouvindo a conversa entre mãe e filha.
"Vou fazer o meu melhor para ajudar a Ayaka a melhorar as notas."
"Oh! Então além de ajudar com a limpeza, você também é tutor. Ayaka, você tem certeza de que vai ouvir o que o Otsuki-sensei disser?"
Ikue disse brincando, e Ayaka corou um pouco e entrou na brincadeira.
"Haruto-sensei, por favor."
Ela olhou para ele com uma expressão levemente calculada e fofa, mas que teve um impacto enorme em Haruto.
"Eu... eu vou fazer o meu melhor."
Haruto sentiu tanto empolgação quanto ansiedade ao pensar em estudar sozinho com Ayaka.
— Almeranto: San-san-kudō (三三九度) é um ritual tradicional japonês de casamento.
O que é o san-san-kudō?
É uma cerimônia de troca de saquê entre os noivos, muito comum em casamentos do tipo xintoísta.
Funciona assim:
Existem três copos de saquê de tamanhos diferentes. Cada noivo bebe três goles de cada copo. Ou seja: 3 (san) goles × 3 copos × 2 pessoas → “san-san-kudō”.
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