SESSÃO 2
41 - Os Sentimentos Dele, Os Sentimentos Dela
Depois de terminar de limpar o pátio, Haruto começa a preparar o jantar.
Ayaka o observa da mesa de jantar enquanto ele frita o peito de frango em uma frigideira.
“Então, sobre aquilo… de praticar ser um casal”, Ayaka começa.
“Sim?”
Haruto responde enquanto vira o frango com hashis de cozinha.
“Que tipo de prática você estava pensando?”
“Bem… coisas como agir como um casal, dizer coisas de casal e, ahm, praticar… skinship?”
A voz de Ayaka acelera ao dizer a última parte, envergonhada.
“Skinship…?” Haruto pausa no meio do movimento enquanto escorre o óleo do frango frito e olha para Ayaka com uma expressão confusa.
Ela rapidamente levanta a voz, aflita, tentando explicar.
“Porque! Se ficarmos desajeitados com essas coisas, sua avó pode desconfiar se somos mesmo um casal ou não!”
“Desconfiar…?”
Eles nem sequer tinham dado as mãos ainda por causa da timidez. Para um casal jovem, isso não pareceria mais doce e inocente?
“Bom, eu disse para a minha avó que comecei a namorar recentemente, então… se exagerarmos no skinship, isso também pode parecer estranho.”
“Ah… certo… faz sentido…”
O rosto de Ayaka cai um pouco, como se tivesse perdido energia, e ela abaixa a cabeça, desanimada.
Vê-la assim enche Haruto de culpa.
Afinal, foi a mentira dele que a arrastou para essa situação, e ele não tinha o direito de fazer exigências.
“Mas, é, você tem razão. Provavelmente deveríamos praticar um pouco. Agir como um casal do nada seria difícil. Se você não se importar, Ayaka — se você não se sentir desconfortável — podemos praticar o skinship também.”
“…Sério?”
Ayaka levanta o rosto, mostrando um leve brilho de alegria. Haruto não consegue evitar que o coração dispare.
“Sério. Mas só se você não se importar.”
“Fui eu quem sugeriu! Claro que não me importo.”
O sorriso de Ayaka volta, radiante e alegre, completamente diferente do olhar abatido de antes.
Haruto, sem saber como reagir, rapidamente tira o frango meio queimado da frigideira e o coloca em uma bandeja com cebolas, pimentões e cenouras já cortados. Ele então despeja o molho especial de sua avó sobre os ingredientes para fazer um prato de nanbanzuke.
Quando termina isso, passa a preparar o molho para o somen. Nesse momento, Ayaka fala baixinho.
“Ei, Haruto?”
“Sim, o que foi?”
Ele se vira para ela quando ela pergunta.
“Agora, não tem ninguém em casa. Meu pai, minha mãe e o Ryota não estão aqui…”
Os olhos de Ayaka estão um pouco enevoados, sua expressão quente e encantadora.
“Talvez… a gente pudesse praticar… um pouquinho?”
Ayaka se levanta e vai até a cozinha onde Haruto está.
“A-aham…”
Ainda segurando um tomate que ia usar no molho do somen, Haruto observa enquanto Ayaka se aproxima.
Quando ela para a alguns passos dele, abaixa a cabeça por alguns segundos, como se hesitasse. Então, com determinação, levanta o rosto, fixa os olhos em Haruto e dá um passo à frente.
“A-Ayaka-san…?”
“Lembra que, quando estamos sozinhos, é só Ayaka, né?”
Ela estufa as bochechas levemente, fingindo estar chateada, enquanto dá mais um passo em direção a ele.
“Haruto…”
Só um pouco mais, e suas mãos poderiam se tocar. A mente de Haruto se enche de pensamentos, e ele sente que, se agir sobre qualquer um deles, o relacionamento deles pode mudar para sempre.
Colegas de classe na escola. Cliente e faxineiro. Namorados de mentira…
Haruto sente-se atraído pelo olhar quente de Ayaka. Os olhos dela são lindos. Enquanto ele olha para eles, começa a pensar—
Talvez não fosse tão ruim se o relacionamento deles mudasse. Se Ayaka realmente quisesse isso… se esse fosse o desejo dela…
Quando a mão de Haruto lentamente começa a alcançá-la, uma voz animada ecoa da entrada.
“Chegueeeei!!”
É a voz de Ryota, anunciando sua volta. Haruto e Ayaka se sobressaltam, afastando-se rapidamente um do outro.
Com passos barulhentos, a porta da sala se abre com força, e Ryota, de volta do parque, irrompe no cômodo.
“Mano!”
No momento em que Ryota vê Haruto na cozinha, seu rosto se ilumina de alegria, e ele corre até ele.
“Mano, cheguei!”
“Bem-vindo de volta, Ryota.”
“Você melhorou mesmo? Está se sentindo bem?”
Ryota olha para Haruto com preocupação genuína, e Haruto sorri calorosamente.
“Obrigado por se preocupar comigo. Eu já estou bem.”
Haruto dá um leve afago na cabeça de Ryota, fazendo o garoto sorrir com cócegas.
“Ah, e enquanto você estava doente, uma moça veio aqui e ajudou com a limpeza no seu lugar.”
“Entendi. A comida dela era boa?”
“Era, mas eu gosto mais da sua comida! E gosto mais quando você está aqui!”
Ryota sorri sem preocupações, e a expressão de Haruto suaviza.
“Estou fazendo algo bem gostoso hoje, Ryota. Vai ficar pronto logo, então que tal lavar as mãos e fazer gargarejo enquanto espera?”
“Tá bom!”
Ryota concorda rapidamente e corre para o banheiro.
Quando estão sozinhos de novo, Haruto lança um olhar para Ayaka.
“Parece que a prática vai ter que esperar.”
“É…”
Ayaka responde com um sorriso envergonhado, e Haruto assente de forma igualmente tímida.
Voltando aos preparativos do jantar, Haruto reflete sobre o desejo que sentiu mais cedo.
Quando Ayaka se aproximou dele, ele pensou nisso. Ele quis que ela fosse dele. Ele quis segurá-la nos braços.
Mas aquilo era algo que ele não podia permitir a si mesmo.
Ayaka só estava fingindo ser sua namorada porque confiava nele. Essa confiança era o motivo pelo qual ela aceitava coisas como skinship e agir como uma namorada de verdade.
Trair essa confiança não era uma opção.
No entanto, enquanto Haruto continua cortando o tomate, um pensamento cruza sua mente.
Até agora, ele estava tão sobrecarregado pela culpa de ter arrastado Ayaka para sua mentira que nunca tinha considerado os sentimentos dela.
Como ela se sente em relação a ele?
Haruto reflete sobre o tempo que passaram juntos desde que se conheceram por causa do trabalho dele na família Tojo. Seu coração bate um pouco mais rápido.
Será que Ayaka gosta dele?
Ele não tem certeza, mas não parece impossível.
Eles foram ao cinema juntos e deram as mãos. Também fizeram compras juntos. No parque, eles até acabaram se abraçando, embora sem intenção.
Em todos esses momentos, ele não se lembra de vê-la incomodada.
O tempo dele com Ayaka não é longo. Há uma boa chance de ele estar interpretando demais as coisas. Mas…
Uma cena passa pela mente de Haruto. Era de alguns dias atrás, quando Ayaka foi visitá-lo enquanto ele estava doente e encostou a testa na dele para medir sua temperatura.
Alguém faria isso se não gostasse da pessoa?
Se Ayaka realmente gostasse dele, eles não precisariam mais fingir ser um casal.
Haruto reconhece os próprios sentimentos. Então, se os sentimentos dela forem os mesmos…
Ele balança a cabeça para sair desse pensamento.
“Impossível… certo?”
[Almeranto: Sempre assim… Odeio clichês]
Haruto e Ayaka não se conhecem há tanto tempo. Embora Haruto agora entenda que a imagem de “idol da escola” não é quem Ayaka realmente é, ele ainda tem dificuldade de separar completamente essa imagem.
A Ayaka que todos conhecem — a “idol da escola” — é alguém sem interesse em romance, que nunca deixa garotos chegarem perto, que vive rodeada apenas de amigas e rejeita todas as confissões.
Essa imagem continua presa na mente dele, dificultando acreditar que Ayaka poderia gostar dele.
Haruto termina de cortar o tomate e o coloca em uma tigela, depois passa a cortar folhas de shiso. Ele lança outro olhar para Ayaka, que já voltou a sentar-se à mesa de jantar.
Quando seus olhos se encontram, Ayaka sorri calorosamente, tendo claramente observado Haruto cozinhar o tempo todo.
“…O jantar vai ficar pronto logo.”
“T-Tá bom.”
Os dois desviam o olhar, envergonhados.
Haruto continua cortando as folhas de shiso, tentando acalmar o coração acelerado.
A partir de agora, antes do turno de limpeza, eles vão praticar “ser um casal” no quarto de Ayaka. Claro, ainda vão estudar juntos, mas…
Haruto não consegue dizer se esse aperto no peito vem de ansiedade ou empolgação — ou dos dois. De qualquer forma, ele decide se concentrar em terminar o jantar por enquanto.
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