SESSÃO 2

37 - Use um Termômetro se Quiser Saber a Temperatura Exata

 

 

"...Certo. Vou fingir ser sua namorada. Serei sua namorada na frente da sua avó."

   A boca de Haruto se abre diante da declaração chocante de Ayaka.

   Depois de congelar por alguns segundos, Haruto volta a si e balança a cabeça.

"N-não! Me desculpa, eu não posso pedir pra você fazer algo assim! A culpa é toda minha por ter mentido, então você não precisa se preocupar com a minha mentira, Tojo-san!"

   Haruto parece um pouco agitado e tenta recusar a proposta de Ayaka.

   Ayaka diminui a distância entre eles e diz:

"Ei, Otsuki-kun. Você se lembra do que eu disse antes?"

"Eh? Antes...?"

   Haruto fica um pouco desconcertado com Ayaka, que está tão perto que poderia tocá-lo se estendesse a mão, e seus olhos vagueiam enquanto ele tenta recordar.

   Mas Ayaka sorri para Haruto, que não consegue responder de imediato.

"Quando fomos fazer compras no supermercado juntos, eu disse que faria qualquer coisa por você, Otsuki-kun, lembra?"

"Ah, sim... mas ainda assim, pedir pra você fingir ser minha namorada é..."

   Vendo a hesitação de Haruto, Ayaka se aproxima ainda mais e gentilmente coloca a mão sobre a dele.

"Ou será que, Otsuki-kun, você não quer que eu... finja ser sua namorada?"

   Ayaka olha para Haruto de baixo para cima, e o rosto dele, já vermelho por causa do resfriado, fica instantaneamente ainda mais vermelho.

"N-não, eu não estou em posição de dizer não... ou melhor, isso está realmente tudo bem? Eu menti e você... vai fingir ser minha namorada?"

"Sim, tudo bem. Otsuki-kun sempre foi tão gentil comigo, então eu quero retribuir."

"Não, isso é só o meu trabalho de meio período, então eu sou pago direitinho, e parece um pouco demais você retribuir..."

   Haruto falava, lançando olhares para as mãos de Ayaka que seguravam a dele.

   Ayaka, por outro lado, olha diretamente nos olhos de Haruto e fala claramente:

"Além disso, vendo o quanto a sua avó fica feliz e radiante, eu não consigo dizer a ela que é mentira e deixá-la triste. Você não quer deixar sua avó triste, quer?"

   Em resposta às palavras de Ayaka, Haruto responde baixinho: "É... mas..."

"Então, na frente da sua avó, tudo bem eu ser a namorada do Otsuki?"

   Ayaka pergunta como se estivesse confirmando.

   Haruto abaixa o olhar e pensa por um tempo, mas eventualmente levanta os olhos para confirmar:

"Não seria um incômodo...?"

"Não, não seria."

"Não é incômodo...?"

"Não, eu não me importo."

   Haruto fecha a boca novamente, fecha os olhos por alguns segundos e então se curva diante de Ayaka.

"E-então, por favor! Me ajude com a minha mentira!"

"Sim, você pediu."

   Ayaka sorri e gentilmente coloca as mãos nos ombros de Haruto, que ainda estava ajoelhado.

"Agora, Otsuki está doente, então volte para a cama rapidinho."

"Ah, sim."

   Um pouco tonto pela febre, Haruto volta para a cama com o apoio de Ayaka e se cobre com o futon.

   Nesse momento, a avó entra no quarto com um prato de frutas descascadas.

"Aqui, descasquei."

"Obrigada."

   Ayaka inclina a cabeça em agradecimento, e a avó sorri.

"Aqui, Haruto. A Ayaka comprou maçãs, peras e pêssegos pra você."

   A avó coloca o prato na mesinha ao lado da cama.

   Olhando para as frutas no prato, Haruto agradece Ayaka:

"Muito obrigado. São coisas bem caras."

"Ah, não se preocupe. É para o meu precioso namorado."

   Ao ouvir as palavras de Ayaka, o rosto da avó instantaneamente se ilumina.

"Oh! Que maravilha, hein, Haruto?"

"Ah, sim."

   A expressão de Haruto era complicada, como se estivesse feliz e triste ao mesmo tempo pela alegria da avó.

   Então Ayaka começa a colocar em prática o que havia combinado com Haruto há pouco.

"Hum, eu posso cuidar do Otsuki por um tempo?"

   Ayaka diz isso à avó, e ela responde com um pouco de preocupação:

"Eu ficaria triste se você pegasse o resfriado..."

"Não, tudo bem. Como namorada do Otsuki, eu quero ficar ao lado dele o máximo possível."

   Ayaka fica levemente corada e demonstra um pouco de vergonha ao dizer isso, e a avó olha para Haruto com admiração.

"Ei, Haruto! Que namorada maravilhosa você tem! Você tem que fazê-la feliz!"

"S-sim. Claro."

   Haruto responde, um pouco sem palavras.

   Ele estava tomado por uma sensação de culpa por fazer Ayaka sustentar sua mentira.

   No entanto, a avó, que não tinha como saber o que o neto sentia, inclina a cabeça repetidamente para Ayaka, visivelmente feliz.

"Então, por favor cuide do Haruto por um tempinho."

"Sim! Pode deixar comigo."

   Ayaka responde enquanto a avó se curva várias vezes e sai do quarto.

   Os dois ficam sozinhos.

   Haruto fala em tom arrependido:

"Desculpa de verdade."

"Não se preocupe com isso."

   Com um sorriso muito radiante, Ayaka pega o prato de frutas e vai para o lado da cama de Haruto.

   Então ela pega uma maçã com o garfo e a leva até a boca dele.

"Aqui, abra a boca."

"Ah, Tojo-san?"

   Olhando para a maçã diante de sua boca, Haruto fica com uma expressão aflita.

"Hmm? O que foi?"

   Ayaka inclina a cabeça.

"Bem... eu consigo comer sozinho..."

   Dizendo isso, Haruto estende a mão para pegar o garfo que ela está segurando.

   Mas Ayaka rapidamente afasta a mão antes que Haruto o alcance.

"Ah, Tojo-san?"

"Não. Otsuki-kun está doente, então não force."

"Não, eu consigo comer sem problemas..."

"Otsuki-kun."

"S-sim."

   Haruto responde reflexivamente quando Ayaka de repente o chama.

"Eu sou sua namorada agora, né?"

"Sim... bom, sim."

   Sem conseguir resistir ao olhar sério de Ayaka, Haruto responde obedientemente.

   Ayaka sorri satisfeita com a resposta e leva a maçã à boca dele novamente.

   Ayaka olha para Haruto com um sorriso.

   Sentindo o olhar dela, Haruto mastiga a maçã, engole, e a próxima fruta é imediatamente oferecida.

"..."

"Aqui, abra a boca."

     ...croque.

"Hehe."

   Haruto tinha certeza de que o calor em seu rosto não era só da febre, mas sabia que não tinha forças para resistir a Ayaka naquele momento, então obedientemente aceitou cada “ahh”.

   E assim Haruto continuou sendo alimentado por Ayaka.

"Pronto, essa é a última."

   Ayaka leva o último pedaço de pêssego à boca dele.

   Os sentidos de Haruto já estavam entorpecidos, então ele simplesmente mordeu obediente.

"Pronto, você comeu tudo."

"Obrigado. Estava delicioso."

   Haruto havia comido a maçã, a pera e o pêssego.

   O “Aahh” de Ayaka o havia entorpecido de muitas formas, mas mesmo estando resfriado, comer uma maçã inteira, uma pera inteira e um pêssego inteiro era mais que suficiente — na verdade, ele estava bem cheio.

   Ao mesmo tempo, uma forte sonolência o atingiu.

"Otsuki-kun, você está tomando o remédio direitinho?"

"Vou tomar. Ah, posso medir minha temperatura antes?"

"Sim. Você ainda está com febre?"

   Ayaka pergunta, preocupada.

   Haruto responde com um sorriso, tentando tranquilizá-la nem que fosse um pouco:

"Está bem melhor do que ontem."

"...Entendo."

   Ayaka pensa por um momento antes de responder.

   Mesmo achando seu comportamento estranho, Haruto procura o termômetro.

"Hum, acho que deixei em algum lugar perto do travesseiro..."

   Enquanto dizia isso, ele tateava ao redor do travesseiro, procurando o termômetro, quando de repente Ayaka coloca a mão sobre o travesseiro e se inclina para frente.

"Otsuki-kun..."

"...?! T-Tojo-san?!"

   O travesseiro afunda com o peso de Ayaka, e Haruto abre os olhos, surpreso, enquanto ela olha para ele de cima, o cobrindo.

"Eu vou medir sua temperatura..."

   Dizendo isso, Ayaka aproxima o rosto de Haruto, pouco a pouco.

   O cabelo lustroso de Ayaka forma uma cortina ao redor do rosto de Haruto.

   Com o rosto de Ayaka mais perto do que ele já viu na vida, Haruto fica paralisado, incapaz até de mover os olhos.

   Eventualmente, suas testas se tocam.

   A respiração dela — um pouco quente e acelerada — passa sobre a boca de Haruto.

   Os pensamentos dele se dissipam.

   Ele não conseguia pensar em mais nada.

   As testas deles estavam encostadas.

   Um calor que ele nunca havia sentido se espalhava daquele ponto para o corpo inteiro.

   Parecia uma eternidade, mas ao mesmo tempo um instante.

   Depois desse momento, Ayaka afasta o rosto.

"Hehehe, é difícil saber se você está com febre com esse método."

   O rosto de Ayaka estava certamente mais vermelho do que o pêssego que ele acabara de comer enquanto ela dizia isso, rindo.

"Ah... é, entendo... acho que preciso praticar."

   Haruto fala com a mente completamente em branco, seus pensamentos queimados.

   Ayaka solta um pequeno sorriso e diz:

"Então... vamos praticar?"

   A expressão dela ao dizer isso era extremamente sedutora para Haruto.

   Como se Ayaka tivesse lançado um feitiço sobre ele, Haruto fica sem palavras, e mesmo quando tenta falar, nenhuma palavra sai.

   Incapaz de falar, ele apenas balança a cabeça de um lado para o outro.

   Era o máximo que conseguia resistir naquele momento.

   Vendo Haruto assim, Ayaka sorri novamente — e Haruto simplesmente fica cativado por aquele sorriso.

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