SESSÃO 1
22 - Vamos Dar as Mãos?
Haruto sente os olhares de muitas pessoas perfurando seu corpo, mas tenta ao máximo ignorá-los enquanto caminha.
"O filme de hoje vai ser divertido!"
Ayaka anda ao lado dele com um passo leve e um sorriso no rosto.
"Sim, estou ansioso também."
Haruto fica deslumbrado com o sorriso encantador dela e, após uma breve pausa, fala com determinação.
"Hoje, Tojo-san, você está... muito bonita."
"Hã?... É-é mesmo?"
Hoje, Ayaka está claramente vestida para sair.
Haruto sempre sentiu que deveria elogiá-la por cortesia, já que ela se arrumou tão bem para o dia de hoje, mas é bastante embaraçoso para um garoto adolescente dizer isso em voz alta, e só agora conseguiu fazê-lo.
Ayaka se sobressalta com as palavras de Haruto e o encara com um olhar tímido.
"Sim, hoje Tojo-san tem a aura de uma mulher madura, mas também tem um lado fofo, e eu acho que você está muito... atraente."
Haruto sente suas orelhas ficarem vermelhas ao dizer isso.
Se pudesse, gostaria de elogiá-la de forma mais elegante e simples, mas estava envergonhado demais para dizer do jeito que queria, e acabou se enrolando um pouco nas palavras.
"Ah, tá... obrigada..."
Ayaka, por sua vez, baixa a cabeça e agradece em voz baixa.
Pela reação dela, Haruto se pergunta se o que disse soou pretensioso. Talvez tenha sido esquisito. Ele não consegue evitar pensar nisso.
Vovó, será que estou agindo como um cavalheiro agora?
Enquanto pensa nisso, Ayaka, que estava olhando para baixo, de repente levanta a cabeça e o encara.
"Hm... você está bonito hoje, Otsuki-kun."
Ayaka diz hesitante, olhando para cima.
O poder destrutivo disso apaga instantaneamente os pensamentos sombrios de Haruto.
"Otsuki-kun sempre foi assim, mas hoje parece ainda mais... maduro..."
Haruto sente o coração disparar quando Ayaka diz isso, mesmo estando envergonhada.
Ah, entendo. É por isso que todos os garotos da escola se confessam para Tojo-san.
Haruto sente que conseguiu vislumbrar o charme de Ayaka — a razão pela qual ela é tão popular a ponto de ser chamada de “idol da escola”.
Haruto e Ayaka se elogiam, ambos corando, enquanto chegam ao cinema no último andar do prédio da estação.
A iluminação é um pouco mais fraca do que nos outros andares, e o aroma único de caramelo do cinema faz cócegas em seus narizes.
Depois de comprarem os ingressos na máquina, os dois olham para o balcão de pipoca, de onde vem um cheiro doce e tentador.
"Tojo-san, você compra pipoca e bebidas quando vai ver um filme?"
"Depende da situação. Eu não como muito, então geralmente divido com os amigos."
"Então, vai fazer isso desta vez também?"
"Sim, isso mesmo."
"Então eu vou pegar, por favor, espere um pouco."
A área ao redor do balcão estava cheia de gente, então Haruto pediu para Ayaka esperar e entrou na fila sozinho.
Era época de férias de verão, então havia muitas pessoas, e três filas de pessoas esperando para fazer o pedido.
"Isto pode demorar um pouco."
Murmurando, Haruto se posiciona no final da fila do meio.
"Bem, temos bastante tempo."
Como eles se encontraram antes do horário combinado, ainda havia tempo de sobra antes da sessão.
Haruto solta um leve suspiro enquanto espera na fila que avança lentamente.
Graças a estar longe de Ayaka, ele já não sente mais os olhares que o perseguiam até agora e consegue respirar aliviado.
"Será que Tojo-san passa por isso toda vez que sai? Deve ser difícil."
Com pena de Ayaka, Haruto casualmente olha na direção onde ela está esperando.
Lá, ele a vê com uma expressão preocupada, sendo abordada por três rapazes com aparência de universitários.
Vendo isso, Haruto sai da fila — que já estava quase na vez dele — e apressa-se de volta até Ayaka.
"Com licença."
Haruto fala um pouco alto, e os três rapazes o notam e se viram para ele.
"Hã? Você é o namorado dela?"
Um cara de cabelo castanho-claro e cheio de piercings olha para Haruto com uma expressão ligeiramente surpresa.
"Ah, então vocês estavam num encontro. Foi mal, desculpa."
Outro cara de cabelo castanho e piercings também levanta a mão levemente, se desculpando com Ayaka.
"Ah, não. Tá tudo bem."
Ayaka disse, se aproximando de Haruto, que acabara de voltar.
Um terceiro homem observava.
Um cara de cabelo vermelho chamativo, com piercings nas pálpebras e nos lábios, falou com um grande sorriso e empolgação.
"O quê?! Ele é mesmo seu namorado?! É só amigo, né?! Nesse caso, que tal nós cinco sairmos juntos? Vamos jogar dardos, cantar no karaokê, sei lá!"
"Não, nós vamos ver um filme mais tarde."
Haruto disse firmemente ao homem de cabelo vermelho, que parecia um pouco insistente.
Mas o homem de cabelo vermelho não mostrou sinais de recuar e continuou sorrindo como antes.
"Sério? Não, espera, espera. Por que a gente não vai ver o filme junto? Né?"
Enquanto o homem dizia isso para os outros dois, o de cabelo castanho que havia se desculpado com Ayaka antes fez um sorriso sem graça.
"Não atrapalha o encontro deles, cara, você tá incomodando."
"O quê? É mesmo um encontro? Não é, né? Vocês são só amigos, certo?"
O homem de cabelo vermelho perguntou, inclinando-se para olhar Ayaka, que estava meio escondida atrás de Haruto.
Haruto ficou um pouco irritado com o comportamento dele e abriu a boca para responder, mas Ayaka, atrás dele, falou primeiro.
"Ele é meu namorado! Estamos namorando! Então, hum, estamos num encontro! Hm, eu vou indo..."
Haruto assumiu a fala depois que Ayaka, no final da frase, ficou em silêncio.
"...Então, pode parar de interromper nosso encontro?"
Por um momento, Haruto ficou paralisado pelas palavras dela.
Mas rapidamente recuperou a compostura e falou para advertir o homem de cabelo vermelho.
"Sério? Mesmo? Então, deixa eu me desculpar. De verdade. Certo? Se é um pedido de desculpas, tá tudo bem, né?"
O homem de cabelo vermelho continuou insistindo mesmo depois de ouvir aquilo, então os outros dois rapazes de cabelo castanho intervieram para pará-lo.
"Sério, para com isso! Que vergonha! Vamos embora!"
"Não, foi mal mesmo. Aproveitem o encontro."
"Ei, ei! Para! Não me puxa!"
Dizendo isso, os três homens se afastaram de Haruto e Ayaka de maneira barulhenta.
"Ufa... aquele cara era bem insistente."
"S-sim. Eu fiquei um pouco assustada. Ainda bem que Otsuki voltou..."
"Não, a culpa foi minha por deixar você sozinha. Eu sabia que você chamaria atenção, desculpa."
Haruto abaixa a cabeça, e Ayaka balança a sua rapidamente, assustada.
"Não! Otsuki não tem culpa! E eu também peço desculpas. Eu te chamei... de namorado."
Ayaka abaixa o olhar e fala com um tom de desculpa, e Haruto sorri ao responder.
"Não, aquele cara era bem insistente, então você precisou dizer isso pra ele desistir."
É preciso ser um pouco dramático e falar com firmeza para fazer uma pessoa como aquele homem de cabelo vermelho entender.
"Sim. Hm... você não se incomodou, Otsuki-kun? Eu ter dito que estávamos namorando..."
"Claro que não me incomodei. Na verdade, fiquei até feliz."
"Sério!?"
As palavras de Haruto mudam a expressão preocupada de Ayaka para uma radiante.
"Sério. Se não se importar, pode usar isso pra afastar caras assim."
"Bem, então... é que... não, deixa pra lá."
Haruto inclina a cabeça, confuso com Ayaka, que parou de falar no meio da frase.
"O que foi? Se tem algo, não hesite em dizer."
"...Pode mesmo?"
"Claro."
"...Então. Hm... posso segurar sua mão?"
Ayaka disse em voz baixa, corando até as orelhas.
"Mão?"
Haruto perguntou novamente, sem pensar, e Ayaka assentiu levemente.
"Se Otsuki não se importar... acho que pareceria mais que somos namorados. Assim o que aconteceu antes não se repetiria..."
"É... faz sentido."
O que ela diz é verdade.
Se estiverem de mãos dadas, é óbvio para qualquer um que estão em um relacionamento. Dificilmente alguém tentaria abordá-la como fizeram antes.
"Tudo bem pra você, Tojo?"
"Eu... sim."
Depois de assentir, Ayaka acrescenta, em uma voz minúscula, como uma gota d’água caindo em uma poça: "Se for o Otsuki."
"Entendo... então, devo segurar sua mão?"
"S-sim."
Ouvindo a resposta de Ayaka, Haruto estende uma das mãos, um pouco desajeitado.
Ayaka também estende a sua em resposta.
Haruto cuidadosamente alcança a mão branca e delicada de Ayaka.
Eventualmente, quando as mãos se tocam levemente, ambos estremecem os ombros e soltam as mãos que haviam acabado de aproximar.
"......"
"......"
Os dois trocam olhares em silêncio e, em seguida, desviam o olhar novamente.
Haruto cria coragem e rapidamente segura a mão de Ayaka.
No momento em que segura sua mão, Ayaka estremece novamente, mas desta vez não solta — e aperta levemente a mão de Haruto de volta.
"......Ah, a pipoca. Quer um pouco?"
Depois de segurar a mão de Ayaka, Haruto se lembra de que estava indo comprar pipoca.
Haruto fala, olhando para a mão dela.
Como de costume, o balcão à frente ainda está lotado, e ficar na fila de mãos dadas provavelmente atrapalharia os outros.
"......Tá tudo bem. Eu não quero soltar sua mão."
Ayaka responde com a mesma voz suave de antes.
Agora, seu rosto está mais vermelho do que nunca.
"Entendo..."
Pensando que seu próprio rosto provavelmente também está vermelho, Haruto puxa gentilmente a mão de Ayaka.
"Bem, vamos ver o filme então?"
"...Tá bom."
Ayaka obedece docilmente, sendo guiada pela mão.
Haruto já não se importa mais com os olhares invejosos das pessoas ao redor — afinal, ela está tão fofa.
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