SESSÃO 1
21 - É um Encontro
Depois de fazer o trabalho doméstico para a família Tojo naquele dia, Haruto voltou para casa para estudar, espalhando seus livros de referência sobre a mesa da sala.
“Haruto, ainda está estudando?”
Sua avó, vestida de pijama, pergunta enquanto coloca uma xícara de chá na frente dele.
“Obrigado, vovó. Vou dormir antes que fique muito tarde. Tenho que sair amanhã.”
“Oh? É mesmo?”
Sua avó parece um pouco feliz por o neto estar saindo para se divertir algo raro para ela.
“Sim, vou ao cinema.”
“Cinema? Isso é raro. Vai com o Tomoya?”
O melhor amigo de Haruto, Akagi Tomoya, é seu amigo de infância, então sua avó o conhece bem.
“Não, não é com o Tomoya. Bem, vou com uma garota da minha turma.”
“Oh, é uma garota?”
“Ah, sim. Isso mesmo.”
Haruto respondeu um pouco envergonhado e tomou um gole do chá para esconder o embaraço.
“Entendo. Então amanhã é um encontro.”
“Bwah! E-Encontro?”
Haruto cospe o chá que estava bebendo quando sua avó diz isso.
“Não, vovó. Não é um encontro. Eu só tinha algo que precisava conversar com ela, e decidimos ver um filme no caminho...”
“Haruto.”
“S-Sim.”
A avó chamou o nome do neto no meio da história, interrompendo-o.
Era um hábito que ele tinha desde pequeno, então Haruto instintivamente endireitou as costas e respondeu.
“Certo, Haruto. Se você vai se encontrar com uma mulher fora de casa, isso é um encontro, entendeu? Mesmo que ela não pense assim, o homem deve considerar como um encontro e acompanhá-la da melhor maneira possível. Isso é ser um cavalheiro. Entendeu?”
[Almeranto: A vovó sabe das coisas kkkkkkk.]
“Sim.”
Haruto responde sinceramente, e a avó acena com satisfação.
“As mulheres respeitam os homens. Mas isso não quer dizer que qualquer homem sirva. As mulheres só querem dedicar o amor delas ao homem com quem desejam passar o resto da vida. Então, Haruto, para ser visto dessa forma por uma mulher, você precisa dar a ela mais amor do que recebe. Dê mais do que recebe. E faça isso sem se gabar ou se exibir. E...”
“Seja sempre gentil e atencioso. Entendi, vovó.”
Haruto completa a última parte da fala da avó.
“Amanhã, vou me esforçar para ser respeitoso com a outra pessoa, hum... vou a um encontro.”
“Sim, dê o seu melhor.”
Sua avó sorriu docemente, disse “Boa noite” e deixou o quarto.
Haruto, agora sozinho, refletiu sobre o que a avó acabara de dizer.
“De fato, é normal que um homem acompanhe uma mulher adequadamente por cortesia.”
A forma de pensar da avó podia parecer um pouco antiquada nos dias de hoje, mas Haruto, que desde criança ouvira que devia ser “gentil com as mulheres”, decidiu que precisava pensar bem nos planos para o dia seguinte e interrompeu os estudos por enquanto.
“Agora que penso nisso, ainda não decidi qual filme ver.”
Quando vai ao cinema, geralmente vai com Tomoya, e costumam decidir o filme na hora, no próprio local.
Porém, quando a companhia é uma garota, é melhor decidir com antecedência.
Haruto pega o smartphone e tenta entrar em contato com Ayaka.
Nesse momento, uma notificação de um aplicativo de mensagens aparece na tela inicial.
“Oh, é da Tojo.”
Haruto abre o aplicativo e confere o chat.
[Ainda está acordado?]
Junto com a mensagem, ele recebe um adesivo de um coelhinho espiando por trás da parede.
Ainda eram antes das 9 da noite.
Sua avó já tinha ido dormir, mas ainda era cedo para um jovem como Haruto.
[Sim, estou acordado.]
Junto com a resposta, Haruto envia um adesivo de um urso em chamas, cheio de espírito de luta.
[Que bom. Então, vamos ver um filme amanhã. Tem algum que queira assistir, Otsuki-kun?]
Haruto geme baixinho diante da mensagem de Ayaka, preocupado sobre o que responder.
Para ser sincero, não havia nenhum filme em cartaz que ele pudesse dizer “Quero muito ver esse!”.
Mas não podia simplesmente dizer isso, então resolveu perguntar a opinião dela.
[Tem tantos filmes em cartaz que fica difícil decidir. Tem algum que você queira ver, Tojo-san?]
[Pois é, é difícil escolher! Mas estou meio interessada nesse aqui.]
Depois dessa mensagem, veio também um link.
Haruto clicou e foi levado para a página promocional de um certo filme.
“...Céu de Verão e Amor.”
Era um filme estrelado por um ator jovem em ascensão e uma idol promissora, o que se chama de um “filme juvenil de romance arrebatador”.
O filme fazia sucesso entre as jovens e era chamado de “Natsukoi”, estando no topo do ranking dos filmes japoneses exibidos no verão.
“Uau, então a Tojo-san assiste esse tipo de filme também.”
Vendo o comportamento de Ayaka na escola, Haruto havia imaginado que ela era bem fria em relação a romance.
“Então ela é mais romântica do que parece, hein? Bem, é normal meninas do ensino médio gostarem desse tipo de filme.”
Quando ele e Tomoya vão ao cinema, esse é o primeiro tipo de filme que eles descartam, mas dessa vez seria melhor ir junto com ela.
Enquanto pensava nisso e estava prestes a responder, Ayaka mandou outra mensagem primeiro.
[O que acha? Será que o Otsuki-kun não gosta desse tipo de filme? Eu fico bem com outro também!]
Ela devia ter ficado preocupada porque ele demorou a responder.
Haruto rapidamente respondeu, se desculpando pelo atraso.
[Não, eu quero ver esse também. Vamos assistir Natsukoi juntos amanhã.]
[Sim! Estou ansiosa por isso!]
Haruto quase podia sentir o sorriso de orelha a orelha de Ayaka do outro lado do celular, e não pôde deixar de sorrir também.
[Podemos nos encontrar amanhã às 10 em frente ao prédio da estação?]
[Sim, sim! Está ótimo!]
Ayaka envia um adesivo de um coelhinho mostrando o polegar para cima.
[Então vamos dormir cedo para estarmos prontos amanhã?]
[Sim, é verdade. ...Boa noite.]
[Boa noite.]
Depois de terminar a conversa com Ayaka, Haruto fecha o aplicativo de mensagens.
O cinema que eles iriam ficava no último andar do prédio da estação.
Havia muitas outras lojas no prédio, incluindo alguns cafés.
Depois de pesquisar um pouco sobre os lugares, Haruto se preparou para dormir um pouco mais cedo do que o habitual, pensando no dia seguinte.
“...Ir ao cinema com a Tojo-san... Se os garotos da escola souberem, vão me matar.”
Pensando nisso, Haruto se deitou na cama.
****
No dia seguinte, depois de terminar seus estudos matinais de costume, Haruto toma banho, troca de roupa e arruma o cabelo com um produto que normalmente não usa.
Por fim, confere o visual inteiro no espelho de corpo inteiro.
“Sim, não tem nada de estranho.”
Haruto verifica sua aparência e acena com a cabeça.
Como alguém que deve acompanhar uma mulher, uma aparência limpa e bem cuidada é o mínimo de etiqueta.
Seguindo fielmente os ensinamentos da avó, Haruto termina de se arrumar e vai até a porta.
“Vovó, estou indo.”
“Certo, certo, vá com cuidado.”
“Tá bem.”
Depois de se despedir da avó, Haruto segue para o prédio da estação onde vai se encontrar com Ayaka.
Leva cerca de 20 minutos de trem da cidade onde Haruto mora até o prédio da estação.
Nos últimos dias, o tempo estava ensolarado e limpo, como se qualquer outro tipo de clima tivesse sido esquecido.
Cansado do calor escaldante, Haruto desce do trem com ar-condicionado e segue para o ponto de encontro com Ayaka.
“Hmm, cheguei uns 20 minutos antes da hora combinada.”
Ele havia saído de casa com bastante antecedência, mas parece que exagerou.
Pensando nisso, Haruto segue para a praça em frente ao prédio da estação.
A praça é frequentemente usada como ponto de encontro, com bancos e grandes esculturas instaladas ali.
Hoje, várias pessoas estavam sentadas nos bancos ou encostadas nas esculturas, mexendo no celular enquanto esperavam alguém.
Havia uma certa agitação em um canto da praça.
“Hm? O que será que está acontecendo?”
Às vezes, artistas de rua se apresentavam ali.
Como Haruto tinha chegado cedo, resolveu se aproximar da agitação para matar o tempo assistindo à apresentação.
Ele consegue ouvir as vozes das pessoas ao redor, especialmente dos homens.
“Ei, não é estranho? Ela não é uma celebridade?”
“Será que está esperando o namorado? Vamos tentar falar com o cachorro dela?”
“Ela não pode ser uma pessoa comum, né? Uma modelo? Uma idol?”
“Mas olha só o corpo dela, incrível.”
Haruto inclinou a cabeça ao ouvir o conteúdo da conversa.
Não parecia que estavam vendo uma apresentação.
Talvez fosse uma sessão de fotos de revista ou um drama, e uma multidão se reuniu para observar.
Haruto pensou: “Posso dar uma olhada, né?” — e, movido pela curiosidade, abriu caminho pela multidão para ver quem estava chamando tanta atenção.
Então, seus olhos captaram a pessoa de quem todos falavam.
Num instante, todo o calor do verão pareceu desaparecer.
Não é a Tojo-san?!
Haruto gritou mentalmente.
Talvez ciente de todos os olhares sobre ela, Ayaka permanecia parada, um pouco desconfortável, de cabeça baixa.
A roupa de Ayaka consistia em uma saia preta rodada e uma blusa branca ombro a ombro, com um fino cardigã por cima.
A blusa não era muito reveladora — na verdade, tinha um design modesto — e, com o cardigã, dava-lhe uma aparência elegante.
Ainda assim, sua boa forma atraía a atenção dos homens, e até os que passavam olhavam para ela uma ou duas vezes.
Haruto se lembrou novamente do incrível charme de Tojo Ayaka, a “idol da escola”.
Se eu chamá-la aqui, acho que os caras ao redor vão me matar...
Mas também não podia simplesmente não chamá-la.
Mesmo assim, a possível reação dos homens ao redor o deixava hesitante.
Enquanto pensava no que fazer, Ayaka de repente levantou o olhar e seus olhos se encontraram.
Num instante, a expressão dela — que antes parecia desconfortável e ansiosa — se transformou em um grande sorriso.
“Otsuki!”
O charme do sorriso radiante de Ayaka fez vários homens suspirarem e alguns ficarem boquiabertos. E todos passaram a encarar Haruto, que estava sorrindo para ela.
Com todos aqueles olhares sobre ele, Haruto sorri para Ayaka, que vem apressadamente em sua direção.
“Desculpe, Tojo-san. Desculpe por ter feito você esperar.”
“Não, eu acabei de chegar também, então está tudo bem!”
Considerando a multidão que se formara ao redor dela, provavelmente era mentira que “acabou de chegar”, mas ele não teve coragem de apontar isso.
Haruto diz, sorrindo:
“Bem, vamos?”
“Sim!”
Ayaka responde com um olhar muito feliz.
Enquanto caminha ao lado dela, Haruto sente os olhares de inveja, ciúme e admiração de todos os lados.
Tenho a sensação de que hoje vou acabar muito cansado...
Mas, mesmo pensando isso, o coração de Haruto batia um pouco mais rápido.
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