SESSÃO 1

20 - Eh, um filme…

   Um contrato de prazo determinado com a família Tojo para serviços de limpeza doméstica. O contrato é de três horas por dia, três dias por semana.

   Haruto queria estudar e ganhar dinheiro neste verão, então ficou satisfeito com o contrato bem equilibrado.

“Ufa, o banheiro está pronto.”

   Ikue pediu para ele limpar o banheiro.

   Não havia apenas mofo, mas também crostas de calcário, limo no ralo e poeira na borracha da porta. Depois de limpar tudo, Haruto olha satisfeito para o banheiro limpo e brilhante.

“Agora, o próximo é a pia... Opa!?”

“Ah! Ah... desculpa!”

   Depois de terminar de limpar o banheiro, Haruto se vira para seguir para o próximo passo — a pia — e se surpreende ao ver Ayaka parada logo atrás dele, inclinando-se um pouco para trás.

   Ayaka, por sua vez, se sobressalta com a reação de Haruto.

“Ahm, há algo que você gostaria de pedir?”

   Haruto pergunta, achando que Ayaka veio dizer algo sobre o serviço de limpeza.

   No entanto, os olhos de Ayaka vagueiam e ela fala de forma hesitante, sem dizer nada claramente.

“Ah, bem, sabe? Na verdade, eu queria te dizer algo... ou melhor, te perguntar uma coisa, Otsuki-kun... se não se importar... bem... sabe? Eh, é... é...”

“Eh?”

“É... é... Tipo A?!”

“Hã?”

   Haruto fica sem entender quando ela solta de repente palavras totalmente fora de contexto.

   Ayaka começa a explicar algo desesperadamente.

“I-Isto! Eu estava pensando se o sangue do Otsuki é tipo A. Sabe, você é tão cuidadoso e caprichado quando faz a limpeza...”

“Ah, tipo sanguíneo?”

   Haruto finalmente entende depois da explicação apressada de Ayaka. Ela acena repetidamente com a cabeça: “Aham.”

“Não, meu tipo sanguíneo é O. Eu limpo direitinho porque é meu trabalho agora, mas quando se trata do meu próprio quarto, sou bem relaxado.”

“Ah, entendo. Otsuki é tipo O.”

“Sou bem relaxado”, diz Haruto rindo. Ayaka sorri timidamente, parecendo um pouco feliz.

“E a Ayaka?”

“Hã?”

“Qual é o seu tipo sanguíneo, Ayaka?”

“Ah, o meu é B.”

“Ah, entendi. Isso é meio surpreendente.”

   Haruto parece um pouco surpreso com o tipo sanguíneo de Ayaka.

“Sério? Que tipo você achava que eu era, Otsuki?”

“Bem... como eu não tinha muito contato com você até agora, e Ayaka sempre pareceu meio misteriosa, eu achei que fosse AB. Bom, é puro preconceito, na verdade.”

[Almeranto: Explicação cultural no final do capítulo, pra aqui não ficar gigante.]

“Eu pareço tão misteriosa assim?”

   Ayaka inclina a cabeça às palavras de Haruto e pergunta.

“Antes de nos envolvermos mais, você era um pouco misteriosa, ou talvez... como uma flor fora do alcance.”

“Entendo... e agora? Ainda sente isso?”

   Ayaka ergue o olhar para Haruto, como se quisesse confirmar algo.

   Haruto, achando seu gesto fofo, responde desviando um pouco o olhar.

“Agora é um pouco diferente. Agora, você é... uma garota normal, no bom sentido. Sinto que estou mais próximo de você do que antes.”

“Sério?”

“Eh, sim?”

   Ayaka sorri feliz, e Haruto se vira e coça a bochecha para esconder o leve rubor no rosto.

   Vendo que ela parecia de bom humor, Haruto começa a falar sobre algo que estava esperando desde que chegou à casa dos Tojo.

“Ah, sobre... sobre o zoológico, que falamos no supermercado antes...”

“Ah! S-sim!”

   Ayaka reage de forma exagerada à palavra “zoológico”, inclinando-se um pouco para a frente ao responder a Haruto.

   Ao se inclinar, os dois ficam um pouco mais próximos. Haruto tenta não se deixar levar pela consciência disso e continua falando o mais calmamente possível.

“Sobre o encontro, na próxima semana...”

“Era sobre isso! Se estiver tudo bem pra você, Otsuki...”

“Otsuki, já terminou de limpar o banheiro? Ah? Ayaka?”

   Ayaka tentou dizer algo ao mesmo tempo que Haruto, sobrepondo-se às palavras dele.

   No entanto, antes que pudesse terminar, foi interrompida por Ikue, que veio verificar o progresso de Haruto.

   Os dois estavam ligeiramente corados, e uma atmosfera constrangedora pairava entre eles, fazendo Ikue sorrir de canto.

“Oh, oh, oh? Acho que interrompi algo, hein? Desculpem por isso.”

   Com um sorriso maroto, Ikue disse: “Não se preocupem, vocês dois jovens, divirtam-se”, e tentou deslizar a porta que separava o banheiro.

   A filha rapidamente impediu a mãe.

“Ei, mãe! Não fala coisas estranhas!”

   Ayaka abre a porta que Ikue estava fechando.

“Oh? Então estavam num encontro secreto?”

“De jeito nenhum!”

“É verdade. Se fosse um encontro secreto, fariam fora de casa, não aqui.”

“Não é isso que eu quis dizer!”

“Ahm... terminei de limpar o banheiro, agora vou limpar a pia.”

   Haruto interrompe hesitantemente a conversa entre mãe e filha, que já parecia habitual.

“Obrigada, Otsuki. Vai ser de grande ajuda. Ah, e desculpa, mas depois pode limpar o vaso também?”

“Sim, entendi.”

“Obrigada. Agora, Ayaka, eu vou sair, então pode continuar seu encontro secreto com o Otsuki.”

“Não é verdade!”

   Ayaka protesta, mas Ikue ignora com um “sim, sim” e vai embora.

   Ayaka encara as costas da mãe com um olhar ressentido por um momento, depois se vira para Haruto, certificando-se de que Ikue já saiu completamente.

“Desculpa, Otsuki. Mamãe sempre fala umas coisas estranhas.”

“Não, sua mãe é muito engraçada, tenho até inveja de você, Ayaka.”

“Sério?”

“Sim. ... Uma mãe já é algo pelo qual devemos ser gratos só por ela existir.”

“... Otsuki?”

   Haruto fala sobre sua mãe.

   Sua expressão é passageira, e Ayaka sente uma certa melancolia nele, chamando seu nome sem pensar.

   Haruto parece voltar a si, então sorri, tentando disfarçar o momento anterior.

“Além disso, é muito fofo ver você toda envergonhada quando a Ikue te provoca.”

“F-fofo?”

   As orelhas de Ayaka ficam instantaneamente vermelhas com o ataque repentino, e ela olha em volta, em pânico.

“Você acha fofo eu ficar envergonhada... Otsuki-kun é tão malvado...”

“Não, ah... desculpa.”

   Ayaka se remexe timidamente, franzindo os lábios em protesto.

   Seu comportamento fofo faz Haruto sentir uma súbita atração, como se estivesse sendo puxado por ela.

“Ahm, então... sobre a programação do zoológico.”

   Haruto tenta se recompor voltando ao assunto.

   Ayaka o interrompe novamente, aflita, enquanto ele fala.

“Ah, então, sobre isso! Você tem planos pra amanhã, Otsuki-kun?”

“Ah, sim. Eu planejava estudar o dia todo amanhã, então não tenho nada específico que me faça sair.”

“Entendo... estudar... ahm, podemos nos encontrar fora amanhã? Por que não conversamos sobre a programação do zoológico lá? E... já que estaremos lá, ahm, talvez a gente pudesse assistir a um filme... o que acha?”

   Amanhã seria um dia sem serviço doméstico, e Haruto planejava passar o dia inteiro estudando.

   Ao ouvir isso, Ayaka fala com falta de confiança.

“Você quer ir ao cinema?”

“Ah, sim... Eu ganhei um ingresso com desconto de um amigo ontem...”

“Entendo. Hmm.”

   Haruto parece pensar por um momento, e Ayaka fala rapidamente.

“Ah! Mas estudar é importante também! Não precisa se forçar! É que, sabe... se minha mãe ou meu pai me ouvirem falando sobre o zoológico em casa, vai ser um grande problema. Então pensei que talvez pudéssemos conversar num café ou algo assim, mas não queria te chamar só pra isso, então ganhei o ingresso com desconto do meu amigo e pensei que seria legal irmos ao cinema juntos... Mas se você estiver ocupado estudando... eu não quero te forçar... bem...”

   A voz de Ayaka vai ficando cada vez mais baixa, suas palavras perdem força, e no fim ela abaixa completamente a cabeça.

   Haruto responde com um tom animado.

“Não, eu também quero ir ao cinema.”

   Assim que Haruto diz isso, Ayaka, que estava com a cabeça baixa, a levanta de repente.

“Sério...?”

“Sim, eu só estava pensando em qual filme está passando.”

“Então, vamos ao cinema juntos amanhã?”

“Sim, vamos.”

   A expressão de Ayaka, que até então estava apreensiva, muda completamente e se ilumina.

   Ao ver seu sorriso, Haruto fica encantado por um momento, pensando: Então é isso que querem dizer quando falam que um sorriso faz flores desabrocharem.

“Então, ahm... que tal trocarmos nossos contatos?”

“Sim, claro.”

   Se iam ao cinema juntos, seria mais fácil combinar se tivessem o contato um do outro.

“Então, pode escanear minha tela?”

“Ah, ok.”

   Haruto exibiu um QR code com suas informações do aplicativo de mensagens em seu smartphone e o mostrou para Ayaka.

“Já escaneei. Vou te mandar uma mensagem então.”

“Certo, por favor.”

   Logo depois disso, ouviu-se o som de um clique no smartphone de Haruto.

   Haruto olhou para o celular e viu um adesivo de um coelho com as mãos erguidas dizendo “Prazer em te conhecer!”, enviado por Ayaka.

“Eu também consegui te adicionar.”

“Sim. Espero poder contar com você a partir de agora.”

“Ah, sim. Obrigada.”

“Te mando uma mensagem depois sobre amanhã!”

   Depois de um breve silêncio constrangedor, Ayaka acenou com a mão, tímida mas feliz, e foi embora.

   Com Ayaka já distante, parado em frente à pia silenciosa, Haruto teve um pensamento repentino.

“Hmm? Se trocamos contatos, por que não usamos isso pra combinar o encontro no zoológico?”

   Segundo Ayaka, ela não queria que a família ouvisse, então queria se encontrar fora — mas se se comunicassem pelo celular, não precisariam sair.

“Hehe, a Tojo-san é surpreendentemente desajeitada...”

   Achando isso fofo, Haruto voltou a limpar a pia.

 

 

— Almeranto: No Japão (e também na Coreia e em menor grau em Taiwan), existe uma ideia popular chamada "ketsueki-gata" (血液型) — literalmente “tipo sanguíneo” — que associa personalidade e comportamento ao tipo de sangue da pessoa. Porém, isso não tem base científica, é uma superstição socialmente difundida, muito usada em conversas leves, animes, doramas e até em revistas e sites de relacionamento.

Tipo A

• Perfeccionista, organizado, responsável;

• Introvertido, reservado, um pouco tímido;

• Gosta de regras e ordem.

Tipo B

• Criativo, emocional, individualista;

• Espontâneo, às vezes imprevisível;

• Pode parecer distraído, mas é sincero com seus sentimentos.

Tipo O

• Sociável, otimista, confiante;

• Líder natural, determinado;

• Também relaxado e despreocupado em alguns aspectos.

Tipo AB

• Intelectual, misterioso, imprevisível;

• Pode parecer frio ou distante, mas é sensível;

• É dito ter “duas personalidades” (mistura de A e B).

 

 

Traduzido por Moonlight Valley

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