SESSÃO 1

23 - Um Filme que Não Consigo Lembrar, Mas Não Consigo Esquecer

 

Haruto e Ayaka, de mãos dadas, entram na sala onde o filme será exibido e seguem para seus assentos.

   Como eles entraram bem antes do horário de início da sessão, não havia muitas pessoas, e os dois conseguiram chegar aos assentos lado a lado sem soltarem as mãos.

"São esses lugares, certo?"

"Sim."

   Desde que começaram a andar de mãos dadas, Ayaka tem agido de maneira mais recatada, com poucas palavras e uma voz baixa.

"Então... vamos sentar?"

"Sim."

   Haruto abre a palma da mão para soltar a de Ayaka e poder abaixar a poltrona dobrada.

   Então, ela aperta a palma de Haruto com força.

   Como se dissesse: "Não solte."

   Haruto olha para as mãos entrelaçadas e, em seguida, para a expressão de Ayaka.

   Seu rosto ainda está intensamente vermelho, e ela desvia o olhar para evitar encará-lo. No entanto, Haruto não solta a mão dela; em vez disso, reclina o assento com a outra mão e se senta.

     Isso significa que... ainda estamos de mãos dadas...?

   Depois de olhar para a palma de Ayaka, que não dá sinais de soltar, Haruto também se senta, ainda segurando a mão dela.

   Nada está sendo exibido na grande tela à frente deles.

   Mas Ayaka a encara fixamente, como se o filme já estivesse passando.

"Ainda falta bastante tempo."

"... É."

"Os trailers nem começaram ainda."

"... É."

"Tem mais gente chegando."

"... É."

"..."

"..."

   Haruto olha ao redor procurando algum assunto para conversar, enquanto o silêncio continua.

   Ayaka então fala em sua voz suave de sempre.

"...Está um dia muito bonito hoje."

"Hã?... Ah, sim. O céu está limpo."

"Sim... o céu está limpo."

"É... ahn..."

   A conversa morre ali.

   O fato de estarem falando sobre o tempo em uma sala escura de cinema sem janelas é prova de que já não têm mais assunto.

"...Será que o trailer vai começar logo?"

"...Parece que vai começar..."

   A sala agora está bem mais cheia do que no início.

   Haruto começa a ficar um pouco impaciente com o silêncio que insiste em continuar, mas decide manter a calma e enfrentar a situação com tranquilidade.

"..."

"..."

   Um momento de silêncio flui entre os dois.

   O silêncio faz Haruto ficar ainda mais consciente da mão que segura a de Ayaka.

   A palma pálida e delicada dela estava um pouco fria no começo, mas agora está levemente quente.

   Tojo Ayaka é a “idol da escola”, considerada a garota mais bonita do colégio de Haruto.

   Sentado ao lado dela, no cinema, de mãos dadas, Haruto não consegue evitar que o coração dispare.

   Sentindo o calor da mão dela em sua mão esquerda, Haruto se perde em pensamentos.

     Eu entendo que ela pode estar segurando minha mão pra evitar outros caras, mas... não há necessidade de fazer isso durante o filme, né? Mas ela não parece querer soltar, então talvez...

   Uma interpretação conveniente vem à mente de Haruto.

   Ele lança um olhar de canto para ver como Ayaka está.

   Ela ainda encara a tela, com as bochechas coradas.

     Não, isso não é possível... acho. Eu só comecei a me envolver com a Tojo recentemente. Não fiz nada que a fizesse pensar nisso.

   Ela não o odeia. Mas também não o ama.

   Haruto tenta se acalmar e afastar aquela interpretação conveniente de sua cabeça.

   Enquanto pensa nisso e a observa pelo canto do olho, Ayaka, que estava olhando para a tela, de repente vira o olhar para Haruto, e seus olhos se encontram.

"Hã?"

"Hã?"

   Haruto rapidamente volta o olhar para a frente, e Ayaka abaixa o dela.

   Nesse instante, as luzes da sala diminuem ainda mais, e um anúncio aparece na tela.

"O comercial começou."

"Sim, começou."

   Como sempre, as falas são curtas, mas o constrangimento é um pouco amenizado pelo vídeo que passa diante deles.

   Haruto olha distraidamente para a propaganda, que mostra uma coreografia energética promovendo a prevenção de gravações ilegais no cinema, e pensa:

     Pelo jeito que a Tojo reagiu... acho que era só impressão minha...

   Após o comercial, começa o trailer de um filme que será lançado em breve.

     Mas... se for isso mesmo, então por quê? Hm, pelo comportamento dela na escola, Tojo não parece ser o tipo que se apaixona à primeira vista.

   Enquanto pensava nisso, o cinema escurece completamente, e o logotipo triangular de uma produtora aparece na tela, vindo das ondas batendo nas rochas.

"Agora vai começar."

"Sim... estou ansiosa."

"É."

   Após essa breve conversa, o filme começa.

   Um jovem ator bonito interpreta um estudante do ensino médio, e uma atriz interpreta uma idol cuja popularidade está crescendo.

   O filme começa mostrando o cotidiano dos dois na escola antes das férias de verão.

   Haruto se sente aliviado por enquanto, livre do silêncio e da conversa travada.

   Mas esse alívio é passageiro. Outro problema o atormenta.

   O filme que eles estão assistindo é o que se chama de “romance juvenil de coração acelerado”.

   Por isso, está cheio de cenas emocionantes como “carinho na cabeça”, “abraço por trás”, “puxar pelo braço” e “segurar o queixo”.

   Cada vez que uma dessas cenas aparece, Ayaka solta suspiros do tipo “haa” ou “hmm”, e olha para a tela com olhos brilhando.

   Se fosse só isso, não haveria problema para Haruto.

"Tojo-san é bem... feminina mesmo", pensou, e deixaria por isso.

   Mas agora eles estavam de mãos dadas.

   E, provavelmente sem perceber, Ayaka soltava um suspiro e apertava levemente a palma de Haruto.

   Cada vez que Ayaka apertava sua mão, o coração de Haruto batia mais rápido, e ele lançava olhares para o perfil dela, hipnotizado pela expressão encantada enquanto assistia ao filme.

   Desse jeito, ele não conseguiria absorver nada da história.

   O tempo passou assim, e o filme chegou à metade.

   Ayaka ainda apertava inconscientemente a mão de Haruto com força, sem piedade, fazendo o coração dele disparar.

   Haruto começa a sentir uma espécie de competição em relação a ela.

   Por ser naturalmente competitivo, não gostava da ideia de ter seu coração dominado unilateralmente por Ayaka.

   Não que estivesse insatisfeito com a situação, mas simplesmente se deixar vencer não combinava com sua personalidade.

   Haruto esperou pacientemente o momento certo.

   Sacudiu os maus pensamentos da cabeça e tentou acalmar o coração acelerado.

   Focou o olhar na tela, avaliando o timing.

   Logo veio a cena em que o protagonista e a heroína estavam enrolados nas cortinas e se beijavam em uma sala de aula vazia.

     Aqui está! Aqui está!

   Como Haruto esperava, nessa cena ele ouviu um suspiro vindo ao lado e sentiu sua mão ser apertada com força.

   Nesse instante, Haruto também apertou a mão de Ayaka em resposta.

"--!?!?"

   Ao mesmo tempo, ouviu um pequeno grito abafado vindo de ao lado.

   Haruto virou o olhar para ver Ayaka.

   Ela estava olhando fixamente para a tela, os olhos arregalados em choque.

   Talvez estivesse apenas emocionada demais com a cena.

   Pensando isso, Haruto apertou a palma dela mais algumas vezes.

   Foi como se pudesse ouvir um “pshhh” imaginário, e Ayaka desviou o olhar da tela, olhando para baixo.

     (Hã? Será que eu exagerei um pouco?)

   Haruto ficou um pouco surpreso com a reação mais intensa do que esperava e parou de apertar a mão por um momento.

   Ayaka, que estava olhando para baixo, então ergueu o olhar para Haruto.

"...Uhh..."

   Como se protestasse contra algo.

   E, ao mesmo tempo, como se quisesse algo.

   Com a luz da tela iluminando levemente seu rosto, a expressão de Ayaka parecia sonhadora e encantadora.

   Haruto não pôde deixar de ficar olhando para ela.

   Então, Ayaka apertou a palma dele com mais força — bem mais do que quando fazia isso inconscientemente antes.

   Quando Ayaka o olhou de baixo para cima, o rosto de Haruto ficou vermelho num instante, quase como se ouvisse um “Bofun!” sonoro.

   Haruto rapidamente virou o rosto para a tela, para que ninguém visse sua expressão.

     Ugh, fui derrotado...

   Haruto foi derrotado de forma espetacular.

   Naquele instante, ele ouviu Ayaka rir baixinho: “Hehe.”

   Ouvindo aquela risadinha de vitória, Haruto admitiu a derrota honestamente.

   Haruto detestava perder, mas, curiosamente, essa derrota não o fez se sentir mal.

   Depois disso, os dois assistiram ao filme em silêncio, ainda de mãos dadas.

   Haruto já estava completamente incapaz de acompanhar o enredo do filme.

   Mas, para não ser derrotado por Ayaka de novo, manteve os olhos fixos na tela, em silêncio.

   Logo, o filme chega à sua cena final.

   Ninguém sabe exatamente como, mas o protagonista e a heroína acabam juntos e caminham lentamente pela margem do rio, iluminados pelo pôr do sol.

   O filme termina com um close dos dois de mãos dadas, com os dedos entrelaçados em um “abraço de amantes”.

   A música de encerramento toca e os créditos finais aparecem na tela.

   Alguns espectadores já se levantaram e estão indo embora.

     Tojo é do tipo que assiste até o final?

   Pensando nisso, Haruto volta o olhar para Ayaka.

   Ela começa a se mexer levemente, brincando com a palma da mão enquanto observa os créditos passando.

     Ah, talvez ela queira soltar agora?

   Pensando nisso, Haruto também abre a palma.

   Os dois estavam de mãos dadas antes do filme começar. Isso significa que ficaram assim por mais de duas horas.

   Haruto também estava preocupado com o suor nas mãos, então tentou soltá-las para enxugar.

   Mas não conseguiu.

   Isso porque Ayaka não soltou sua mão — ao contrário, entrelaçou os dedos nos dele.

   As palmas de Haruto e Ayaka se tocaram novamente. Desta vez, em vez de apenas segurarem as mãos, elas se entrelaçaram em um “abraço de amantes”.

"Ahm... Tojo-san?"

   Haruto não pôde evitar chamá-la e perguntar.

"...Otsuki-kun, você assiste os créditos até o final?"

"Hã? ...Ah, sim."

   Haruto ficou confuso com a recusa completa de Ayaka em soltar sua mão.

   Ayaka, ainda evitando olhar para ele, respondeu timidamente:

"Então... vamos assistir juntos... até o fim?"

   Haruto tinha apenas uma resposta para o pedido fofo de Ayaka.

"Sim, claro."

   O filme que eles assistiram hoje parecia ser um daqueles que Haruto talvez nunca entendesse completamente — mas jamais conseguiria esquecer.

 

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