SESSÃO 1
13 - Reencarnação em outro mundo vem com uma deusa
Haruto, que vinha suando no dojo até quase o meio-dia, estava prestes a trocar o uniforme por roupas casuais para ir para casa quando Ishikura o chamou.
"Haruto, tem algo que eu gostaria de te pedir."
Ele disse isso, segurando uma caixa de papelão branca, como aquelas usadas para colocar bolos.
"Hmm? O que foi?"
"Bem, é isso. Ah, Shizuku! Vem também."
Ishikura também para Shizuku, que passava por ali.
"O que foi, Kazu-senpai? Vai se declarar? Desculpe, sou devota ao Haru-senpai."
Haruto deu um sorriso amargo para sua kouhai, que falou com uma expressão indiferente.
"Se você dissesse isso com um pouco mais de modéstia, talvez eu me sentisse um pouco atraído, mas dizendo assim tão naturalmente..."
Haruto suspirou, e Shizuku torceu um pouco a cintura, inclinou a cabeça e olhou para Haruto.
"E então? Está atraído por mim? Encantado?"
"...Shizuku, antes de posar, treine os músculos faciais primeiro."
"Haru-senpai não fica satisfeito até colorir uma mulher com a sua cor. É um verdadeiro problema."
"Ei, vocês dois. Parem com essa esquete e façam o que eu pedi."
Ishikura interrompeu a conversa entre Haruto e Shizuku com um olhar exasperado. Haruto se virou para ele com uma expressão séria.
"Eu faço qualquer coisa que o Kazu-senpai pedir. Então, qual grupo vamos destruir desta vez?"
"Diga o que quiser, Wakagashira."
Shizuku também entrou na brincadeira de Haruto.
Ela costuma ser mal compreendida por causa do rosto inexpressivo, mas tem uma personalidade bem descontraída e costuma acompanhar as piadas de Haruto assim.
"Vocês dois... se comportem, tá?"
Ishikura ameaçou os dois kouhais que o provocavam. Se você não conhecesse seu rosto intimidador, ele seria tão imponente que até adultos, quanto mais crianças, cairiam em prantos.
No entanto, Haruto e Shizuku, que o conheciam há muito tempo, mantiveram a expressão calma e ignoraram o olhar severo de Ishikura.
Na verdade, Shizuku ainda soltou uma provocação.
"Ei, Kazu-senpai. Vamos fazer o rosto mais intimidador do Japão!"
"Quem é intimidador?! Ah... deixa pra lá. Só quero que vocês dois comam isso."
Dizendo isso, Ishikura tirou uma tortinha de frutas em miniatura da caixa que segurava.
"Eh? Posso comer isso?"
"Kazu-senpai, eu não sou uma mulher barata que se deixa seduzir por algo assim."
"Tá bom, experimenta então. Mas os olhos da Shizuku já estão brilhando enquanto ela enfia a torta na boca. Que mulher barata!"
Enquanto Shizuku mastigava alegremente a torta de frutas ao lado, Haruto também pegou uma e provou.
"--!? Isso está tão delicioso! Onde você comprou isso?!"
Os olhos de Haruto se arregalaram diante do sabor.
O creme de confeiteiro tinha uma doçura intensa, e ao colocá-lo na boca, o sabor rico do ovo se espalhava suavemente pelo olfato. Depois, a acidez moderada das frutas lavava a doçura do creme, deixando um retrogosto refrescante. A textura crocante da massa da torta era um ótimo toque, e Haruto terminou uma em questão de segundos.
Olhando ao lado, Shizuku já tentava terminar a segunda.
"Tem alguma confeitaria por aqui que vende tortinhas de frutas assim?"
"Ah, não. Na verdade, fui eu que fiz."
"O quê?"
"Gufu!!"
A boca de Haruto se abriu diante da declaração chocante de Ishikura, e Shizuku engasgou na terceira tortinha.
"O quê?! Sério?! Isso? Kazu-senpai?!"
"Kazu-senpai tem uma cara tão ameaçadora que parece até transformar açúcar em sal, e ainda por cima..."
"Eu não tenho cara de ameaça nenhuma, e não tenho poder especial pra isso!!"
O tom de Ishikura ficou aflito com a reação rude dos kouhais.
"Mas, Kazu-senpai, isso tá bem gostoso. É um nível que não ficaria fora de lugar num restaurante."
"Ah, é mesmo? É isso?"
As palavras de Haruto instantaneamente acalmaram a raiva de Ishikura.
"De fato, isso está bom o bastante pra abrir um restaurante agora mesmo. Vamos chamar de 'Relâmpago 893'."
"Ok, Shizuku. Vamos lutar um pouco."
"Ah, eu tenho que ajudar em casa."
Shizuku correu rapidamente para sua casa, que ficava ao lado do dojo, para fugir de Ishikura, que avançava em sua direção.
"Aquela garota é tão fofa quando está quieta, que desperdício."
"Bem, essa é a Shizuku. Por outro lado, se ela ficasse quieta e parasse de brincar, seria meio assustador."
"Verdade."
Ishikura concordou com Haruto.
"Aliás, a torta do Kazu-senpai estava deliciosa. Quando foi que você aprimorou tanto suas habilidades de confeiteiro?"
Haruto, que sabia que o hobby de Ishikura era fazer doces, já conhecia o quanto suas sobremesas eram boas. No entanto, a torta que comeu hoje parecia estar vários níveis acima.
"Bem, hoje em dia, dá pra achar quantas receitas quiser na internet, e dá pra assistir vídeos também, né? Então resolvi estudar confeitaria a sério."
"Uau, impressionante. Me ensina a fazer doces qualquer dia. Não tenho muita experiência com doces ocidentais."
"Claro. Vamos fazer um bolo juntos da próxima vez."
"Boa ideia. Ah, eu já vou indo. Tenho que trabalhar depois de fazer umas compras pra casa."
Haruto disse, olhando para o relógio na parede do dojo.
Depois de passar no mercado para comprar o natto que a avó pedira pela manhã, ele precisava ir trabalhar à tarde, no serviço doméstico da família Tojo.
"Ah, então o Haruto começou um bico nas férias de verão."
"Isso mesmo. Até mais, Kazu-senpai."
"É, boa sorte no trabalho."
Haruto saiu do dojo depois de se despedir de Ishikura.
No caminho para o supermercado, Haruto pensava na torta de frutas feita por Ishikura que acabara de comer.
"Ryota ficaria feliz se eu fizesse uma torta pra ele."
Os cantos da boca de Haruto se ergueram ao imaginar Ryota sorrindo inocentemente.
"Sou bom em fazer chawanmushi e ohagi, mas ainda não tenho muita prática com doces ocidentais."
Haruto sabia como fazer bolos e afins, mas sabia também que confeitaria não era algo simples.
"São doces... mas tão doces mesmo quando você come."
Haruto murmurava coisas bobas enquanto seguia para o mercado.
Numa tarde de verão, sob o sol escaldante, Haruto chegou ao supermercado ensopado de suor.
Pegando o cesto de compras na entrada e entrando, foi envolvido por uma brisa fresca e suspirou de alívio.
"Hmm? Tem mais gente do que eu esperava."
Haruto tinha a impressão de que supermercados ficavam mais vazios depois do almoço, mas talvez por serem férias de verão, havia mais gente do que o esperado.
Enquanto caminhava pelo mercado para comprar o natto desejado, notou de repente um anúncio pendurado.
"Oh? Promoção por tempo limitado. Então é por isso que tem tanta gente."
Provavelmente era uma estratégia do mercado para atrair mais clientes realizando uma promoção em horários mais tranquilos.
"Vamos ver, tem algo bom?"
Haruto se aproximou do cartaz para verificar.
Parece que o principal item em promoção era carne.
"128 ienes por 100g de ponta de peito bovino... Hmm. É barato, mas... não vale tanto a pena."
Haruto não achou o item tão atraente.
Talvez por ter perdido o apetite depois de andar no calor escaldante, a ideia de comer carne não lhe apetecia.
"Mais alguma coisa... Ah, os temperos também estão mais baratos. Devia ter verificado quanto ainda tinha em casa... Hã? Hmm!?"
No meio da frase, os olhos de Haruto se arregalaram e ele ficou encarando um ponto no anúncio.
"Óleo de gergelim, 78 ienes... é isso mesmo?"
Barato. Barato demais.
Óleo de gergelim era considerado um artigo de luxo aos olhos de Haruto.
Mesmo as marcas mais baratas de mercado custavam entre 200 e 300 ienes. Se fosse uma marca famosa, a moeda de 500 ienes sumiria num instante.
O óleo de gergelim tem muitos usos.
O aroma do gergelim é tão marcante que desperta o apetite mesmo no verão, e apenas um fio em legumes refogados ou arroz frito já multiplica o sabor.
Numa noite abafada, colocar kimchi sobre tofu gelado e regar com óleo de gergelim também é delicioso.
"Eu preciso comprar isso!!"
Haruto correu até a seção onde o óleo de gergelim era vendido.
Ofegante diante das prateleiras, Haruto viu apenas um número grande escrito num papel amarelo. Sem dúvida, 78.
"O que está acontecendo neste mundo?"
Haruto ficou pasmo com o preço chocante.
"O óleo de gergelim está tão barato... O quê! Este é outro mundo! É a reencarnação de que tanto falam!!"
Murmurando algo tão tolo, Haruto estendeu a mão para o produto, mas então percebeu uma frase escrita abaixo do preço.
"Um por pessoa... maldição, de novo você?"
Haruto lançou um olhar de ódio ao aviso, como um herói encarando o rei demônio.
"Um por pessoa" é o inimigo de todas as donas de casa.
Para derrotar esse poderoso inimigo, donas de casa do mundo inteiro invocam amigos e parentes para lutar juntas.
Haruto também rapidamente tirou o smartphone do bolso e começou a digitar com velocidade extraordinária para convocar ajuda.
O celular em seu ouvido tocava lentamente, em contraste com sua ansiedade.
Agora, seus rivais provavelmente estavam ocupados na seção da carne.
Enquanto isso, ele precisava garantir o óleo de gergelim a qualquer custo.
Haruto respirou fundo e esperou alguém atender a ligação.
Depois de alguns segundos, a chamada foi atendida, e a voz descontraída de seu melhor amigo ecoou.
"Yo, o que foi?"
"Tá livre agora? Pode vir ao supermercado?"
"Uau, que pressão. É aquela mesma coisa de novo?"
"Isso mesmo! Eu não posso perder essa de hoje!!"
Haruto já convocara Tomoya muitas vezes antes, e juntos haviam superado o temido “um por pessoa”. Em outras palavras, ele era tanto seu melhor amigo quanto seu camarada. No entanto, recebeu uma resposta desfavorável.
"Ah... desculpa, tô ensaiando com o pessoal da banda agora..."
"Entendo, desculpa te atrapalhar. Foca no ensaio."
"Ah, beleza. Foi mal mesmo."
Tomoya parecia sinceramente arrependido ao se desculpar.
"Não, tudo bem. Não é culpa sua, Tomoya. Até mais."
Haruto encerrou a chamada e soltou um grande suspiro.
"Hah, bem, ainda posso comprar uma garrafa, então vou ter que me contentar com isso."
Haruto pegou uma garrafa de óleo de gergelim da prateleira e colocou desanimado no carrinho.
"Hah, vou comprar o natto e voltar pra casa."
Haruto começou a andar lentamente.
Uma voz o chamou por trás.
"Otsuki-kun?"
Haruto se virou ao ouvir a voz e lembrou.
Há algo que quase sempre aparece nas histórias de reencarnação em outro mundo.
Uma deusa.
Uma deusa que concede grande poder aos heróis e às vezes os salva dos apuros.
E agora, essa deusa havia aparecido diante dos olhos de Haruto.
Haruto havia desafiado o rei demônio que o limitava a um item por pessoa, mas estava exausto e sem forças.
Uma deusa que lhe daria poder para se reerguer.
"Ahh! Tojo-san!! Você é uma deusa!"
"Ehhh?!"
O entusiasmo misterioso e as palavras de Haruto fizeram Ayaka soltar um som estranho.
— Almeranto: Kkkkkkk. Esse final foi muito engraçado, casquei o bico. Agora entendi o título desse cap. Tava estranhando tipo: “Tô na obra certa?” Kkkkkkk.
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