Um Tiro de Amor Brasileira

Autor(a): Inokori


Volume 2 – Arco 1: O Teatro das Mil Faces

Capítulo 13: O Herói de Flatwoods


【キ】【ス】【シ】【ョ】【ッ】【ト】

No dia seguinte, Yume acordou logo cedo começando a seus afazeres matinais dos quais ficou distante por alguns dias graças ao último caso do garoto do qual aparentava não existir, assim conversando com todos Numens sobreviventes que ali se abrigavam junto a ela.

O pequeno Deru a acompanha durante toda a manhã, com um ritmo cuidadoso, mas alegre, Yume até mesmo tentou encontrar a dupla que os acolheu, que agora acredita que já pode chamar de amigos, no entanto não havia sequer um sinal deles por todo o prédio.

Assim, quando acabará de cumprimentar a todos e comer um café da manhã com pão em fatias caseiro e omelete com uma leve pitada de pimenta, ela começa a se preparar em seu quarto para iniciar sua investigação.

Por um momento antes de sair do seu quarto ela volta a olhar para trás vendo a espada que ganhou daquela jovem fraca, seu plano não era levá-la consigo, no entanto algo dizia em sua mente que talvez fosse melhor não deixá-la no prédio.

Talvez com medo que algum Numen curioso adentrar seu quarto e acabe se ferindo, ou talvez pelo seu instinto que indicava que precisa levar a espada, ou apenas uma preocupação tola, mas que se tornou impossível de ignorar.

Yume volta a cobrir a bainha da espada com folhas de papel jogadas pelo prédio, em seguida a segura em seus braços como se fosse um embrulho de presente.

— Yume… — cochicha uma voz doce infantil, trêmula e tímida.

Yume se vira bruscamente de surpresa pela voz repentina, se deparando com o pequeno garoto que a sempre acompanha de manhã, — Oh, Deru você me assustou — diz Yume, mostrando um pequeno sorriso de canto dos lábios.

— Você vai sair como a irmãzona e o senhor vampiro?

— Senhor vampiro? Ah, o Amon — em sua imaginação, Yume vê perfeitamente Amon como um conde drácula — Sim, eu realmente tenho algumas obrigações que preciso resolver.

— Vão demorar como da ultima vez? — questiona Deru, curvando seu olhar para seus próprios pés.

Com um suspiro profundo, Yume se ajoelha na frente dele e acaricia os cabelos do garoto o confortando, — Eu não sei ao certo, mas prometo voltar o mais rápido possível, você poderia cuidar de todos aqui por mim enquanto estamos fora?

Um lapso de felicidade atinge novamente o pequeno Deru, que estufa seu peito acenando com a cabeça positivamente enquanto encara Yume com confiança.

Com alguns pequenos tapinhas nas costas dele, Yume finalmente se ergue caminhando até a saída de seu quarto, começando a caminhada longa até o teatro do qual deixou a garota misteriosa, o mesmo teatro de onde a espada foi entregue a ela.

【キ】【ス】【シ】【ョ】【ッ】【ト】

Cerca de uma hora se passa de caminhada até ela chegar na mesma praça onde encontrou a jovem caída e exausta, tentando se lembrar com exatidão qual caminho seguir a partir dali.

Com quase nenhuma dificuldade, ela enfim encontra o mesmo vermelho convidativo do teatro abandonado, parando em frente a porta, respirando fundo antes de dar alguns toques leves que fazem o som ecoar por dentro de toda estrutura vazia.

Alguns segundos se passa e sequer um sinal de que a garota iria abrir a porta para recebê-la, “Talvez ela tenha saído” pensou Yume, quase dando a volta para retornar mais tarde, mas foi então que no mesmo momento ela sentiu um arrepio repentino em sua espinha.

Ela rapidamente voltou seu olhar para a porta onde um sentimento estranho começa a percorrer por todo seu corpo, mesmo não sabendo como ela sentia que havia alguém do outro lado da porta, podia ser uma impressão falsa, mas parecia tão verdadeiro que fez com que ela encostasse lentamente sua orelha na porta para tentar ouvir o outro lado.

E em meio aos sussurros do vento sobre um local extremamente aberto, ela teve uma impressão que podia ouvir um respirar profundo vindo de dentro, porém toda a tensão e dúvida era quebrada com uma voz repentina.

— Yume! É você? — exclama Cordélia logo atrás de Yume, segurando uma sacola plástica com alguns mantimentos que ela acabará de comprar.

Com outro susto, ela se vira outra voz quase caindo de costas contra a porta, no fundo ela se sentia uma idiota por ter se assustado duas vezes da mesma forma.

— Ah, sim sou eu — Yume força um sorriso envergonhado.

Cordelia cresce um pequeno sorriso em sua boca, se curvando em animação na frente dela colocando ambas mãos em suas costas, — Você realmente veio me visitar!

Sua expressão parecia diferente com o da última vez que a Yume a viu, ela continua com suas olheiras profundas e escuras e um olhar cansado, mas dessa vez suas expressões e movimentações eram mais animadas.

— Sim, parece que você realmente conseguiu descansar bem — diz Yume, em alívio, a observando melhor.

Cordelia acena com a cabeça positivamente, se guiando até a porta onde a destranca com a mesma chave da última vez, — Graças a você, me sinto bem melhor, por favor entre! Você é bem vindo.

Yume a segue tendo o vislumbre que de fato era impossível ter alguém do lado de dentro do teatro, a fazendo suspirar.

— Eu realmente tinha certeza que você iria voltar, só não esperava que fosse tão cedo, estou surpresa claro, mas acho que estou ainda mais feliz — diz Cordélia estendendo ambos braços para cima de alongando com a sacola de plástico batendo em seu torso.

— Bem, eu realmente queria ter certeza que você estaria bem e se cuidando, afinal ontem você parecia quase um zumbi.

— Pode ter certeza que vou começar a me cuidar melhor agora — Cordelia encara os braços de Yume — Por que trouxe o presente que te dei? Não pretende devolver, né?

Oh, não, eu só queria fazer algumas perguntas sobre ela.

— Entendo… terei prazer em te contar tudo sobre ela ou qualquer história que queira ouvir! — Cordélia caminha na mesma direção do qual foi a última vez — Só vou deixar minhas compras na cozinha e preparar um chá, por favor aguarde!

Yume concorda com a cabeça, se dirigindo novamente em direção ao palco, antes de ser parada novamente pela voz de Cordélia.

— Ei! Só uma pergunta, que tipo de chá você prefere beber?!

Ah, qualquer um.

— Okay! Só mais uma coisa, você tem alergia a alguma coisa? — grita Cordélia, fora de vista da Yume.

— Não, acredito que eu não tenha alergia a nada, ao menos até onde sei — diz Yume, gargalhada alegre pela preocupação dela com ela.

Cerca de quinze minutos se passam e Cordélia se aproxima do palco segurando duas xícaras para ambas beberem enquanto conversam.

— Pois bem… O que quer saber sobre ela? — questiona Cordélia se sentando em uma das pedras falsas do a redor.

— Oh, sim —  Yume bebe o primeiro gole do chá com o sabor terroso de Genmaicha — Qual era mesmo nome dessa espada na peça de teatro?

—  Espada de Flatwoods — exclama Cordélia de forma animada, entrelaçando os dedos enquanto encara Yume — A arma mais poderosa e lendária de todos os contos de uma história com o mesmo título.

— Poderia me contar essa história?

Os olhos de Cordélia que sempre aparentavam ter brilho algum, pela primeira vez se iluminam na presença dela, — Claro! Por favor, espere um segundo — Ela deixa a xícara no chão, correndo em direção das cortinas, parecendo procurar algo por detrás delas.

Poucos segundos depois ela volta com três marionetes de madeira cuidadosamente pintadas e bem cuidadas, mesmo que em algumas partes aparenta que a tinta se desgastou levemente.

— Não tem um jeito melhor de contar uma história do que fazer uma pequena peça especial! — diz Cordélia, de forma alegre, começando a retirar os nós dos fios das marionetes.

— Você é uma marionetista Cordélia? 

— Bem, eu não diria isso, mas quando eu não tinha nada para fazer eu treinava, acredito que atualmente eu sou muito boa nisso, pois bem… vamos começar.

Com movimentos sutis, ela começa a controlar a primeira marionete, que aparenta usar uma armadura pintada com uma cor azul quase branca, os movimentos pareciam pesados e bem coordenados mesmo que a marionete aparenta ser leve aos olhos de Yume.

— A historia do Heroi de Flatwoods, se inicia com um grande cavaleiro bondoso do qual arriscaria sua vida até mesmo se uma formiga precisasse de ajuda, com sua coragem ele iluminava todas as pessoas ao seu redor e todos confiavam nele — conta Cordélia, calmamente como se estivesse lendo um livro para uma criança.

Em seguida, com a mão esquerda ela controla uma outra marionete que aparentava ter silhuetas femininas e diferente do herói, tal marionete tem movimentos leves, doces e belos como os de uma dançarina.

— Até que um dia ele chegou a um reino chamado Flatwoods, lá havia uma princesa bailarina que encantava a todos com suas danças e música, realizando peças musicais constantemente a todos, no entanto certo dia, a princesa desapareceu e o rei declarou emergência a todos para que pudesse encontrar sua amada filha.

Cordélia volta focar seu controle na marionete do herói, controlando ele de forma calma e orgulhosa, o fazendo caminhar sobre os entulhos do palco, Yume mostra uma expressão surpresa pela imensa habilidade dela em controlar marionetes.

— O herói então decidiu ir ao encontro do rei, dizendo que iria procurar a princesa pelos quatro cantos do mundo, o rei impressionado com sua coragem e determinação alerta que provavelmente a princesa foi sequestrada por um terrível vilão do qual em sua posse havia o controle de um monstruoso  Dragão Vermelho, assim se ele quisesse ajudar teria que ser digno de empunhar a lendária Espada de Flatwoods, capaz de absorver o poder da força solar.

A última marionete entra em cena, do qual aparenta vestir um traje totalmente preto, chapéu e máscara, sendo o vilão da história, seus movimentos eram graciosos e doces como os da princesa, no entanto sem as belas danças da mesma.

— Enquanto isso acontecia, o vilão já sabendo disso fez de tudo para tentar impedir o herói de empunhar a espada,, a realidade é que terrível vilão tinha raiva e inveja do herói por sempre chamar atenção… ao mesmo tempo que o admirava por ser tão corajoso e livre, mas mesmo com todos seus esforços o herói conseguiu empunhar a espada mágica.

Com um controle abrupto, Cordélia faz um embate entre a marionete do herói e do vilão, o combate dura cerca de dois minutos, mas ao fim o vilão cai de joelhos perante ao herói.

— E no fim, o herói vence o terrível vilão e o mata, resgatando a bela princesa e bailarina e vivendo feliz para sempre com ela.

A encenação termina com a marionete do herói e da princesa dando um beijo antes que Cordelia largasse os fios, crescendo um sorriso em seu rosto para Yume.

— E esse é o fim da história, ao menos da versão resumida e infantilizada dela.

Yume se levantando, batendo algumas palmas em empolgação, impressionada com tudo que viu, junto a uma dúvida crescendo ainda mais, “Que coincidência a espada que era usada para simbolizar algo lendário ser capaz de ferir seres divinos… ou é uma ironia do destino”.

— Você realmente é muito boa em contar contos e histórias, isso só me faz ter o desejo ainda mais forte de ter conhecido esse lugar antes de fechar — diz Yume, se aproximando dela, sem desviar o olhar.

— Que isso… eu apenas sei improvisar, antigamente o pessoal que trabalhava aqui era bem melhor, sou apenas uma amadora perto deles — diz Cordélia desviando o olhar.

— Acho que também tenho desejo de conhecer a versão original dessa história.

— Sobre isso… talvez eu lhe conte outra hora!

— Sério? haha, a curiosidade vai me matar até lá — exclama Yume com um sorriso que logo se fecha, voltando a ficar seria e pensativa — Cordélia… eu realmente preciso te perguntar algo e quero que seja sincera.

— Oh, isso foi uma quebra de clima bem rápido — diz Cordélia acenando com a cabeça — pode perguntar, lhe juro por esse teatro que vou ser sincera.

— Eu meio que sou uma exorcista de coisas sobrenaturais…

— Exorcista? Ah, sim eu me lembro que você tinha me perguntado sobre eu ser uma Numen ou algo do tipo da última vez, certo?

— Sim, e é justamente isso que quero perguntar de novo, armas feitas por humanos não ferem e machucam Numens, mas essa espada… ela consegue os ferir, então por favor seja sincera, você realmente não é uma Numen? 

Cordélia faz uma expressão surpresa, mas logo se alivia ao olhar para baixo, levando sua mão direita até seu peito, — Entendi, então é isso… eu não menti sobre de fato ser apenas um humano comum.

Por alguma razão que nem mesmo ela sabe, Yume solta um suspiro de alívio ao ouvir isso.

— Mas talvez eu tenha omitido algo a você… — Cordélia encara Yume nos olhos pela primeira vez de forma séria — afinal, todos que um dia trabalhavam aqui, morreram.

Os olhos de Yume crescem em surpresa e tensão repentinas, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Cordélia concluía.

— Morreram, neste mesmo teatro do qual estamos.

【キ】【ス】【シ】【ョ】【ッ】【ト】


Por favor! Favorite! e de seu feeback!
Se puder também acesse meu Discord ou Twitter:
Link - https://discord.gg/wUZYREg5
Link - (2) Um Tiro de Amor - Oficial (@KisshotTDA) / X

Apoie a Novel Mania

Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.

Novas traduções

Novels originais

Experiência sem anúncios

Doar agora