Um Tiro de Amor Brasileira

Autor(a): Inokori


Volume 2 – Arco 1: O Teatro das Mil Faces

Capítulo 14: O Convite


【キ】【ス】【シ】【ョ】【ッ】【ト】

— Neste mesmo teatro no qual pisamos, foi o túmulo de muitas almas — comenta Cordélia, abaixando seu olhar enquanto respira fundo.

Yume arregala seus olhos em espanto, muito pela informação brusca e repentina, mas como também pela forma dramatizada do qual ela disse tal informação, — Por favor, explique isso direito.

— A alguns anos atrás, quando eu era pequena, esse teatro foi o mais famoso entre todos os distritos, seus shows beiravam a realidade e o ápice da ficção poética, ao menos… eram esses os comentários do qual eu sempre ouvia — Cordélia move suas mãos conforme continua a falar — no entanto um dia algo aconteceu, foi em um domingo, o teatro estava lotado acredito eu, mas de repente, todos funcionários, telespectadores e artistas sumiram em questão de segundos, ainda me lembro que a orquestra estava tocando a música tema de uma peça, até que do nada… apenas silêncio.

— Sumiram? Havia sangue ou algo do tipo?

— Nem sequer uma única gota, nem mesmo indícios para onde eles foram, é como se eles tivessem sido apagados — diz Cordélia de forma calma e fraca novamente — Se não me engano dias depois a polícia e alguns parentes das pessoas que sumiram vieram a procura de seus familiares e amigos, eu nem ao menos tinha alguma explicação para dar a eles.

Yume sente uma pontada em seu coração, ela sentia que tocou em uma ferida que ainda não estava totalmente cicatrizada, mesmo que Cordélia aparenta estar tão calma, lentamente ela leva a mão até sua boca mordendo a ponta de seu dedo enquanto pensa tentando ter uma noção melhor da situação.

— Espere, você disse que estava ouvindo a orquestra, então estava no teatro no momento que isso tudo aconteceu?

— Bem, sobre isso nem mesmo eu entendo, afinal, eu de fato estava aqui na hora — Cordélia suspira, apontando seu dedo indicador para uma direção onde havia uma porta empoeirada — talvez por sorte ou ironia, tenha sido salvo pois eu estava trancada dentro de um armário naquele quarto.

— Trancada? Você se escondeu?

— Não, eu estava trancada desde a noite anterior lá dentro, pois vou lhe mostrar.

Cordélia desce as escadas que ligam o palco, lentamente caminhando até a porta do qual havia indicado, ela retira um molho de chaves como da ultima vez, procurando por alguns segundos a certa para destrancar a porta enquanto Yume ficará parada por alguns instantes processando tudo, mas acaba a seguindo em silêncio.

Ao destrancar a porta, ambas têm visão de um quarto do qual poderia ter sido um pequeno camarim, havia um espelho grande na parede e alguns manequins com roupas rasgadas e sujas pelo tempo que se passou, mas assim como Cordélia informou, há um grande armário feito de madeira de lei do qual não aparenta ter sofrido muito os efeitos do tempo.

— Era naquele armário onde eu ficava a maior parte do meu tempo, quando minha cuidadora, antiga dona desse teatro me colocava de castigo como punição — Cordélia vira seu olhar cansado para Yume — por coincidência, eu estava de trancada ali no dia.

Yume paralisa, junto a memórias de seu irmão preso, ela sabia como era a dor, não da mesma forma, não da mesma intensidade, mas percebia que Shibo e Cordélia eram parecidos nesse quesito.

 — Eu… não sei o que dizer.

— Não precisa dizer nada, acho que estou aliviada em contar isso para alguém , além disso eu finjo que essas coisas nunca aconteceram — Ela se aproxima do armário dando pequenos soquinhos na porta — eu apenas finjo que nada disso um dia foi real.

— Eu… — Yume não conseguiu encontrar palavras ou alguma forma de mudar de assunto, a fazendo ranger os dentes levemente.

— Então, você é daqueles inspetores da segurança pública, ou algum familiar das pessoas desaparecidas te contratou? 

Yume pisca seus olhos em espanto, balançando a cabeça de forma rápida em negação, — Não, nenhum dos dois, eu só realmente investigo alguns casos estranhos com mais dois amigos e fiquei preocupada em perceber que algo de errado poderia estar te afetando… é mais comum do que aparenta pessoas ficarem doentes por entidades divinas.

Ah, que alívio… então isso também foi uma coincidência, acho que o destino nos uniu de alguma forma né? — diz Cordélia, dando um pequeno sorriso seguido por um suspiro enquanto sai do quarto.

— De todo modo, poderia me dizer se algo mais aconteceu, alguma coisa estranha? Ou algo aparentou estranho ou fora do lugar depois desse dia? Eu realmente quero ajudar — exclama Yume, afirmando com a cabeça enquanto fala.

— Fico feliz que queira ajudar… espero que consiga me salvar — sussurra Cordélia quase de forma imperceptível.

— O que disse?

— Nada, só me perguntei… algo estranho você diz… — Cordélia se vira para Yume com uma das mãos coçando seu nariz — oh, acho que teve sim algo estranho.

— E o que seria?

Sem dizer nada, ela apenas a chama com a mão, a guiando para trás das cortinas do palco, onde a umidade alta corroeu quase toda a madeira dos fundos junto a uma parede de tijolos com algumas marcas de fungos.

— A única coisa que estava diferente depois que todo mundo saiu foi essa parede, eu tenho certeza que minha cuidadora jamais permitiria uma pichação aqui.

Ao ouvir as palavras dela, Yume fica alerta quase como se um pressentimento ruim assumisse seu corpo e ao olhar para a parede vê algo familiar, um círculo com várias escritas rúnicas e símbolos estranhos cobrindo quase que por completo a parede.

— Isso é… merda! — Yume segura o pulso da jovem do seu lado a encarando em urgência — você precisa dar um fora daqui rápido!

Ahñ? O que? Mas por que?

— Por favor, você precisa sair daqui, eu lhe imploro — súplica Yume sem desviar o olhar dos olhos dela.

— T-tá, só espere seu arrumar algumas coisas — diz Cordélia corada gaguejando levemente.

— Okay… vamos fazer o seguinte, pegue tudo que é seu e saia daqui o mais rápido possível e me espere na praça onde nos conhecemos, tudo bem?

— T-tá bom, eu acho, vai me explicar por que está tão preocupada?

— Eu lhe juro que vou explicar assim que estivermos fora, eu tenho que ir, me espere lá!

Sem olhar para trás, Yume corre após soltar o braço de Cordélia, deixando a espada para trás enquanto corre com todo seu fôlego em direção a saída do teatro retirando o telefone de seu bolso, sua urgência era clara, afinal ela tem certeza do que se trata aquele símbolo pois já o viu, tanto em fotos quanto pessoalmente, é o mesmo símbolo das Asas do Diabo, do qual está ligado com o surgimento de seres divinos puros para o mundo.

Yume empurra a porta com força com seu ombro, vendo a luz do sol iluminar seu rosto mais pálido do que o comum em frente ao céu azul, digitando em seu telefone o número de Amon para ligá-lo enquanto corre para o esconderijo.

Uma após outra, ela tentou constantemente enquanto corria ligar para Amon, mas em todas as vezes a chamada não se concluía, ao olhar para a tela de seu celular indicava sem sinal algum, mesmo estando em uma área aberta.

— Mais essa agora! — exclama Yume, colocando seu celular novamente em seu bolso, focando somente em chegar o mais rápido possível no esconderijo com esperança que Amon e Koi já tenham voltado.

No entanto, a caminho de seu destino usando toda sua velocidade, algo a paralisa passando pelo canto de seus olhos, no momento em que ela passa por um grupo de pessoas pelo outro lado da rua, ela percebe que todos estavam usando uma espécie de máscara pequena cobrindo seus olhos e parte de seus narizes.

Por um segundo ela pensa em parar para conferir, mas ao balançar sua cabeça com força segue em frente ignorando aquilo que viu, seu trajeto caminhando demora em torno de uma hora, ela fez todo o percurso em apenas vinte minutos, até chegar em frente ao grande prédio onde os Numens se escondem.

“Por favor, que estejam aqui”, pensou Yume, subindo as escadas com pressa. Conforme sobe as escadas ela percebe um silêncio incomum à sua volta, não seria para menos, afinal em todo aquele prédio antes cheio de sobreviventes, agora está vazio.

— Senhorita Koi! Amon! Deru! Alguém?! — exclama Yume, mas sem sucesso em obter qualquer tipo de resposta.

Ela subiu e desceu as longas escadarias diversas vezes à procura de alguém ou de algo, mas da mesma forma que saiu logo de manhã, ainda estava da mesma forma atualmente.

Yume morde seus lábios ansiosa, antes de entrar dentro de seu quarto e perceber algo em cima de sua cama, é um envelope selado com cera vermelha com um símbolo de uma máscara no carimbo.

Ao tocar com cuidado e remover seu lacre, ela vê seu conteúdo, um ingresso antigo com adornos dourados escrito, “Bem vindo! Você está convidada a fazer parte do Teatro das Mil Faces

【キ】【ス】【シ】【ョ】【ッ】【ト】


Por favor! Favorite! e de seu feeback!
Se puder também acesse meu Discord ou Twitter:
Link - https://discord.gg/wUZYREg5
Link - (2) Um Tiro de Amor - Oficial (@KisshotTDA) / X

Apoie a Novel Mania

Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.

Novas traduções

Novels originais

Experiência sem anúncios

Doar agora