Trauma Longínquo
Capítulo 108: Inimigos, Inimigos, Negócios à Parte
[Jack Hartseer]
Os corredores estavam tumultuados e enquanto meus tímpanos eram invadidos pelas vozes cacofónicas dos prisioneiros em suas respetivas celas, minha mente não conseguia se libertar da perturbação não só pelo que estava acontecendo no momento como também pela visão que tive antes de acordar.
“Tudo aquilo que tive com o meu Alter Ego e agora esse tal instituto me levando pra sabe-se lá onde.”, ponderei em apreensão no que os guardas me puxavam pelos braços ao longo dos corredores cinzentos de Lacrima.
Exagora havia dito que seriamos levados ao “quarto da culminação” e pelo jeito assim como todas as palavras dele soaram até o momento isso se parecia com outro quebra cabeça mal resolvido.
— É aqui. — A voz de um dos guardas trajando terno exclamou no que paramos em frente a uma porta dupla de metal. Uma vibração percorreu sob a superfície metálica no instante em que ela se abriu no meio com o soar rígido de engrenagens e vapor.
Ali dentro um elevador nos aguardava e suas as paredes eram feitas de um material translúcido o que nos permitia uma visão interna dos mecanismos de energia funcionando em tempo real fazendo uma memória abrupta pulsar em minha mente.
“Kaylleon...”, meu rosto tinha uma expressão clara de tristeza.
O início de tudo isso foi com o pai de Incis, Kaylleon e ainda estava fresco em minhas memórias o momento em que ele mostrou as instalações secretas da guilda no subterrâneo de Leycrid pra mim durante minha chegada. Faíscas, o cheiro de pólvora e as máquinas fervendo com os movimentos contínuos dos pistões... não, não era nada parecido com esse lugar, nem de longe.
Zuuuum.
O zumbido do elevador que começou aos poucos a descer logo após a sua assustadora porta dupla se selar penetrava o meu cérebro cirurgicamente como uma agulha, uma dor pulsante latejou atrás do meu crânio fazendo-me oscilar a atenção entre os guardas ao meu redor.
“Eles não estão incomodados com o zumbido desse tróço?”, franzi as sobrancelhas.
A postura deles era ereta e obviamente suas faces eram ocultas pelos capacetes robóticos repletos daquelas luzes Neon que escorriam pelas frestas em padrões de circuito.
Os arredores eram poluídos pelos feixes de luz azulados passando em alta velocidade devido ao quão baixo estávamos descendo, o meu estômago embrulhando em conjunto a dor de cabeça constante devido ao zumbido do elevador.
Sim esse lugar nem de longe seria comparável ao QG da guilda R.O.U.N.D.S... diferente de lá aqui não tinha uma presença tão quente e forte da carne e osso ou das intenções humanas e até mesmo os funcionários pareciam máquinas, sendo sincero isso foi o que mais me deu vontade de vomitar.
A luz se distorcendo sob os ternos dos guardas toda vez que passávamos por um andar fazendo cada segundo parecer uma eternidade devido ao ruído do elevador deslizando cima abaixo.
Descendo, descendo e descendo.
“Eles vão me levar até o quarto da culminação?”, indaguei internamente no que as palavras de Exagora ecoavam em minha mente sendo engolidas pela aquela perturbadora visão que tive com provida pelo meu Alter Ego.
Talvez não fosse só um mal presságio como também servia como um lembrete de que eu ainda sofria da Síndrome de Tenebris.
— Chegamos.
A entonação sem vida do guarda do instituto irrompeu em conjunto a porta do elevador se abrindo e num piscar de olhos os arredores estavam estáticos novamente fazendo-me voltar a realidade.
— Vamos! Já perdemos tempo demais. — Fui empurrado para frente.
Saindo do elevador de vidro uma extensa instalação parecida com um centro de pesquisas se revelou diante de mim.
— Ca-Caramba. — Um suor frio desceu minha testa.
Passos. Passos. Passos.
Eles me escoltavam guiando meus passos com uma violência sútil em seus movimentos, a Skill que usaram para imobilização me incapacitava de fazer quaisquer movimentos bruscos por um curto período de tempo tipo uma teia que se desfazia aos poucos, entretanto era uma teia com propriedades condutoras de energia e com isso eu queria dizer que realmente conduziria energia pelo meu corpo se eu tentasse me mover de forma muito pesada.
Um grande salão com uma pilastra metálica de sustentação era visto e nela alguns monitores estavam acoplados, as paredes eram pintadas de branco do meio pra cima enquanto as partes de baixo eram tingidas por uma cor escura, além disso diversos cabos elétricos pendiam do teto que de tão escuro aparentava nem mesmo existir, por que haviam cabos soltos no teto afinal? Isso só contribuiu pra energia macabra desse lugar.
E então a imagem crepitante de um homem encapuzado com uma máscara esquisita foi exibida nos monitores, vários Alto-Falantes estavam espalhados pelo local enviando uma mensagem de voz do mascarado nas telas.
— Detento 444, parece que finalmente nos encontramos. Por favor peço que não tenha medo pois o processo de quebra das células Vitalis é efêmero e pacífico. Repetindo outra vez agora com mais detalhes, detento 444 não tenha receio ou tente demonstrar quaisquer sinais de resistência, o processo de quebra das células Vitalis é rápido e calmo além de contribuir para a execução das pesquisas do instituto Vermiculus Lunae.
Meu olhar era incrédulo e pasmo, processo de quebra das células Vitalis? Pesquisa? Que merda era essa afinal?! Eu não era nenhum rato de laboratório.
— E-Ei, pessoal. — Minha voz enroscando na garganta em conjunto a respiração pesando.
Os guardas olharam para mim quando cessei meus passos, um movimento em falso e meu corpo já bem fraco não aguentaria a força da eletricidade que iria percorre-lo.
— O que caralhos vocês planejam fazer comigo aqui dentro? O cara de raposa ali naqueles monitores me conhece de onde? — Apontei pra pilastra com os monitores reluzindo a imagem do homem encapuzado, que por ventura me surpreendeu no mesmo instante ao me responder.
— Sim, eu o conheço detento 444 ou melhor dizendo... Nós conhecemos você, Hartseer Jack.
“O que?”, respiração oscilando e a pupila tremendo.
Eu nem mesmo me virei em direção do monitor e apenas fiquei congelado ao som da entonação da figura falando nos monitores diretamente comigo.
Um instituto de pesquisas. É verdade, eu finalmente havia me recordado.
Vermiculus Lunae era o mesmo nome daquela estranha organização que capturou Incis!
[Kyra Zylliun]
No efêmero momento em que o elevador se abriu a figura por trás das portas estava sorrindo para mim.
— Seja bem-vinda, minha humilde cliente. — Detainee Current sibilou recebendo-me com suas mãos reunidas atrás das costas.
“Que tipo de trajes são esses?”, levantei uma das sobrancelhas, não se parecia com algo que alguém de Lacrima usaria ou pelo menos não era semelhante ao que os guardas e funcionários que me deparei trajavam.
Era um estilo muito mais “provocante” do que autoritário, porém o sorriso malicioso que curvava os lábios dela ainda lhe dava uma certa imponência.
De qualquer modo eu mantive minha postura ao retrucar: — Não tenho intenções pessoais a tratar com alguém como você, muito menos algo a declarar sobre seus planos sujos. Enfim, eu trouxe o item. — Dei alguns passos para sair do elevador abrindo meu punho direito suavemente enquanto pixels distorcidos reluziram sob ele.
[Item de Quest solicitado em posse: Cristal Aether Condensado]
Ao levantar minha palma na frente de Detainee Current os pixels crepitantes se materializaram em uma pedra translúcida com rachaduras sob sua superfície que exalavam um vapor azulado no ar, o brilho do cristal refletiu até mesmo nas profundas e púrpuras pupilas da mulher diante de mim fazendo até mesmo os arredores do espaçoso escritório serem tingidos pela luz.
— Hmn... — Detainee fez beicinho. — que peninha, eu adoraria ser amiga de uma meia-Daemon.
Meus olhos se arregalando por trás dos óculos escuros no que um arrepio percorreu minha espinha.
Mesmo que meus chifres ainda fossem até que evidentes não teria como ela compreender exatamente se eu era totalmente um Daemon ou Meia-Daemon, de onde essa mulher tirou tal conhecimento sobre raças de baixo nível?
Passos. Passos. Passos.
Dando as costas para mim a mulher trajando suas roupas Punk repletas de correntes e espinhos de metal segurou seu pequeno chapéu de oficial pela aba antes de caminhar calmamente até uma mesa com vários monitores acesos. Eu podia sentir um olhar afiado sendo oculto por trás dos ombros dela.
A entonação da mesma soou com um tom brincalhão pela sala. — Esse lugar me dá nojo, mesmo que em tal momento eu esteja em posição de nobreza nunca me esqueci das tribulações como uma mera detenta, jogada aos ratos na sarjeta. — As diversas correntes atrás do quadril de Detainee balançando sob o chão. — Não existe coisa pior do que estar no mais baixo nível e imagino que isso deve ser costumeiro pra a senhorita Meia-Daemon, certo?
Ela me encarou por cima do ombro quando me indagou isso fazendo-me comprimir os lábios e subir um pouco os ombros.
“Isto provavelmente é algum tipo de provocação, pura blasfêmia. Um oficial de Lacrima praticamente diretor geral já ter experienciado alguma tribulação em sua vida? Conta outra.”, ponderei abaixando a cabeça levemente, um suor sutil descendo minha testa.
Apesar dessa confiança sinistra somada a um conhecimento talvez um pouco mais aguçado sobre raças de nível baixo, essa mulher nunca saberia o que era “ser jogada na sarjeta” como disse.
Uma certa raiva floresceu em mim o que por ventura fez um dos meus punhos se fechar firmemente e minha luva de couro estalar antes que minha voz quebrasse o silêncio.
— Senhorita Current Detainee, receio que já declarei não me encontrar aberta para tais discussões. Só estou aqui por ordens de Gray e para cumpri-las, sendo assim irá tomar posse do cristal ou não?
— Hoh você é tão áspera querida, mas é compreensível afinal mesmo se passando por um agente corporativo e tendo um dialeto até que bem refinado não passa de uma escrava suja que Gray usa ao bel-prazer.
Meu coração apertando em um fulgor repentino diante daquele sorriso e tom de voz sarcástico.
[Quest Completa!]
[A entrega do item foi feita com sucesso.]
Irrompendo entre esse impasse o ruído do cristal Aether sendo desmaterializado da minha mão permeou o ambiente deixando apenas o chiado dos monitores ligados ao fundo.
— Foi um prazer fazer negócios com você, senhorita meia-Dameon. — Debochou Detainee sentando-se na cadeira em frente as telas irradiando uma luz branca sob alguns cantos do escritório. — Agora... me pergunto o que Gray desejava em troca do cristal.
“Outra provocação idiota. Mas era de se esperar afinal ela deve saber que esse cristal de Aether condensado só foi obtido por minha causa caçando aquela besta Aether corrompida, se não fosse por aquela coisa eu não teria essa cicatriz horrível no abdômen que Gray vive praguejando. No fim isso é tudo, todos vocês são perversos e sujos... são meros reflexos uns dos outros.”, a angústia ardente queimando em palavras dentro de minha mente acompanhada do meu olhar ficando friamente hostil eram como fogo e gelo.
Detainee serpenteou seus olhos dos meus pés até minha face provavelmente percebendo toda essa irritação.
— Ugh, o seu senso de humor é horrível querida. — Disse ela erguendo sua palma em minha direção dando um suspiro de cansaço no que fragmentos de luz se reuniram no ponto central em sua mão, assim formando um pedaço grande de papel com desenhos geométricos gravados nele.
[Item obtido!]
[Mapa Geral de Lacrima]
[Você recebeu informações gerais sobre todos os cômodos da localização: Lacrima]
[Recebeu 1.000 Ranking Points!]
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