Volume 3
Extra: Por favor, Professora☆
NÃO MUITO LONGE da estação de trem, havia um bar administrado diretamente por um fabricante local de bolinhos de peixe. Duas jovens estavam sentadas lado a lado no balcão, batendo seus copos um no outro.
— Ao fim do Festival Tsuwabuki! Saúde!
Uma delas, uma mulher baixinha, ergueu o copo agora vazio depois de virá-lo de uma vez só.
— Com licença, mais um chope, por favor!
Konami Amanatsu, professora de estudos sociais da Escola Secundária Prefeitural Tsuwabuki. Tinha 26 anos, no auge da juventude. Embora às vezes parecesse mais uma estudante do ensino médio meio desleixada, ela sempre precisava mostrar documento quando saía para beber.
— Você está bebendo rápido como sempre. Está tentando ser paquerada por alguém?
A mulher ao seu lado, sorrindo de forma suspeita, era Sayo Konuki, a professora de saúde da escola. Passando os dedos finos pela condensação no copo, ela soltou uma risadinha. Konami, já meio tonta, estreitou os olhos e lançou um olhar para a amiga.
— Diferente de você, Konuki-chan, ninguém quer me levar para casa.
— Se você ficar realmente bêbada como sempre, vai acabar sendo cuidada antes mesmo de alguém pensar em te levar para casa.
— É mesmo? Você não era fraca para bebida na época da faculdade? Sempre que a gente saía para beber, tinha algum cara te levando para casa.
— Ara, naquela época eu só fingia estar bêbada.
Konami, que acabara de receber sua segunda cerveja, parou no meio do movimento.
— Agora que penso, o seu timing para ficar bêbada era suspeitamente perfeito.
— Ficar bêbada em encontros em grupo pode ser perigoso, sabia?
Konuki devolveu o copo vazio e pediu outra bebida.
— Espera, aquilo era um encontro? Eu aparecia de moletom e tudo mais.
Dessa vez, foi Konuki quem parou.
— Espera, Konami, você estava falando sério? Eu achei que você só estivesse apelando para um fetiche específico.
— Se você conhece alguém que gosta desse tipo de coisa, me apresenta—não, melhor deixar pra lá.
— Uma escolha sábia. Esse gênero não é para iniciantes.
Uma atendente trouxe um copo de saquê em uma caixa masu. Konuki o recebeu e levou os lábios até a borda quase transbordando. Shikai-O Junmai Ginjo, sua garrafa favorita. O perfil de Konuki suavizou-se de felicidade enquanto ela semicerrava os olhos.
Não é à toa que ela faz sucesso.
Pensou Konami, decidindo mudar de assunto.
— Enfim, mudando de assunto, como estão as crianças do Clube de Literatura? Estão se dando bem?
— Sim. É a primeira vez que estou orientando um clube, então tudo parece bem novo.
Konuki encarou o líquido transparente no copo, como se estivesse se lembrando de algo.
— O Nukumizu-kun, em especial, é um garoto estranho. Pelo meu trabalho, gosto de pensar que consigo identificar alunos que precisam da enfermaria, mas há aqueles que precisam de apoio de outra forma, e esses são difíceis de perceber.
— Espera, não me diga que o Nukumizu está passando por alguma coisa?
— Se for o caso, é o contrário. As garotas ao redor do Nukumizu-kun são meio complicadas. Acho que a presença dele significa mais para elas do que ele mesmo percebe.
— Sério, ele…?
Konami cutucou o daikon do seu oden de missô, escondendo a surpresa sob uma expressão neutra.
— É por isso que eu estou meio interessada no Nukumizu-kun… do ponto de vista de uma enfermeira escolar, claro.
Ao ver o olhar calculista no rosto de Konuki, Konami estreitou os olhos, desconfiada.
— Konuki-chan, não encoste um dedo nele, ouviu…?
— Konami, eu sou uma servidora pública, sabia? Quando me tornei professora, fiz um juramento de nunca tocar em um aluno—
Konuki ergueu o copo triunfante, com um sorriso convencido.
— Você está fazendo aquela cara de "declaração legal", mas isso é só o mínimo esperado, sabia?
— É mesmo? Quer que eu argumente isso em detalhes?
— De jeito nenhum. Anda, bebe logo.
Konami virou o segundo copo e pediu outro. Assim que a próxima cerveja chegou, uma pequena grelha de mesa foi colocada entre elas. Naquele lugar, era possível grelhar seu próprio chikuwa e comê-lo ali mesmo.
— Ara? Vai escolher o recheado com shiso, Konami? Que escolha refinada.
Konuki comentou enquanto girava o espetinho de chikuwa sobre a grelha.
— Em Toyohashi, tem que ser com shiso. Você vai ficar só no simples, é?
— Estou numa fase em que dei a volta completa e agora desejo aquele sabor simples e nostálgico.
A superfície do chikuwa começou lentamente a inchar. Elas o pressionaram com palitos, garantindo que assasse por igual.
— Grelhar chikuwa com outra mulher é divertido e tal, mas mesmo assim, eu queria que algo estivesse acontecendo comigo também.
Esse pensamento sincero escapou da boca de Konami, e Konuki respondeu com um sorriso suave.
— Konami, você é séria demais. Se não se jogar nos braços de alguém, nunca vai entender de verdade.
— E você se machucou bastante fazendo isso. Sinceramente, sobreviver àquele incidente na cerimônia de maioridade já foi um milagre.
— Eu sabia no que estava me metendo. Konami, desde que nascemos mulheres — Konuki tirou da grelha o chikuwa perfeitamente assado — é melhor ser esfaqueada do que esfaquear.
— Você não se arrepende de nada mesmo, não é?
Diante da provocação da amiga, Konuki não respondeu com palavras, mas com um sorriso. A noite dessas mulheres estava apenas começando—
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