Volume 3
Capítulo 4: Vamos Falar Sobre Responsabilidade
JÁ SE PASSARAM TRÊS DIAS desde o fim do Festival Tsuwabuki. O brilho que ficou depois do festival já desapareceu completamente, e os primeiros sinais do inverno começaram a surgir durante o período depois das aulas.
Estou sentado de frente para Komari, na sala do clube.
— Certo, Komari, desde o começo de novo.
Komari assentiu e começou a ler as anotações no celular.
— E-Eu sou! A-A p-presidente do Clube de Literatura… Komari, falando!
Depois de conseguir terminar de algum jeito, Komari enxugou o suor da testa com um sorriso orgulhoso.
— E-Eu consegui dizer t-tudo até o f-final!
Será mesmo…? Engoli as palavras que quase escaparam. Para coisas assim, o importante é ir acumulando pequenos sucessos.
— É, você está melhorando aos poucos. Deve ficar tudo bem para a reunião dos presidentes de clube neste fim de semana.
Falei de forma irresponsável, depois me sentei e abri meu livro.
— M-Mas eu ainda não tenho c-confiança para f-falar na frente de o-outras pessoas…
Komari murmurou, inquieta, aparentemente insatisfeita. Coloquei um marcador no livro e o fechei.
…O que Komari vinha praticando era sua apresentação para a reunião dos presidentes de clube neste fim de semana. Para piorar, o Clube de Literatura também teria que apresentar um relatório de atividades.
— Se você realmente não estiver pronta, eu posso ir no seu lugar.
— I-Isso não é permitido!
Assustada com o próprio volume da voz, Komari abaixou a cabeça.
— E-Eu tenho que fazer i-isso sozinha…
Ela se corrigiu em voz baixa e se jogou na cadeira. Para dizer o mínimo, Komari não era boa em conversar com pessoas que não conhecia. Além disso, a maioria dos presidentes de clube era do segundo ano. Cercada por gente que ela veria pela primeira vez, era difícil imaginar Komari conseguindo falar direito.
— Então que tal pelo menos deixar o relatório de atividades comigo?
— I-Isso v-vai contra o propósito.
E assim voltamos ao mesmo ponto de antes. Já que ela havia assumido o cargo, devia ter alguma determinação para se colocar diante dos outros. Mas ainda assim—
— A reunião é neste fim de semana. Só desta vez, não tem problema mandar um substituto?
No momento em que Komari endureceu a expressão, prestes a retrucar, a porta da sala do clube se abriu com tudo.
— Vocês dois, já chega de brigar. Eu ouvi tudo.
Quem apareceu foi Yanami. Ela largou a bolsa sobre a mesa com um baque e se sentou.
— Yanami-san, você estava ouvindo?
— Ah, foi mal. Eu só disse isso para entrar no clima. Sobre o que vocês estavam falando?
Ah, ela tinha mesmo que aparecer justo agora… Quando expliquei a situação—
— Hmm, então vamos praticar juntos.
Ela disse aquilo com naturalidade.
— Ela já está praticando. Só estávamos dizendo que, como ela tem dificuldade com pessoas, talvez fosse melhor alguém ir no lugar dela—
— É por isso que eu não gosto dessa parte de você, Nukumizu-kun.
Yanami deu de ombros, com uma expressão cansada.
— Ela está se esforçando tanto como nova presidente do clube, então por que você diria algo assim? Não é, Komari-chan?
Komari assentiu com toda a convicção de quem tinha encontrado uma aliada.
— P-Perdoe ele. O N-Nukumizu sempre foi a-assim.
— É, mas também, é o Nukumizu-kun, né — desde quando essas duas ficaram tão próximas assim? Yanami se inclinou na direção de Komari. — Então vamos nos acostumar praticando na frente de pessoas. Que tal em frente à Estação Toyohashi, no fim da tarde?
Isso é meio extremo demais.
— Q-Quero dizer, desde que seja em u-um lugar sem pessoas…
Komari também não recuou, soltando algo igualmente absurdo. Yanami bateu palmas.
— Amanhã é o feriado compensatório do Festival Tsuwabuki, né? Tive uma ideia, então que tal sairmos juntos?
— U-Uma ideia…?
Komari encolheu as costas, como um hamster cauteloso.
— Isso. Ainda não pensei em tudo, mas deixa comigo.
Yanami disse alegremente e começou a mexer no celular, cantarolando. Ah… eu realmente não queria, mas acho que vou ter que ir também. É meio irritante usar um dia de folga precioso assim, mas se for pelo Clube de Literatura, não tem jeito.
— Bem, se a Komari também quiser, então—
Ah, Komari está me olhando. E com uma expressão nada agradável. Está me encarando fixamente. Então ela quer que eu recuse. Mas a Yanami é complicada quando fica assim…
— Oh, parece que o tempo vai estar bom. Certo, vocês dois, deixem a manhã de amanhã livre.
— Ah, ok. Entendido.
Decidi não resistir. Então, Komari, por favor, pare de me olhar assim.
*
Ao erguer os olhos para o céu azul, vi pequenas nuvens fofas alinhadas, parecendo ovelhas. Nós três — Yanami, Komari e eu — usamos o dia compensatório do Festival Tsuwabuki para visitar o Nonhoi Park, um zoológico e jardim botânico em Toyohashi.
De acordo com a "ideia" da Yanami, se você quer se acostumar com pessoas, deve começar com animais. Ou seja, praticar falando primeiro na frente de animais. Já demos a volta completa no zoológico e agora estávamos na área de contato e alimentação.
As ovelhas soltas eram incrivelmente realistas e tinham bastante presença. Quando ofereci feno, uma delas começou a mastigar. Era surpreendentemente real.
— Ohh, Nukumizu-kun. Você conquistou as ovelhas.
Mantendo distância, Yanami tirou uma foto.
— É o poder da comida. Viu? É isso que significa ser amado pelos animais.
Para onde apontei, Komari estava cercada por várias ovelhas. Na verdade, estavam praticamente atacando ela…
— Você não vai ajudar, Nukumizu-kun?
— Ovelhas de verdade são meio grandes e insistentes, sabia? E as pupilas delas são todas esticadas para os lados.
— Ahh, a clássica experiência de zoológico.
Yanami se aproximou devagar e afundou a mão na lã delas.
— Uau, a lã é tão quentinha e macia.
— Mas será que isso está ajudando na prática? Parece mais que estamos só brincando.
Até agora, só tínhamos visto elefantes com seus filhotes e um panda-vermelho ficando em pé. Não praticamos nada. Ignorando minha preocupação, Yanami sorriu.
— A Komari-chan anda bem tensa ultimamente, né? Achei que seria bom ela relaxar um pouco e respirar ar fresco.
— Ela me parece mais do tipo que preferiria ficar trancada em casa.
— Quando você está ansioso, ficar sozinho só faz você pensar demais. Isso é típico de pessoas delicadas como a Komari-chan e eu.
Pessoas delicadas… eu devia comentar isso? Enquanto eu pensava, as ovelhas nos deixaram e voltaram para Komari.
— Você acha que ela está bem? Não está sendo encurralada pelas ovelhas?
— Ela disse que queria acariciar alguns animaizinhos fofos, por isso trouxemos ela para cá. Seria rude interromper.
Antes que percebêssemos, todas as ovelhas estavam reunidas ao redor de Komari. Como se tentasse escapar delas, Komari levantou as duas mãos.
— Movimento errado. Se ela não der comida logo, elas só vão ficar mais agitadas.
— "Animaizinhos fofos"… espera, será que ela estava falando de coelhos ou porquinhos-da-índia? Acho que tem uma área deles aqui perto.
Sério? Conferi o mapa do zoológico novamente. De fato, havia uma área de coelhos logo ao lado.
…Ah, entendi. Nós cometemos um erro. Ao levantar a cabeça do mapa, vi Komari prestes a ser engolida por um mar fofo de ovelhas. Pensando vagamente que até o grito dela era meio fofo, fui resgatá-la.
*
Mesmo depois de tirá-la do meio das ovelhas, o humor de Komari não melhorou facilmente.
— C-Como você pôde? V-Você me deixou para morrer…
— Ah, qual é, me dá um tempo. As pupilas delas são horizontais, tá?
Além disso, eu salvei você no final. Devia estar agradecida. Dito isso, hoje também era para animar a Komari. Enquanto víamos animais fofos e eu a incentivava com cuidado, o humor dela foi melhorando aos poucos. Yanami caminhava entre nós dois, abrindo o mapa do parque.
— Ver o urso-malaio sempre me anima. Certo, para onde vamos agora?
Já tínhamos visto os avestruzes e as lontras-de-unhas-curtas. Restava—
— Que tal a casa dos animais noturnos? Os arganazes africanos são super fofos.
— T-Tem que ser o o-orycteropus. V-Você não tem bom gosto.
Definitivamente não concordamos nessas coisas. Yanami balançou o dedo na minha frente.
— Nukumizu-kun, é aqui que você diz "as damas primeiro". Komari-chan, tem algum lugar que você quer ir?
— Eeh? B-Bem… o j-jardim botânico. E-Eu quero ir lá.
Yanami inclinou a cabeça, confusa.
— Jardim botânico, é? Mesmo que as frutas estejam maduras, você não pode comê-las, sabia? Tudo bem?
Tudo bem. Komari e eu assentimos firmemente, em silêncio.
*
O canto noroeste do Nonhoi Park abrigava o jardim botânico. Enquanto caminhávamos pela trilha ao ar livre, Komari olhou ao redor.
— P-Pensando bem… o-onde a Yanami foi?
— Ela disse que estava de dieta, então foi comprar um lanche.
— Eeh? O-O que isso s-significa?
— Aparentemente, ela acha que comer com mais frequência ajuda a emagrecer. Não questione a lógica.
— E-Entendi… é a-assim que funciona.
Pois é. Ainda bem que você aceitou. Quando ergui o olhar, um chapim variado passou voando entre as árvores.
— Eu sempre fico na estufa, mas essa parte aqui é bem tranquila.
— J-Jardins ao ar livre são silenciosos, e-eu até gosto.
Para novembro, o sol estava surpreendentemente quente e agradável. Enquanto caminhava pelo caminho de pedra, Komari mantinha discretamente um ritmo com os passos.
— As camélias estão florescendo. Não eram flores de inverno?
— E-Essa é uma sasanqua.
Ué, é outra flor? Komari olhou para mim como se não acreditasse.
— S-São totalmente diferentes. O-Olha, o formato das folhas, o jeito que as p-pétalas se prendem e t-tudo mais.
Não entendi nada. Mas consigo diferenciar hamsters com confiança… Enquanto caminhava sem rumo, observando as rosas de outono à beira do caminho, Komari parou de repente.
— É-É… você p-poderia me ajudar a praticar?
— Aqui mesmo?
— S-Sim… e-eu quero deixar um p-pouco mais difícil do que na s-sala do clube.
Komari apontou para um banco na base de uma árvore. De fato, o jardim botânico em um dia de semana não tinha muitas pessoas passando. Era perfeito para praticar. Sentei-me sem reclamar, e Komari tirou do bolso um papel amassado.
— C-Certo, vou começar.
De pé à minha frente, ela limpou a garganta com uma leve tosse.
— E-Eu sou a n-nova p-presidente do C-Clube de Literatura. E-Eu sou Chika Komari. O-Obrigada pelo t-tempo de vocês!
Depois de terminar, soltou um suspiro profundo.
— C-Como foi…?
— Hã? Ah, acho que está melhor do que antes.
— S-Sério?
Com um ar satisfeito, Komari sentou-se do outro lado do banco.
— S-Só um intervalinho.
Está melhor que antes. Melhor, sim, mas ainda assim…
— Komari, você consegue falar normalmente comigo e com a Yanami-san, certo? Por que não consegue falar bem durante a prática?
— P-Porque, na hora de verdade, v-vai ter muita g-gente desconhecida olhando… s-só de imaginar eu p-perco a consciência…
Sem perceber, Komari havia apertado o papel com força e agora se apressava em desamassá-lo.
— E-E eu também tenho que fazer o r-relatório de atividades, e-então preciso p-praticar isso também…
Ela começou a murmurar as falas em voz baixa, lendo do papel. Ao lado dela, ergui o olhar para os galhos acima. As nuvens vistas entre as folhas estavam tão altas que pareciam me puxar, e não havia mais nenhum vestígio do verão. Os alunos do terceiro ano já tinham se formado, e o Clube de Literatura agora contava apenas com quatro alunos do primeiro ano.
Ainda não tinha assimilado totalmente, mas, para ser sincero, eu me sentia um pouco inquieto.
O som dos galhos balançando ao vento. Como se respondesse à voz de Komari, o canto suave de um pássaro ecoou ao longe. Envolto por uma atmosfera estranhamente tranquila, observei o perfil de Komari, sua expressão tensa, como se estivesse carregando algo pesado.
Agora que penso nisso, ela já vinha com essa expressão há algum tempo. Komari havia recebido o Clube de Literatura das mãos dos veteranos. E o que havia sido confiado a mim era apoiá-la. Esse deveria ser o meu papel. E, ainda assim, eu não consegui fazer nada até Komari desabar.
Na sala de aula ao entardecer, Komari na ponta dos pés, tentando alcançar algo sozinha.
Por algum motivo, essa imagem passou pela minha mente. A Komari da minha imaginação estava sempre sozinha. Mesmo sabendo que não conseguiria alcançar, ela continuava estendendo a mão para cima, sem parar.
— Eu vou fazer o relatório de atividades afinal.
As palavras escaparam da minha boca. Komari se sobressaltou e ergueu o olhar.
— E-Eu já disse… que e-eu faria…
— A reunião é depois de amanhã.
Era um sentimento próximo da frustração. Mas não direcionado à Komari — não, isso certamente era…
— E-Eu sei disso, mas…
— Desse jeito não vai dar certo. Eu também não sou bom nessas coisas, mas você não pode deixar eu fazer alguma coisa?
No momento em que Komari abriu os lábios, hesitante, prestes a falar, minhas palavras a interromperam.
— É só um relatório de atividades. Tudo que você precisa fazer é ler um roteiro. Não precisa se forçar. Deixa comigo—
E foi só então que percebi meu erro. Os olhos de Komari escureceram.
— P-Por que você s-sempre diz coisas como "você não consegue" ou "é impossível"…?
Ela encarava o papel, com a voz quase inaudível, como se espremesse as palavras.
— Não, eu não quis dizer assim—
— P-Pode ser fácil para você. M-Mas eu tenho t-treinado muito, para conseguir fazer n-nem que seja só um pouquinho melhor…
As pequenas costas dela começaram a tremer.
— Não estou tentando ignorar tudo o que você fez. Eu sei que você está se esforçando como presidente, mas só mais um pouco—
— E-Eu nem queria ser presidente!
Komari se levantou de repente, com força.
— E-Eu fiquei tanto tempo chamando o Tamaki-senpai de "presidente", e-e finalmente estava começando a aceitar isso como uma lembrança… mas aí eu c-comecei a ser chamada de "presidente" e minha cabeça só… virou uma bagunça…!
Aos pés de Komari, lágrimas começaram a se infiltrar no chão. Cada gota que caía e se espalhava fazia parecer que ela ficava ainda menor — uma ilusão que me atravessava.
— Komari… Se ser presidente é demais para você, podemos conversar sobre isso de novo, todos juntos.
— E-Eu sou a única que pode fazer isso, não sou!?
Komari gritou. A dor na voz dela me tirou qualquer resposta. Depois de ficar parada por um momento, com os ombros tremendo, Komari de repente se virou e começou a se afastar. Levantei para ir atrás, mas, ainda de costas para mim, ela gritou:
— N-Não me segue!
Uma rejeição clara. No momento em que ouvi aquilo, minhas pernas pararam. Até que a figura de Komari desaparecesse de vista, permaneci imóvel, incapaz até mesmo de mudar o peso do corpo.
— Desculpa a demora. Ah, você está aqui, Nukumizu-kun.
Uma voz alegre, como sempre, me trouxe de volta à realidade. Ao erguer o olhar para o rosto de Yanami, tive a sensação de estar despertando de um transe.
— Yanami-san… é que, na verdade…
— Hã? Onde está a Komari-chan?
Com um churro na mão, Yanami olhou ao redor.
— Desculpa. Eu estraguei tudo.
Tentei abaixar a cabeça, mas minhas forças falharam e acabei me deixando cair no banco. Yanami, me observando com uma expressão confusa, sentou-se silenciosamente ao meu lado.
— Você parece sério de um jeito incomum.
Dando uma mordida no churro, Yanami ergueu o rosto para o céu e semicerrou os olhos por causa do sol.
— Quer dizer… eu… desculpa, eu…
— Se for difícil falar, tudo bem. Tem algo que eu possa fazer?
Balancei a cabeça em silêncio. Yanami murmurou "entendo" e deu outra mordida no churro.
Quanto tempo passou?
Tentando escapar dos pensamentos sombrios que se acumulavam na minha mente, fechei os olhos e depois os abri lentamente. O céu ainda estava claro, e uma luz suave filtrava pelas árvores.
Yanami já devia ter ido para casa. Pensando isso, olhei para o lado e vi que ela ainda estava ali, sentada quieta no banco. Ao perceber que eu a observava, Yanami abriu o mesmo sorriso alegre de sempre. E, por algum motivo, aquilo me deu vontade de chorar.
*
No dia seguinte à nossa visita ao Nonhoi Park. As aulas terminaram sem incidentes, e agora era a hora da reunião de classe. Amanatsu-sensei bateu o pó de giz das mãos e levantou a voz.
— Certo, é só isso de avisos! Vou trabalhar até mais tarde hoje, então aproveitem bem essa preciosa liberdade depois da aula. Dispensados!
A turma começou a se dispersar em pequenos grupos, conversando enquanto saíam de seus lugares. Eu permaneci no meu, perdido em pensamentos.
Depois do que aconteceu, era compreensivelmente constrangedor ir para a sala do clube. Mas ficar aqui, de cabeça baixa, também não resolveria nada. Enquanto vagava por esse beco sem saída de pensamentos, um leve aroma floral de repente me envolveu. Aquela trilha sonora familiar começou a tocar na minha cabeça.
— Nukumizu-kun, você parece preocupado, não é?
Quem falou comigo de forma inesperada foi Karen Himemiya. Radiante como sempre. O brilho dela me fez semicerrar os olhos sem perceber.
— Hã… o quê…?
— Não precisa dizer nada. Sua Karen Himemiya vai desvendar a verdade com estilo!
Ela colocou um dedo na testa, como se estivesse pensando.
— É que eu não estou exatamente—
Com os olhos grandes brilhando, Himemiya apontou diretamente para mim.
— Você está com fome, não está!?
— Não… não muito…
— Sério? Isso costuma funcionar com a Anna…
Eu preferia que ela não me colocasse no mesmo grupo que a Yanami.
— Hm… Himemiya-san, você precisava de algo comigo?
Ela se agachou e apoiou os cotovelos na minha mesa.
— Estou tentando descobrir o que você e a Anna têm em comum. Fiquei curiosa para saber como vocês dois viraram amigos.
Olhei pela sala à procura da Yanami, mas ela não estava lá. Por que a Himemiya-san estava perguntando esse tipo de coisa? Sinceramente, eu não tinha energia para lidar com isso agora… Escolhi minhas palavras com cuidado antes de responder.
— Bem… é que… nós dois estamos no Clube de Literatura.
— Ah-há. Mas eu já sei que vocês tinham algum tipo de ligação antes da Anna entrar no clube — Himemiya-san se inclinou sobre minha mesa, apoiando o corpo nela e olhando para mim de baixo. — Pelo que eu vejo, o humor de vocês meio que sincroniza, sabe?
De repente, Himemiya-san começou a dizer coisas meio estranhas.
— É só coincidência. E, além disso, por que isso importa para você?
— A Anna está um pouco estranha hoje. Quando tem algo errado com a sua melhor amiga, você quer saber o motivo, não quer?
Então a Yanami estava agindo de forma estranha, provavelmente porque estava preocupada, à sua maneira, com o que aconteceu ontem. Então essa história de "melhor amiga" não era só delírio dela…
— Aquela história que a Anna escreveu para a revista do clube… não é sobre você também?
— Espera, como assim?
Isso veio do nada. O que um conto sobre comida de loja de conveniência tem a ver comigo?
— Aquele colega de classe que aparece na história. A Anna escreve coisas meio autobiográficas, não é?
— Aquilo era só uma narrativa em primeira pessoa. O que ela escreve e a realidade não são a mesma coisa.
— Sério?
Se escrever em primeira pessoa significasse que tudo é real, eu seria um cara absurdamente popular. No mínimo, eu não estaria fazendo algo tão cruel quanto machucar meus colegas de clube e afastá-los. Eu ainda estava tentando pensar em como explicar quando—
— Desculpa a demora, Karen-chan!
Yanami apareceu com o tom leve de sempre. Himemiya-san se levantou sorrindo.
— Esperei tanto que quase virei um fantasma~.
— Foi mal, foi mal—ah, Nukumizu-kun? Você não vai para o Clube de Literatura hoje?
— Bem, é que…
Fiquei sem terminar a frase, e Yanami me olhou com uma expressão séria.
— Karen-chan, desculpa. Sobre as compras de hoje, você pode ir com o Sosuke?
Himemiya-san pareceu surpresa, olhando de mim para Yanami.
— Se você tiver algo para resolver com o Nukumizu-kun, eu posso esperar até terminar—
— Não, tudo bem. Pode demorar um pouco.
— Entendido. Então até amanhã.
Depois de encostar levemente a palma da mão na de Yanami em despedida, Himemiya-san me lançou um olhar rápido e saiu da sala. Espera, as coisas estão andando sem mim aqui. Enquanto eu observava a situação em silêncio, Yanami colocou a mão na cintura e disse:
— Nukumizu-kun, posso te pegar um instante?
*
Relatório do Clube de Literatura — Edição de Outono
"Não Vou Desistir Até Conseguir Dizer" por Anna Yanami
Nesta manhã, eu estava um pouco diferente do habitual. Hoje, eu tinha pensado no plano perfeito para cumprimentá-lo com um "bom dia". Saí de casa mais cedo que o normal e garanti um lugar no espaço para refeições do 7-Eleven no caminho da escola. Até agora, eu sempre acabava adicionando lanches quentes no caixa ou pedindo para esquentarem um hot dog, e quando terminava, ele já tinha ido embora.
Então a conclusão a que cheguei foi: onigiri de tsukune grelhado. Porque o onigiri de tsukune pode ser comido logo após passar no caixa, assim que eu o visse, poderia ir atrás dele imediatamente.
O tsukune, com pedacinhos de cartilagem misturados, tinha um molho agridoce perfeitamente equilibrado com maionese picante, e o melhor é que ficava delicioso mesmo sem aquecer.
E o latte quente que pedi junto tinha uma espuma de leite tão boa que eu andava completamente viciada nele. Enquanto ouvia a máquina de café moendo os grãos, percebi alguém entrando na fila atrás de mim.
— Oh? Ako-san. Não sabia que você bebia algo além de suco cheio de açúcar.
A voz era de um colega de classe, XX-kun. Ele sempre dizia coisas irritantes com aquela língua afiada. Na mão dele havia um copo de café gelado. Coitado, ele não conhecia o sabor delicioso do café com leite.
Ignorei o XX-kun e virei o olhar para a janela. E então fiquei chocada. Ele estava esperando no semáforo com os amigos. Eu tinha baixado a guarda por ter saído mais cedo do que o normal. Tentei abrir a tampa da máquina de café, mas ela não se mexia. Por segurança, ela ficava travada enquanto estava em uso.
Fiquei mudando o peso de um pé para o outro enquanto esperava e, finalmente, ouvi um bip bip. O café com leite estava pronto. Abri a tampa, fechei o copo com a tampa, e estava pronta. O sinal de pedestres acabava de ficar verde. Se eu me apressasse, ainda poderia alcançá-lo.
Corri em direção à porta automática para sair, mas logo voltei correndo para dentro. Isso mesmo. Eu tinha esquecido de colocar açúcar. XX-kun jogou algo na minha direção. Peguei no ar. Era um sachê de açúcar. Ele devia ter percebido que eu tinha esquecido.
Mas voltei para a área de refeições sem dizer nada.
— Ako-san, não era o açúcar?
Sem responder, abri a tampa do meu café com leite. O XX-kun não entenderia de qualquer forma. Eu sempre colocava dois açúcares no meu café com leite. Essa era a minha única regra inabalável…
*
À minha frente, um prato de yaki udon recém-preparado soltava vapor. Eu estava sentado no balcão de uma loja de udon perto da escola, lado a lado com Yanami.
— Por que estamos comendo yaki udon agora…?
Quando ela disse "posso te pegar um instante?", achei que viria um sermão, mas em vez disso ela me trouxe a um restaurante de udon. Diante da minha pergunta perfeitamente razoável, Yanami respondeu animadamente:
— Ah, é mesmo. Vamos comer. E antes de começarmos, tenho um anúncio muito importante para você, Nukumizu-kun.
Ela enfiou os hashis no prato e levantou o macarrão com um certo entusiasmo.
— Eu consegui perder 2 quilos nos últimos dois meses.
— Espera, sério? Isso não pode estar certo.
Melhor cortar isso logo de início. De boca aberta, Yanami me lançou um olhar afiado.
— Eu ganhei 3 quilos no verão e agora perdi dois em dois meses. Isso não é incrível?
Ainda assim, o saldo continua positivo.
— Quer dizer, é impressionante, mas como você emagrece com esses hábitos alimentares? Não seria melhor consultar um médico?
— Eu estou prestando atenção no que como. Nada de repetir, nada de porções grandes. Estou vivendo uma vida disciplinada.
E dizendo isso, ela puxou o macarrão com vontade. Se essa dieta está funcionando, quanto ela comia antes…? Comemos em silêncio por um tempo. Quando já estávamos mais ou menos na metade, depois que eu avancei bem no prato, Yanami pousou os hashis.
— Então, você falou com a Komari-chan?
— Não.
Preparado para o sermão que esperava, me tensionei, mas Yanami apenas respondeu com um desinteressado "hmm" e tomou um gole de água.
— Você não vai dizer nada?
— Não. Não me diga que você queria levar bronca?
Por um momento, fiquei sem palavras. Yanami colocou o copo na mesa com um leve som.
— Tentar se sentir melhor sendo repreendido não funciona assim, Nukumizu-kun.
— Talvez não.
Foi tudo o que consegui dizer antes de enfiar um bocado de yaki udon na boca.
— Você é do tipo que sempre tira o palito mais curto de propósito. Só seja você mesmo.
Eu não faço isso de propósito, tá?
— Eu disse coisas horríveis para a Komari ontem. Até eu me sinto mal por isso.
— Ahh, então essa foi sua culpa, Nukumizu-kun. Você realmente não entende como as garotas pensam.
Yanami pegou os hashis novamente.
— Não funciona se for unilateral. Você realmente conversou direito com a Komari-chan?
— Eu conversei com ela—
Minha mão parou no meio do caminho até o copo. Tudo o que eu fiz foi impor meus próprios sentimentos. O quanto eu realmente tentei me colocar no lugar da Komari?
— Só dizer o que você sente não conta como conversa. Você também precisa puxar os sentimentos e as palavras da outra pessoa.
— Os sentimentos da outra pessoa, né.
É exatamente aí que eu falho. Minhas habilidades sociais meia-boca acabaram ferindo a Komari. Mas usar o arrependimento como desculpa para fugir do que fiz seria covardia. Quando eu estava prestes a cair de novo em pensamentos excessivos, o sorriso de Yanami me trouxe de volta.
— Bom, não adianta pensar demais. Tenta agir mais com o coração.
— Foi justamente agir com o coração que me trouxe até aqui.
— Então você chegou ao fundo do poço uma vez. E daí? Se quer saber como sair, deixa com uma especialista como eu.
Yanami…? Mas, sendo sincero, ela mesma ainda não estava no fundo do poço…? Ainda assim, até um fio de aranha só desce quando você está no fundo do inferno.
— Certo, vou seguir seu conselho.
— Mesmo que ela te odeie ou algo assim, pense seriamente nos sentimentos da Komari-chan. Converse direito com ela. Depois disso, volte a ser o intrometido de sempre.
— Eu sendo eu, há uma boa chance de estragar tudo de novo.
Yanami sorriu, com lascas de katsuobushi ainda grudadas nos lábios, diante do prato vazio.
— Sem problemas. Eu recolho seus ossos depois.
…Algo me dizia que, da próxima vez, ela ainda garantiria que fossem devidamente cremados. Não querendo ficar atrás dela, terminei o restante do meu yaki udon com um barulho alto.
*
Fiquei olhando distraidamente pela janela do bonde. O que Yanami disse antes provavelmente estava certo. Eu me envolvi de forma superficial e, no momento em que as coisas ficaram complicadas, tentei me afastar. Achando que estava sendo atencioso com os sentimentos do outro, só para perceber tarde demais que estava errado.
Enquanto observava a paisagem da cidade, já começando a escurecer, uma única gota de chuva se espalhou no vidro. No instante seguinte, a cidade foi tomada por uma chuva forte. Eu não tinha trazido guarda-chuva. Podia correr do ponto até em casa e me molhar ou ir andando e ainda assim me molhar.
— Se é para me molhar de qualquer jeito… andar parece menos pior.
Tomando uma decisão, desci do bonde, apenas para a chuva se intensificar, como se estivesse esperando por mim. Quando eu estava prestes a começar a correr, um guarda-chuva se abriu sobre minha cabeça. Surpreso, parei, e lá estava Kaju, sorrindo. Por algum motivo, aquele brilho me fez desviar ligeiramente o olhar.
— Você veio me buscar?
— Sim. A Kaju ficou preocupada.
Aceitei o guarda-chuva que ela me ofereceu.
— Ué? Só um guarda-chuva?
— Bem, a Kaju esqueceu de trazer o dela na pressa.
Kaju deu um leve tapinha na própria cabeça. Continuava distraída como sempre. Nos juntamos sob o mesmo guarda-chuva e começamos a caminhar para casa.
— Como você sabia que eu estava nesse bonde?
— Ehehe. Amor, claro.
Deixei a piada passar e voltei o olhar para a paisagem borrada pela chuva. Um grupo de garotas do ensino fundamental, sem guarda-chuva, passou por nós, rindo enquanto corriam. Acompanhei com o olhar sem perceber, até que Kaju segurou meu rosto com as duas mãos e o virou suavemente para ela.
— Onii-sama, aconteceu alguma coisa ontem?
— Hã… por que essa pergunta de repente?
— Desde que você voltou do passeio, está meio distraído. Até a Kaju está preocupada, sabia?
Achei que estava escondendo bem, mas parece que acabei preocupando a Kaju também.
— Eu deixei alguém com raiva de mim—
…Não. Isso não estava certo. Eu machuquei alguém. Isso seria mais preciso.
Mesmo agora, num momento como esse, percebi que tentei suavizar minhas palavras — e aquela sensação familiar de culpa e vergonha voltou. Sem conseguir dizer mais nada, continuei andando. Kaju trotava ao meu lado, leve, apenas para me acompanhar. Sem perceber, meus passos tinham ficado mais largos. Quando desacelerei rapidamente, Kaju deu uma risadinha.
— Onii-sama, você realmente ama a Kaju, não é?
Hã? As palavras inesperadas me fizeram parar. Se alguém é exagerado, é ela…
— Mesmo que eu ame, é estritamente dentro dos limites de amor entre irmãos, certo?
— Sério? Quando a Kaju começou a andar, você ficava me observando de perto, preocupado se eu cairia a cada passo. Por um tempo, a Kaju achou que você era meu pai.
Parece que as coisas são meio complicadas dentro da cabeça da Kaju.
— Espera, você não tinha tipo um ano? Você lembra disso?
— Sim. Quando se trata de memórias com o onii-sama, todas são perfeitamente claras.
Ela disse aquilo como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
— Até na creche, quando a Kaju chorava, você vinha correndo imediatamente.
— Bem, eu sou seu irmão. Isso é normal.
— Exatamente. Entre o onii-sama e a Kaju, isso é o normal.
Animada, Kaju saiu andando um pouco à frente. Estendi o braço com o guarda-chuva e fui atrás.
— No ensino fundamental, muita coisa aconteceu. Mas você nunca ia brincar com amigos. Estava sempre ao lado da Kaju.
Isso porque eu não tinha amigos.
— Quando entrei no ensino fundamental 2, você ficou tão preocupado que ensinou várias coisas para a Kaju. A Kaju ainda tem aquele mapa desenhado à mão com todos os bebedouros da escola que você fez. A Kaju até plastificou.
Eu realmente dei algo assim para ela? Enquanto eu me encolhia por dentro com aquela lembrança constrangedora, Kaju segurou minha mão com cuidado.
— Onii-sama sempre se preocupa com a Kaju. Às vezes você briga com a Kaju. Mas nunca tentou impor suas opiniões à Kaju.
— Eu só queria que você fosse fiel a si mesma, só isso.
Ao ouvir isso, Kaju sorriu de forma travessa.
— Mas, sabe, a Kaju não se importaria de ser tingida com as cores do onii-sama.
— Por favor, não.
As palavras escaparam com uma risada.
— Onii-sama, você finalmente sorriu.
Kaju disse isso alegremente, com um sorriso dez vezes mais brilhante que o meu. Pensando bem, provavelmente passei o tempo todo com uma expressão sombria desde ontem. E mesmo assim, Yanami ficou ao meu lado, mesmo quando eu estava daquele jeito. Enquanto eu dava um pequeno sorriso amargo, Kaju falou suavemente:
— Onii-sama, a Kaju quer que você esteja sempre sorrindo. E o desejo da Kaju é estar ao lado do onii-sama sorridente.
— Sempre sorrindo, é? Parece meio cansativo.
— A Kaju é gananciosa, afinal. …Então, qual é o seu desejo, onii-sama?
Aquela pergunta me fez parar. Kaju me olhou seriamente.
— O meu desejo…?
— Você disse para a Kaju ser fiel a si mesma. Então, quanto à pessoa que o onii-sama machucou, o que você deseja para ela?
— Bem…
O que surgiu na minha mente foi a pequena figura de Komari se afastando no jardim botânico, como se estivesse se fechando para o mundo. Ainda acho que o que eu disse naquele momento não estava errado.
Mas o que eu escolhi foi simplesmente o caminho mais fácil para mim. O atalho que poupava esforço apenas para mim. Talvez, no fundo, eu estivesse tentando mudar a forma de pensar da Komari. Esperando que ela visse as coisas do meu jeito.
Mas isso é egoísmo. Se vai ser egoísmo de qualquer forma, então o que eu devo fazer é— Sentindo-me constrangido, desviei o rosto e cocei a ponta do nariz.
— Obrigado.
— A Kaju conseguiu ajudar, onii-sama?
— Sim. Acho que estou começando a entender o que realmente quero fazer.
— Fico feliz em ouvir isso. A Kaju espera que dê tudo certo com ela.
— Vou fazer o que puder, do meu jeito.
Em algum momento, a chuva tinha parado. Enquanto eu dobrava o guarda-chuva, uma lua brilhante surgiu entre as nuvens de chuva que começavam a se dissipar.
— Onii-sama, a lua está bonita.
Kaju murmurou suavemente e, por algum motivo, começou a andar à frente, como se estivesse fugindo.
…Espera um pouco.
— Eu cheguei a dizer que a pessoa de quem eu estava falando era uma garota?
Kaju parou imediatamente. Então se virou para mim, fez um bico e mostrou a língua de forma brincalhona.
— Intuição feminina.
*
No dia seguinte, depois das aulas. Pela primeira vez desde o fim do Festival Tsuwabuki, a reunião dos presidentes de clube recém-organizada estava prestes a começar. Eu estava no corredor em frente à sala de reunião, observando os alunos passarem ao lado de Yanami. Komari ainda não tinha aparecido.
— Então, você ainda não falou com a Komari-chan?
Yanami me lançou um olhar cansado e exasperado. Desviei o olhar.
— Essas coisas têm um timing, sabe? Tipo quando você compra uma light novel e deixa ela parada na pilha por um tempo de propósito.
— Então por que comprar em primeiro lugar?
Porque eu quero.
— Enfim, quando a Komari aparecer, vou falar direito com ela. Até trouxe uma caixa de doces como pedido de desculpas.
— Uma caixa? O que você é, um assalariado?
Espera, sério? Mas eu li na internet que um pedido de desculpas pede uma caixa de presente. Yanami espiou dentro da sacola de papel que eu segurava.
— Oh, financiers da Otsutsumi. Bom, sem problemas, eu cuido disso para você.
— Por quê? Yanami-san, para de puxar. Não abre isso.
Ela é como um cachorro grande mal treinado. Enquanto puxávamos a sacola de um lado para o outro, um par de olhos pálidos brilhou sombriamente entre nós.
— Não… façam escândalo… no corredor…
— Ah! (x2)
Com a aparição repentina da Shikiya-san, tanto Yanami quanto eu recuamos instintivamente.
— Senpai, o que você está—
Ah, claro. Ela é do conselho estudantil. Faz sentido estar aqui. Organizar a reunião dos clubes é trabalho deles.
— Desculpa incomodar, mas você viu a Komari do nosso clube? Ela deveria participar dessa reunião.
— Komari… a pequenininha…?
— Sim, ela não está acostumada com esse tipo de situação, então, se acontecer algo, eu agradeceria se você pudesse dar um apoio.
— Apoio…
Por algum motivo, Shikiya-san ficou encarando Yanami, depois assentiu lentamente.
— Assuntos… envolvimento… complicado… emocional…
Não é nada disso. Shikiya-san deu um tapinha firme no meu ombro e entrou na sala, meio cambaleante.
Ela entendeu? Não, impossível. Yanami, que estava em silêncio até então, murmurou:
— Essa pessoa é meio assustadora, né?
Você podia ao menos falar de forma mais suave. Afinal, ela é nossa senpai.
A hora de começar estava se aproximando. Os alunos que participariam da reunião entravam apressados na sala. Entre eles, avistei uma garota pequena — Komari. Corri até ela, e ela parou, surpresa.
— Espera, Komari.
— O-O quê…?
Ela apertou um maço de papéis contra o peito e olhou para mim com olhos assustados.
— Bem… eu só queria pedir desculpa pelo outro dia.
— E-Eu tenho a reunião agora. D-Depois, tá?
Deixando-me para trás, Komari entrou na sala.
— Oof, rejeitado. A Komari-chan está bem brava, hein.
Yanami deu de ombros enquanto mastigava um doce.
— Yanami-san, por que você está comendo? Você abriu a caixa?
— Calma, eu só peguei um.
— Ah, qual é, você não pode simplesmente—
De repente, a expressão assustada de Komari passou pela minha mente. Fazer ela ficar assim já não era mais questão de doces. Será que Yanami abriu a caixa e pegou um só para me passar essa mensagem…?
— O que foi? Quer chorar no meu peito?
Ainda mastigando, com migalhas no canto da boca, Yanami inclinou a cabeça e pegou outro doce. É, estou pensando demais. Enquanto discutíamos assim, a porta da sala de reunião se fechou diante de nós. A reunião dos presidentes de clube havia começado.
*
Quinze minutos depois do início da reunião. De pé ao lado da porta, eu escutava atentamente. Dava para ouvir apenas um pouco do que acontecia lá dentro. O relatório do conselho estudantil tinha acabado, e agora os clubes estavam apresentando suas atividades.
Logo seria a vez do Clube de Literatura. Enquanto eu me esforçava para ouvir, ouvi um leve farfalhar. Yanami estava com a mão dentro da sacola de doces.
— Yanami-san, sério, esse é o último. Estou falando sério.
— Eu sei. Não me faça parecer um monstro de doces.
O Clube de Handebol estava terminando seu relatório.
— A seguir, Clube de Literatura. Por favor, apresentem o relatório.
A voz que ouvi era da vice-presidente, Tiara Basori. Abri a porta só um pouquinho e espiando para dentro.
— Ei, abaixa mais a cabeça.
Yanami se apoiou nas minhas costas. Ela é quente… e pesada. Ignorando o peso, voltei minha atenção para a sala. Lá dentro, Komari estava se levantando de forma desajeitada, quase derrubando a cadeira dobrável. Ela olhou para as anotações rabiscadas na palma da mão e começou a falar com uma voz trêmula e aguda.
— E-Eu sou a p-presidente do C-Clube de Literatura, K-Koma—
…Certo, só mais um pouco. Sem perceber, fechei o punho em expectativa. Komari deu uma leve tossida e tentou pegar a garrafa de água sobre a mesa, mas deixou a tampa cair. Ela rolou pelo centro da mesa organizada em formato quadrado na sala de reunião.
Chika Komari ficou completamente imóvel. Isso é ruim. Então, Shikiya-senpai, que até então estava ali com um ar distraído, de repente falou.
— Clube de Literatura… Chika Komari… contamos com você…
Parecia uma tábua de salvação. Komari assentiu repetidamente, o rosto pálido. A vice-presidente Tiara-san lançou um rápido olhar ao relógio na parede.
— Vamos prosseguir com o relatório de atividades, então.
— A-Ah, s-sim…!
Komari pegou apressadamente o maço de papéis, mas, dominada pelo nervosismo, deixou tudo cair. O manuscrito se espalhou pelo chão. Komari congelou novamente. A voz composta de Tiara-san ecoou.
— Clube de Literatura, está tudo bem?
— E-Eu… s-sim, q-quer dizer…
— Se não há relatório, por favor, sente-se.
Ao ouvir isso, Komari começou a recolher os papéis freneticamente.
— E-Espera, eu só—
— Pedimos desculpas, mas estamos sem tempo. Próximo, Clube de Radiodifusão—
…Não consegui evitar fechar os olhos. Infelizmente, a tentativa de Komari havia terminado em fracasso. Talvez os outros presentes ficassem apenas confusos, mas era só isso. No fim, era o tipo de coisa que seria esquecida em dois ou três dias, apenas mais uma cena passageira—
Mas… para Komari, não era algo tão simples. Aquilo provavelmente ficaria com ela, permanecendo como uma lembrança dolorosa por muito tempo. Quando abri os olhos, Komari ainda estava parada ali, em silêncio. Mas eu podia sentir. Algo dentro dela estava prestes a desmoronar, como se pudesse se quebrar a qualquer momento.
Claro, podia ser apenas uma suposição minha. Mas eu odiava ver Komari daquele jeito, exposta diante de todos. Eu empurrei esse papel para ela só para não ter que fazê-lo. De uma distância segura, só pensei em não errar, em vez de pensar nela.
Desculpa, Komari. Se alguém vai cometer um erro aqui, que seja eu. No instante seguinte, escancarei a porta. Todos os olhares na sala se voltaram para mim. Sem pensar, caminhei até o centro e fiquei ao lado de Komari. Ela ergueu o olhar para mim, atônita, como se não acreditasse no que via.
Naturalmente, eu não tinha planejado nada. Então o que saiu da minha boca foi puro impulso.
— Desculpem o atraso. Sou Kazuhiko Nukumizu, presidente do Clube de Literatura.
Um silêncio confuso tomou conta da sala. Tiara-san franziu a testa e olhou para o documento em sua mão.
— Você não está listado aqui. Já enviou a documentação da mudança de liderança?
Ela me encarou com expressão severa. Mas então, a presidente do conselho estudantil, que estava em silêncio até então, falou:
— Documentação ou não, isso é um detalhe menor. Prossiga.
— Muito obrigado.
Aliviado, soltei um pequeno suspiro — apenas para, no momento seguinte, ser atingido pelo olhar de Komari.
— N-Nukumizu… o-o que você está f-fazendo aqui…?
— Por enquanto, deixa isso comigo. Me passa o relatório.
Estendi a mão, mas Komari apenas abaixou a cabeça, tremendo.
— Komari?
— V-Você está zombando de m-mim!?
De repente, Komari arremessou o roteiro na minha cara.
— Espera—
— V-Você faz ideia do q-que eu estou sentindo!?
Em seguida, ela jogou uma garrafa de água em mim e saiu correndo da sala. O ambiente ficou em silêncio. Peguei a garrafa caída e afastei a franja molhada. Se ao menos ela tivesse fechado bem a tampa…
— Você está bem?
Até mesmo Tiara-san, que antes estava rígida, agora me olhava com um leve traço de preocupação.
— Estou bem. Vou iniciar o relatório de atividades do Clube de Literatura.
Com um sorriso constrangido, peguei o roteiro encharcado.
*
A reunião dos presidentes de clube havia terminado. Eu estava sentado sozinho na sala agora vazia, completamente exausto.
— Foi uma bagunça e tanto, Nukumizu-kun.
Clack. Yanami colocou uma cadeira dobrável ao meu lado e se sentou. Então eu realmente estraguei tudo, né. Enquanto eu me curvava sobre a mesa, Yanami deu leves tapinhas nas minhas costas.
— Mas não tinha muito o que fazer, né? Aqui, pode ficar com o último.
— Por que só tem um pedaço de bolo?
Vendo que eu não pegava, Yanami começou a abrir o pacote ela mesma.
— Se você virar o vilão, o fracasso da Komari-chan meio que é apagado. Os sentimentos dela acabam sendo substituídos pela raiva de você.
Yanami segurou o bolo entre os lábios e o partiu ao meio.
— Mas acho que ainda dói para ela te transformar no vilão. Toma, guardei metade para você.
Dizendo isso, ela colocou o pedaço restante na minha mão. Por que ela acabou de me dar algo que já tinha mordido? Yanami olhou para minha expressão travada, divertida.
— Nukumizu-kun, não precisa ficar sem graça só porque eu já dei uma mordida, tá?
Ugh… não, tipo, eu só não quero comer o resto dos outros. Ah, pensar nisso tudo é um saco. Joguei o doce na boca.
— Enfim, vou atrás da Komari. Para onde ela foi?
— Ela saiu correndo. Eu perdi ela de vista.
— Entendi. Então vamos começar procurando nos lugares que vêm à cabeça—
— Espera, Nukumizu-kun. A gente não vai se separar? Você vai comigo?
— É que… eu não sei muito bem o que dizer para a Komari se eu for sozinho. Quer dizer… — Yanami me lançou um olhar vazio e silencioso. — Hm… eu só fiquei com medo, tá? Vou me esforçar.
Desviando o olhar, me levantei decidido.
*
O sol já tinha se posto, e a noite rapidamente apagava os vestígios do entardecer. Ao sair do prédio oeste, olhei para o céu onde a lua pairava. A sala do clube, a sala de aula da Komari, a biblioteca, os bebedouros… Eu já tinha procurado por tudo, mas não havia sinal dela.
A bicicleta dela ainda estava ali, então ela devia estar em algum lugar do campus. Isso deixava—
— O banheiro feminino, né.
É… isso é um problema. Mas, ao mesmo tempo, talvez seja hora de ultrapassar meus limites… Enquanto hesitava, inquieto, um rapaz alto virou a esquina do prédio. Presidente—não, agora devo chamá-lo de Tamaki-senpai. Ele levantou a mão e veio correndo até mim.
— Senpai. É que, na verdade—
Tamaki-senpai assentiu em silêncio, como se dissesse que não precisava explicar.
— Ouvi da Yanami-san. Koto e Yakishio-san também estão procurando, então não precisa se preocupar.
— Ah… certo…
Sem conseguir encarar seu olhar, abaixei a cabeça, e ele deu um leve soco no meu peito.
— Valeu. Você foi bem.
Eu… fui bem? Aquilo? Sério? Talvez fosse só educação, mas, de alguma forma, o turbilhão de emoções dentro de mim pareceu se acalmar um pouco com aquelas palavras.
— Vou continuar procurando a Komari mais um pouco.
— Certo. Vou checar outros lugares que pensei.
Depois de me despedir de Tamaki-senpai, segui pela parte externa do prédio oeste. E além dali, o prédio antigo se erguia na penumbra. Por que eu esqueci desse lugar? Talvez eu estivesse evitando inconscientemente, por medo de encarar a Komari. Respirei fundo e comecei a caminhar em direção à escada de emergência do prédio antigo.
*
Tudo começou quando Yanami me chamou aqui para comer um dos bentôs que ela mesma fez. Depois disso, comecei a vir para cá sempre que queria ficar sozinho, e, antes que percebesse, Komari também começou a aparecer.
Pensando agora, por que ela sempre vinha para o mesmo andar que eu, mesmo reclamando…? Ao pisar na escada de emergência, a luz fluorescente acendeu com um leve clique. Na sombra ao lado do prédio antigo, apenas aquela luz fraca se destacava. Comecei a subir os degraus, devagar, um por um.
— Então você está aqui…
Komari estava parada no patamar do segundo andar. Sua pequena figura parecia solitária sob a luz fria do fluorescente.
— P-Por que você veio aqui…?
— Eu queria falar com você, Komari.
Tentei me aproximar, mas parei. Havia algo como uma parede invisível entre nós, uma distância que eu não conseguia atravessar.
— Komari, sobre mais cedo—
— P-Por que você… f-fez aquilo?
A voz dela era baixa, quase rastejando pelo chão, o rosto ainda voltado para baixo.
— Desculpa. Eu sabia que podia parecer intromissão, mas eu só…
— É intromissão!
Komari levantou a cabeça e fechou a distância que eu não consegui dar o passo.
— P-Por quê!? E-Eu consigo fazer as c-coisas sozinha! E-Eu preciso mostrar que consigo!
O rosto dela empalideceu, e ela cambaleou ao puxar o ar profundamente.
— P-Por que tem que ser sempre você—
A voz falhou, as palavras ficaram presas na garganta. Komari tirou o celular. Respirando com dificuldade, começou a digitar com intensidade, como se estivesse completamente focada naquilo. Plim. Um som leve de notificação ecoou do meu celular, totalmente deslocado daquele momento.
Quando olhei para a tela, havia uma nova mensagem no LINE. Uma mensagem da Komari, que estava bem na minha frente. Sem conseguir esconder a confusão, abri o aplicativo.
"Desde que entrei no Clube de Literatura em abril, eu fui a única aluna do primeiro ano o tempo todo."
Komari segurava o celular com mãos trêmulas, os olhos cheios de lágrimas enquanto seus dedos batiam na tela. As palavras fluíam para a conversa como uma corrente, rápidas e incessantes.
"Éramos só três no clube, e não tinha ninguém do segundo ano. Eu nunca sei quando o clube pode acabar. Mesmo que agora seja divertido, todos os dias eu tenho medo de que, quando os veteranos se formarem, eu fique sozinha."
Komari não estava usando o celular para fugir. Ela escolheu expressar seus sentimentos por texto, me enfrentando de frente.
"Você só começou a vir ao clube porque eu pedi, não foi? Tem quatro alunos do primeiro ano, mas os outros têm outros lugares onde pertencem, então eu nunca sei quando podem ir embora!"
O que aparecia na tela era mais honesto do que qualquer coisa dita em voz alta — puro, cru, completamente Komari.
"Eu só tenho o Clube de Literatura! Os veteranos vão sair, então eu tenho que proteger isso sozinha!"
E essa garota só mostrava esse lado mais ríspido comigo. Ela sempre parecia irritada, mas quando estava ansiosa, puxava a barra da minha camisa. Ela comia pão barato no almoço, lia meus romances e sempre me dava opiniões—
"Eu preciso aprender a fazer tudo sozinha, para ficar bem mesmo estando sozinha!"
…E, às vezes, ela me mostrava os sorrisos mais sinceros e brilhantes. Ela era pequena, sempre ansiosa, mas ainda assim se esforçava ao máximo.
"Eu sou ruim com pessoas, não tenho amigos, sou inútil em tudo e sempre tive medo. Mas finalmente encontrei um lugar onde pertenço."
Os dedos de Komari pararam. Entre seus lábios secos, uma voz quase inaudível escapou.
— V-Você vai embora mesmo assim… e-então… não seja mais gentil do que isso…
Eu sou um idiota. Eu a entendi errado. Achei que Komari fosse como eu. Que ela ficava bem sozinha. Que até preferia isso. Mas Komari era diferente. Ficar sozinha a deixava solitária. Ela queria estar com alguém. E quando não podia estar com outras pessoas, aquilo doía profundamente. Ela era apenas uma garota comum, com sentimentos comuns.
Segurando o celular com as duas mãos, os ombros pequenos tremendo como se estivesse com frio — esse era o tipo de garota comum que ela era. Abri a boca, mas repensei, e comecei a digitar. As palavras que eu deveria devolver para Komari não eram para serem ditas em voz alta.
Quando minha resposta apareceu na conversa, Komari enxugou as lágrimas com a manga e olhou para a tela. Ela ficou parada por um tempo, depois levantou o rosto lentamente, com cautela.
— E-Eu… o que isso quer dizer…?
…Hã? Isso que eu quero perguntar. É tão difícil de entender assim? Parece que vou ter que explicar. Limpei a garganta e me virei para Komari.
— Quer dizer… eu meio que gosto de você—
— F-Fueh!?
Que tipo de reação é essa? Ela é personagem de anime?
— Do seu romance, quero dizer. Eu gosto muito dele, Komari.
— M-Meu romance…?
A boca de Komari se abriu levemente, como se a tensão tivesse se dissipado.
— Sim. Eu não sou muito bom escrevendo, e sem você o Clube de Literatura não funciona. Você é quem escreve. Eu posso não ser confiável, mas vou te apoiar. Por isso, Komari—
Lembrei das palavras que ela tinha me enviado.
— Não diga mais que vai ficar sozinha.
Um longo silêncio se seguiu. Ainda olhando para baixo, Komari abraçou o celular contra o peito com as duas mãos.
— S-Sério…?
— Hã?
— S-Sobre o que você disse antes…
Nesse momento, passos leves e rápidos ecoaram subindo pelas escadas. Alguém estava vindo — foi tudo o que pensei, antes de um vulto bronzeado passar pelo canto da minha visão.
— Não intimida a Komari-chan!
— Hã!?
Não tive tempo de reagir. Uma figura surgiu do nada e passou o braço pelo meu pescoço por trás, me prendendo num mata-leão. Meu corpo reconheceu o golpe na hora—
— Y-Yakishio! E-Eu não c-consigo—
— Estou decepcionada com você, Nukkun, intimidando a Komari-chan!
Tentei me soltar, mas o aperto de Yakishio não cedeu nem um centímetro. Isso é ruim. Não consigo respirar. Justo quando eu já me preparava mentalmente para morrer, Komari correu até nós, desesperada.
— N-Não! E-Eu não estou sendo intimidada.
— Hã, não está?
Aproveitando o momento em que Yakishio afrouxou o braço, consegui me desvencilhar.
— V-Você… eu realmente achei que ia morrer dessa vez.
— Bem, eu ouvi dizer que vocês dois estavam brigando, e depois vi a conversa de vocês no LINE e achei que você devia ter feito alguma coisa com a Komari-chan.
Que mal-entendido completo. Espera. O que a Yakishio acabou de dizer? Logo em seguida, Yanami apareceu no topo da escada, ofegante.
— Lemon-chan… pelo menos escuta a história toda primeiro…
Cambaleando, Yanami se apoiou em Yakishio.
— Desculpa, desculpa. Eu ouvi vocês conversando e não consegui ficar parada.
— Espera aí. Você está dizendo que sabia da nossa conversa por mensagem?
Yakishio inclinou a cabeça, confusa, e mostrou a tela do celular.
— Ué, vocês estavam conversando o tempo todo no grupo do Clube de Literatura.
— Fueh!?
A voz de Komari ecoou pelo local. Ela começou a mexer no celular em pânico, e Yakishio a puxou para um abraço apertado.
— Komari-chan, você estava ansiosa esse tempo todo, né? Está tudo bem. Você não vai ficar sozinha. Nós ainda somos amigas, agora e sempre!
— Ueh, e-espera, e-eu não consigo respirar…
Observando Komari se debatendo nos braços de Yakishio, senti como se um peso tivesse saído dos meus ombros.
— Parece que vocês conseguiram se entender.
Yanami parou ao meu lado, ajeitando o cabelo bagunçado enquanto falava.
— Mais ou menos. Não sei se a Komari ficou totalmente convencida, mas acho que dissemos o que precisávamos.
Komari não estava ali por causa do Clube de Literatura. Os veteranos queriam preservar o clube para ela, e esse desejo tinha sido confiado a mim. E, mesmo assim, só para expressar algo tão simples, acabamos causando toda essa confusão. Mas, de certa forma, talvez isso seja bem a nossa cara.
— Viu? Igual eu disse. Se você levasse a Komari-chan a sério, suas palavras chegariam até ela.
…Ela chegou a dizer isso mesmo?
— Bom, detalhes à parte, obrigado, Yanami-san.
Quando agradeci sinceramente, Yanami piscou surpresa e depois sorriu de forma calorosa.
— De nada. Consultora carismática Yanami-chan, missão cumprida.
…Mesmo dizendo para a Komari que ela não estava sozinha, eu tinha esquecido completamente delas até agora. Yakishio e Yanami também eram membros legítimos do Clube de Literatura. Claro, um dia vamos nos afastar. Mas isso vale para qualquer relação. Até o ensino médio acaba um dia.
Continuamos nos apegando e nos despedindo dessas conexões passageiras, e embora isso seja solitário, não é só tristeza. Acho que é assim que as coisas são—
Meus pensamentos sentimentais foram interrompidos quando Yanami enfiou o celular na minha cara.
— Hã? O quê…?
— Eu li suas mensagens, sabia? Você não pode deixar tudo nas costas da Komari-chan. Faz a sua parte e fala alguma coisa também.
— Eu respondi. Isso já deveria bastar.
— Ah é? Então a conversa continuou depois disso. Deixa eu ver.
Yanami olhou a tela casualmente… e congelou.
— Espera. Nukumizu-kun, o que você escreveu?
— O quê? O que foi?
— Espera, não tem como você sair dessa com conversa! Foi isso que você quis dizer!?
Yanami empurrou o celular na minha direção. Na tela do grupo estava a mensagem que eu tinha enviado.
"Eu sempre vou estar com você."
…Hã? Eu não falei nada estranho, falei?
— Quer dizer, eu pretendo continuar no Clube de Literatura. Só significa que não vou sair…
— Ahh, então você é naturalmente cabeça de vento, né, Nukumizu-kun?
Yanami olhou para o teto com uma expressão cansada.
— Eu realmente não entendo. Eu assediei alguém sem querer? Isso virou um caso de #MeToo?
— Sério, é por isso que eu não gosto desse seu lado, Nukumizu-kun.
Dando de ombros, Yanami se colocou entre Komari e Yakishio, que ainda estavam abraçadas.
— Ei, Komari-chan, você ouviu o que o Nukumizu-kun disse agora, né?
— I-Infelizmente, o novo p-presidente é desse tipo mesmo…
— Agora que o Nukkun é o presidente, ele precisa se recompor.
Ah… três contra um é injusto demais. Eu nem ganharia um contra um. Espera… o que foi que elas disseram sobre mim? Levantei a mão com hesitação.
— É… sobre esse negócio de presidente. Vocês têm certeza de que eu sou a pessoa certa para isso?
As três trocaram olhares… e de repente começaram a rir. O que deu nelas? Isso é o poder da maioria? Komari saiu do grupo e deu um passo na minha direção.
— N-Nukumizu. Já que você disse isso, v-você tem que assumir a responsabilidade.
— Hã… então isso quer dizer…
Espiando por trás da franja, Komari ergueu o rosto e me olhou com um sorriso tímido.
— Agora você não pode fugir, entendeu? Estamos contando com você… presidente.
📖✨ Este capítulo foi traduzido por Slag e revisado por Shisui
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