Volume 1
Capítulo 2: Uma Derrota Prometida para Você, Lemon Yakishio
O CORO DAS CIGARRAS caía implacavelmente.
O segundo período do dia seguinte era Educação Física sob o sol escaldante do verão. Depois de terminar a aula e empurrar o último obstáculo de volta para o depósito de equipamentos, limpei o suor que escorria pelo meu rosto.
Já penso nisso há um tempo: a regra de que os alunos cujo número de chamada coincide com a data têm que fazer a limpeza é vantajosa demais para os números 30 e 31.
— Isso é tão injusto.
Resmungando, sacudi a poeira das mãos. Certo, preciso me trocar logo. Ser o único que sobra, tirando o short de forma constrangedora depois que todo mundo já terminou, não é como quero passar meu intervalo—
Clack. O som da porta do depósito batendo. O lugar foi mergulhado numa penumbra.
…Espera, eu fui trancado aqui dentro? Isso é bullying? Estão mesmo fazendo bullying comigo?
Em pânico, me virei. Parada ali no depósito mal iluminado, com uma expressão quase tímida, estava Lemon Yakishio. O uniforme de ginástica encharcado de suor grudado ao corpo dela tornava ainda mais visíveis as linhas definidas da sua silhueta.
— Yakishio-san?
A cena diante de mim parecia saída de um anime, e não consegui evitar prender a respiração. Com os olhos baixos e o cabelo colado à bochecha, Yakishio o afastou e deu um passo em minha direção.
— Ei, Nukumizu. Preciso falar com você por um segundo.
— Ok…?
Normalmente, esse seria o tipo de momento em que você esperaria algo dramático — ou talvez até romântico. Mas, infelizmente, não sou ingênuo o bastante para cair nessa. Em termos de comédia romântica, simplesmente não há desenvolvimento suficiente entre mim e Yakishio para que algum tipo de evento no depósito da quadra aconteça.
— Ei, o que aconteceu com aquilo que a gente conversou?
— Hã, que coisa?
Ou seja, isso não é nada relacionado ao amor. Só estou pensando demais. Sabendo disso, não há motivo para ficar nervoso.
— Sabe, sobre o Mitsuki pegar aqueles livros emprestados do Clube de Literatura. Ele já veio buscar?
Ah, aquilo. Não. Eu nem disse ao Ayano que ele pode pegar. Yakishio juntou as mãos atrás das costas e, com um sorriso tímido, começou a bater a ponta do sapato no chão.
— Se você quiser… eu posso, tipo, entregar pra ele ou algo assim.
— É uma coleção inteira, então carregar tudo de uma vez vai ser um saco. Seria melhor se ele viesse buscar pessoalmente—
Vendo Yakishio se remexendo como se quisesse dizer algo, até eu finalmente entendi.
— Então que tal você avisar ele por mim? Diga que eu dei o sinal verde, assim ele pode passar lá a qualquer hora.
— Entendi! Deixa comigo! Vou garantir que ele saiba!
No depósito mal iluminado da quadra, o sorriso radiante de Yakishio praticamente iluminou o espaço. A forma como a luz que entrava refletia nas partículas de poeira fazia parecer que elas brilhavam ao redor dela, dando um tipo de aura mágica.
— Ok, vou dizer pra ele passar lá depois da aula hoje!
— Espera um segundo, hipoteticamente falando…
— O quê?
Yakishio inclinou a cabeça, o sorriso nem diminuindo. A gente se conhece desde o ensino fundamental, então sinto que devo a ela um pequeno conselho.
— E se, por exemplo, ele vier num dia em que você não tem treino do clube?
Isso mesmo. Se eu conduzisse a situação direitinho, ela poderia acabar indo junto com ele até a sala do clube. Dependendo de como as coisas se desenrolassem, eu poderia até deixar os dois sozinhos lá por algumas horas—
— Meu treino? O que isso tem a ver?
Yakishio piscou seus olhos grandes e redondos, inclinando a cabeça com uma confusão genuína.
— Tipo, talvez nesse dia você pudesse passar casualmente no Clube de Literatura para fazer uma visita? Acho que ninguém se importaria, Yakishio-san.
Se eu deixar isso tão claro assim, com certeza ela vai entender o que quero dizer.
— Uma visita… eu?
Espera, segura. Você entendeu, né?
— Quer dizer, se você só passar o recado pro Ayano, sua participação acaba aí, certo? Mas se for num dia em que seu clube não tem treino, você pode ir junto com ele. Mesmo que não consiga convidá-lo naturalmente, pode usar isso como desculpa para visitar a sala do clube. Ainda assim, você vai encontrá-lo lá.
Yakishio arregalou ainda mais os olhos já redondos, então bateu as mãos como se tivesse tido uma revelação.
— Ahhh, entendi! Nukumizu, você é mais esperto do que eu pensei!
O rosto dela se iluminou com um sorriso brilhante, e ela me deu um tapão no ombro. Ai.
— Nukumizu, você é até que um cara bem legal. Acho que eu te julguei errado!
Essa turma está absolutamente cheia de mal-entendidos sobre mim.
— Mas, tipo, não vai entender errado, ok?! Quer dizer, não é assim entre o Mitsuki e eu! Somos só amigos—
— Agora? Vai dizer isso agora? Não está um pouco tarde pra isso?
Até mesmo a animada Yakishio, do tipo abelha-rainha que reina no topo da hierarquia social, ainda é só uma criança quando se trata de romance. Fazendo bico para esconder o constrangimento, Yakishio projetou os lábios.
— Enfim, está quente aqui! Vamos sair logo daqui. Até quando vamos ficar aqui?
Ela abanou a gola do uniforme de ginástica para se refrescar enquanto falava. Como se tivesse sido eu quem decidiu ficar aqui. Yakishio alcançou a porta.
— Hã? Que estranho…
— O que foi?
Tentamos abrir a porta juntos, mas ela não se mexia. Yakishio se virou para mim, parecendo confusa.
— Hum, talvez a porta esteja trancada por fora ou algo assim?
— O quê?! Ei! Alguém! Ainda estamos aqui!
— Nukumizu! Não grita assim!
Yakishio de repente envolveu meu pescoço com o braço num aperto forte, me puxando para trás. O braço dela estava escorregadio de suor, e algo macio pressionou minhas costas—
Não, espera. Isso não é importante. O mais urgente é o quão desconfortavelmente pegajoso o suor dela está. Como ela está suando tanto assim?
— Eu não consigo respirar!
Tentei afastá-la, mas ela tinha muito mais força do que eu esperava. Sem chance de escapar.
— Não… consigo… respirar…
Desesperado, bati no braço dela com a mão, esperando que me soltasse.
— Ah, desculpa! Você está bem?
— Você estava tentando me matar…? Por que me impediu de pedir ajuda?
— Bem, você sabe que nossas aulas de Educação Física são juntas com a turma do Mitsuki, né?
— Então, deveríamos chamar o Ayano?
— Não! Não é isso! Se o Mitsuki me visse sozinha com um cara no depósito da quadra…
Yakishio se remexeu, torcendo os dedos nervosamente. Ela de repente parece meio fofa — mas, sério, essa não é a situação pra isso.
— Mas se não nos apressarmos, todo mundo vai voltar para a sala.
— Quando a próxima aula chegar, vão abrir a porta. É só esperar um pouco.
— Aí todo mundo vai saber que ficamos presos aqui juntos.
— Bem, hã, talvez você pudesse se vestir como uma garota ou algo assim…?
— Não seria mais rápido se você se vestisse como um garoto, Yakishio-san?
Essa conversa não está levando a lugar nenhum. Enquanto isso, parece que todo mundo já foi embora. O único som agora é o canto implacável das cigarras lá fora. Yakishio agarrou o batente da janela perto do teto e se ergueu com facilidade para olhar para fora.
— Hã? Por que ninguém está vindo?
— Yakishio-san, será que a próxima aula de Educação Física… é na piscina?
— O quê?
O sinal do próximo período tocou.
— Espera, então por que não estávamos na piscina?
— O professor disse que a piscina estava reservada para o torneio de natação do segundo ano até o segundo período.
— Ahhh, verdade! Então no terceiro período volta pra piscina. Não é de se admirar que não tenha ninguém no campo…
As cigarras continuavam a zumbir, seu canto ficando ainda mais alto no silêncio.
— Ei! Ainda estamos aqui! Alguém!
— Socorro! Estamos presos aqui!
Depois de um tempo gritando por ajuda, nós dois desabamos no chão, exaustos. A previsão do tempo desta manhã dizia que a máxima de hoje chegaria aos 35 graus — o primeiro dia oficialmente escaldante do verão.
A temperatura no depósito continua subindo implacavelmente. Meu suor, que antes escorria livremente, começou a diminuir. Não é que eu tenha me acostumado com o calor — parece mais que estou ficando sem suor.
— Isso não é bom. Quando você acha que a ajuda vai chegar?
— O time de atletismo provavelmente vem por aqui na hora do almoço…
Uau. Está literalmente se formando uma poça ao redor de Yakishio de tanto que ela está suando. O metabolismo dela deve estar a mil.
— Ei, Yakishio-san, você está bem?
— Estou bem. Afinal, sou mais uma impala do que uma gazela-de-thomson.
— Uau, então Yakishio-san é uma impala, hein.
…Do que ela está falando?
— Sim, então correr de quatro é mais rápido, sabe? O que significa que jogar água funciona com hienas-malhadas…
— Espera, ei.
Isso é ruim. Ela definitivamente não está bem. Preciso fazer alguma coisa. Olhando ao redor, percebo que as janelas ficam perto do teto, com grades de segurança. Fugir por ali não vai rolar.
Certo, então. Algo que faça um barulho alto. Talvez haja um megafone ou um apito aqui… Enquanto revirava as prateleiras, puxei uma bolsa esportiva empoeirada do fundo. Ao abri-la, encontrei algumas roupas femininas e toalhas misturadas com uma garrafa de água velha e meio vazia.
Por um segundo, tive esperança — mas o conteúdo da garrafa estava coberto por uma grossa camada de mofo. Que nojo. Desisti e coloquei a bolsa de volta, só para encontrar uma lata de spray refrescante no fundo.
— Yakishio-san! Olha! Spray refrescante!
Yakishio, que estava encarando o vazio, se animou ao vê-lo.
— Nukkun, seu gênio! Rápido, borrifa em mim!
…Nukkun? Ela está me chamando assim agora?
Yakishio virou de costas para mim, tirando o uniforme de ginástica encharcado de suor num único movimento. Ela está usando um top esportivo, mas suas costas pálidas e brilhantes se destacam na luz fraca do depósito.
— Ei! Espera um segundo!
— Rápido!
Nunca imaginei que chegaria o dia em que uma garota estaria implorando por algo assim. Tremendo levemente, borrifei a névoa refrescante nas costas dela. Ela soltou um som entre um suspiro e um gemido.
— Agora na frente!
Ela se virou para mim. Espera, segura — isso não é demais? A barriga dela está totalmente exposta, e essas marcas de bronzeado são… distrativas. Enquanto eu borrifava, os músculos do abdômen dela se contraíram, e ela fez outro som estranho. Olha, juro, qualquer um se sentiria meio estranho nessa situação. A culpa não é minha.
— Está se sentindo melhor agora?
— Um pouco… começando a esfriar…
Ela murmurou, desabando no chão com uma expressão de alívio.
— Espera, espera, espera! Para! Não tira isso!
— Qual é o problema? Nós duas somos garotas, não somos, Nukkun? Estou toda pegajosa de suor — só me dá uma toalha logo.

Hã!? Ela acha que isso aqui é o vestiário ou o quê!? Ela perdeu completamente a noção. Mantendo o olhar firmemente desviado, peguei uma toalha da bolsa e entreguei a ela bem quando estava prestes a tirar o top.
— V-Vista suas roupas de volta quando terminar de se enxugar!
— Hã, espera. Essa é a bolsa velha que eu perdi há séculos. Então ela esteve aqui o tempo todo.
Ainda se secando, Yakishio espiou dentro da bolsa esportiva.
— Ei! Yakishio-san! Roupas! Vista suas roupas!
— Ah, ainda tem uma bebida aqui!
Espera, bebida? Não me diga que é aquela garrafa.
Olhei para ela de canto de olho e, como esperado, ela estava prestes a encostar os lábios na garrafa de água mofada e nojenta.
— Ei! Você não pode beber isso!
— Ei, Nukkun! O que você está fazendo?!
Ela avançou sobre mim, tentando arrancar a garrafa de volta.
— Ei! Eu não estou olhando! Juro que não estou olhando!
— É minha!
Ei, tem algo macio pressionando contra mim! Tem mesmo algo macio me pressionando agora—
— Ei, tem alguém aí dentro?
Uma voz familiar cortou o caos. É nossa professora regente, Konami Amanatsu.
— Sensei! Estamos aqui! Por favor, abra a porta rápido!
A porta tremeu e então se abriu com um estrondo. Finalmente, liberdade. Amanatsu-sensei olhou para dentro, sua expressão congelando enquanto seu queixo caía.
— O que diabos vocês dois estão fazendo?
…Na verdade, talvez não tenhamos sido salvos afinal. Yakishio, ainda meio despida, estava me imobilizando no chão. É uma cena que não está apenas "no limite", mas claramente já o ultrapassou.
— Bem, eu volto quando vocês terminarem.
— Não feche a porta! Não feche! Sensei, me ajuda aqui!
— Sabe, na minha época éramos um pouco mais abertos com esse tipo de coisa, mas nem nós—
— Sensei, eu não preciso dos seus comentários! Só faça alguma coisa!
Consegui empurrar Yakishio para longe de mim, e ela caiu no chão, completamente sem energia. Deixe-me dizer isso bem alto e claro mais uma vez. Eu não vi nada.
*
A solução de reidratação oral, uma mistura de sal e glicose dissolvidos em água, é usada para tratamento emergencial de desidratação. A enfermaria da nossa escola sempre mantém um estoque.
— Ufa, o OS-1 é absurdamente gostoso…
— É, desce bem mesmo…
Até idiotas como nós recebemos isso generosamente. Amanatsu-sensei cruzou os braços, olhando para nós com uma expressão de exasperação.
— Vocês dois podem pular o resto das aulas e descansar na enfermaria. E você, garoto, vou avisar sua professora. Qual é a sua turma e nome?
— Sou o Nukumizu da sua turma, sensei.
Já desisti de esperar que ela se lembre de mim.
— Sério? Ah, bom. Konuki-chan, deixo o resto com você.
Quem tomou o lugar dela diante de nós foi a enfermeira da escola, Konuki-sensei. Sempre achei que a ideia de enfermeiras jovens e atraentes fosse só uma lenda urbana, mas Konuki-sensei destruiu essa suposição. Ela cruzou suas longas e esguias pernas com um movimento fluido, irradiando uma aura que só pode ser descrita como perigosamente charmosa. Seu sorriso travesso fez meu coração dar um salto.
— Como vocês dois estão se sentindo?
— Hã, e-estamos bem agora. Obrigado.
Não consegui evitar tropeçar nas palavras. Por que Konuki-sensei é desnecessariamente sedutora?
— Sensei, posso repetir?
Yakishio, tão aérea como sempre, estendeu sua garrafa vazia para Konuki-sensei.
— Claro. Aqui está. Beba devagar.
— Yay!
Com um sorriso infantil, Yakishio começou animadamente sua segunda garrafa de OS-1. De repente, a expressão de Konuki-sensei ficou séria.
— Insolação não é brincadeira. É algo que ameaça a vida e pode deixar sequelas permanentes.
— Sim, desculpa.
— Está tudo bem. Quando se é jovem, essas coisas acontecem. Às vezes, quanto mais algo arde, mais difícil é parar… e as restrições só tornam tudo mais intenso, não é?
— Desculpa, o quê? O que quer dizer com isso?
— Ara, ara, não precisa que eu explique.
Ela colocou suavemente o dedo indicador sobre meus lábios, sorrindo de forma divertida.
— Seja lá o que vocês estavam fazendo… ficará como nosso pequeno segredo, ok?
Parece que ela entendeu completamente errado a situação. Explicar só daria trabalho, então decidi mudar de assunto.
— Hã, Konuki-sensei, você é próxima da Amanatsu-sensei?
— Sim. Na verdade, fomos colegas aqui nesta escola.
— Então você é nossa veterana. Como a Amanatsu-sensei era como aluna?
— Provavelmente é difícil de imaginar, mas ela era meio desastrada e impulsiva.
…Não, eu consigo imaginar perfeitamente.
— Nós vínhamos a esta enfermaria juntas o tempo todo. Principalmente porque ela sempre estava tropeçando em alguma coisa.
Konuki-sensei riu suavemente, como se recordasse memórias queridas dos tempos de escola.
— Nunca pensei que acabaria trabalhando nesta escola, nesta mesma sala.
Disse Konuki-sensei, cruzando as pernas cobertas por meias enquanto olhava nostalgicamente para o teto.
— Sensei, tem alguma coisa no teto?
— As manchas… são exatamente as mesmas de antigamente.
— Você lembra de algo assim?
O que é isso, alguma história sobre ela ser doente e viver deitada na enfermaria? Aí cresce, vira enfermeira e volta para trabalhar aqui? Seria uma história legal.
— Bem, é só natural. Daquela… posição… o teto está sempre à vista.
…Correção: essa pessoa definitivamente é maluca.
— Agora, quando terminarem de beber, vão deitar em uma das camas por um tempo.
Ela disse, puxando a cortina que separava as camas. Konuki-sensei ajudou a sonolenta Yakishio a subir em uma das camas e então pegou a garrafa vazia da minha mão.
— Certo, você também descanse. Provavelmente está mais cansado do que imagina.
— Obrigado. Vou tirar um cochilo.
Deitei-me na cama e meus olhos foram atraídos para as mesmas manchas no teto que Konuki-sensei havia mencionado. Por algum motivo, a imagem dela com nosso uniforme escolar passou pela minha mente. Afastando o pensamento, puxei o cobertor sobre a cabeça.
…Sensei, sério, eu não preciso desse tipo de informação.
*
Quando o eco do sinal desapareceu, virei-me em um torpor meio adormecido. Há quanto tempo estou apagado? Pelo burburinho fraco vindo do corredor, provavelmente já é hora do almoço. Por uma fresta na cortina, consigo ver Yakishio dormindo profundamente. A camisa dela subiu, expondo sua barriga. Fico pensando se ela não vai pegar um resfriado, mas entrar para puxar o cobertor sobre ela parece… inadequado.
— Ahh, não estou com vontade de almoçar hoje.
E assim que as palavras saíram da minha boca, percebi que eram verdadeiras. É, almoçar parece esforço demais. Eu nem estava com muito apetite, então decidi só ficar ali até o intervalo acabar.
Enquanto aproveitava a textura macia dos lençóis contra minha bochecha, Konuki-sensei abriu a cortina com entusiasmo.
— Nukumizu-kun, você tem visita.
Atrás de Konuki-sensei estava Yanami, acenando alegremente para mim.
— Hã? Yanami-san? Por que você está aqui?
— Ouvi dizer que você e a Lemon-chan foram levados para a enfermaria. Você está bem?
— Sim, obrigado por vir ver como estou. A Yakishio-san também parece estar dormindo bem.
Disse enquanto me sentava na cama. Por algum motivo, Konuki-sensei estava me olhando com olhos cheios de expectativa.
— Yanami-san trouxe seu almoço, Nukumizu-kun. Ara, ara, suas mãos estão bem ocupadas, não estão?
— Hã, sensei, acho que você está entendendo algo errado.
Konuki-sensei assentiu com sabedoria, como se confirmasse suas próprias conclusões.
— Certo, entendo. Vou deixar vocês dois sozinhos. Yanami-san, você pode usar esta sala por um tempo.
— Obrigada, sensei. Vamos comer, Nukumizu-kun.
Com um sorriso alegre, Yanami me entregou uma bolsa contendo meu almoço. Konuki-sensei sorriu maliciosamente, nem tentando esconder, enquanto saía da sala.
— Tranca por dentro, então vão com calma.
Ela acrescentou enquanto a porta se fechava atrás dela. Como alguém assim virou professora…? O mesmo vale para a Amanatsu-sensei, sinceramente.
— Hm? O que é isso?
Notei algo atrás da pilha de livros na mesa de Konuki-sensei: a lente da câmera de um smartphone.
…O que está tentando gravar? Rapidamente me inclinei e interrompi a gravação de vídeo.
— Nukumizu-kun, o que foi?
— Nada. Certo, vamos comer.
Yanami e eu nos sentamos um de frente para o outro, e ela tirou um grande recipiente plástico. Parece que ela desistiu de tentar colocar nossas porções em uma marmita comum. Dentro havia um grande e fofo monte amarelo.
— Omurice?
— Isso! Estou bem confiante nesse. Consegui enrolar perfeitamente também.
Ela enfiou a colher no centro do omelete e começou a cortá-lo em pedaços.
…Então, como vamos comer isso? Com certeza ela não quer que a gente reveze comendo do mesmo recipiente. Não, né? Enquanto eu hesitava, Yanami me entregou um pequeno prato branco.
— Peguei emprestado da sala de economia doméstica. Aqui, segura o prato.
Sem muito cuidado, ela virou o conteúdo do recipiente sobre o prato, onde caiu de forma meio desleixada. Ela não podia ter feito isso com mais cuidado?
— Certo, mãos juntas. Vamos comer.
— Ah, sim. Vamos comer.
Faz séculos desde a última vez que comi omurice. Ao dar minha primeira mordida, um sabor familiar encheu minha boca. Ah, é, é exatamente assim que omurice deve ter gosto.
— Está bom, né? Então, quanto você pagaria por isso?
— Deixa eu ver… 400 ienes…?
— 400 ienes? Nada mal.
Yanami assentiu para si mesma, colher na mão, como se tivesse chegado a uma grande conclusão.
— Isso é o que chamam de "sontaku", né?
Yanami disse algo irritante de repente.
— Hã, o que isso significa?
— Sabe, consideração implícita. Dar um preço baixo parece desrespeitoso com quem fez, então você se segura. Mas ao mesmo tempo, não quer parecer pão-duro, então seu orgulho entra no caminho. Por outro lado, dar um preço alto parece que você está sendo enganado, o que você não consegue justificar para si mesmo.
Ela não está errada.
— E assim, o meio-termo de 400 ienes… estou errada? Hein? Estou?
Você não está errada. Mas deixe-me lembrar: estou sendo considerado com você aqui.
— Nukumizu-kun, me diga: esses 400 ienes… foi mesmo o valor que você quis dar?
Certo então. Vou entrar na sua encenação apaixonada.
— Ok, então. Não vou me segurar. 300—
— Não, não, não! Não desse jeito!
Espera, como isso está errado nesse contexto?
— Nossa, você me assustou. É por isso que não gosto desse seu lado, Nukumizu-kun.
O que quer dizer, Yanami-san?
— Não se preocupe, vou quebrar essa barreira dos 400 ienes por você.
Bang! Yanami dramaticamente tirou uma garrafa térmica.
— Ah, entendi. Você quer aumentar o valor com sopa.
Mas só porque tem sopa não significa que o valor aumente automaticamente. Na indústria alimentícia atual, sopa grátis no almoço é praticamente padrão. Yanami abriu a tampa da térmica e despejou seu conteúdo sobre o omurice.
— Quando foi que eu disse que isso era sopa?
— Espera, isso é… molho branco?
Então é por isso que ela não colocou ketchup no omurice. Embora eu prefira ketchup, o toque extra de molho branco adiciona sofisticação.
— 450—
Não, espera. Conhecendo ela, provavelmente está planejando colocar ainda mais coisas para inflar o preço. Não posso tirar conclusões ainda.
— Hã? Você disse algo agora?
Boa tentativa. Não vou cair nessa.
— O que é isso? Está incrível!
— Hehe… usei um molho branco especial do Imperial Hotel, um presente de fim de ano que estava parado sem uso. Agora me diga, quanto você pagaria por esse sabor? O sabor do Imperial Hotel!
…Droga, fui encurralado.
— 5-500 ienes.
— 500 ienes, vendido!
Yanami sorriu de canto. Fui completamente manipulado.
— Nossa, vocês parecem estar se divertindo por aqui.
Bocejando, Yakishio surgiu de trás da cortina.
— Ah, Lemon-chan! Bom dia! Está se sentindo melhor?
— Sim, totalmente bem. Só precisava descansar, agora estou como nova.
— Yakishio-san, que bom ver que você está bem. Por um momento, eu realmente fiquei preocupado—
Minha mente voltou ao estado quase sem roupas dela no depósito da quadra. Meus pensamentos se embaralharam, me deixando nervoso.
— Ei, Nukkun. Não lembro muito bem do que aconteceu depois de certo ponto. Como as coisas terminaram?
— Hã, b-bem! Amanatsu-sensei veio nos resgatar!
— Ah, não lembro disso. Então a Amanatsu-sensei também me ajudou a trocar de roupa?
Ela puxou a gola do uniforme de ginástica enquanto falava, e por um breve momento, a imagem de sua pele pálida voltou à minha mente.
— Sim! A Amanatsu-sensei ajudou você a se trocar! Eu não vi nada! Definitivamente não vi nada!
— Obviamente. Que tipo de cara olharia para uma garota enquanto ela está se trocando?
— Nukumizu-kun, isso é meio assustador, sabia?
As duas garotas me lançaram olhares frios enquanto eu me atrapalhava. Por favor, parem de me chamar de assustador. Isso me dá vontade de morrer.
— Enfim, o que é isso? Parece delicioso.
— Né? Eu que fiz! Aqui, abre a boca… aaah.
Yanami estendeu uma colherada para Yakishio, que mordeu com uma expressão encantada.
— Uau, isso é incrível! Que molho é esse? Está sensacional!
— Né? É o molho especial do Imperial Hotel. Só que o Nukumizu-kun não entendeu muito bem o valor dele~.
Yanami abriu um sorriso travesso para mim enquanto dava outra colherada para Yakishio — do meu prato, inclusive.
— Aqui, mais uma pra você!
— Com licença… a Lemon está aqui?
Clac. A porta se abriu deslizando, e quem enfiou a cabeça para dentro não foi ninguém menos que Mitsuki Ayano. Ele viu Yakishio no meio da mordida, de boca aberta, e não conseguiu impedir um sorrisinho de surgir.
— M-Mitsuki!?
Yakishio se endireitou na hora, rígida como uma tábua. Mesmo com a pele bronzeada, dá para ver claramente que o rosto dela ficou vermelho vivo.
— Ouvi dizer que você desmaiou por insolação. Parece que está bem.
— N-Não, eu estou prestes a desmaiar total! Mitsuki, você veio cuidar de mim, né?
— Toma, eu trouxe isso. Achei que você poderia comer.
Ele disse, estendendo uma sacola com gelatinas em sachê e suco de maçã.
— Pra mim?
— Mas, se você está tão animada, talvez nem precise.
— Preciso sim! Eu não estava me sentindo bem o suficiente pra comer antes, então isso é perfeito. Obrigada!
— É… dá pra ver.
Ayano estendeu a mão e tocou de leve a bochecha de Yakishio.
— M-Mitsuki…!?
— Tem arroz grudado no seu rosto. Sua bochecha não come, ok?
Ele riu baixinho, tirando o grão de arroz do canto da boca dela.
— O-Obrigada…
— Certo, então eu vou indo.
— Espera! Se você quiser… por que não fica um pouco? A Yana-chan fez esse omurice, e está delicioso!
Yakishio disse rápido, tentando impedir que ele fosse embora.
— Omurice, é?
— Mitsuki-san, aí está você.
Outra voz veio da porta aberta. Um rostinho fofo e animado apareceu. É Chihaya Asagumo, uma das amigas do cursinho do Mitsuki Ayano.
— Chihaya? O que foi?
— Eu sei que hoje não tem cursinho, mas pensei em ir pra sala de estudos. Quer ir comigo?
— Foi mal, hoje eu preciso ir pra casa cedo. Te vejo amanhã no cursinho.
— Beleza. Então eu te mando mensagem mais tarde.
Chihaya Asagumo disse, acenando de forma leve enquanto ia embora. Ayano soltou uma risadinha.
— Poxa… eu já disse que te vejo amanhã, não disse?
Ele não pareceu exatamente incomodado, apesar do que falou.
…Espera aí. Esses dois? A vibe entre eles parece… diferente de quando eu frequentava o cursinho com o Ayano.
— Tá, vou voltar pra aula. Não força muito, Lemon.
— S-Sim. Valeu mesmo!
Yakishio acompanhou a figura de Ayano se afastando, o rosto completamente tomado pela expressão de uma garota apaixonada.
— Então, com certeza tem umas "vibes de amor" saindo da Lemon-chan agora.
Yanami disse, cutucando meu braço com o cotovelo, tendo surgido do nada ao meu lado.
— É. Parece que a Yakishio-san gosta do Ayano.
— Sério? É uma combinação meio inesperada.
— Eu conheço os dois desde o fundamental, mas acho que eles são próximos desde o primário, talvez?
— Em outras palavras, amigos de infância.
…Amigos de infância, é? Então é assim que a Yanami enxerga. Percebendo minha falta de reação, Yanami suspirou e deu de ombros de forma dramática.
— Escuta, Nukumizu-kun. Existem dois tipos de garotas: amigas de infância… ou destruidoras de lar.
Uma classificação ousada, no mínimo. Yanami, de repente séria, virou-se para mim.
— Então, quem era aquela garota de agora há pouco?
— Asagumo-san. Ela está no mesmo cursinho do Ayano desde o terceiro ano do fundamental II, eu acho.
Nesse momento, como se saísse do transe apaixonado, Yakishio se inclinou para frente sobre a mesa de repente, quase fazendo o prato quicar no ar.
— Ei, o que vocês acham do Mitsuki e da Asagumo-san?
— Hm… eles parecem próximos, mas eles se conheceram faz pouco tempo, né? Devem ser só amigos.
— Né?! Só amigos, totalmente só amigos!
— Mas eles não tinham uma vibe meio "casal" antes?
— Hã? (x2)
A energia das duas me fez recuar por instinto. Medo.
— Hã? Q-Quê?
— Nukumizu-kun. Você está falando sério? Acha mesmo que um ano passageiro pode se comparar à longa história de amizade de infância cultivada desde o primário?
— Exato! A Yana-chan entende perfeitamente!
Tenho quase certeza de que acabei de ver uma veterana de dez anos perder para uma novata de dois meses, mas tudo bem.
— Sabe, Lemon-chan… não consigo deixar de sentir que somos almas gêmeas. Estou torcendo por você.
— Obrigada! Isso me anima muito!
Bom, é ótimo que ela esteja melhor. Isso é legal e tal, mas—
— Hã… Yakishio-san. Esse é o meu almoço, tá?
— Hã? Ah, é? Está delicioso, Nukkun. Você devia provar também.
— Yakishio-san, a colher que você está usando é minha…
— Hm? Vai lá. Pega.
Yakishio ficou balançando a colher dentro da boca, como se fosse um convite. Com uma mistura de resignação e irritação, puxei a colher. Ela saiu com uma sensação ligeiramente escorregadia e perturbadora que de algum jeito pareceu… Não. Não. É coisa da minha cabeça. E nem vamos mencionar que está completamente coberta pela saliva dela.
Sentindo meu humor piorar ainda mais, enfiei a colher de volta na boca dela.
— Ugh!
— Eu não estou com fome, então pode comer mais se quiser.
Pensando bem, eu sempre fui ruim em compartilhar bebida ou talher. Eu tinha esquecido, já que raramente me encontro nessas situações.
— Nah, eu ia me sentir mal. Pelo menos vou deixar um pouco pra você.
Certo. Um pouco. Obrigado.
— Ah, e a propósito, Nukumizu-kun. A Komari-chan deixou um recado pra você. Ela disse pra você ir pra sala do clube depois da aula, aconteça o que acontecer.
Yanami disse isso no meio de uma mordida. O que foi agora? O conselho estudantil achou mais alguma coisa pra nos dar bronca? Olhei para as duas garotas mastigando à minha frente. Yanami e Yakishio. As duas são inegavelmente fofas, mas as personalidades delas são meio… demais. E tem algo na Yakishio que exala uma energia de "heroína perdedora", o que de certa forma lembra a vibe da Yanami.
Enquanto eu pensava nessas coisas, Yakishio de repente enfiou uma colherada morna de omurice na minha boca. A mistura de molho e ovo se espalhou pela minha língua.
— Hã!?
— Eu deixei um pouco pra você, viu?
Ela disse casualmente, se levantando com um surto de energia.
— Certo, vou voltar pra aula. Diz pra sensei que eu sou grata!
Ei, pera. Ela fez isso mesmo? Uma colher da boca dela pra minha? Quem faz isso? Ela acha que pode se safar só porque é fofa? Quer dizer, ela é fofa, mas não é esse o ponto. Enquanto eu ficava ali travado, Yakishio saiu andando. Yanami, assistindo a cena toda, me deu um sorriso travesso.
— Hm, alguém está um pouquinho vermelho.
— N-Não! Não é verdade!
— Beijo indireto, hein? Tsc, tsc. Não vai ficar pensando coisas estranhas na escola.
— N-Não é nada disso!
Peguei o prato e enfiei o resto do omurice na boca, tentando abafar as provocações da Yanami.
— Ah, e a propósito: hoje eu vou ao shopping com uma amiga, então não vou passar no Clube de Literatura.
— Entendi. Obrigado por avisar.
Espera… isso quer dizer que ela pretende visitar o Clube de Literatura com frequência? Eu achei que ela nem sabia o que a gente fazia lá.
— Tem certeza de que dá pra ir ao clube sozinho? Você não vai ficar solitário e chorar?
O que isso quer dizer? A Yanami está me zoando de novo? Mas, quando ergui os olhos, ela estava me olhando com uma expressão de preocupação genuína.
…Espera. Ela está mesmo preocupada comigo?
— Eu consigo ir ao clube sozinho, sem problema.
— Sério? Que alívio. Bom, então boa sorte!
A expressão tensa de Yanami relaxou num sorriso, e ela catou os últimos grãos de arroz com a colher.
Que tipo de personagem eu sou na cabeça da Yanami?
*
Naquela tarde, na sala do Clube de Literatura, Tsukinoki-senpai lançou um olhar sério para mim e para a Komari. Komari, que estava nervosa brincando com os dedos, escondeu as mãos debaixo da mesa rapidamente ao perceber que eu a estava olhando.
— Então, o motivo de eu ter reunido vocês dois aqui hoje é… nada menos do que um grande anúncio sobre o futuro das atividades do nosso Clube de Literatura.
Com uma floreada exagerada, senpai levantou os dois indicadores dramaticamente.
— Existe um assunto problemático e um assunto bem problemático. Com qual eu começo?
— Não existe uma opção "não problemático"?
— Se você insiste, eu posso escolher o assunto longo, sem graça, esmagador de alma e absurdamente tedioso.
— Hã, não, obrigado. Por favor, comece pelo problemático.
Assentindo com grandiosidade, senpai abaixou um dedo e começou.
— Chegou a hora de nos graduarmos dos dias de apenas ler livros. Vamos nos aventurar também no território da escrita!
— Ué, então o Clube de Literatura não escrevia nada antes?
— Ei, ei, a gente escrevia sim! Antigamente, a gente até publicava revistas do clube. Teve até um boato de que um membro ganhou o Prêmio do Ministro da Educação — mas aí se provou um boato. Ou talvez não. Na verdade, com certeza foi.
Então com certeza foi boato.
— Então por que não estamos escrevendo agora?
— Você não entende, né?
Tsc, tsc, tsc! Senpai balançou o dedo de forma dramática e sorriu de canto.
— Dizer que vai escrever, mas nunca escrever de verdade… isso é a nossa essência.
Komari assentiu com seriedade, concordando. Isso é algum tipo de piada interna do Clube de Literatura?
— Pra ser sincera, o conselho estudantil puxou nossa orelha na última reunião de líderes de clube. Eles apontaram que, embora nossas atividades declaradas incluam escrita, a gente não produz absolutamente nada.
— Entendi.
— Eu achei que a gente tinha escondido bem essa parte, mas de algum jeito eles descobriram. Como será…?
Um certo membro ominoso do conselho estudantil veio à minha mente. Droga, preciso mudar de assunto.
— Então vamos fazer outra revista do clube?
— Não, custo de impressão e distribuição são um saco. Por isso…
Com uma expressão triunfante, Tsukinoki-senpai ergueu o smartphone.
— Vamos zarpar rumo ao vasto mar da internet! Vamos postar no Torne-se um Mestre Literário!
Palmas, palmas, palmas. Komari, sem motivo aparente, começou a aplaudir. Tsukinoki-senpai levantou a mão para silenciá-la como se fosse parte de um roteiro. Suspeito.
— Não importa se for um conto curto ou só o primeiro capítulo — o importante é subir alguma coisa.
De fato, usar um site elimina o trabalho de imprimir e distribuir. Para um clube escolar, é uma ideia bem razoável.
— E agora, o assunto bem problemático.
Ah, é. Ainda tem outro. Endireitei as costas sem perceber.
— De acordo com nosso novo objetivo, teremos um retiro de treinamento do Clube de Literatura neste fim de semana!
— Hã?
— Eu consegui reservar dois quartos no Centro da Juventude em Tahara. Vamos neste fim de semana.
— Espera aí. Neste fim de semana? Isso é depois de amanhã.
— A indústria editorial moderna exige velocidade! Impulso é tudo, e eu não vou deixar vocês, jovens, me ultrapassarem. Vocês conseguem acompanhar?
Komari, esmagada pelo entusiasmo da senpai, quase começou a aplaudir de novo antes de parar para digitar no celular. Ela nos mostrou a tela.
"Honestamente, eu preferia passar o fim de semana em casa."
É… eu também não estou exatamente empolgado com isso.
— Hmph… vocês dois não entendem. Mas vão continuar se sentindo assim depois de ouvirem esta palavra?
O sorriso de canto de Tsukinoki-senpai se aprofundou e, por algum motivo, os óculos dela brilharam de forma sinistra.
— Kanzume.
Hã? Ela não está falando de atum enlatado, né? Ah, não… é o termo dos escritores para ficar "confinado" num hotel até terminar o manuscrito. Mas e daí?
— O-Ohh…
Komari, com olhos brilhando, encarou o vazio ao longe. Espera, que reação é essa?
— Não soa empolgante? Vibrante?!
— S-Sim! Kanzume! M-Muito legal!
Komari assentiu freneticamente, o pescoço quase virando um borrão. Sério? É? Eu sinceramente não entendo.
— Vocês podem escrever no celular, no papel, no que funcionar. Eu vou levar meu notebook pra gente cuidar dos uploads durante o retiro.
— Mas a gente nem decidiu o que vai escrever ainda.
— Escrever pode esperar até o fim de semana. Por enquanto, só pensem num enredo para o que vocês querem escrever.
Eu sempre tive algumas ideias vagas para algo que eu talvez escrevesse um dia, mas isso é repentino demais.
— Senpai, você já sabe o que vai escrever?
— Bem, como é Torne-se um Mestre Literário, eu estava pensando em fazer um isekai.
Isso foi… inesperado. Não imaginei que ela seguisse tendências.
— A história começa com Mishima cometendo seppuku e reencarnando em outro mundo. O Dazai, incapaz de suportar ficar longe dele, se afoga no rio Tamagawa para segui-lo. Essa é a isca.
Senpai, dá pra pelo menos tentar seguir um pouco as convenções do gênero?
— Hum… a linha do tempo não está ao contrário? O Dazai não morreu primeiro?
— Ah, detalhes triviais assim podem ser ignorados ao criar ficção. O que importa é o amor que eles sentem um pelo outro.
— Komari-san… isso é normal?
Eu sussurrei.
"É. Você só não entende, Nukumizu. Literatura é sobre capturar o coração humano."
Komari nem levantou a cabeça enquanto digitava a resposta no celular.
— Além disso, na versão da realidade que eu estou usando, ser atropelado por um trem da Linha Yamanote pode ser curado com uma ida rápida às fontes termais. Infelizmente, minha história é R18, então não posso compartilhar com vocês.
Espera aí… isso não era para ser uma atividade do clube?
— R18… não pode…
Espera, o quê? Quem falou isso agora?
— Uou!
Olhando para as estantes, vi uma sombra misturada à penumbra — era a Shikiya-san, a secretária do conselho estudantil do segundo ano. Diferente da minha reação assustada, Tsukinoki-senpai só lhe lançou um olhar rápido, como se já soubesse.
— Shikiya… há quanto tempo você está aí?
— Quem sabe… eu estava esperando alguém… e dormi um pouco…
Shikiya inclinou a cabeça com um ar letárgico, me encarando com um olhar melancólico.
— Pelo menos… vocês estão… fazendo… atividades. Impressionante…
Sem olhar para o caderno, ela rabiscou algo e então desabou na cadeira ao lado, soltando um suspiro quase inaudível.
— Tsukinoki-senpai… se for fazer retiro… entregue o formulário…
— Entendi. Vou pedir pro presidente do clube entregar até amanhã.
— O conselho… está sempre observando…
Tudo bem observar, mas dá pra piscar uma vez de vez em quando? Agora até a Komari se escondeu atrás da estante.
— Shikiya, o conselho estudantil está pegando no nosso pé?
— Não… estamos mirando… todos os clubes… cortar custos… encerrar… aniquilação…
Isso é assustador demais para dizer com tanta calma. Depois de um tempo, Shikiya-san saiu da sala sem dizer mais nada. Qual é o problema dela? Eu ainda não consigo entender como processar aquela pessoa.
— Hum, senpai… você conhece a Shikiya-san?
— Sim, a gente tem um histórico de antigamente. Normalmente, ela é ainda mais quieta do que isso. Basicamente… ela quase não se mexe.
— Como ela consegue viver o ensino médio desse jeito?
— Surpreendentemente, ela tem notas ótimas. Ouvi dizer que ficou entre os dez primeiros do nosso ano na última prova.
Sem chance. Uma gal, mas também aluna de alto desempenho? Isso é um conjunto de atributos bom demais pra mim. Se ela não fosse tão assustadora, seria perfeita.
— Senpai, você também parece que seria boa nos estudos.
Eu mal terminei a frase e a Komari chutou minha cadeira.
— N-Nukumizu! N-Notas da Tsukinoki-senpai são… t-território proibido neste clube!
— Ué, senpai… suas notas são ruins?
Eu parei antes de completar: mas você usa óculos…
— Vamos chamar de "cheias de potencial". E você? Você fez as provas do bimestre recentemente, não fez?
— Ah, sim. Acho que eu fiquei em 37º no nosso ano.
Por um instante, as duas ficaram em silêncio, surpresas. Eu realmente pareço alguém que seria pior do que isso?
— Isso… não inspira muito.
— S-Sim… bem m-mediano. R-Reflita sobre isso.
Espera, o quê? Por que do nada eu virei alvo de zoeira?
— O que a gente quer dizer é que tinha que ter algo, sabe? Tipo, você podia ser um aluno exemplar, super descolado, preso numa rivalidade com o número um da turma. Ou, no outro extremo, alguém se matando para não repetir, e secretamente recebendo aulas particulares de uma presidente de classe sádica. Tem que existir algum potencial aí.
Dispenso. Eu não preciso desse tipo de potencial.
— H-Honestamente… a s-situação da senpai, t-tipo… ficar em 222º… talvez seja… m-mais interessante.
— Bem, eu tenho um certo charme nesse intervalo de colocação.
Por que ela ficou envergonhada? Se não me engano, nossa escola tem seis turmas por ano, com 38 alunos em cada. Isso dá 228 alunos por série…
— Senpai, você está bem? Não é seu último ano antes dos vestibulares?
— Eu estou bem. Estou bem. Eu tenho decisão, afinal. Já decidi minhas escolas-alvo.
— Hã, você sabe que quem decide são as escolas, né?
Eu fui enganado pelos óculos e pela beleza, mas essa pessoa é meio desastre.
— Hã, s-senpai… o que a gente f-faz no sábado?
Provocada pela pergunta da Komari, Tsukinoki-senpai começou a mexer no celular como se só agora lembrasse da viagem.
— Deixa eu ver. A gente pega a Linha Atsumi, desce pro sul até "parecer certo", e desce em algum lugar. Aí deve ter um ônibus ou algo assim. Sim, com certeza vai ter.
…Esse plano parece muito "não vai dar certo".
— Certo, então. Vamos nos encontrar por volta das sete ou oito da manhã na entrada da Estação Aidaimae.
Senpai disse com um sorriso animado. É. Isso definitivamente não vai dar certo.
*
No caminho de volta pra casa, saindo da sala do clube, fiz um desvio até a filial principal da Livraria Seibunkan, em frente à Estação Toyohashi. É a maior livraria da cidade e perfeita pra conferir lançamentos.
Já que vamos postar no Torne-se um Mestre Literário, é essencial acompanhar as tendências mais recentes. Eu já tinha olhado as obras populares do site e as palavras-chave em alta, mas web novels que viram livro costumam sair em formato grande. Elas ficam separadas dos pocketbooks, então eu queria ver como está a disposição na loja.
— Como eu imaginava… isekai domina…
Isekai costuma ser comparado a esquetes de comédia ou dramas de época: uma tentativa infinita de se diferenciar, enquanto, ao mesmo tempo, constrói um "molde" comum de gênero. É fascinante como esse ecossistema se desenvolveu.
— Parece que é esse o alvo que a gente tem que mirar.
— N-Nukumizu, você tá a-atrapalhando.
Uma garotinha me empurrou de lado de repente.
— Hã? Komari? O que você está fazendo aqui?
— P-Pesquisa. E-Eu não entendo muito de light novel, então achei que devia e-estudar.
Komari encarou as capas coloridas com curiosidade.
— L-Light novels r-recentes… são b-bem grandes, né…
— São. A seção de formato grande é quase toda de obras adaptadas de web novels. A maioria é aquele isekai lixo padrão, com protagonista apelão.
— É-É aquilo, né? R-Reencarnação e essas coisas?
— Basicamente. O gênero repetiu alguns temas ao longo da última década: reencarnação, habilidades trapaceiras e histórias de "vida tranquila". Esses dois elementos que parecem contraditórios — poder esmagador e uma vida relaxada e pacífica — na verdade vêm do mesmo lugar: os desejos de pessoas exaustas com a dureza do mundo real.
— M-Mesmo lugar?
— Afirmação total. Um mundo onde ninguém se machuca. Um lugar gentil, que perdoa.
— N-Não basta um t-tema leve, b-bem-estar?
— Não é ruim, mas você precisa de "cheats" ou um conjunto de habilidades que imponha respeito. O público principal, os adultos, sabe que mesmo num isekai idílico, uma aposentadoria tranquila não existe a menos que você tenha algo extraordinário.
— S-Ser adulto é d-duro…
Komari suspirou fundo, os ombros caindo.
— Vitória e elogios através de batalhas, paz e amor através da vida tranquila… no fundo, é a mesma coisa. Só muda o "enquadramento". E ultimamente tem crescido o gênero voltado ao público feminino, tipo heroínas capacho, ou histórias que começam com noivado rompido e viram variações de exílio e expulsão—
— M-Muito longo. Então, u-um… até t-títulos que parecem iguais t-têm motivos por trás?
Reencarnação, cheats e agora títulos longos explicativos? Eu já respondi essa pergunta na minha cabeça incontáveis vezes.
— Título é basicamente descrição do produto voltada ao leitor. Tipo: Sanduíche de Hambúrguer de Presunto com Recheio Único!. Naturalmente, acaba sendo fórmula… mas com diferenças.
— U-Uau. Então você j-já tem um t-título pro que vai escrever, N-Nukumizu?
— Claro. O título supremo, ótimo, otimizado seria: O Sábio de Outro Mundo Usa Cheats de Reencarnação para Buscar uma Vida Tranquila Luxuosa. Com isso, eu vou mirar o ranking—
— E-Esse aí já e-está aqui.
— Hã?
Ah. Ela tem razão. Está ali. E já está no volume 5. Ah, ótimo. Então já fizeram. No meu rascunho mental, o protagonista já tinha casado com a sexta esposa no volume mais recente.
— H-Hehe…
Komari não conseguiu segurar o riso.
— V-Você estava tão confiante, mas já e-existe!
Droga. Não tem como retrucar.
— Então… e você, Komari? Já sabe o que vai escrever?
— E-Eu… não me interesso por i-isekai. O meu é mais tipo… isso.
Ela me levou para um canto da seção geral de livros de bolso. As estantes estão cheias de romances e histórias com tema sobrenatural, incluindo livros que viraram dramas e filmes.
— N-Na verdade… eu já c-comecei a escrever a-algo…
— Espera, sério?
Droga. Ela está na minha frente.
— Então, hã… você já tem um título?
Tentei soar casual, mas eu estava pronto pra roubar ideias sem vergonha nenhuma se fossem boas. Corando de leve, Komari me mostrou o celular.
Os Arquivos Aconchegantes do Café dos Espíritos
Pelo título, parece se encaixar em light novel centrada em personagens. Infelizmente, eu não entendo muito desse subgênero. Curioso, olhei para as estantes ao lado para ver o que estava em alta.
— Hã… tem um livro com o mesmo título aqui.
— N-Não, olha direito. A-Aquele diz "Registros de Caso". O meu é "Arquivos de Caso".
— Isso… faz virar um título diferente?
— C-Claro.
Komari estufou o peito com orgulho.
— Então basicamente você está dizendo para não se preocupar com títulos parecidos, né?
— O-O seu era c-cópia descarada! O meu é c-completamente diferente!
— O seu é praticamente a mesma coisa, Komari.
— N-Não me chama s-só pelo meu nome!
Komari me lançou um olhar que era pra ser intimidador, mas saiu mais como birra. Espera aí.
— Você foi a primeira a me chamar só pelo nome. E além disso, ficar colocando "-san" toda hora é um saco.
— E-Eu… b-bom… é v-verdade, mas…
Resmungando para si mesma, ela mexeu na barra do uniforme, claramente insatisfeita, mas sem conseguir contra-argumentar. Como sempre, ela dá trabalho.
— Certo. Vou pegar um livro e ir pra casa.
— E-Espera, por favor! Eu… A Y-Y-Yanami vem h-hoje?
— Hã? Não, ela não vem. Por quê?
— N-Não era isso que eu quis dizer! A Y-Yanami… vai entrar no clube?
— Não sei. Ela parece interessada em visitar a sala do clube, mas por quê? Você está preocupada?
Talvez a Komari só quisesse outra garota no clube. Ia deixar as coisas menos constrangedoras pra ela.
— A Yanami é… f-fofa.
— Bom, sim, a Yanami é fofa. E daí?
— G-Garotas fofas não deviam estar em… C-Clube de Literatura.
Ei. Peça desculpas agora mesmo a todas as garotas de clube de literatura do país. Agora.
— Ah, para com isso. Não é verdade. Olha a Tsukinoki-senpai. Ela é bonita, não é?
Espera, calma. Elogiar uma das duas únicas mulheres nessa conversa faz a outra…
— E-Ela não conta. Eu só… eu sou assim…
— Claro que não. Não fala assim de você.
Como eu imaginava, isso está virando dor de cabeça. Hora de controlar o estrago. Se eu focar nos pontos bons dela, talvez eu conserte.
Olhei o perfil da Komari de canto. Os lábios pálidos, tremendo levemente, são discretos, mas delicados. Os olhos, parcialmente escondidos pela franja, são grandes e marcantes apesar das pálpebras duplas sutis.
— Você também tem um rosto bonito, Komari. Não tem por que se sentir mal.
— U-Uma…!?
A bolsa escorregou da mão dela e ela praticamente deu um salto para longe de mim. Corando furiosamente, ela murmurou com a voz tensa.

— #MeToo… momento…
(N/SLAG: O #MeToo é um movimento que incentiva pessoas a denunciarem casos de assédio e abuso sexual para mostrar que não estão sozinhas)
— O quê!? Não, não! Eu só disse o que eu pensei! Não teve nada de estranho nisso!
Por que estão me acusando disso só porque eu elogiei alguém? Komari me encarou com indignação trêmula, e eu suspirei por dentro. Bem, se ela me detesta tanto assim, não tem o que eu possa fazer.
— Você tem razão. Falar da aparência de alguém, mesmo como elogio, foi passar do ponto. Foi mal.
— T-Tá… tudo bem, desde que você entenda…
Eu só vou ao clube porque me pediram, e mesmo assim sou tratado desse jeito?
— Eu vou apaziguar as coisas com a Yanami-san e vou diminuir a frequência com que eu visito a sala do clube.
— E-Eh? Ei, e-espera…!
Aff, isso virou um saco. Vou só comprar um livro e sair daqui. Quando me virei para ir embora, Komari de repente deu um tapa na parte de trás da minha cabeça com a palma da mão.
— Ai! O que foi agora?
— E-Eu… quer dizer… n-não! Não foi isso que eu quis dizer!
Komari gaguejou, toda atrapalhada, e deu um passo mais perto, ainda irritada por algum motivo incompreensível. O que é isso? Ela está brava comigo ou brava com a vida? Parece que eu estou levando bronca sem motivo.
— E-Eu vou mandar a senpai te d-dar uma bronca! Então é m-melhor você a-aparecer no clube a-amanhã!
— Tá, tá. Eu venho amanhã, ok? Então para de se exaltar desse jeito.
Ainda insatisfeita, Komari digitou furiosamente no celular e enfiou a tela na minha cara.
"Não só amanhã. Sempre."
E, depois dessa declaração, ela virou as costas e saiu correndo.
Que diabos acabou de acontecer? Eu realmente não entendo. Nem um pouco. Ela até cuspiu um pouquinho enquanto gritava.
Me sentindo drenado, limpei as gotinhas do meu rosto.
*
Quando eu saí, já estava bem tarde. Embora o auge do verão já tivesse passado, o sol do fim de tarde ainda pintava a cidade com um tom vermelho suave. Logo o céu escureceria com traços de azul, e o dia desapareceria por completo.
Com uma sensação inexplicável de inquietação se insinuando, apressei o passo no caminho de casa.
Mais à frente, vi uma figura familiar de uniforme escolar. Iluminada pelo sol vívido do entardecer que entrava na diagonal pelos vãos entre os prédios, era minha irmã mais nova, Kaju, caminhando com sacolas de compras pesadas nas mãos. Sem saber por quê, senti um pequeno alívio e peguei as sacolas por trás dela.
— Você assustou a Kaju! Onii-sama, você está voltando só agora?
— É. Você também está na rua até tarde, Kaju.
— A mamãe e o papai disseram que iam chegar tarde, então a Kaju acabou conversando com as amigas por um tempinho.
Espiando dentro da sacola, vi udon fresco, cebolinha, ovos de codorna e inhame… Sem dúvida, ela está planejando fazer nosso prato padrão da família: curry udon ao estilo Toyohashi.
De repente, notei Kaju me olhando de baixo para cima, meio de esguelha.
— O que foi?
— Onii-sama, a Kaju vai ficar fora de casa neste fim de semana. Tudo bem?
— Por mim, tanto faz. Mas por que você está perguntando?
— Bem… a Kaju achou que você poderia ficar solitário. Você não vai chorar sozinho, vai?
Por que todo mundo acha que eu sou algum tipo de cara carente e solitário? Sério, já deu.
— Eu vou ficar bem. Além disso, eu também vou sair neste fim de semana, para um retiro do clube com pernoite.
— Eh!? Então você finalmente fez alguns amigos, onii-sama?
— Espera, não é bem assim—
Antes que eu terminasse, Kaju disparou com passos rápidos e animados e entrou correndo numa loja de secos e molhados ali perto.
— Com licença! Pode me vender o melhor feijão azuki? A Kaju vai fazer sekihan pra comemorar!
— Ora, Kaju-chan. Aconteceu alguma coisa boa?
O dono da loja perguntou ao sair, enxugando as mãos no avental. Kaju, de algum jeito, parece conhecer gente demais por aqui.
— Bem… o onii-sama da Kaju finalmente fez o primeiro amigo! A Kaju achou que seria ótimo distribuir sekihan comemorativo para marcar essa ocasião.
— Isso é uma ótima notícia. Você é o irmão mais velho, né? A gente vinha se preocupando com você nas reuniões da associação do comércio.
Espera, o quê? Desde quando isso virou assunto? Isso quer dizer que eu nunca mais posso mostrar a cara nesse bairro?
— A gente até estava pensando em te colocar como um "ponto" na gincana de selos. Mas acho que agora não precisa mais, né?
Por favor, não. Sério, para.
— Enfim, é uma ocasião tão feliz… Kaju-chan, eu também tenho arroz glutinoso aqui. Leva como presente pra comemoração.
— Muito obrigada, senhor! Aliás, onii-sama… que tipo de amigos são? Eles devem ser maravilhosos, igual a você, né?
Os olhos da Kaju brilhavam enquanto ela me apertava por detalhes.
— Ah… bem… é que…
— Espera… não me diga que é… uma garota!? O que a Kaju faz!? A Kaju acha que é dever dela, como sua irmã, entrevistar pessoalmente—
— Não… eu não fiz exatamente um amigo. Eu só entrei pro Clube de Literatura, então tem veteranos e colegas lá…
— Espera… então você não fez um amigo…?
— Ah… não…
A loja ficou num silêncio total. As luzes com sensor de movimento apagaram com um clac fraco. Escuro.
— Pensando melhor, pode ser soja. A Kaju vai cozinhar bem devagar com kombu.
— Ah, tá. Eu também vou colocar um pouco de cevada de graça.
O clima virou velório. Eu fiz alguma coisa errada?
— É… eu… vou tentar me esforçar um pouco mais a partir de agora.
— Tá, mas por favor não force demais, ok?
Ainda com aquele clima pesado, nós voltamos pra casa.
— Mesmo assim, entrar num clube e ir num retiro… é a primeira vez que você faz algo assim, não é?
— A última vez foi aquela viagem de escoteiros que me obrigaram a ir no quinto ano.
Aquelas férias de verão ainda são um trauma.
— Entrar num clube, viajar assim… , você está dando pequenos passos pra frente, né?
— Hm… talvez. Mas parece mais que eu só estou indo na onda.
— Mesmo assim, não está tudo bem? Às vezes, é bom se deixar levar por uma corrente positiva.

(N/SLAG: No contexto, a ilustração é exatamente aqui. Eu não sei o motivo do cenário ser diferente….. Eu acho que eles nem se tocaram.)
Kaju sorriu de leve e estendeu a mão para fazer carinho na minha cabeça.
— Você tem se esforçado tanto, onii-sama. Sim… bom trabalho.
Então ela pegou com firmeza uma das alças da sacola de compras, tirando de mim.
— O que foi isso? Agora você que vai carregar?
— Sim. Hoje, a Kaju vai mimar você o máximo que a Kaju puder, onii-sama.
Iluminado pelo sol do entardecer, o sorriso da Kaju parecia brilhar nas ruas do crepúsculo. Eu não consegui evitar um sorriso torto enquanto diminuía o passo para acompanhar o dela. Mesmo assim, ser mimado pela minha própria irmãzinha assim é… bem, uma mistura de vergonha com sensação de que eu nem mereço.
…Tá bom. Seu irmão vai tentar se esforçar só um pouco mais.
Saldo Atual de Empréstimo: 2.367 ienes
*
Relatório do Clube de Literatura
É a Espera que Dói, ou a Solidão de Dormir Sozinho? — Koto Tsukinoki
O estalo seco de uma peça de shogi batendo no tabuleiro ecoou até o corredor.
Um homem em uniforme militar deslizou a porta de correr (shoji) com elegância. Sentado de pernas cruzadas diante do tabuleiro de shogi havia outro homem, vestindo roupas de algodão amarrotadas, com o ar de um vagabundo preguiçoso. Ele coçava distraidamente a barba por fazer, com aquele sorriso malicioso de sempre.
O homem de uniforme elevou a voz, gritando:
— Por que você está num lugar como este?
O homem de roupa com padrão kasuri ergueu o olhar por um instante, surpreso com o intruso repentino. Ao ver o uniforme militar, baixou os olhos de volta para o tabuleiro.
— Ah, é você, Mishima-kun.
Com tranquilidade, mas com uma expressão levemente melancólica, ele brincou com uma peça de shogi entre os dedos.
— Então, enfim, alcancei meu grande objetivo e vim parar deste lado. Mas parece que eu não faço ideia do que estou fazendo aqui.
O som nítido de uma peça batendo no tabuleiro ecoou. Quase como se a intenção fosse fazer barulho, e não jogar de verdade.
— Roupas, shogi, todo tipo de coisa… Esses elfos realmente sabem criar coisas que eu nunca vi antes.
Ele lançou um breve olhar a Mishima.
— E além disso, as mulheres elfas são… cuidadoras atenciosas.
Com um sorriso autodepreciativo, ele bateu outra peça no tabuleiro. Mishima sentou-se pesadamente à frente dele com um baque.
— Dazai-san. Você sabe onde estamos?
— Disseram que é algum tipo de "outro mundo", mas não é tão diferente de Tsugaru. Os senhores da floresta continuam tão pomposos quanto sempre.
— Você encontrou o Mori-sensei?
— Sim. Aquele homem tem uma garota loira à disposição. Não importa aonde você vá, a natureza das pessoas não parece mudar.
Ele riu baixinho, tilintando uma peça na mão.
— Você sempre leva tudo na brincadeira. Ficar sentado aqui apodrecendo não vai resolver nada. Você precisa se reconstruir sob a orientação do Mori-sensei.
— Você só fala desse seu chefão. O quê, não veio aqui me ver?
Dazai se inclinou para mais perto de Mishima, cujo silêncio era palpável.
— Eu ouvi falar. Você abriu a própria barriga, não foi? Como foi? Doeu?
Mishima não respondeu. Em vez disso, levou a mão ao tabuleiro e moveu o rei um passo à frente.
— Eu ainda não consigo gostar de você, Dazai-san.
— Mesmo você dizendo isso, o fato de estar aqui significa que gosta de mim, no fim das contas.
Dazai empurrou o tabuleiro de lado e, no lugar de uma peça, agarrou a mão de Mishima, puxando-a com força na direção dele.
— Dazai-san, e-eu—
— Vamos, admita. Você gosta de mim, não gosta?
Com uma força surpreendente para alguém tão frágil quanto um tuberculoso, Dazai prendeu o corpo bem treinado de Mishima no tatame—
O trecho a seguir foi censurado pela autoridade da presidente do clube.
(N/SLAG: OBRIGADO!!! PRESIDENTE!!!!🙏🙏🙏🙏🙏)
*
Sexta-feira de manhã. A sala de aula tem um clima vagamente inquieto. Todo mundo está trocando cumprimentos com amigos, provavelmente organizando os planos do fim de semana. Mesmo com smartphones sendo ferramentas de comunicação onipresentes, as interações cara a cara ainda formam a base das relações humanas.
É um jeito saudável de viver, embora venha com pequenos incômodos.
— Liberdade, hein.
Apoiando os cotovelos na carteira, entrelacei as mãos e murmurei para mim mesmo. Liberdade e solidão são dois lados da mesma moeda, como dizem. Para alguém como eu, não há motivo para me incomodar com o trabalho de coordenar planos de fim de semana.
…Pelo menos, era assim que deveria ser.
Ontem à noite, graças à sempre pouco confiável Tsukinoki-senpai, eu acabei tendo que pesquisar horários de trem e ônibus para o retiro de amanhã. O fato de eu também ter pesquisado pontos turísticos próximos foi pura coincidência. Definitivamente não foi porque eu estava animado. Nem um pouco.
— Bom dia, Nukkun!
— Hã? Ah… bom dia…
Por que ela está me cumprimentando? Confuso, olhei para o lugar à frente do meu, onde Lemon Yakishio estava sentando agora.
— Yakishio-san? Hã… o que foi?
— O que foi? É de manhã, então, sabe… eu tô dando bom dia.
É… sim, mas a gente é próximo a ponto de trocar "bom dia" e conversar assim, do nada? Ignorando minha confusão, Yakishio inclinou levemente o rostinho e começou a falar.
— Então, eu estava pensando sobre ontem no depósito da quadra. Hoje, depois da aula—
— O qu-!? V-Você lembrou daquilo!?
Como ela consegue falar tão tranquila depois de lembrar daquela cena?
— Eu não vi nada! Juro que não vi nada!
Quer dizer, eu não vi nada, mas a sensação através do uniforme de ginástica dela ainda estava gravada na minha memória. Macio… mas ao mesmo tempo, com uma elasticidade gentil e firme. Incapaz de encará-la diretamente, acabei desviando os olhos de forma constrangedora.
— Hã? Do que você tá falando? Eu estou falando de emprestar um livro pro Mitsuki.
— Livro?
— É. Você disse que eu podia ir pegar emprestado, não disse? Você tá bem, Nukkun? Talvez o calor esteja te afetando.
— Ah… certo. Isso. Sim, sim, claro, isso. Entendi.
— Certo então. Depois da aula, ok?
Depois de acenar com a mão, Yakishio foi rápido para o lugar dela. Eu soltei um suspiro aliviado.
…Hã? O que é isso? Eu estou sentindo os olhos da turma em mim, principalmente dos caras.
Por que diabos os garotos estão olhando para alguém como eu, um figurante? E com certeza não são olhares amigáveis. Estão cheios de inveja e malícia…
— Aí foi isso. Mas por quê?
O lugar mudou para a escada de emergência durante o intervalo do almoço. Yanami puxou a lancheira dela e respondeu minha pergunta com naturalidade.
— Bem, é porque a Lemon-chan é bem popular. E você estava conversando com ela como se vocês fossem próximos ou algo assim.
— Espera… ela é popular? Hã, entendi…
Entendi. Hm… popular, é?
— Então, quem é popular mesmo?
— O quê? Eu disse a Lemon-chan. Você tá bem?
Sem chance. Ela? Popular? Tá, ela é alegre e fofa, mas… você já conversou com ela?
— A Lemon-chan é animada e adorável. Claro, ela tem umas esquisitices, e o fato de ela ter entrado no Colégio Tsuwabuki é considerado uma das Sete Maravilhas da escola, mas mesmo assim.
Yanami assentiu para si mesma, como se estivesse se convencendo.
— Animada e adorável, afinal.
Entendi. Bem, se é assim, não tenho como argumentar. Ela é animada e adorável.
Olhei para o bento de hoje. Dentro da cestinha tem duas porções: onigiris, salsichas, karaage, brócolis e outros ingredientes simples, tudo arrumadinho, com palitinhos para facilitar dividir.
Sim, assim fica fácil compartilhar. Mas o mais importante—
— Por que a gente não fez isso desde o começo?
— Né? Claramente esse é o jeito certo, não é?
Yanami murmurou, igualmente intrigada.
— É… essa é a resposta certa.
Concordei, pegando um onigiri. Pra que foi todo aquele esforço antes, afinal? Bentôs feitos à mão, arroz desmontando no meio da mordida, omurice devorado num instante… lembranças dos desastres de almoços passados passaram pela minha cabeça como uma montagem. Nem tudo foi culpa do bento, porém.
— Mais importante, Nukumizu-kun… sobre esse retiro que você mencionou. Parece que vai ser divertido.
— Não sei. Disseram que a gente vai ficar trancado num quarto pra escrever, então não sei o quão divertido isso realmente vai ser.
Enquanto eu mastigava meu onigiri em paz, a textura crocante me fez olhar para o recheio. Era nada menos que o orgulho da região de Mikawa: fatias de pepino em conserva.
— Uma viagem com pernoite, hein? Então as meninas que vão são a Tsukinoki-senpai e a Komari-chan?
— Sim. E de garoto, só eu e o Tamaki-senpai.
Yanami começou a mexer no celular, pesquisando alguma coisa.
— Tem praia perto também. Meu traje de banho do ano passado ainda deve servir.
— Espera… Traje de banho é algo que você troca todo ano?
E… você está planejando ir também?
— Bem, não necessariamente todo ano, mas… você não quer ver um novo?
— Quer ver um novo? Quer dizer… você não comprou um novo este ano?
— Hã? Do que você está falando, Nukumizu-kun? Eu não comprei.
Yanami recuou um pouco, o rosto tremendo.
— Ah… isso é meio nojento… ou melhor… muito nojento, na verdade?
Ela me chamou de nojento duas vezes. Duas.
— Não, eu quis dizer aquele que todo mundo comprou. A gente é do primeiro ano, então teve aquela compra em grupo dos trajes de banho padrão da escola, lembra?
— Ah, aquele.
Yanami assentiu, entendendo por um instante, mas então balançou a cabeça com um olhar decepcionado.
— Usar o traje de banho da escola na praia é demais. Honestamente, um biquíni seria melhor.
— Espera… é tão ruim assim?
Isso quer dizer que elas usam uma roupa tão constrangedora dessas durante a aula?
— É ruim. E, sinceramente, Nukumizu-kun, mesmo sabendo que eu entendi errado antes… aquele comentário foi no nível "uma chance e rua" de tão nojento.
Já é a terceira vez que ela me chama de nojento. Preciso mudar de assunto antes que ela comece a fazer risquinhos.
— Enfim… o retiro é com pernoite, então vai ocupar o fim de semana inteiro. Você está tranquila com a sua agenda?
— Bem… sobre isso… eu encontrei minha tia no caminho pra casa ontem.
Yanami de repente baixou o olhar e falou num tom sombrio.
— Sua tia?
— É. A mãe do Sosuke. O Sosuke e eu somos amigos de infância, então nossas famílias são próximas.
Ah, ótimo. Lá vem mais uma história complicada.
— Ela disse: "Faz tempo que eu não te vejo indo acordar ele de manhã. O que aconteceu?" Hehe… engraçado, né? Ele tem namorada agora, então seria estranho eu ir lá acordar ele.
— Sim… acho.
— Aí ela me perguntou: "Você e o Sosuke brigaram ou algo assim?" Isso me lembrou como a gente brigava por qualquer besteira quando era criança.
Yanami ficou olhando para longe, acompanhando as nuvens que passavam.
— Se tivesse sido só uma briga, pelo menos dava pra fazer as pazes.
Por favor, para de trazer assunto difícil de responder.
— Então, como nossos pais entenderam errado e acharam que eu e o Sosuke brigamos… eles estão planejando um churrasco surpresa neste fim de semana. Juntos.
Yanami se inclinou para mais perto, com olhos suplicantes.
— Por isso eu estou te implorando! Me leva pra praia!
Ela está falando como se estivesse num drama do século XX.
— Não precisa exagerar assim. Por que você não sai pra algum outro lugar?
— Você está subestimando a obsessão do meu pai por churrasco! Ele vai ficar assando até eu voltar pra casa, não importa que horas sejam!
— Hã… então talvez você possa dormir na casa de uma amiga?
— Dormir na casa de uma amiga significa que a gente vai ter que falar de romance, ou o clima vai ficar super estranho. Diferente de você, eu não quero perder amigas, ok?
Que grosseria casual. E, além disso, eu nem tenho amigos pra perder. Enquanto eu quebrava a cabeça tentando achar um jeito de recusar, Yanami me olhou de lado, desconfiada.
— Ei… você está tentando achar um jeito de me impedir de ir?
— Não, claro que não. Olha, você pode explicar a situação para uma amiga e pedir ajuda.
Ao ouvir isso, Yanami franziu a testa, como se estivesse em conflito.
— Como eu digo? Eu não quero arrastar minhas amigas pra nada que envolva o Sosuke.
— Ah… então você não contou nada disso pra elas?
— Não precisa tocar no assunto, né? Minhas amigas provavelmente sabem, mas estão evitando de propósito. Então eu ajo normal.
Semicerrando os olhos como se o sol estivesse forte demais, Yanami completou, baixinho:
— Você talvez não perceba, mas eu também sou cuidadosa, sabia?
— Você também podia ter um pouco de consideração comigo.
Eu retruquei sem querer, e Yanami murmurou, bem baixo:
— Bem… não tem muita gente com quem eu possa falar dessas coisas, além de você, Nukumizu-kun.
— Ah… tá.
Eu sinto que ela já disse algo parecido antes. A essa altura, negar pareceria crueldade. Conformado, peguei meu celular.
— Eu vou perguntar pra senpai, mas… Yanami-san, você não é membro do clube, né?
— Eu entro! Eu entro agora mesmo, então você pode me passar o contato da Tsukinoki-senpai? Eu falo com ela por conta própria!
— Eu só tenho o LINE em grupo do clube. E mesmo que eu quisesse passar, eu não sei seu ID do LINE.
Yanami piscou, confusa.
— É só me adicionar pelo grupo da turma.
Ah. O grupo da turma. O grupo da…
— Espera… existe um negócio desses?
— Hm?
Yanami ficou muda por um instante. Aí, como se alguma coisa tivesse caído a ficha, ela desviou o olhar para o celular, meio sem jeito.
— Ah… foi mal. Hã… como eu posso dizer…
Os olhos dela correram nervosos.
— Mas, sabe… esse tipo de coisa é bem… "a sua cara", Nukumizu-kun, não é? Tipo… parte do seu charme.
Que tipo de consolo é esse? "Charme" não é uma palavra mágica que você joga pra consertar tudo.
— Tudo bem. Eu nem ligo tanto. Eu comecei a usar LINE faz pouco tempo, de qualquer forma.
— C-Certo! É só parte da sua individualidade! Então, que tal a gente trocar ID? Você sabe como faz?
— Deixa comigo. Tem aquele negócio de chacoalhar-chacoalhar, né?
Quando eu entrei no grupo do Clube de Literatura, eu não fazia ideia do que estava fazendo e acabei entregando meu celular pra Tsukinoki-senpai resolver. Mas agora eu pesquisei na internet. Eu sei.
— Que negócio é esse? Não existe isso.
— Hã?
Não existe? E o chacoalhar-chacoalhar? Para onde foi?
— Aqui, só abre seu QR Code.
…Tá, e como eu faço isso? Quando eu hesitei, Yanami pegou meu celular e começou a mexer sem pedir.
— Pronto, eu te enviei uma solicitação. Só aceita.
— Ah… tá. Então isso adiciona a outra pessoa nos meus contatos?
— Exatamente. Agora, Nukumizu-kun, me coloca no grupo do Clube de Literatura.
Quando eu terminei o processo, nervoso, Yanami assentiu, satisfeita.
— Aliás… como você e a Lemon-chan ficaram tão próximos?
Yanami perguntou com naturalidade enquanto contava os últimos karaage com um palitinho.
— A gente parece tão próximo assim?
— Bem… ela até te deu um apelido.
"Nukkun", hein… sinceramente, eu acho que isso só surgiu na cabeça dela quando eu estava meio inconsciente no depósito da quadra e, por algum motivo, pegou. Enfim, se eu pensar na minha ligação com Lemon Yakishio…
— Bem… lembra do cara que apareceu na enfermaria? Mitsuki Ayano, da turma D.
— Ah, o cara pra quem a Lemon-chan estava soltando raios de amor? Ele é bem bonito, né?
— O Ayano disse que queria pegar um livro emprestado do Clube de Literatura, e a Yakishio foi quem fez a ponte.
— Hmm~.
Yanami murmurou, enfiando na boca o karaage e o brócolis que restavam.
— Ei… posso começar a te chamar de Nukkun também?
Hã? Pra quê?
— Cinquenta ienes por dia.
Desviei o olhar dos olhos brilhantes da Yanami.
— Tô de boa. Não preciso.
…Kaju, é isso que chamam de "extra opcional"?
*
O quinto período terminou. Eu fiquei vagando pelos corredores, evitando as pessoas, tentando matar tempo durante o intervalo. Quando a próxima aula acabar, vou ter que ir pra sala do clube discutir o retiro de amanhã. Se não me engano, o Ayano e a Yakishio também vão participar da conversa. As coisas ficaram inesperadamente corridas. Até sinto falta da tranquilidade da semana passada.
Saí do prédio da escola. A torneira perto do campo costuma ficar lotada de alunos depois da aula de Educação Física. Mas hoje, sem ninguém por perto, eu simplesmente abri a torneira. Na temporada da piscina, aquela torneira virava um ponto escondido, completamente deserto. A distância das salas, o fato de ser ao ar livre e a sensação única de "finalidade" que ela oferece a destacam das outras pias.
O gosto levemente terroso da água é estranhamente refrescante. Depois de dar um gole na água morna e limpar a boca, levantei o olhar—
E dei de cara com um rosto conhecido fazendo exatamente a mesma coisa na minha frente.
— N-Nukumizu? O que você tá f-fazendo aqui?
Na torneira ao lado estava Chika Komari, tomando a mesma água. Ela parece genuinamente irritada com a minha presença.
— Eu estava com sede, então vim beber água.
— E-Espera… você veio t-tão longe só p-por isso?
Komari me olhou como se não acreditasse. Qual é o problema dela? Ela é meio irritante.
— Olha quem fala. Você provavelmente está andando por aí bebendo água porque não quer ficar na sala de aula.
— C-Cala a boca. E-Eu… eu estou fazendo isso como p-parte da minha pesquisa. S-Sabe, tipo… estudando as t-torneiras da escola ou algo assim!
Pesquisa, é? Eu sorri por dentro. Ela sequer sabe com quem está falando?
— Komari. Só pra você saber, eu levo meu conhecimento sobre o sistema de água desta escola muito a sério. Se você vai afirmar isso, espero que tenha observações bem fundamentadas para sustentar.
— E-Então me diga: de qual b-bebedouro você b-bebeu hoje de m-manhã?
O olhar da Komari ficou afiado e sério. Assim começou a grande batalha das Crônicas dos Bebedouros.
— No primeiro e no segundo período, eu fico principalmente no lado leste do quarto andar, perto das salas do terceiro ano.
— E-E por que isso?
— É o seguinte: pela escola toda, a água que fica parada nos canos nessas horas é do dia anterior. Essa água tem menos cloro e, no verão, ainda não teve tempo de esquentar. Em resumo: dá pra beber água em condição ideal no quarto andar pela manhã.
Komari soltou um pequeno suspiro, como se estivesse impressionada.
— Quanto mais perto da caixa d’água, melhor a qualidade. Só que mais "frescor" vem ao custo de um cheiro de cloro mais forte. Esse equilíbrio entre frescor e um cloro sutil é raro — e só aparece nessa hora do dia.
Quando terminei a explicação, passei a mão no cabelo com confiança. Perfeito.
Mas, bem na hora em que eu saboreava minha vitória iminente, Komari abriu um sorriso malicioso, mostrando os dentes.
— H-Heh… que r-raso.
— O quê? O que você quer dizer com isso?
— O lado l-leste do q-quarto andar… você bebe de p-propósito antes ou d-durante o a-almoço.
Almoço? Isso é absurdo. Andares altos não servem pra beber água mais tarde.
— Por quê? No almoço o cheiro de cloro é mais forte, e a água fica morna.
— Amador… á-água mais m-morna é m-mais gentil com o estômago.
O sorriso convencido da Komari transbordava segurança. Apesar do pressentimento ruim, eu não podia desistir ainda.
— Por quê? Mas o cheiro de cloro ainda—
— A-Ao contrário… você a-acostuma com o cheiro de cloro…
— Acostuma?
Por que alguém iria querer se acostumar com cheiro de cloro antes do almoço? Espera… não me diga—
— P-Pra… deixar o cheiro do b-banheiro… menos p-perceptível.
— Eek!?
Ah, não. Isso eu não queria saber.
— Pelo menos vá pra sala do clube!
— U-Usar a sala do clube no almoço é p-proibido. Tinha gente m-matando aula pra f-ficar lá…
Então uma pequena preguiça de alguém causou esse tipo de tristeza?
— Komari. Por que você não vem almoçar onde eu almoço?
— Ueh!?
Que reação é essa? Ela continua grossa como sempre.
— Eu não estou dizendo pra gente comer junto. A escada de emergência do prédio antigo é silenciosa e confortável. Você pode comer em outro andar, diferente do meu.
— E-Eu vou p-pensar.
Komari evitou meu olhar e saiu apressada. Bem, ela ainda é meio espinhenta, mas acho que ficou um pouco mais confortável desde que a gente se conheceu. Afinal, a gente acabou de ter uma conversa inteira sem usar o celular.
Ah, a próxima aula vai começar.
Seguindo a Komari, eu corri de volta para dentro do prédio da escola.
*
Naquela tarde, depois da aula, na sala do clube. Mitsuki Ayano, que tinha vindo junto com Yakishio, pegou o volume final das obras completas de Kobo Abe.
— Ver tudo junto assim é impressionante. Qual eu devo pegar emprestado?
Observando-o, Tsukinoki-senpai cruzou os braços, satisfeita. Tendo recebido não só a Yanami como nova membro, mas também Ayano e Yakishio como visitantes, senpai estava claramente de ótimo humor.
— Não se contenha. Pegue quantos quiser.
— Você já leu todos esses, senpai?
Ayano, enquanto folheava o catálogo, passou o dedo pelas lombadas dos livros.
— Eu só li A Mulher nas Dunas e O Homem Caixa. Desisti de A Parede logo no começo da introdução do Karma.
— Isso é… literalmente o começo da obra inteira, não é?
Levando como piada, Ayano riu e puxou um livro da estante.
— Certo. Vou pegar emprestado o volume 12 por hoje.
Atrás dele, Yakishio espiou curiosa o livro nas mãos do Ayano.
— Mitsuki, se você começar pelo meio, a história não vai ficar sem sentido? Não era melhor pegar o volume 1 primeiro?
Ela mandou essa.
— Hã? Ah, não, de boa. Não é o tipo de série em que tudo é uma história contínua.
— Ah, é mesmo? Então não é tipo One Piece, né?
(Shisuii: Simplesmente o melhor mangá de todos os tempos, essa tem bom gosto!!!)
— É… é um pouco diferente. Esse volume tem uma peça que eu queria ler faz tempo.
Esse cara sabe lidar com a Yakishio. Ainda tem a questão da Asagumo-san, mas esses dois parecem combinar mais do que eu esperava.
Eu voltei minha atenção para Yanami. Usando uma coroa de papel escrita "Nova Membro", ela mastigava Pocky alegremente enquanto cantarolava. Ela parecia bem satisfeita com o quanto as coisas "deram certo" na recepção.
— A propósito, Ayano-kun… você tem interesse em entrar no Clube de Literatura?
Tsukinoki-senpai finalmente atacou, convidando no timing perfeito.
— Eu tenho curiosidade, mas… eu sou ocupado com o cursinho, e eu ficaria mal se não conseguisse contribuir com as atividades do clube.
— Ah, para. Você pode só passar pra pegar livros emprestados quando quiser. A gente deixa todo o trabalho do clube com o Nukumizu-kun, e você trata a estante como sua biblioteca pessoal. E além disso—
Os óculos da Tsukinoki-senpai brilharam de um jeito suspeito.
— Nosso clube tem uma tradição de fornecer membros para a comissão da biblioteca da escola. A gente tem conexões para influenciar as compras de livros novos.
— Espera, sério?
— Sério, sério.
— Bem… então eu vou pensar.
Eu não consigo dizer o que ele está pensando de verdade, mas ele parece interessado. Segurando o panfleto de recrutamento do clube, ele começou a ler com curiosidade.
— Por que você não entra também, junto com sua namorada fofinha?
Agora ela está indo atrás dos dois como um par. Tsukinoki-senpai voltou a atenção para Yakishio.
— Eh!? E-Eu? Você está me chamando de namorada dele? Poxa… isso é até lisonjeiro~;
Yakishio aceitou o panfleto com alegria, claramente de bom humor.
— Mas eu já estou no Clube de Atletismo, então talvez fique difícil pra mim.
— Ah, a gente super aceita dupla filiação! Na verdade, todos os nossos membros participam de mais de um clube.
Espera, sério? Que tipo de clube foi que eu entrei?
— Se você quiser matar treino do atletismo, pode usar a gente como desculpa. Tipo: "Ai, não, a presidente do clube me obrigou a vir!" ou algo assim.
Isso é praticamente um sussurro do diabo. Tsukinoki-senpai está com um sorriso absurdamente malicioso.
— Viu? Uma vida escolar divertida é sobre usar o que você tem à disposição. Né, Ayano-kun? Você também ia gostar se pudesse passar mais tempo com a sua namorada, não ia?
— Hã? Mitsuki, você também gostaria?
Yakishio se inclinou para a frente, com os olhos brilhando. Ei, você não devia estar negando essa história de "namorada" agora mesmo?
— Haha… eu ia me sentir mal pela Lemon. A gente não namora nem nada.
Ayano colocou com cuidado o livro que pegou emprestado dentro da bolsa, como se encerrasse o assunto.
— Hã… sério?
— Ela é bem popular desde criança, então alguém como eu não tem chance.
Ayano disse isso com um sorriso leve, enquanto jogava a bolsa no ombro.
— Bom, por enquanto vou levar este aqui. Eu volto num dia em que eu não tiver cursinho—
— Eu não tenho namorado nenhum! E só porque eu sou popular não quer dizer que eu aceito qualquer um!
Yakishio o interrompeu, agarrando a camisa dele e puxando-o para mais perto. Ayano piscou, surpreso, encontrando o rosto bronzeado dela com um toque de confusão.
— E-Entendi… desculpa. Eu falei alguma coisa estranha?
— Não é isso, mas… é que… eu… desculpa.
Tsukinoki-senpai, percebendo a tensão estranha entre os dois, olhou de um para o outro e soltou, sem pensar—
— Hm. Mesmo que vocês não estejam namorando, vocês meio que passam essa vibe.
Tinha que falar algo desnecessário. Essa senpai é desligada em segredo?
— Hã!? N-N-N-Não é nada disso!
— Não, de verdade, não é. Além disso… eu tenho namorada.

Com essas palavras ditas tão casualmente por Ayano, o sorriso envergonhado e confuso de Yakishio congelou completamente em um instante.
— Hã? O que foi, pessoal?
Ayano parecia confuso. Clack. A porta da sala do clube se abriu.
— B-Boa ta—
Komari espiou para dentro, olhou ao redor da sala—Bam. E então fechou a porta imediatamente e saiu correndo.
— Lemon… eu falei algo estranho de novo?
— Ah… hã… Mitsuki… você… tem namorada…?
De algum jeito, Yakishio conseguiu reiniciar e forçar as palavras para fora.
— Ah, sim. Recentemente. Acho que eu ainda não tinha te contado, Lemon. Apresento ela pra você a qualquer hora.
Mitsuki Ayano coçou a bochecha, sem graça, e fez uma leve reverência.
— Ayano, espera um pouco. Por acaso sua namorada é a Asagumo-san?
Eu precisei perguntar só pra confirmar.
— Descobriu, hein? Sim, é isso mesmo. Eu apresento ela direitinho na próxima, Nukumizu.
Ele deu seu sorriso refrescante de sempre antes de se virar de novo para Yakishio.
— Então, Lemon… vamos?
— Hã?
— Você não queria que eu fosse fazer compras com você? Ainda dá tempo antes do cursinho.
Os olhos inocentes do Ayano brilharam. Espera… esse cara é do tipo denso?
— Ah… hã… quer dizer… surgiu uma coisa de última hora. É… eu decidi entrar no Clube de Literatura, então achei que ficaria aqui um pouco.
— Ah, entendi. Bom, então eu vou indo primeiro.
Com uma reverência educada, Ayano saiu da sala.
…E agora, o que eu faço com esse clima estranho?
No silêncio eterno que se seguiu, Yakishio parecia prestes a desabar. Entrando em pânico, eu rapidamente puxei uma cadeira para ela. Por pouco, ela se sentou — apenas para estender a mão na minha direção.
— Hã? O quê?
— A ficha de inscrição do clube. Me entrega.
Enquanto rabiscava seu nome no formulário, Yakishio murmurou para si mesma:
— Então… o Mitsuki… tinha namorada esse tempo todo, né… haha… o que foi que eu estive fazendo esse tempo todo…?
Provavelmente só correndo em círculos. Não que eu fosse dizer isso em voz alta. Yanami colocou a coroa de "Nova Membro" na cabeça de Yakishio com um leve toc.
— Bem… por enquanto… bom trabalho.
— Sim. Eu… já era.
Yakishio abraçou a cintura de Yanami e enterrou o rosto no estômago dela. Antes que o som dos fungados chegasse aos meus ouvidos, eu agarrei a Tsukinoki-senpai e a puxei para fora da sala do clube.
— Hã… eu fiz algo errado?
Parece que ela finalmente entendeu a situação ao olhar nervosamente de volta para a sala.
— Fez. Por favor, reflita profundamente sobre isso.
Suspirando, eu tirei meu celular e abri o bloco de notas.
— Enfim, sobre o retiro de amanhã. Eu pesquisei os horários de trem e ônibus, então vou mandar no grupo mais tarde. Vamos nos encontrar na entrada da Estação Aidaimae, certo?
— Sim, mas… ei, Nukumizu-kun.
— Também vou mandar uma lista final do que trazer. Ah, e como o presidente ainda não respondeu, você pode confirmar com ele por precaução?
— Nukumizu-kun, espera. Tipo… muita coisa acabou de acontecer na sala do clube, né? Talvez a gente devesse falar disso primeiro?
— Senpai, você não foi lá e piorou a situação em vez de tentar aliviar?
— Ugh, você é bem direto, hein?
Bom, é só uma impressão, mas acho que esse é o tipo de pessoa com quem é preciso ser bem literal.
— Eu vou ficar por aqui de olho nas coisas, então fique à vontade pra ir pra outro lugar—
Hã. Komari estava espiando de trás de um canto do corredor, com metade do rosto à mostra. Ela está curiosa sobre o que está acontecendo aqui?
— Senpai, você pode fazer algo sobre a Komari, por favor?
— Entendi. Sou boa nisso. Deixa comigo.
Tsukinoki-senpai mexeu os dedos enquanto se aproximava da Komari. Assustada, Komari saiu correndo. Senpai foi atrás. Ah, que saco. Ser solitário não é só evitar pessoas passivamente — é uma escolha ativa de se manter longe de problemas.
Encostado na parede, eu olhei para o celular, e apareceu uma mensagem da Yanami. Ela queria saber se eu queria tomar um chá no caminho de volta pra casa. Bom, ela podia fazer o que quisesse, mas por que me convidar?
Eu estava prestes a recusar quando a mensagem seguinte me fez olhar duas vezes.
O lugar que ela sugeriu é um restaurante familiar um pouco mais longe da escola — o mesmo onde a Yanami foi rejeitada alguns dias atrás.
*
— Bem-vindos! Podem sentar onde quiserem!
A voz animada de uma funcionária nos recebeu quando entramos no restaurante familiar já conhecido. Nada no interior parecia diferente do normal. Nós três caminhamos vinte minutos desde a escola até esse restaurante na cidade vizinha.
Yanami se jogou no sofá e deu tapinhas no lugar ao lado dela.
— Lemon-chan, senta aqui.
— Sim, obrigada.
Yakishio se sentou obedientemente, com um comportamento estranhamente contido. Talvez ela tivesse tido mais chances com o Ayano se fosse sempre assim.
— Yana-chan, eu não sabia que tinha um lugar desses por aqui.
— Pois é? Não tem muitos alunos da Tsuwabuki aqui, então é um tesouro escondido.
Eu me peguei encarando Yanami enquanto ela folheava alegremente o cardápio de sobremesas.
…Este é o mesmo restaurante onde ela levou um fora do Sosuke Hakamada. O que é essa força mental inquebrável? Quem traz uma amiga que está tentando animar para o mesmo lugar onde ela própria foi rejeitada?
— O que foi, Nukumizu-kun? Nem está olhando o cardápio.
— É só que esse lugar…
Yanami inclinou a cabeça, confusa.
— Não, não é nada. Aliás, cada um paga o seu, ok?
— Claro, Nukumizu-kun.
Bom, se ela está de acordo, então tudo bem. Yanami apertou o botão para chamar o atendimento.
— Falar de dinheiro na frente de uma garota de coração partido? Isso é meio insensível, não acha? Lemon-chan, hoje é por nossa conta.
Ser repreendido pela Yanami sobre sensibilidade foi… estranho. Além disso, ela me incluiu casualmente no "nossa".
— Certo. Vamos dividir a refeição da Yakishio-san entre mim e a Yanami-san.
— Eh, mas eu me sinto mal…
— Pense nisso como uma comemoração por entrar no Clube de Literatura. Peça o que quiser.
— Lemon-chan, hoje você pode se apoiar na gente!
Depois de dizer isso, Yanami inclinou a cabeça, curiosa.
— Espera um pouco. Eu também entrei no clube hoje.
— Pra você, Yanami-san, a gente comemora outra hora. Ah, com licença, estamos prontos pra pedir.
Mimar ela não vai levar a nada de bom. E como se provasse meu ponto, ela pediu um hambúrguer… do cardápio de sobremesas.
— Ah, e o arroz pode ser tamanho normal, por favor.
— Yanami-san, você tem certeza que vai ficar bem comendo isso antes do jantar?
— Você não sabe? Doces são o inimigo mortal da dieta.
Como exatamente comer hambúrguer antes do jantar ajuda na dieta? Yakishio apontou para o cardápio de sobremesas.
— Então eu quero o Parfait Black Thunder.
— O que é isso? Eu também quero um depois da minha refeição!
Yanami imediatamente adicionou o mesmo parfait ao pedido. Pelo visto, doces não são inimigos dela.
— Também vamos querer uma porção grande de batatas fritas e três passes do drink bar. Ah, e Yanami-san, você vai pagar a sua própria refeição.
Isso é importante, então vou repetir.
— Tá, tá, eu sei. Nukumizu-kun, é por isso que você não tem amigos.
Eu observei as duas caminhando juntas até o drink bar. A Yanami parece ter voltado ao normal. É reconfortante, mas também meio anticlimático. No fim, passei a próxima hora ouvindo as reclamações delas enquanto via a Yanami devorar o hambúrguer sem esforço.
Ainda assim, quando saímos, Yakishio já estava sorrindo de vez em quando, então acho que não foi uma perda total de tempo.
— Yakishio-san, vamos cuidar da conta, então você pode esperar lá fora pra gente?
Enquanto esperávamos na fila do caixa, mandei Yakishio ir na frente. Yanami me olhou com leve surpresa.
— Oh, Nukumizu-kun, isso foi até bem atencioso da sua parte.
— Não foi nada demais. Além disso, você precisa ser gentil com as makeines—
…Hm? Eu acabei de dizer algo perigoso porque baixei a guarda?
— Ah… você sabe, make…
— Fazer o quê, exatamente? Ei, me conta.
— Sabe… tipo… McCain! Aquele cara, o McCain!
— Seu amigo?
Até parece.
— Quer dizer, aquele político americano famoso.
— Por que você está falando disso do nada?
Boa pergunta. Olhei ao redor procurando algo pra me salvar e notei um pôster na parede anunciando uma Feira de Hambúrguer Americano. Seguindo meu olhar, Yanami bateu palmas, entendendo.
— Ah, entendi! Então, da próxima vez, vamos comer hambúrguer, né? Ok, estou ansiosa!
Ou seja, ela quer dizer que eu devo pagar da próxima vez também. Mas se isso apagar meu deslize, acho que não tenho escolha. Quando chegou minha vez no caixa, entreguei o recibo para o atendente.
— Ei, Nukumizu-kun, falando nisso, a gente não acertou o almoço de hoje, né?
— Ah, verdade. Que tal 500 ienes? Estava bom, afinal.
— Entendido! 500 ienes, recebido!
Yanami sorriu, juntando as mãos feliz. Certo, então o saldo restante era 2.367 ienes, e o almoço de hoje foi 500… então sobram 1.867 ienes.
Aliás, o total aqui no caixa já ultrapassa facilmente a dívida restante dela.
— Sério, isso não é eu te pagando nada. Yanami-san, você ainda me deve dinheiro.
— Nossa, como você insiste. Como eu já disse, é por isso que você não tem amigos, Nukumizu-kun. Ah, aliás, eu tenho cartão T-Point!
— Certo. Eu pago metade do que a Yakishio-san comeu e a minha parte. Tenho o suficiente.
Coloquei algumas moedas na bandeja.
— Certo. Então, o resto…
Yanami abriu a carteira—e então congelou.
— Hm? O que foi?
Ela não está sem dinheiro, né? Nem a Yanami faria algo tão absurdo… certo? Isso só faria dela uma completa idiota. O corpo da Yanami começou a tremer levemente, quase imperceptivelmente.
— Não me diga que você está sem dinheiro…
Yanami levantou o rosto, com os olhos marejados, e olhou direto para mim.
— Hã… Nukumizu-kun…
Essa garota é mesmo… só… uma idiota? Sem dizer uma palavra, eu entreguei a ela uma nota de 1.000 ienes.
Saldo Atual do Empréstimo: 2.867 ienes
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