Sputnik Saga Brasileira

Autor(a): Safe_Project


OVERKILL

Capítulo 2: Sinfonia de Insetos

A missão de limpeza foi finalizada em apenas 2 dias. Um recorde comparado a incursões anteriores em outras cidades fantasma.

De vampiros foram eliminados 137 Vagantes, 85 Indulgentes, 32 Transformados e 15 Descendentes.

Um esconderijo foi encontrado numa antiga estação de metrô subterrânea, onde 17 sobreviventes foram resgatados e levados para um acampamento militar para se recuperarem antes de serem transferidos a uma comunidade segura.

Das 142 cidades em toda a região, 109 foram abandonadas desde a ascensão dos vampiros. Com a desta última missão, 110.

Um total de 60 Soldados de Elite foram usados na operação, com apenas 1 baixa e 3 feridos.

As visitas à enfermagem começaram pela manhã. Meros exames de rotina.

Por ser mais resistente que qualquer outro soldado e quase sempre voltar ileso, Devic era o último da fila como de costume, resultando em sua visita ocorrendo no meio da madrugada.

Entrou na sala e deixou sua espada encostada na parede ao lado da porta. Boa noite, cumprimentou a enfermeira.

Acostumado com uma senhora que costumava passar a mão na bunda de todos os soldados, teve uma surpresa ao encontrar uma jovem moça.

— Você é nova por aqui?

Hehe, você notou? Eu fui transferida de outra unidade. Disseram que havia falta de pessoal, então me voluntariei para ajudar.

Ela folheou seu caderno até encontrar a ficha do paciente, focando sua leitura nas informações mais importantes.

— Vejamos…

-Devic Santos, 42 anos.

-Maldição: [Overkill]. Qualquer lâmina ou ferramenta cortante empunhada torna-se capaz de cortar qualquer coisa, exceto seres vivos ou qualquer material orgânico.

Além deste básico, a enfermeira se deparou com algo inédito. Entre os Soldados de Elite, Devic era o único a dispor de um equipamento extra, listado logo abaixo.

-Total de Órgãos Especiais Implantados: 3

-Segunda Camada Muscular: Uma camada artificial sobreposta a todos os músculos do corpo que quadruplica as capacidades destes, tal como força, resistência e flexibilidade. Efeitos colaterais podem incluir: Dor intensa, decaimento muscular acelerado e morte.

-Terceiro Olho: Implantado no crânio e conectado a diferentes partes do cérebro. Proporciona aumento significativo nas capacidades visuais, auditivas, olfativas e nos reflexos naturais ao ponto de se assemelhar a uma "visão do futuro próximo". Efeitos colaterais podem incluir: Alucinações, intensa dor de cabeça, loucura parcial e morte.

-Núcleo Regulador: Acoplado ao coração, atua complementarmente aos outros dois órgãos, tornando o corpo capaz de suportar as cargas físicas e mentais excessivas e regulando a circulação sanguínea e a produção de hormônios a depender de cada situação. Qualquer dano no Núcleo deve ser imediatamente observado e corrigido.

Ela releu algumas vezes, surpresa que o Núcleo Regulador não possuía efeitos colaterais. Por fim, fechou seu caderno, um tanto embasbacada.

— Entendi porque você é o mais forte entre os soldados. Com tantas modificações, é difícil ter competição.

Ele deu um riso sem graça.

— Apenas faço o necessário como um veterano. Alguém precisa controlar os mais novos em campo.

Hehe! Eu me assustei um pouco à primeira vista, mas você é bem gentil. — Ela fez algumas anotações e se levantou. — Muito bem, se me permite, vou começar os exames. Deite na mesa, por favor.

Devic assim o fez, enquanto a enfermeira colocou luvas, uma máscara e tirou uma cabra viva de dentro do armário, cujos chifres começaram a rodar num intenso barulho de serra.

Vinte minutos depois, todos os procedimentos foram concluídos e Devic foi liberado sem quaisquer problemas.

Ainda no hospital, o espadachim caminhou por mais alguns corredores até chegar numa sala específica. Em frente à porta e com a mão na maçaneta, respirou fundo antes de entrar.

O frio hospitalar foi expulso por uma brisa morna, complementada por um curto sorriso primaveril no quarto de tons terrosos.

— Bom dia. OhParece cansado, o que aconteceu?

Encontrou sua esposa, deitada numa maca centralizada no cômodo. Sentava com as costas afundadas numa pilha de travesseiros, lendo um livro de contos infantis enquanto aquecia as pernas com uma coberta de estampa florida.

Devic riu brevemente e retrucou: — Bom dia, é que um vampiro ficou tagarelando no meu ouvido hoje.

Ele puxou uma cadeira e sentou-se ao lado da maca.

O olhar passeou pela moça, admirado e alegre em ver vários sinais de saúde. A pele morena alcançou um estado jovial, isenta das marcas de batalhas antigas, suas unhas foram feitas com cuidado e as mãos de uma guerreira perdiam os calos aos poucos. Melhor ainda era seu rosto, bem dormido, como se nunca tivesse conhecido a dor ou o cansaço. Em seu peito, o nome "Amanda" era escrito no adesivo.

— Se sente melhor? — perguntou, sua perna pulando.

Ela abaixou o livro e sorriu, trazendo a atenção para si ao pôr uma mão no ombro do espadachim.

— Só me diga o que aconteceu.

Devic hesitou, mordeu o lábio e desviou o olhar. A atenção caiu sobre a espada na cintura, a lâmina limpa, enquanto as luvas manchadas com sangue recente.

— Eu não encontrei nada, e o vampiro que capturei agia tão estranho quanto os outros, como se ele não soubesse ou conseguisse falar alguma coisa. Tem algo errado, mas eu não sei o quê.

… Esse Ludwig, por causa dele você ficou nesse estado. Os médicos continuam falando que é algum tipo de reação única, e que podem desenvolver uma cura se tiverem uma amostra do sangue dele. Só que eu já procurei tanto e até agora nada! Eu comecei a me perguntar. Será que esse cara realmente…

Uma mão pousou sobre seu braço a tremer. Ao pedido da esposa, ele aproximou mais o rosto e recebeu um carinho na cabeça.

— Você tem se esforçado tanto… Eu sei que vai dar certo. É apenas questão de tempo.

Devic sorriu em resposta, um pouco sem graça, mas com esperança renovada. A troca de foco o permitindo emendar em um outro assunto.

— Tem algo que eu queria perguntar. — Bateu os dedos, simulando uma briga de polegares. — Lembra de quando a gente…

Blank! A porta abriu num baque repentino.

— Opa, como vai o meu soldadinho preferido (⁄ ⁄>⁄ ▽ ⁄<⁄ ⁄)? Sabia que ia estar… hã?

Devic deu um longo suspiro antes de receber o invasor com um olhar de canto.

— Oi… Lucas.

Pela cara do espadachim, havia acabado de tirá-lo de um bom sonho.

O quarto agradável tornou-se no que parecia o interior de uma fornalha industrial.

Do chão ao teto, placas de metal serviam de proteção para o vapor quente que passava, um pouco vazando por alguns canos que controlavam a pressão. Magma era a fonte principal de energia do sistema na sala, deixando-a num constante tom avermelhado.

Devic se sentava sobre um pequeno tambor de metal, sua imagem distorcida pelas ondas de calor, mas a figura que encarava sempre foi nítida.

Amanda, como esperado, estava em coma dentro de uma cápsula parecida com um caixão — uma previsão mórbida. Diferentes tipos de equipamentos eram conectados em todos os seus orifícios, mantendo os batimentos do coração no limite do que poderia ser considerado como vivo.

Ela estava neste estado há quase cinco anos.

— De-Desculpa interromper…

O olhar confuso de Devic passeou entre a sala, Lucas e a sonolenta Amanda, até congelar por alguns segundos na parede.

— Sem problemas. E então, o que te traz aqui?

— Venho relatar algo de seu interesse, chefia (⌐■_■). O Líder Absoluto lhe convoca para uma missão especial e de extrema urgência, preciso que me acompanhe imediatamente.

— Posso pelo menos saber o que é?

— Claro, mas eu preciso que não se exalte, tudo bem? Sei que vai ser um baque imenso para você, só que eu tenho ordens…

Os rostos digitais cessaram. Por um breve instante, foi possível ver os olhos de Lucas através do capacete. Intensos, escondendo o pavor de alguém que conheceu um futuro ruim.

— Se você não se comportar, eu terei de usar a força.

Palavras simples, sem nenhum peso especial para os dois. O garoto era forte, Devic admitia, mas faltava bastante coisa para lhe superar, o mesmo valia para os outros soldados.

Tirou a espada embainhada da cintura e jogou para Lucas, que agarrou-a com surpresa. Nem de longe isto garantia estar seguro ou com vitória garantida numa possível luta contra Devic, mas aceitou o gesto simbólico.

Assumiu posição formal; um soldado em serviço.

Sem os rostos digitais no capacete, Devic viu o próprio reflexo inquieto no visor ser subitamente tomado por urgência.

— Ludwig está aqui.

                                                                                                                   

O comando do Líder Absoluto foi simples e direto: Vá para o teatro do 3° Distrito Inabitado.

Tratava-se de aproximadamente 30 quilômetros de onde estavam, e mesmo sem o auxílio de veículos ou qualquer tecnologia de transporte instantâneo, Devic cobriu a distância em menos de dez minutos.

O rastro que deixou foi uma enorme nuvem de poeira que criou redemoinhos, dilacerando vampiros desavisados.

Estava agora de pé na entrada principal teatro. Pelas frestas de toda a estrutura escapava uma melodia abafada, pronta para receber o convidado especial.

Respirou fundo, atchim! o nariz coçando devido a poeira.

Abriu as portas sem pressa, e a luz que invadiu o local revelou um grande a grande área para a plateia e um curto palco mais adiante. Expectadores humanos substituídos por montes de poeira e insetos rasteiros.

A sinfonia dominava a área. Um tom vibrante e cheio de vida, o maestro no centro do palco a guiar os instrumentos que tocavam sozinhos ao seu redor. Seus comandos intensos desenhavam as partituras em pleno ar. Arte, seria a definição. Uma mistura melódica de teatro dramático com uma orquestra assombrosa.

Apresentava para uma plateia fantasma, silenciosa, mas atenta. No entanto, sequer hesitou antes de levar sua atenção para a entrada. Lá jazia seu convidado de honra.

— Que surpresa agradável.

À primeira vista era um homem qualquer vestido num terno simples, a verdadeira natureza revelada por vontade própria.

Os instrumentos se viraram na direção de Devic, imitando o coro irritadiço ao serem interrompidos.

As harpas rastejaram pelas paredes usando as cordas como patas, violinos serpenteavam por entre as poltronas e tambores se colocavam como muralhas nas saídas. Cada um a exibir uma larga boca com presas sedentas por sangue, tal como a de seu mestre.

Mesmo cercado, o espadachim seguiu firme. Passos curtos e decididos o guiaram em direção ao palco, a aura sobre a cabeça da criatura se tornando cada vez mais clara.

 

Vampiro Original

Força 45/100

Agilidade 50/100

Inteligência 84/100

 

— Você está atrasado, convidado. Sendo um Soldado de Elite, eu esperava sua presença no momento em que eu me revelasse por aqui. Estou de olho em você há um certo tempo, mas… — Viu a espada ser sacada. Nenhuma palavra trocada. — talvez eu tenha te superestimado.

Mesmo sob a luz dos holofotes, Ludwig era desenhado como uma mera silhueta andrógena. Seu rosto sempre oculto por uma escuridão incoerente, quase cômica, como se uma força maior guardasse o rosto do vilão para mais tarde. Gesticulava ainda a guiar sua obra.

Os passos de Devic influenciados pelo ritmo da sinfonia. Sem perceber, tornou-se parte da música. Desceu calmo os degraus da plateia, fazendo metade do caminho até o palco.

Parou entre os degraus, analisando com afinco. A criatura respondeu com sorriso alegre, a chamar seu convidado para o papel de secundário.

— Sabe o motivo de eu estar aqui, jovem soldado? — Sem resposta, fez um biquinho decepcionado e continuou. — É uma abertura. Não notou nada de estranho até agora?

Um sorriso pontudo e um estalar de dedos deu a ordem, todos os minions avançaram em ritmos sincronizados. Cada movimento usado em notas precisas, seguindo as ordens do maestro num ataque coordenado.

Todos ignorados.

Devic os evitou com admirável jogo de pés e, num avanço que arrancou tábuas do chão, se pôs a centímetros do verdadeiro alvo.

Brandiu a espada numa fúria meteórica, determinado a decapitar o vampiro mesmo que sua Maldição impedisse tal ato.

A lâmina da própria morte almejou o pescoço de Ludwig.

CLUNK!

A colisão criou uma rajada de ar que destruiu metade do palco e criou um rombo numa das paredes adiante.

Um dedo, foi tudo que bastou para pará-la.

— O que te aflige tanto, meu rapaz? Chegou a esquecer-se das boas maneiras!

Sua voz era doce, levemente afeminada, repleta da mesma curiosidade de um gato que capturou um pássaro pela primeira vez.

O frio súbito a congelar a espinha da vítima, impedindo a fuga.

Incapaz de gritar, a raiva do espadachim se limitou ao ranger dos dentes. A mão do vampiro deslizou com graça pela lâmina que antes que o ameaçava, enquanto o rosto se aproximou até que tocassem as testas.

— Eu te conheço bem, mas será que você me conhece, Devic?

Tudo que restou na visão do soldado foi um par de olhos famintos.

O rosto de Ludwig se afastou como se os olhos afundassem dentro do próprio crânio, seus ouvidos atacados pela pressão do leito oceânico.

Flash!

A escuridão foi quebrada pela luz de um único holofote. Devic estava sozinho no palco, a plateia ainda oculta no vazio. Com o corpo livre, preparou-se para a apresentação.

Violinos serpentearam por entre as frestas do chão, as presas de cordão incapazes de penetrar sequer o tecido de sua calça. Esmagados com pisões.

As harpas atacaram com rasantes, as asas de fios cortantes rasgando o próprio ar, e ainda assim parados por um golpe com as mãos nuas.

"Um ataque mental."

Ele tinha certeza, como sair era a questão.

O próximo oponente foi o grande tambor, cada passo tremendo todo o teatro. Se jogou sobre o soldado como uma muralha em colapso.

CHANCK! CLANK!

Uma sequência de socos o desfez em mil pedaços, tão rápido que o tambor foi incapaz de tocar uma última vez. Uma morte silenciosa.

Devic aguardou pela próxima onda, mas atacado somente pelo peso dos olhares sobre um ator solo.

Empunhou a espada com as duas mãos, pretendendo um golpe vertical que desmantelaria o teatro e revelaria seu ventríloco.

TRUSK!

O chão então quebrou de repente, as tábuas torcidas por mãos que agarraram-lhe os pés e puxaram para baixo. Engolido pelo palco, afogou-se numa apresentação tão profunda que jamais pensou ser possível alcançar.

Novamente, a escuridão foi quebrada por uma forte luz, uma que agora cobria uma larga área.

Estava no centro de uma arena de coliseu. No lugar de humanos, a plateia era composta por uma multidão de formigas de tamanho equivalente. O próprio ar a tremer com as palmas produzidas por patas e mandíbulas. Os gritos finos e pisões  sincronizados a encenar um coral tribal que desejava nada além de sangue.

De um dos portões da arena surgiu um indivíduo maior, um tipo robusto, mais para vespa do que formiga.

Com jeito humanoide, caminhou pela arena até ficar frente a frente com Devic, seu rosto refletido nas infinitas lentes da criatura.

— Eu vejo…

Suas mandíbulas simulavam com dificuldade o movimento de lábios. A voz raspava pela traqueia como se coberta por ferrugem, envolvendo suas palavras num veneno específico para o atual inimigo.

— Então é assim que os vê? Fascinante, o esperado de um Soldado de Elite! Seu mundo foi tão distorcido que sequer consegue distinguir os humanos dos vampiros na plateia.

A criatura se agachou, ficando à mesma altura que o homem.

— Mas então diga-me, humano. Se o mundo inteiro é composto por insetos, não seria você o estran…

TUMPH!

Usando a espada como um martelo, Devic afundou a grande formiga no chão com um golpe limpo.

— Eu não vim aqui pra ter conversa filosófica. Vai tentar lutar por sua vida ou não?

A expressão inalterada, levemente cansada, cessou com os tambores ritualísticos.

No silêncio súbito, toda a luz se concentrou no espadachim.

Logo ao seu lado, Ludwig emergiu do próprio chão em velocidade dramática.

Ha~ Sabe, existe um problema em trabalhar com atores experientes. Isto é: alguns deixam o ego subir à cabeça e ficam querendo se tornar o próprio dramaturgo.

O quê? A testa franzida do espadachim tirou outro longo suspiro do vampiro.

— Você! Você é o "ator experiente". Essa sua força, agilidade, flexibilidade, são todas de primeira categoria, mas QUAL É A GRAÇA NISSO!? — Aproximou-se sem medo, um diretor enfurecido com seu subordinado. — Onde está a ação crescente, o drama, o clímax? Nenhum deles pode existir com alguém como você!

O dedo julgador afundado em sua bochecha fez uma veia saltar-lhe a testa, ao mesmo tempo, compreendeu a analogia e acrescentou.

— Você fala… tipo um protagonista de power fantasy?

— Como é que é o negócio?

As luzes piscaram. Com um curto bastão em mãos, Devic apontava em um quadro negro com um monte de termos e imagens desconhecidas ao vampiro. Após ajeitar os óculos cujas lentes foram substituídas por leds brilhantes, iniciou:

Kaham! Power fantasy é um tipo de obra onde o protagonista é estupidamente forte, superando os desafios da história com pouca ou nenhuma dificuldade, o que muitas vezes atrai a atenção de outros personagens, normalmente mulheres, que vão ser personagens que existem com a mais pura e óbvia intenção de servirem como harém e atrair o público masculino adolescente, que costuma ser o alvo. É um tipo de narrativa que envolve um nível altíssimo de idealismo, às vezes o protagonista é usado como uma mera ferramenta do autor para forçar identificação com os leitores, colocando situações onde ele revida o bullying, por exemplo, ou consegue conquistar a gatinha que ele é apaixonado só pra depois ficar num lenga-lenga sem sentido e pagar de foda enquanto faz pose. O real problema, no entanto, é exatamente a proposta do gênero. Uma história normalmente é sobre um personagem fraco que, através de várias conquistas e superações, se torna alguém forte e digno no fim da história, mas como se poderia desenvolver um protagonista que já está no seu ápice de poder no início da narrativa? Isso varia dependendo da história e do próprio autor, alguns conseguem fazer ser interessante ao reinterpretarem o conceito, enquanto outros só exageram tudo e escondem escrita porca atrás de cenas legais aqui e ali. Mas, como eu disse, existem as exceções. Um dos jeitos que eu mais vi sendo usados e que mais me agradou na construção desse tipo de história foi…

— Tá, chega dessa merda.

Os equipamentos docentes sumiram e o aluno revoltado lançou uma cadeira no professor, que evitou o ataque usando uma carteira de trabalho assinada como escudo.

Assustado, Ludwig deu um passo para trás.

— O quê?! Co-Como fez isso? Não era pra você ter controle sobre esse ambiente!

O vampiro foi agarrado pelo pescoço antes que se afastasse, seu corpo erguido por apenas uma das mãos do soldado, que respondeu:

— Nós recebemos um treinamento específico para ataques do tipo ilusão. A maioria funciona como um sonho lúcido, então fica fácil revidar quando se reconhece o espaço como algo falso.

Tsc! É exatamente disso que eu falo!

O vampiro tirou uma chave do bolso e perfurou o pulso de Devic, girando como a fechadura de uma porta e forçando sua soltura.

Afastou-se em saltos velozes, o pescoço marcado pelo aperto dos dedos. Rouco, Ludwig apontou com dedo furioso.

— Não há graça em lutar com você! Não há tensão ou qualquer coisa! E eu sou suposto a manter algo assim interessante?! Eu prefiro morrer do que ter que passar por esse sofrimento todo!

— Tudo bem.

A espada em suas mãos se desfez em névoa. Uma bomba atômica surgiu e deixou o vampiro sem tempo para reagir.

— AAAAAHHH!!

O anfiteatro foi engolido numa nuvem de poeira junto de metade do quarteirão. Edifícios próximos desabaram com a onda de choque, desorientando criaturas e eliminando vampiros menores que passavam por ali.

Mais adiante, Lucas e os soldados que o acompanhavam agradeceram por chegarem atrasados.

Devic saiu da nuvem cinza intacto, apesar de que a poeira levaria uns três banhos para sair. A espada muito bem guardada na cintura dizia todo o necessário aos soldados, que se retiraram quase de imediato.

Lucas foi o único a olhar um pouco mais atentamente.

— Eu conheço essa expressão. Aff, cara, eu sei que é um Original, mas não tem como ele ter sobrevivido a uma coisa dessas. Nem aura eu enxergo! Com certeza esse aí virou história. — Deu um tapinha no ombro do colega. — Vem comigo, vou fazer um churrasco pra comemorar sua vitória!

Ele então se afastou, tão rápido quanto chegou. Uma aparição conveniente, quase programada. Eles chegaram sem lutar ou sem questionar. Acima de tudo, sem interesse pelas provas ou resquícios de um conflito.

Enquanto o astronauta se afastava, Devic voltou a atenção para os escombros do teatro. O olhar atento deslizou por cada parede, tábua revirada e instrumento destroçado. Sem sinal de qualquer vampiro.

Mais do que nunca, uma frase tomava conta da mente do espadachim.

"Tem algo errado."

Enquanto a poeira se assentava, o espadachim caminhou sobre os destroços do teatro com olhos atentos. Cada parede caída, tábua partida e instrumento amassado. Nada além de silêncio, até que algo chamou sua atenção.

Sua maior prova existiu por apenas alguns segundos em sua mão, desfazendo-se numa névoa fina, sem deixar qualquer rastro para trás. O dedo de uma moça; uma vampira.

A pequena pista de um alvo que, mesmo invisível, tinha uma presença impossível de ignorar. Em sua unha afiada, os gritos de incontáveis vítimas murmuraram um pedido de socorro antes que o membro desaparecesse em meio ao ar seco.

 

 

 


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