OVERKILL
Capítulo 11: Raso
O aglomerado de centenas de milhares de vampiros estava reunido. Em comparação, os Soldados de Elite chegavam aos poucos, reunindo apenas algumas dezenas de milhares até o momento.
Não havia qualquer motivo para esperar.
Num único movimento de mão, Ludwig soltou a coleira de suas crias.
TRURURURURUM!!
Uma marcha desenfreada causou tremores na terra, marcando o início do evento.
Vampiros de todas as categorias pisoteavam uns aos outros. Sedentos. Atropelavam tudo à frente como uma nuvem de gafanhotos que caiu sobre a terra como praga divina, destinados a devorar qualquer um que cruzasse seu caminho.
Tal desordem, no entanto, estava longe de ser um problema.
O chão à frente das criaturas se abriu numa ravina cujo fundo estava fora de vista. Empurrados pela multidão, milhares foram imediatamente engolidos pela terra, esmagados quando a boca se fechou.
A primeira ofensiva dos Soldados foi feita por apenas cinco, que avançaram antes de todos os outros para realizarem a formação juntos.
Porém, por mais fortes que eles fossem, não eram invencíveis.
Dois soldados foram decapitados por lâminas de vento, um esmagado por uma mão que surgiu da terra aos seus pés, outro inflou como um balão e explodiu em pequenas criaturas do tamanho de ratos, enquanto o último escapou de um ataque fatal, perdendo um braço no processo.
Após a queda de uma legião, o verdadeiro problema viu o caminho livre para desferir seus ataques.
O problema desta horda não era simplesmente a quantidade.
Aqueles que foram engolidos pela terra no primeiro ataque eram apenas Vagantes e Indulgentes. A nível de comparação contra Amaldiçoados, eles eram apenas um cachorro pequeno.
O que surgiu em seguida foram Transformados. Vampiros mais raros, consequentemente mais imprevisíveis, tal qual um predador de topo.
Logo atrás deles, Descendentes. Criaturas cujos comparativos não existiam no senso comum, equiparáveis aos monstros mitológicos de lendas heroicas.
Por fim, acima de todos estes, estava um Original. Algo além da força em si, sem comparativos possíveis de se fazer.
Cada Soldado de Elite era equivalente a um Vampiro Descendente. Entre eles, apenas um era capaz de se opor a um Original.
VUUSH!
O avanço desenfreado de Devic fez vampiros voarem para todos os lados, como uma correnteza furiosa abrindo caminho por uma floresta.
Nenhum vampiro foi capaz sequer de bloquear o caminho, os que tentaram ganharam uma sola de bota marcada em seus rostos.
Quando próximo o bastante, Devic saltou com a velocidade e potência de um tiro de canhão.
CLANK!
Ludwig defendeu a espada com as unhas longas, ecoando um denso tilintar metálico pelo campo.
"Ele é real!?"
Uma mistura de emoções abalou o soldado, que por causa disso foi atingido por um chute na lateral do corpo.
De tal forma, ambos se isolaram do resto do conflito.
Ao aterrissar, Devic colocou os pensamentos em ordem.
"Ludwig não deveria ser real, mas eu tenho certeza de que senti um corpo físico!"
O vampiro chegou em seguida, alongando o corpo que, apesar de magro, carecia do aspecto frágil esperado.
Além do mais, acima de sua cabeça pairava a identidade máxima das criaturas.
Vampiro Original
Força 55/100
Agilidade 67/100
Inteligência 80/100
"Será que… é [Ela]?!"
BUSH!
Sem perder tempo, Ludwig forçou a aproximação e desferiu uma sequência de socos. Mesmo sendo magro, a força vampírica era suficiente para transformar ossos em pó ao primeiro impacto.
Incapaz de cortar, Devic defletiu cada avanço usando a espada, pego de raspão por alguns ataques.
Na primeira abertura, agarrou o braço do vampiro e o arremessou contra o chão. Brandiu a espada logo em seguida, criando uma pequena cratera no chão.
Ludwig se desfez em névoa antes que fosse atingido, reaparecendo alguns metros de distância.
— Você está bem mais lento do que eu me lembro. — Abriu um largo sorriso. — Apenas mais um pouco e vai chegar ao ponto máximo de sua jornada!
O espadachim ignorou a conversa de "palco e ator", indo direto ao assunto que lhe interessava.
— Esse não é o seu corpo principal, é?
— Consegue me tocar e ainda tem dúvidas? Não me lembro de ter mexido tanto assim com sua cabeça, hahahaha!!
Que era real, disso não havia dúvidas.
A respiração dele pesava devido os movimentos repentinos. Quando os golpes passaram de raspão, sentiu a congelante pele áspera arranhando a sua, sem contar o leve cheiro de cadáver disfarçado por um monte de perfumes baratos. Acima de tudo isso, havia a prova inegável.
A aura.
Tal qual a maioria dos herbívoros tem sua maneira natural de detectar predadores, Amaldiçoados são capazes de enxergar a aura desde que os vampiros estejam em seu campo de visão, dificultando serem pegos num ataque surpresa.
A aura vampírica é algo definitivo, que não pode ser manipulado ou escondido de qualquer forma, independente da classe do vampiro ou de sua proficiência nas próprias habilidades.
De tal forma, Devic ssumiu por lógica que este Ludwig diante de seus olhos era real.
"Mas algo ainda parece estranho."
Conhecendo o vampiro, sua melhor aposta era tentar tirar algumas informações.
— Por que apareceu só agora? Você sumiu por um mês inteiro!
— Acha que é fácil juntar tantos vampiros? Quero dizer, eles fazem tudo que eu mando, mas ainda tem todo o trabalho de transportá-los. — Fingiu anotar numa prancheta. — Na verdade, não devia estar me agradecendo? Eu sei que usou o sangue que eu forneci. Sua esposa pode acordar a qualquer momento agora.
Mesmo perdendo o controle da conversa, decidiu seguir o fluxo.
— O que você quer com tudo isso, afinal?
— Se eu dissesse que é simplesmente "por diversão", o que acharia?
— Nos seus termos, eu diria que você é um personagem raso.
— Que cruel, mas pelo menos eu sou útil. Tem muita gente por aí que é rasa e ainda por cima não faz nada de bom pra sociedade. Se pensar um pouco, os Soldados de Elite sequer existiriam sem mim, até porque vocês nasceram com o objetivo de me eliminar.
— … Onde quer chegar com isso?
Um sorriso maníaco surgiu no rosto do maestro.
— Bem, em um dos momentos de reflexão, eu percebi algo um pouco preocupante. — Levou uma das mãos ao queixo, pensativo. — Se me derrotar e sua esposa acordar, seu papel em tudo isso teria acabado, e acredito que iria se aposentar no processo.
… De tal forma, você perderia sua utilidade, por lógica, a sua razão de existir.
— Você tá tentando me convencer de não te matar porque isso me faria cumprir um objetivo?
O vampiro abriu a boca e travou, coçando o queixo.
— É, parando pra pensar, eu devia ter planejado melhor esse diálogo…
Uma veia saltou à testa de Devic.
— Só por eu ter perdido a Segunda Camada Muscular… acha que pode ficar nessa folga toda?
— Hum?…!!
Antes mesmo que soltasse um comentário sarcástico, Devic cobriu a distância entre os dois e agarrou Ludwig pelo pescoço, colocando-o contra o chão.
Em seguida, ele mirou um pisão no crânio do vampiro, que escapou por um fio de cabelo. O pé do soldado afundou no chão até a panturrilha.
Ludwig levantou e iniciou uma nova sequência de socos, forçando Devic para a posição defensiva.
"Contra ele, a melhor opção seria…"
Haviam várias formas de se matar um vampiro, sendo apenas algumas definitivas. Entre elas estavam:
1 - Sangue Amaldiçoado.
Descoberto há pouco tempo como sendo um potente veneno contra vampiros, ao ponto de derreter suas peles ao mero contato.
No entanto, Devic era incapaz de se autoinfligir qualquer tipo de corte, e nem os golpes de Ludwig que o acertavam conseguiam arrancar uma gota sequer.
2 - Exposição prolongada ao sol.
Apesar de ser uma opção, também era a mais demorada. Devido aos céus constantemente nublados, um vampiro deveria ficar exposto por no mínimo um dia inteiro para começar a sentir fraqueza.
Mesmo Devic seria derrotado numa batalha tão longa.
Restava desta forma a última opção que garantia a morte.
3 - Destruindo o cérebro.
Quando Ludwig finalizou sua sequência de socos, Devic encaixou a espada em seu estômago, o impacto amassando os órgãos internos. Com a mão livre, atropelou o ar com um punho decisivo.
A regeneração dos vampiros era um comando transmitido pelo cérebro. Decapitar não era o suficiente, mas se fosse destruído, a vitória era garantida!
O golpe era certeiro, e quando o punho estava a centímetros de distância, todo o rosto do vampiro contorceu-se no formato de um "U", evitando a morte.
A face então se fechou como uma algema, prendendo o pulso de Devic.
Sem reação e com uma mão a menos, defendeu os primeiros golpes com a espada, mas a primeira falha destruiu sua sequência.
Ludwig acertou diversos golpes em seu plexo solar, desestabilizando. Seguiu intercalando com outros nos ombros e na cabeça do soldado.
Para finalizar, modificou a própria mão para que esta tomasse a forma de uma maça com espinhos feitos de seus próprios ossos, usando num golpe lateral que quebrou algumas costelas.
Livre da algema/rosto do vampiro, Devic se afastou para recuperar a postura, ao que Ludwig não perdeu a chance para começar a falar outra vez.
— Você parece bem determinado a finalizar essa luta, mas o que pretende fazer depois dela?
Com olhar confuso, Devic decidiu aproveitar a chance para recuperar fôlego, engajando na conversa.
— Eu vou atrás do seu corpo principal ou seja lá o que você esconda atrás dessa persona.
— Entendo. Se me lembro bem, disse que estava fazendo isso para conseguir o meu sangue para acordar sua esposa, o qual eu inclusive já te forneci. Dito isso, restaria a questão da sua filha. — Ele sorriu de canto. — E se eu te dissesse que a garotinha também está próxima?
Chek!
Os olhos do soldado tornaram-se vermelhos de súbito, o vampiro alertando antes que sofresse um avanço desgovernado.
— Calma, calma!! Eu não fiz nada com ela… ainda. Apenas ouça o que eu tenho a dizer e podemos retomar nosso teatro.
— Teatro? Eu cansei desse papo há muito tempo. — Sua mão apertou o punho da espada. — O resto da história é simples. Você fala as suas abobrinhas, eu te mato, recupero minha família e tudo volta ao normal. Nada mais e nada menos. Eu vou dar um fim a esse inferno que você criou!
Ludwig ficou em silêncio por alguns segundos. Num evento raro, seu sorriso malicioso desapareceu e o semblante mesclou confusão com seriedade.
— Você… Ha! Espera um pouco, você ainda não percebeu?
Ele não respondeu a pergunta, ou em outras palavras, não conseguiu.
O vampiro soltou um longo suspiro cansado.
— Eu pensei que estávamos na mesma sinergia. Caramba, parando pra pensar agora, na sua perspectiva eu fiquei esse tempo todo agindo como algum tipo de maníaco de palco.
Uma súbita vergonha alheia trouxe rubor ao rosto do vampiro.
… Bem, já que você é tão burro assim, eu vou explicar como essa luta vai realmente terminar. Mas primeiro — Estalou os dedos. — Vamos finalizar o seu processo de adaptação.
TUNSH!
Uma explosão curta ecoou de dentro do crânio de Devic, o levando ao desmaio por um breve segundo.
Talvez pela quantidade de vezes que sentiu essa dor, foi capaz de suportar ao ponto que o olhar se manteve fixo no vampiro.
Uma massa de carne escorregava diretamente sobre seu cérebro, dando voltas como se reconhecesse o perímetro, até chegar a base e descer mais. Atravessando a carne, fez seu caminho até as vias aéreas e terminou em sua boca, onde o reflexo fez o resto do trabalho.
O Terceiro Olho foi cuspido aos seus pés. Uma bolota de carne pouco maior que uma bola de tênis.
— Com isso, você agora está pronto para o último ato!
Devic foi tomado por um senso de urgência.
Perder todos os Órgãos Especiais não era um problema em si, tinha confiança que suas habilidades naturais seriam o suficiente para manejar uma vitória.
O que lhe preocupava eram os avisos do Líder Absoluto. Supostamente, o que lhe protegia da influência da habilidade misteriosa do vampiro era por suma o Terceiro Olho.
Infelizmente, devido a perda repentina de capacidade de processamento de informações, a única coisa que conseguia focar no momento era a imagem quase hipnotizante do vampiro. E sem que sequer notasse, seu coração se acalmou, permitindo que as palavras da criatura acariciassem seus ouvidos.
— Tal qual você possui seus próprios objetivos, eu também possuo os meus.
… Se você me finalizar aqui, vai ter o que quer. Mas se eu ganhar a luta, você terá o que precisa. Consegue compreender essas palavras?
… Por sinal, o resultado até responderia aquela pergunta que eu te fiz sobre os escombros do teatro em nosso primeiro encontro. Ainda aguardo sua resposta formal.
Honestamente, Devic havia esquecido qual era a pergunta. Mais precisamente, ele sequer prestou atenção, assumindo que todas as palavras do vampiro eram sem sentido.
Em posição ofensiva, inspirou longamente e firmou o aperto na espada.
— Eu vejo apenas um final, e é com você morto.
Com um único olhar, ambos decidiram terminar tudo no próximo golpe.
Numa sequência invisível de tão rápida, Devic cortou parte do chão numa larga e fina placa de terra. Erguendo-a num único impulso e a estourando em vários pedaços com um chute.
Ludwig preparou um ataque perfurante com as unhas afiadas, procurando silhuetas entre os detritos.
De canto de olho, avistou a ponta da lâmina branca atrás de um dos blocos.
Seu punho em formato de lança perfurou a rocha com facilidade e tudo que estivesse atrás, destruindo-a no processo. Porém, não havia ninguém ali.
Vush!
Às suas costas, uma sombra de olhos vermelhos tapou o sol.
— Seu…!!
PLAAAFF!
Uniu as mãos numa palma que aniquilou a grande nuvem de poeira, e junto dela, a cabeça de Ludwig.
O impacto foi tão rápido e potente que as tripas do vampiro se ergueram a vários metros no ar, cobrindo a área em breves segundos de chuva carmesim.
As mãos vermelhas de Devic exalavam fumaça junto do cheiro de carne queimada. Perdeu quase metade da pele superficial, e também conseguia sentir alguns ossos quebrados.
O corpo decapitado de Ludwig continuou de pé, mas logo suas pernas, após não receberem mais comandos do cérebro, bambearam e levaram o corpo ao chão.
Tunk…
O baque seco da carne podre contra o chão não carregava nada de especial. Sem frases dramáticas, sorriso malicioso ou coisa parecida. No fim, Ludwig caiu como qualquer outro vampiro de classe baixa.
Seu corpo imediatamente transformou-se em névoa, misturando à poeira e as nuvens cinzentas de La Serva.
Devic encarou os céus por alguns segundos, inexpressivo.
"Acabou?"
Fosse por simples exaustão ou a ausência do Terceiro Olho, ele foi incapaz de processar imediatamente a resolução da batalha.
Suas mãos estavam manchadas pelo sangue que caçou por quase uma década, e o corpo terminava de se desfazer para sempre. Então…
"Por que eu me sinto assim?"
O sentimento de algo estar errado, mas não em relação à morte de Ludwig, isso tinha certeza que aconteceu. Ele foi varrido da existência para nunca mais dar as caras.
Tal como escolher um trabalho baseado no salário ao invés de paixão, Devic sentiu um estranho peso no coração.
Núcleo Regulador, Segunda Camada Muscular, Terceiro Olho.
A culpa não parecia ser a ausência dos órgãos especiais. Na verdade, se sentia leve sem eles.
Exaustão, dor de cabeça, tontura, indecisão.
Procurou qualquer coisa que pudesse culpar por essa incômoda sensação.
Apesar disso, sua reação imediata foi um longo e pesado suspiro.
— …!!?
Neste simples ato, um intenso cheiro cadavérico invadiu seu nariz.
Só agora que sua própria luta acabou que ele se lembrou. Todos os Soldados de Elite estavam lutando ao mesmo tempo contra uma legião inteira de vampiros.
A escala da batalha era de 1 Soldado para 8 Vampiros.
Por mais fortes que os outros Elites fossem, ainda era uma disparidade numérica preocupante.
O odor, por sua vez, era o acumulado de uma montanha de perdas; que rastejava ao seu próprio ritmo moribundo, cada passo um lamento, querendo alcançar as costas dos remanescentes da guerra para nunca mais soltar.
Os passos da criatura sincronizaram com os batimentos de Devic.
Ele se virou num susto.
— Tá vivo, irmão? („• ֊ •„)
Lucas foi o primeiro a surgir. Com mãos na cintura ele exibia uma pose relaxada, sem qualquer tipo de ferimento aparente.
Logo que Devic levou a atenção para mais além, os olhos se arregalaram em surpresa e confusão.
A montanha de corpos realmente existia, mas diferente do que pensou, eram todos vampiros. Em fato, não havia sequer um corpo de algum Elite à vista.
As dezenas de milhares de soldados marcharam juntos na direção de Devic, parando um pouco antes de Lucas.
E então, num rápido efeito manada iniciado pelo astronauta, todos começaram a bater palmas.
Não eram especificamente para Devic, mas para si mesmos. As lágrimas que derramavam eram sem dúvidas verdadeiras, os resmungos entre soluços e gritos satisfeitos nem se dizia.
Pouco demorou para que as palmas se transformassem numa bagunça organizada de comemorações.
— Lucas… O que… Como?
— Que cara é essa? Esperava que todo mundo morresse? Quanto pessimismo.
… Mesmo com a desvantagem numérica, nós ainda somos Soldados de Elite. Todo o treino infernal, as missões em grupo, e principalmente o trabalho em equipe… Tudo é um legado que nós honramos em nome do Líder Absoluto.
… Nada que fazemos é em vão! Isso é o que as estrelas dizem.
Devic o encarou em silêncio, incerto do que responder, e ficaria com menos palavras ainda.
— Bem, você também não lutou apenas pela vitória. Tem uma recompensa apenas para você! ヽ(・∀・)ノ
Lucas abriu uma fenda do tamanho de uma porta ao seu lado, viajando ao outro lado e voltando com uma pessoa.
Uma mulher em roupas hospitalares passou pelo portal. Sua pele morena continha poucas cicatrizes de batalhas antigas, exibindo uma jovialidade que enganava até os olhos mais atentos.
Seus naturais cabelos brancos chamavam a atenção como a única nuvem no céu durante um dia ensolarado, refletindo o aconchego do sol leve que existia em seus olhos alaranjados.
Com todo seu corpo a tremer, Devic encarou a esposa dos pés à cabeça.
— Amanda…?!
A mulher não disse nada, nem precisava.
Com um largo sorriso, ela tropeçou até o soldado e o envolveu num abraço tão forte que poderia quebrar um osso.
Era real, teve ainda mais certeza quando soltou a espada e devolveu o abraço. O calor de seu corpo finalmente podia ser sentido no lugar do das máquinas que preenchiam a sala.
Antes que achasse que acabou, Lucas trouxe uma segunda pessoa da fissura.
— Ela estava sendo feita de refém por alguns vampiros enquanto lutávamos — disse Lucas. — Nós a resgatamos ilesa.
Quem se revelou foi uma garotinha pequena de apenas dez anos. Seu vestido branco com estampa de ursinho era inconfundível, tal qual o laço rosa que usava nos longos cabelos castanhos.
Vendo quem estava à sua frente, ela imediatamente caiu em lágrimas.
— Mamãe… Papai!!
Os olhos de Amanda brilharam ao ouvir a voz da pequena filha, Claire, pela primeira vez no que pareciam centenas de anos.
Ela se abaixou para receber a filha nos braços, puxando Devic junto.
Quando Claire se uniu no abraço e o choro vívido de mãe e filha ecoaram em uníssono, o pai se viu pego numa única pergunta.
"Isso está certo?"
Era impossível isto diante de seus olhos ser falso, e ainda assim, permanecia sem um culpado para a sensação incômoda em seu peito.
Por bem ou por mal, o peso que sentia apaziguou aos poucos, lavado pelo calor da família que agora tinha ao alcance de suas mãos.
"Talvez… seja melhor assim."
Ele aceitou esta realidade, finalmente permitindo que um sorriso brotasse em seu rosto enquanto envolvia as duas garotas num forte abraço.
Gostou da obra? Considere apoiar o autor pelo Apoia-se e aproveite para confefir meus outros projetos:
https://linktr.ee/safe_project
Apoie a Novel Mania
Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.
Novas traduções
Novels originais
Experiência sem anúncios