Volume 1
Capítulo 5: O Início da Reestruturação (5)
— Sr. Jae-Hyuk, você recebeu sua recompensa da provação? — perguntou Ji-Eun.
— Não, ainda não! — Jae-Hyuk respondeu.
Ji-Eun olhou para baixo para Jae-Hyuk, que estava largado no chão e de cabeça baixa.
— Ah! Então perfeito! Não se preocupe, Sr. Jae-Hyuk!
— Hã… como assim?
Ela se animou. — A gente pode curar!
Como Eun-Ho tinha curado a perna por meio de uma recompensa, Ji-Eun concluiu que Jae-Hyuk também podia usar a dele para se recuperar dos ferimentos.
— Não! — Eun-Ho respondeu.
— O quê? Mas, Eun-Ho, você…
— Os ferimentos dele não são graves, então primeiros socorros já bastam. Seria desperdício usar uma recompensa nisso.
Ji-Eun inclinou a cabeça em confusão e então examinou melhor os ferimentos de Jae-Hyuk. Só aí ela concordou com um aceno e revirou os olhos para o chorão exagerado à sua frente.
— Bom, se você insiste, tenta pedir ao sistema pra aumentar sua regeneração como recompensa — Eun-Ho falou.
— Isso… é possível? — Jae-Hyuk perguntou com insegurança.
— Deve ser. A gente não tem muito tempo, então anda logo.
Era mais eficiente melhorar a recuperação natural do que ficar curando ferimento toda vez. Além disso, um corte desses deveria sarar sozinho se a regeneração dele melhorasse o bastante.
— Hm… Querida Recompensa de Provação… você pode aumentar minha regeneração, por favor?
A frase saiu estranha, mas o sistema entendeu. Instantes depois, o corte sumiu como se tivesse sido apagado. Se não fosse a camisa rasgada e o sangue, ninguém nem saberia que ele tinha se ferido.
— Incrível, Hyungnim! Como é que você pensou nisso? — Jae-Hyuk exclamou.
Só tinha um problema: agora Jae-Hyuk estava chamando Eun-Ho de “Hyungnim”, como se ele tivesse salvado a vida dele ou algo do tipo.
“Esse cara não tem vinte e cinco?”
Ter mais de um metro e oitenta já era uma coisa, mas com essa pele queimada de sol e o rosto áspero, ele parecia ter pelo menos trinta e poucos; não alguém que mal saiu dos 20.
— Você é mais novo que o Eun-Ho? — Ji-Eun semicerrou os olhos, desconfiada. A expressão dela provavelmente não era muito diferente da minha.
— E você disse que é um ano mais velha, Noonim? — Jae-Hyuk perguntou, inclinando-se com um brilho esperançoso no olhar.
A palavra “Noonim” fez Ji-Eun se encolher como se tivesse levado um golpe.
— Se não fosse por vocês dois, eu nunca teria sobrevivido à provação. Eu devo a vida aos dois!
— Não, não… você ajudou a gente tanto quanto, Sr. Jae-Hyuk! — Eun-Ho respondeu.
Jae-Hyuk colocou uma mão firme no ombro de Eun-Ho e negou com a cabeça.
— Por favor, só me chama de Jae-Hyuk, Hyungnim.
— Hã… o quê?
Como um cachorro fiel, Jae-Hyuk olhou para Eun-Ho com os olhos brilhando. Sentindo-se esmagado, Eun-Ho desviou o olhar depressa e mudou de assunto.
— Vamos esperar aqui até a próxima provação começar.
— Claro! A gente está no décimo quinto andar, então, onde quer que o ponto de surgimento apareça, devemos estar numa boa posição.
— Provavelmente vai ser em algum dos andares abaixo. E desta vez vai ser só um lugar.
— Só um?
Como a segunda provação teve três zonas seguras, e a última só teve duas, Eun-Ho presumiu que isso significava que os sobreviventes acabariam concentrados em um único “campo”.
“Alguém como o gerente-adjunto Kwak pode aparecer de novo…”
Eles precisavam estar bem-preparados para a próxima rodada.
— Vocês dois descansem um pouco — Eun-Ho falou, levantando-se e se limpando.
Confusa, Ji-Eun perguntou: — E você?
— Vou treinar um pouco.
— Treinar?
Ele queria testar a perna totalmente curada e descobrir o significado da notificação estranha que só ele conseguia ouvir.
A mensagem do sistema — “Os parâmetros necessários para ativação de habilidades estão sendo calculados” — já tinha aparecido duas vezes: a primeira quando ele pulou de alegria depois de recuperar cinquenta por cento da função da perna; e a segunda quando desviou por pouco de um vaso que o gerente-adjunto Kwak tinha arremessado.
Se o sistema só coletava dados sob condições específicas, então era só recriar essas condições à força, se fosse preciso.
Toc~
Eun-Ho disparou dez passos através da sala de reuniões e voltou de costas a mesma distância.
“Não. Não é isso.”
Ele correu mais rápido e recuou de novo.
“Nada ainda.”
Ele fez mais duas repetições, indo e voltando, um pouco mais rápido dessa vez. Mesmo assim, nada apareceu.
“Não fui rápido o bastante? Beleza, então vamos mais rápido ainda.”
Toc toc toc toc~
“Nada ainda? Então eu vou mais rápido ainda!”
— Eun-Ho! Você tem certeza de que está bem? — Ji-Eun perguntou com preocupação evidente na voz.
— H-Hyungnim? O que você está fazendo…? — Jae-Hyuk perguntou, olhando para Eun-Ho com pena. Mas Eun-Ho não tinha tempo nem luxo pra ligar.
“Tem que ter um padrão. Eu tenho certeza.”
Ele já tinha percorrido a sala apertada tantas vezes que parecia que o chão estava ficando fino sob os pés. Então, quando ele virou pela enésima vez — devia ser a centésima — uma nova mensagem do sistema ressoou na mente dele.
[Devido ao desejo intenso do Sujeito Lee Eun-Ho, a velocidade de coleta de parâmetros está aumentando.]
[Os parâmetros necessários para ativação de habilidades estão sendo calculados. 97%, 98%, 99%...]
Ele puxou o ar em goles pesados. — Haah…
— E-está tudo bem, Eun-Ho? Você está encharcado de suor… — Ji-Eun perguntou, ainda preocupada.
Não fazia sentido, mas Eun-Ho sentia isso no fundo do estômago. Quando aquele número chegasse a cem, ele destravaria uma habilidade.
“Que tipo de habilidade precisa de tanta coleta de parâmetros só pra ativar? Se isso fosse um jogo, eu estaria rezando por uma habilidade ofensiva sem pensar duas vezes, mas como é real… talvez algo mais prático…”
— Eun-Ho! Espera um pouco! — Ji-Eun exclamou, tirando-o dos pensamentos.
— Hã? Ji-Eun?
Ela agarrou o ombro dele e sacudiu de leve.
— Está transmitindo!
Em seguida, uma nova mensagem explodiu na mente deles.
[Atenção, todos os sobreviventes da Torre MS.]
[Exatamente às 15h00, a provação final começará.]
— Provação final? — Eun-Ho repetiu, com o pulso acelerando.
— Uau! Hyungnim, Noonim! Eu acho que é isso! — Jae-Hyuk se meteu, urgente e ofegante.
[Por favor, concluam todos os preparativos até lá.]
— O quê… isso vai acabar mesmo? — Eun-Ho sussurrou com um arrepio percorrendo a medula.
Ele franziu a testa. Tinha algo ali que não encaixava. Considerando que o sistema tinha mencionado explicitamente um “próximo estágio” antes, não havia como acabar agora.
— É mesmo a última! — Ji-Eun disse, praticamente radiante.
— Não acredito que finalmente acabou… que alívio — Jae-Hyuk murmurou com os ombros relaxando.
Os três ficaram ali, cada um com uma emoção diferente — alegria, alívio e dúvida — enquanto se preparavam para o que viesse.
Ji-Eun se espreguiçou com o brilho nos olhos denunciando a empolgação. Jae-Hyuk puxou nervoso a barra da camisa rasgada, respirando livre pela primeira vez em um tempo que parecia dias. Eun-Ho enfiou silenciosamente uma tesoura de escritório no bolso interno do casaco, por precaução.
[A provação começou. Zonas seguras foram geradas.]
— Vamos! — Eun-Ho falou com calma e com os olhos afiados.
Eles correram até o sexto andar e arrombaram a entrada de algo que parecia um salão de exposição de uma empresa de jogos. Estátuas em tamanho real de heróis em poses dramáticas estavam espalhadas como sentinelas silenciosas, eram provavelmente personagens de algum título popular.
O centro do salão estava lotado. Uma multidão tinha se formado diante de uma tela gigante que passava trailers e propagandas em loop infinito, as cores brilhantes lavando os rostos como um show de luzes.
「Um MMORPG como nenhum outro!」
「O pré-registro começa agora. Experimente hoje!」
De longe, parecia uma festa de lançamento. De perto, era caos, uma sobrevivência crua e desesperada.
— Que porra é essa…? — Eun-Ho murmurou.
Dezenas de pessoas avançavam como uma massa única, empurrando e espremendo rumo à zona segura. Ninguém cedia um centímetro, e corpos pressionavam adiante em desespero e pânico.
Fora da multidão, os que não conseguiam entrar pegavam qualquer coisa que encontravam e atacavam brutalmente quem estava na frente. Golpes e sangue substituíam qualquer noção de ordem.
— É horrível… — Ji-Eun sussurrou.
Ela tinha razão. Há poucas horas, aquelas pessoas provavelmente estavam dividindo o cafezinho ou trabalhando lado a lado. Agora, seguravam armas improvisadas e derrubavam rostos conhecidos sem hesitar, fossem colegas ou amigos.
Isso já não era mais um jogo. Era um pandemônio.
Os olhos de Jae-Hyuk se arregalaram.
— O que a gente faz, Hyungnim?
— Não tem como a gente atravessar esta multidão! — Ji-Eun comentou.
Depois de um instante, Eun-Ho respondeu: — É… atacar de frente é sentença de morte.
Ele varreu o ambiente com os olhos. Ji-Eun e Jae-Hyuk se viraram para ele, esperando.
— Vou precisar da ajuda dos dois.
— Entendido, Hyungnim! — Jae-Hyuk respondeu na hora.
— Você tem um plano? — Ji-Eun perguntou.
— Não é infalível, mas talvez.
Era mais um palpite ou uma intuição. Só saberia se estava certo quando tentassem.
— Está vendo aquela divisória branca ali?
Ji-Eun semicerrou os olhos. — Estou.
— Vamos nos separar e encontrar atrás dela. Mantenham a calma e tentem não chamar atenção.
Jae-Hyuk assentiu. — Entendido.
Calma e firme, Ji-Eun também apenas assentiu.
— Você não vai perguntar qual é o plano? — Eun-Ho perguntou.
Jae-Hyuk ficou surpresa. — Eu devia?
— A gente confia em você! — Ji-Eun falou.
Eun-Ho não conseguiu evitar de ficar sem reação por um momento. — Então eu vou primeiro.
Toc~
Eles se reuniram atrás da divisória alguns minutos depois. Só restavam três minutos.
— Eun-Ho, o que você está procurando?
— Deve estar… por aqui… Ah. Achei.
— Uma escada?
Escondidas atrás da divisória fora de vista, havia duas escadas dobráveis prateadas.
— Na minha empresa antiga tinha um salão assim! — Eun-Ho disse, limpando a poeira dos degraus. — Eles costumavam guardar equipamento nos cantos.
As paredes eram cobertas de títulos de jogos e figuras gigantes, como um sonho febril de colecionador. Acima de tudo, uma tela enorme passava trailers promocionais sem parar. A montagem era tão absurdamente elaborada que exigia escadas só para manutenção.
Ji-Eun olhou para as escadas, cética. — Tá, e… pra que a gente vai usar isso?
— A gente vai subir! — Eun-Ho respondeu, direto.
— Subir aonde?
Ele apontou para cima. — Ali.
Ela seguiu o dedo dele. Bem acima, a parte traseira da tela gigante se erguia branca e imponente, sustentada por vigas como um dossel esquelético.
— Você está brincando. Como é que a gente vai subir na tela?
— Não vamos. Tecnicamente, vamos subir na escada. E aí vamos derrubar a tela.
— O quê?
— Se a gente tombar pra frente, ela cai bem dentro da zona segura — ele disse com calma.
Eles aterrissariam bem na borda por pouco, mas ainda contaria.
— Quem está embaixo pode acabar sendo pego. — Ele acrescentou. — Mas não devem se machucar gravemente. A gente passa junto.
Sem briga e sem derramamento de sangue; só força bruta e engenhosidade. O sistema provavelmente odiaria.
— Pera… então nem precisamos lutar? — Jae-Hyuk soltou o ar, como se tivesse resolvido um enigma divino. Os olhos dele se acenderam enquanto ele pegava as duas escadas com um novo senso de missão. — Entendi! Então bora, Hyungnim!
Clac~
[01:17]
Faltava pouco mais de um minuto. Tempo era tudo.
— Vamos quando chegar em trinta segundos — Eun-Ho instruiu com calma, já no meio da subida.
Jae-Hyuk subiu primeiro, depois Eun-Ho.
— Sim, Hyungnim!
O plano era simples: Jae-Hyuk empurraria a tela, pularia e os outros viriam em seguida. Quando o cronômetro bateu trinta segundos, Eun-Ho inspirou fundo.
— Agora!
Fwoosh~
A tela tombou com um gemido e despencou para a frente como uma cortina caindo.
— O-o quê?
— Quem apagou as luzes?!
A tela gigante desabou sobre a multidão, com sombras varrendo o salão enquanto o caos explodia lá embaixo. Quem estava lutando segundos atrás caiu como dominó.
Tump~
Jae-Hyuk aterrissou em cima da tela, e Ji-Eun veio em seguida. Eun-Ho foi o último, caindo pesado, mas se mantendo de pé. Então ele viu algo.
— Secretária Kim!
Alguém estava puxando Ji-Eun para fora da zona segura. O braço dela foi torcido para trás, com os dedos agarrando o pulso dela.
— Ji-Eun!
O diretor executivo Park, o antigo chefe dela, tinha prendido Ji-Eun como numa garra.
— Desculpa, senhor!
Fwap~
Ela arrancou o casaco e jogou para o lado. O diretor executivo Park cambaleou, perdendo o equilíbrio com o movimento. Não caiu por causa do empurra-empurra atrás dele, mas ela ao menos conseguiu se soltar.
— Sua pirralha! Como você ousa!
Ele avançou de novo, dessa vez agarrando um punhado do cabelo comprido dela.
— Por favor, senhor! Por favor, solta!
[00:05]
— Haah…
Não era exatamente por isso que Eun-Ho tinha trazido o item. Ainda assim, ele exalou e puxou a tesoura do bolso interno.
Snip.
Ele cortou o cabelo dela, o que fez Ji-Eun arfar.
— Seu desgraçado! — o diretor executivo Park rugiu.
— E-Eun-Ho…
As vozes se sobrepuseram, representando a fúria dele e a incredulidade dela.
[Tempo esgotado.]
A provação terminou.
Jae-Hyuk encarou os fios irregulares e cortados do cabelo da Ji-Eun.
— O-o que aconteceu com o seu cabelo?
Eun-Ho não disse nada.
— E-está tudo bem. O cabelo cresce… — Ji-Eun murmurou.
Eles desceram da “plataforma”. Eun-Ho olhou para ela, sem saber se ela estava com raiva. Ji-Eun se aproximou em silêncio com a cabeça baixa.
— Eun-Ho…
— Sim? O que foi?
Ela se inclinou tão perto que o nariz quase encostou no peito dele, então virou o rosto de repente.
— Por favor.
— Por favor, o quê?
Ele ficou surpreso olhando para aquele estrago irregular que antes era o cabelo dela. Ji-Eun olhou por cima do ombro.
— Corta o resto mais curto. Pra isso não acontecer de novo.
— Hã?
O sistema aumentou a resistência mental dela demais, foi? Ela até sorriu de forma leve e despreocupada.
— Tudo bem. Cabelo curto combina comigo mesmo.
[Sobreviventes na Torre MS: 16.]
Tomado pelo alívio, Jae-Hyuk correu até eles.
— Hyungnim! Noonim! A gente conseguiu! A gente… sobreviveu mesmo!
Eun-Ho estava prestes a dizer que ele tinha ido bem quando o sistema começou a despejar notificações.
[O tutorial foi concluído.]
[As recompensas pelo tutorial serão distribuídas agora.]
[A taxa de sincronização aumentou levemente.]
— O quê?
— Isso foi um tutorial?
— Mas disseram que era a provação final…
“Eu sabia que não ia acabar aqui.”
[Privilégios de administrador ativados. Iniciando “Projeto”.]
[Nome do Projeto: Seleção.]
A reestruturação de verdade só tinha começado.
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