Volume 1

Capítulo 40: Teste de Aptidão (4)

Rumble!

Tum!

A parede improvisada que bloqueava a passagem de emergência finalmente desmoronou.

Alguns sobreviventes mais rápidos correram para dentro, gritando em incredulidade e empolgação: — Tem mesmo uma passagem aqui!

— Isso quer dizer que não precisamos romper a configuração defensiva do inimigo?!

Os murmúrios cresceram e viraram um burburinho esperançoso, espalhando-se de modo rápido e intenso, como chamas dançando pelo coração do túnel.

Tum. Tum.

Assim que Eun-Ho deu o primeiro passo para dentro, Jae-Hyuk alcançou ao lado dele, sussurrando maravilhado: — Hyungnim! Quando foi que você encontrou essa passagem?

Hm… Agora há pouco? — Eun-Ho respondeu.

— O quê?

Eun-Ho se lembrou de ter lido uma observação especial rabiscada em letras miúdas no rodapé da proposta que tinha roubado dos fantasmas. Dizia: “todos os caminhos laterais que devem ser selados para impedir desvio do Caminho das Sombras”. Graças a isso, Eun-Ho soube que o caminho lateral existia.

Ele imaginou que provavelmente era uma das rotas de evacuação de emergência conectando os túneis. A parte complicada era encontrar.

— Mas como você sabia onde procurar? Não tinha nenhuma placa! — Jae-Hyuk acrescentou.

Jae-Hyuk estava certo. Não havia placas nem marcações. As paredes lisas e nuas do túnel não entregavam nada, talvez porque a sinalização tivesse sido removida com antecedência.

— Eu memorizei o mapa… — Eun-Ho respondeu.

— O mapa?

— E o traçado dos três túneis de Namsan. Tem uma passagem de emergência no Túnel 3, a cerca de seiscentos metros da entrada. Eu me certifiquei de manter um ritmo de quinze segundos por cem metros — Eun-Ho explicou.

Jae-Hyuk engoliu em seco, com os olhos arregalando a cada palavra.

— Então, com base no tempo e na contagem de passos… — Eun-Ho apontou com calma para o chão. — Estamos bem por volta desse ponto.

Uau! Isso é incrível!

Shiu. — Eun-Ho o silenciou rápido, erguendo um dedo.

Mesmo assim, algumas exclamações admiradas escaparam dos outros atrás deles.

— Você é incrível, Hyungnim! Calculando tudo isso enquanto tudo estava acontecendo?!

— Não é grande coisa.

Manter ritmo e tempo era uma segunda natureza na época em que era atleta.

Jae-Hyuk encarou como se estivesse testemunhando um milagre.

— Só que eu não esperava que o caminho fosse bloqueado de forma tão completa… — Eun-Ho acrescentou.

?

Quando Eun-Ho leu sobre selar os caminhos laterais, achou que eles teriam colocado um cadeado numa porta ou algo do tipo.

— Pra falar a verdade, quando você começou a derrubar o que parecia uma parede sólida, achei que você finalmente tinha enlouquecido!

A parede artificial foi feita de concreto quase idêntico ao do túnel ao redor. Se eles não tivessem acendido um fogo e inspecionado as emendas de perto, teriam passado direto.

Parecia que quem fez aquilo tinha se dado a um trabalhão.

— Você encontrou isso enquanto estava lutando com aquele cara?

— Mais ou menos.

— Conseguiu tudo isso naquela janela minúscula? Você está mesmo em outro patamar, Hyungnim! Ninguém nunca conseguiria te enganar! — Os olhos do Jae-Hyuk brilharam de admiração.

Bem, graças àquele brutamontes, Eun-Ho encontrou a passagem. Como bônus inesperado, ainda pegou uma arma nova.

— Pena que é só meia arma.

— Espera, o quê?

Ah, nada.

Eun-Ho estalou a língua, lamentando em silêncio o estado incompleto, enquanto eles chegavam à outra extremidade do corredor. Jae-Hyuk se virou, esperando o sinal de Eun-Ho, e um aceno silencioso foi tudo o que precisou.

Creeeak!

Com um gemido enferrujado, a porta velha de ferro foi aberta e um novo caminho apareceu à frente.

— Por aqui! Ela leva à Zona Segura!

A rota escondida para a segurança finalmente foi aberta.

— Ela abriu mesmo! Isso é surreal!

— Eu sei, né? Até consigo ver a saída daqui!

Ao contrário da pista em subida onde eles tinham ficado presos, esta tinha luzes funcionando, e a luz do sol entrava pela entrada aberta na extremidade distante. Mudou tudo, e o peso nos rostos de todos se aliviou.

Até Ji-Eun, esticando os membros, parecia energizada quando disse animada: — Certo! Só precisamos correr agora?

— Espera! — Eun-Ho falou. — Tem uma coisa que preciso resolver primeiro.

Ele assentiu rápido para se desculpar e foi até Sol-Ah.

— Você vai aquecer ou algo assim? — Ji-Eun perguntou.

Hum… Algo assim, eu acho… — Eun-Ho respondeu.

Antes de disparar o resto do caminho, havia uma coisa que precisava resolver ou consertar a si mesmo.

[Atenção!]

[Você não atende ao requisito mínimo de estatísticas para Clava Flangeada.]

[Você desenvolveu o efeito de status, Dor Muscular, devido ao esforço excessivo.]

[Tempo restante: 59 minutos]

Ele nem sabia que certas armas vinham com requisitos de estatísticas. Além disso, aparentemente, forçar-se a empunhar algo pesado demais podia resultar em penalidades reais como essa bobagem ridícula de “Dor Muscular”.

Mas aquele cara estava arremessando essa clava com uma mão só como se não fosse nada… Pra ser tão ágil com uma arma que exigia 20 de Força, aquele sujeito tinha algum tipo de Habilidade especial?

[Clava Flangeada]

  • Uma clava brutal equipada com lâminas de metal ao redor da cabeça para maximizar o impacto.
  • Retorna rapidamente ao usuário após ser arremessada. Aumenta o poder de ataque, mas ao custo de peso. Requer alta Força, então manuseie com cautela.
  • Aumenta a penetração de armadura em 10 quando equipada.
  • Estatística Necessária: 20 de Força ou mais.

Infelizmente, mesmo depois de adicionar três pontos da última Recompensa da Provação, a Força dele era só 14. Por sorte, não atender ao requisito não tornava a arma inutilizável, só enfraquecida.

[A eficácia do item foi reduzida por não atender às estatísticas necessárias.]

[Eficácia da arma reduzida: 100% → 40%]

[O esforço excessivo devido ao peso excessivo está causando fadiga rápida.]

Eun-Ho conseguia sentir o vigor drenando muito mais rápido do que o normal.

— Sol-Ah! — ele chamou em voz baixa ao se aproximar por trás.

Ele se preparou para explicar, mas antes que conseguisse dizer uma palavra, ela foi direto ao ponto.

— Você está machucado, não está? — ela perguntou.

?

— São estou ferido… Só com dor muscular. Mas como sabia?

— Eu consigo ver. Você parecia mais pesado do que o normal.

Claro que ela notou, como era de se esperar da melhor aluna da escola técnica de ciências da saúde.

Quando Eun-Ho assentiu, Sol-Ah estendeu a mão em silêncio, sem dizer uma palavra.

Fwoosh!

Ela era a curandeira preciosa do time.

[Você foi curado pela Curandeira Yoon Sol-Ah.]

Whoosh.

Um brilho azul suave se desenrolou das mãos de Sol-Ah, flutuando gentilmente até pousar no antebraço exposto dele.

No instante em que tocou a pele, uma sensação estranha tomou conta dele; fria e quente ao mesmo tempo, como o sopro da primavera após um longo inverno.

Era calmante, mas mexia com algo por dentro, uma força silenciosa despertando nos membros. A energia de cura fluiu para dentro dele, espalhando-se devagar e firmemente, aliviando a dor que nem tinha percebido o quanto era profunda.

[Dor Muscular foi completamente curada.]

[Efeito de status foi removido.]

Ele imediatamente se sentiu mais leve nos braços, pernas, até na respiração. Era como acordar do melhor sono da vida. Agora estava pronto. Só faltava uma coisa que era correr como se não houvesse amanhã.

[05:30]

— Vamos.

— Certo, Hyungnim!

— Vamos, Eun-Ho!

— Yul! Sobe nas costas do papai!

— Min Yeo-Jin, mantém o foco e continua correndo, entendeu?!

Eles correram em direção àquela faixa fraca de luz no horizonte; a única promessa que restava num mundo que tinha escurecido. Cinquenta e dois sobreviventes se moveram no próprio ritmo. Alguns corriam sozinhos, enquanto outros seguravam a mão de alguém que não podiam se dar ao luxo de perder.

Tum. Tum. Tum. Tum. Tum.

A corrida silenciosa ecoou pelo túnel. Uma investida desesperada pela escuridão, movida por nada além de esperança e do medo do que vinha atrás.

[04:00]

— Ei! Haaah… Espera!

Algumas pessoas claramente estavam chegando ao limite enquanto o relógio seguia diminuindo.

[03:00]

Huff… Huff…

Outros arfavam por ar, com braços e pernas desengonçados enquanto lutavam para continuar.

[02:00]

— Não consigo respirar… Acho que preciso parar…

— Faltam dois minutos! Só mais um pouco! Aguenta firme!

— Tá… Tá… Eu vou tentar.

No entanto, ninguém desistiu. Mesmo com as pernas tremendo como gelatina, e mesmo com o peito subindo e descendo, cerraram os dentes e continuaram correndo.

Eles avançaram com tudo o que tinham.

[00:28]

— N-nós conseguimos! Saímos do túnel!

— Cadê a Zona Segura?! Pra onde a gente vai?!

Por fim, escaparam do túnel com quase trinta segundos de sobra.

Fwoosh!

Uma explosão de luz do sol os atingiu como um holofote, e as pessoas instintivamente protegeram os olhos.

Eun-Ho gritou para o grupo, apontando adiante: — Virem à direita! Aquele túnel leva à Zona Segura!

Era o mesmo túnel por onde eles tinham entrado no começo, onde Lee Ye-Ji e os encapuzados tinham esperado com nervosismo.

Então alguém gritou: — Ali está!

— Ali está a Zona Segura!

Tum!

As pessoas se jogaram em direção ao círculo verde brilhante no instante em que o viram, desabando em montes exaustos.

[Dez segundos restantes até a provação terminar.]

— Estamos quase lá! Continuem! Sol-Ah, Yeo-Jin, corram!

— Senhor!

— Acho que vou desmaiar!

— Você não vai morrer por causa disso! Só mais um pouco!

Eun-Ho empurrou os últimos retardatários adiante, incentivando-os a atravessar a linha verde brilhante. Era como sair da sombra da morte e entrar na terra dos vivos.

Então, logo depois, o anúncio final ecoou nos ouvidos dos sobreviventes sem fôlego.

[Três, dois, um. O tempo acabou.]

[Todos os indivíduos fora da Zona Segura serão eliminados.]

— Haa… Conseguimos, estamos vivo!

A luz do sol entrava pela entrada do túnel e iluminava os sobreviventes como as luzes da sala no fim de um filme longo e intenso.

Ding!

Então, outro toque alegre do sistema soou. Desta vez, a mensagem só era visível para Eun-Ho.

[Parabéns!]

[Nova Conquista desbloqueada: Abrindo um Caminho Onde Não Há Nenhum]

[Você adquiriu o Título Desbravador!]


? O quê? O quê?!

Uma mesa tão larga quanto uma cama gemeu sob o peso de uma montanha gigantesca de papelada. As pastas estavam empilhadas de forma tão precária que pareciam a um suspiro de desabar.

Enterrada em algum lugar fundo dentro daquela fortaleza de papel, uma jovem de repente se ergueu com olhos arregalados e boquiaberta, enquanto cutucava o dedo na tela brilhante.

— E-esses desgraçados! Olha isso!

A transmissão de vigilância, o Olho, que ela tinha deixado rodando durante a ausência deles cintilou até ganhar vida, revelando algo que ninguém tinha antecipado. Eun-Ho e os outros Sujeitos estavam disparando para fora do túnel, vivos e sem ferimentos.

No entanto, existia algo errado. Eles não estavam saindo pela rota planejada do Caminho das Sombras.

— Por que estão saindo por ali?!

Eles estavam correndo num corredor completamente diferente; um que ninguém pretendia que fosse usado.

— Choi Seung! Que diabos aconteceu?! — gritou.

Seung se encolheu com a voz gelada que cortou a sala como uma lâmina. — E-eu não entendo! Tenho certeza de que bloqueamos o caminho lateral!

— Bloqueou?! Você acha que isso é um trabalho bem feito? Sério?!

— Eu juro! Estava um breu lá dentro! Não tem como eles terem visto qualquer coisa.

Tudo foi meticulosamente planejado. Só aqueles que sobrevivessem ao corredor brutal deveriam conseguir sair do túnel. Ainda assim, lá estavam eles, disparando por algum corredor aleatório, vivos e ilesos.

— Não me diga que o outro grupo sobreviveu de novo.

— S-sim. P-parece que sim.

Não havia sinais de sangue nem feridas de combate. Só havia um grupo completo de sobreviventes, saindo como se tivessem terminado um exercício de treinamento, em vez de uma provação de vida ou morte.

O rosto de Seung perdeu a cor enquanto a situação saía do controle, muito além de qualquer coisa que tinham previsto.

Com um baque seco, Harona bateu a mão na mesa. — Droga! A gente montou o palco pra eles se destruírem, mas continuam saindo vivos como se fosse uma excursão escolar!

— Eu… não sei o que dizer. — Seung abriu a boca, pronto para falar qualquer desculpa, até uma péssima, mas o sistema o interrompeu primeiro.

[Administradora Harona, sua agenda registrada foi cancelada.]

[Um administrador temporário foi nomeado.]

Um anúncio frio e clínico ecoou do sistema, o que só podia significar uma coisa: Harona estava sendo retirada.

Tsc. Foi rápido! — Harona resmungou.

— Bem, parece que o centro interveio.

Eles não perderam um segundo para reivindicar autoridade temporária. A velocidade da transferência era quase ofuscante.

Harona soltou uma risada seca e amarga. — Não é o centro. Provavelmente é ele. Aquele pesquisador gênio maluco.

Todo mundo na indústria pelo menos já tinha ouvido falar do pesquisador gênio do Centro de Pesquisa do Futuro. Até alguém como Harona, que normalmente não podia se importar menos com política interna.

— Já desenterrou alguma coisa sobre ele?

— Sim, um pouco.

— E? — Harona tamborilou os dedos na mesa, olhando para ele com expectativa.

Seung hesitou e disse: — Gênio, sem dúvida. Mas sanidade? Isso é discutível.

— Espera. Está insinuando que ele é louco?

Seung não tinha certeza de quanto do que ele tinha ouvido era sequer permitido dizer em voz alta.

— Aparentemente, ele tem feito experimentos indescritíveis. Ele está dissecando Sujeitos e mergulhando os pedaços deles em algum tipo de fluido grotesco…

— Que tipo de experimentos?

— Coisas como anexar membros enquanto ainda estão vivos, e remover órgãos e colocar de volta, de novo e de novo.

Harona virou o rosto, profundamente enojada.

"Anexar o quê? Tirar e colocar de volta onde?!"

Ela resistiu ao impulso de perguntar.

— Ainda assim… O que quer que esteja aprendendo, deve estar funcionando. Ele está usando isso nas provações para assegurar a posição dele.

Hunf. Então é por isso que ele é tão obcecado em conseguir autoridade de seleção. — Harona semicerrou os olhos, tamborilando os dedos de novo, pensativa. — Se a provação dele reduzir o grupo demais, nós vamos virar motivo de piada.

— Ele pode até tentar tomar controle total de todas as próximas provações.

Seung tinha razão. Se as coisas continuassem desse jeito, eles corriam o risco de perder todo o domínio em que o Departamento de Gestão operava. Harona puxou uma mecha de cabelo, toda inquieta.

Creeeak!

A porta pesada de metal foi aberta sem nem uma batida. Então, um homem entrou se arrastando atrás dela, arrastando os pés em chinelos gastos.

— Quem diabos é aquele?!

Ele usava um jaleco de laboratório manchado, salpicado aqui e ali com o que parecia uma mistura de gosma vermelha e amarela seca. Um cabelo selvagem da cor de cinza estava esperado por toda parte, como se não fosse escovado há dias.

Aha! Finalmente encontrei vocês! — o homem falou.

Só uma pessoa ousaria invadir o escritório de Harona. E nunca era exatamente um lugar acolhedor, já que Harona tinha zero interesse em interação social.

— Você deve ser Iro…? — Harona murmurou.

Só um nome encaixava — o infame gênio louco.

Oh, ei! Sou famoso agora? Legal.

Os olhos dele eram escuros e fundos, como se não dormisse há dias, mas havia um brilho neles, claro e cortante o bastante para dar arrepios.

— Você é a Harona, né?

— É “Senhorita Harona” pra você — Seung respondeu, claramente chocado com a forma como o recém-chegado falava.

Ah, sim, sim.

Tecnicamente, pesquisadores tinham uma estrutura de patentes própria separada do pessoal administrativo, mas esse cara ainda era um novato. Mesmo assim, ali estava ele, largando honoríficos com naturalidade e falando com Harona como se fosse um colega de bar.

Em resposta, Iro só forçou um sorriso como se não fosse nada demais. Então ele se virou de novo para Harona. — Você é menor do que eu esperava. Meio magra também.

— Com… licença?

— Você tem o quê? Um metro e trinta?

— Oi?

Qualquer um que a conhecesse não ousaria dizer algo tão insolente na cara dela. Ainda assim, Iro a encarava de cima a baixo com olhos brilhantes e sem piscar.

Tap. Tap.

Ela começou a tamborilar os dedos na mesa. Era um hábito ou até um reflexo; um sinal de que alguém estava a uns três segundos de levar um soco.

Harona pensou: "Devo bater nele? Eu posso bater nele? Na verdade, talvez eu deva."

Esse pensamento mal teve tempo de terminar de se formar.

— Oh! Esse dedo! — O pesquisador maluco apontou, com os olhos arregalados.

— O quê?! Meu dedo? — Harona perguntou.

— Você poderia me dar ele? Só um. Por favor? — ele disse com o mesmo tom suplicante que uma criança usaria para pedir uma lambida do sorvete de alguém.

— Que diabos… você está falando, seu lunático?

— Por quê? Não gosta da ideia?

— Nossa, você achou que eu ia gostar da ideia?!

— Então só empresta pra mim. Vou pegar uma amostra pequena e devolvo direitinho.

"Amostra? Amostra de quê?!"

As palavras chegaram à garganta dela, mas ela engoliu de volta. Em vez disso, expirou devagar e foi direto ao ponto com um olhar azedo. — Chega. Enfim, por que está aqui? Estou ocupada. Se você não tem nada importante, some.

Ah, certo. Bem…

Ela queria bater nele de jeito, mas se segurou. Um movimento errado e a fofoca do escritório explodiria.

"Ugh, o pessoal provavelmente vai dizer que eu soquei o administrador temporário depois de perder a minha vaga de provação."

Ela já conseguia ouvir os outros dizendo coisas assim. Portanto, em vez disso, ela cruzou os braços e se recostou, meio para se manter composta e meio para manter esse lunático longe.

— Bem, encontrei um Sujeito interessante.

? Quem? — Harona perguntou.

— Lee Eun-Ho, acho que era esse o nome…?

O pé de Harona, que estava batendo de leve, parou no ar.

"Lee Eun-Ho? Por que ele? Nunca vi esse cara ligar nem um pouco pra reestruturação. Mas por que de repente?"

— Ouvi dizer que a massa cinzenta do Sujeito Lee Eun-Ho é densa e a atividade sináptica dele é alta. Isso é verdade?

— Por que você se importa?

— Eu só estou me perguntando se ele é inteligente.

"Inteligente? Sim, ele é inteligente. E daí? Ele não está falando sério em tentar roubá-lo já… está?!"

Ela vinha investindo no Eun-Ho fazia um tempo com recursos, melhorias e até um O Olho personalizado de vigilância. Não tinha como entregar a sua galinha dos ovos de ouro antes de ver qualquer retorno.

Isso significava que ela não podia se dar ao luxo de mostrar nem um pingo de interesse. As pessoas sempre queriam o que outra pessoa tinha colocado tempo e recursos.

Tomando a decisão, Harona encarou direto os olhos dele.

— Não sei. Nem prestei atenção nele, pra falar a verdade.

— Você? Não acompanhando? Pfft, nem a pau.

— Tem centenas de Sujeitos. O Departamento está afundando de trabalho, ou você não notou?

Ela fingiu desinteresse como uma profissional.

O pesquisador só coçou o cabelo emaranhado e disse: — Então só me mostre o relatório de Avaliação Intermediária dos Sujeitos.

— O relatório? Mas não tem nada especial lá dentro.

Ela não fez nenhum movimento em direção à mesa, ignorando a mão estendida. Tecnicamente, ela deveria entregar, já que era dado público, mas no fundo não queria.

— Hum… Eu me pergunto onde está. Talvez esteja ali?

Em vez de responder, ela só ficou sentada de braços cruzados. Então, Iro foi direto até a montanha de arquivos na mesa dela e examinou.

Talvez o título de gênio não fosse só exagero. Os olhos dele percorreram dezenas ou até centenas de etiquetas em meros segundos. Então, sem hesitar, ele puxou um arquivo.

  • [Setor 13] Relatório de Avaliação Intermediária do Sujeito ROK-SEO: Lee Eun-Ho

Era como se Iro soubesse onde estava desde o começo. Seung se encolheu, mas Harona não, principalmente porque estava furiosa.

— O que você está tentando fazer?!

— O que você quer dizer?

O jeito como ele sorriu enquanto pegava a pasta a irritou.

— Eu não entendo! Pesquisadores metidos como você geralmente evitam trabalho de campo como se fosse radioativo.

Ela lançou a provocação, porque o que mais ela podia fazer?

— Bem, que escolha eu tenho? Agentes de campo nem conseguem fazer o maldito trabalho deles.

— Com licença…?

— Então nós, pobres gênios, temos que intervir e salvar o dia. É trágico, de verdade.

O rosto da Harona se contorceu em descrença, mas ainda não conseguia achar uma resposta rápida o bastante.

Ele viu a expressão dela e só bateu a borda da pasta contra a torre inclinada de papelada na mesa dela.

— Tenta ser inteligente sobre isso. Para de acumular trabalho como uma idiota.

Então ele se virou e saiu, ainda usando aqueles chinelos nojentos. Sem adeus, sem obrigado, sem nada.

Creeeeak! Bam!

A porta se fechou atrás dele, e Harona ficou encarando em silêncio por um instante.

— Sou só eu, ou você o acha irritante também?

— Senhorita Harona. Com certeza não é só você… — Seung respondeu.

Até Seung concordou.

Ugh! Eu tinha tudo planejado!

Crack!

A caneta dela quebrou no meio enquanto ela rangeu os dentes. Seung, que geralmente sabia que era melhor não se envolver, aproximou-se e começou a juntar os arquivos espalhados.

— Como diabos ele soube sobre o Eun-Ho? O que ele está planejando?!

— O fato de ter falado de massa cinzenta e sinapses só me dá uma sensação ruim.

Ele estremeceu, lembrando daqueles olhos brilhantes e perturbados.

— Vamos torcer por eles agora? Devemos esperar que mais deles sobrevivam desta vez?

— Isso pode ser a melhor abordagem, na verdade.

Pfft.

Harona soltou uma risada amarga com o rumo que as coisas tinham tomado. Na gravação, Eun-Ho estava murmurando para si mesmo com uma expressão estranhamente intrigada no rosto.

Ela continuou tramando como manter a sua galinha dos ovos de ouro viva, inteira o bastante para continuar tirando proveito dela.

“Um Desbravador, hein?”

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