Volume 1

Capítulo 38: Teste de Aptidão (2)

Um grupo de Sujeitos entrou no túnel, com os movimentos tensos de propósito. Bem acima, um garoto e uma garota observavam com distanciamento e calma, como espectadores observando uma peça distante.

— Seung! — a garota chamou, dirigindo-se ao homem muito mais alto ao lado dela. — Aquele cara… está estranho, né?

— Quem? Ah, sim. — Seung se interrompeu no meio da pergunta.

Só havia uma pessoa ali que valia a atenção da superior dele: Lee Eun-Ho. Com Inteligência acima da média, capacidade física abaixo da média e charme mediano, ele era um Sujeito mediano no geral.

— Eu não o vi pessoalmente antes, mas que babaca arrogante! — Seung disse, franzindo a testa. — Teve coragem de enfrentar a Administradora daquele jeito.

Além disso, não era qualquer Administradora, era Harona, que já foi uma estrela em ascensão prestes a se tornar a próxima líder de equipe, se não fosse por uma única marca disciplinar no histórico dela. Para alguém como Eun-Ho se colocar no caminho dela, isso era mais do que insolente.

Seung cerrou a mandíbula. Quanto mais pensava, mais irritante ficava. Ele decidiu dar uma lição no garoto.

— Vou descer lá e colocá-lo na linha…

— A vibe dele mudou… — Harona interrompeu, mexendo distraidamente numa das marias-chiquinhas dela.

— Desculpa? O que você disse?

— Ele está confiante demais. Não acha?

Seung repetiu as palavras do Eun-Ho na mente, com a memória ainda fresca.

— Faltam dez segundos para as nove.

Ele se lembrou do Eun-Ho dando um passo à frente de modo calmo e controlado, mesmo depois de testemunhar o poder dela.

Seung então assentiu devagar. — Agora que você falou… Sim, ele está estranho.

Por tudo que eles tinham visto, Eun-Ho não parecia imprudente. Era do tipo que evitava riscos a menos que fosse absolutamente necessário. Mesmo assim, ele se colocou no meio da situação pessoalmente.

— Por favor, comece o exame.

Havia uma pressão não dita, mas inconfundível, naquelas palavras. Quase como um aviso sobre pontualidade, que era uma das regras inflexíveis e inegociáveis da Empresa.

— Pareceu que ele sabia que não podíamos perder tempo… — Harona murmurou.

— Bem, isso é… — Seung hesitou.

"A gente tem que garantir que todas as provações comecem no horário registrado em ponto." Harona pensou.

Eles podiam registrar provações adicionais em blocos não usados, mas não podiam simplesmente atrasar uma que já foi pré-agendada. Isso bagunçaria todo o cronograma da Empresa.

— É coincidência… — Seung falou com firmeza. — Não tem como um Candidato em Potencial saber como a Empresa opera.

Seung estava certo… era para ser impossível.

— Claro, mas ainda não gosto disso… — Harona resmungou.

Era só uma leve mudança, um detalhe pequeno, mas era o suficiente para irritá-la. Ela era meticulosa, e quando alguma coisa parecia errada, isso grudava nela como uma lasca.

— Além disso, Eun-Ho não é o tipo de cara que se arrisca pelos outros, certo? — Harona perguntou.

— Talvez seja um complexo de herói… — Seung sugeriu. — Ouvi que o Setor 13 tende a glorificar autossacrifício.

Era um palpite lógico, mas Harona não parecia convencida.

Hunf. Ele não parece esse tipo de pessoa para mim. — Ela torceu a trança de novo, ponderando. — E se ele estiver ganhando alguma coisa com isso?

— Mas salvar os outros não o beneficiaria de nenhum jeito! — Seung disse.

Ugh, isso só me irrita, tá? Esse maldito sistema! Quem sabe o que ele está planejando! — Harona soltou um suspiro pesado, claramente frustrada.

Mesmo assim, que opções eles tinham? Até administradores seniores eram impotentes quando se tratava das funções centrais do sistema.

— É uma pena! — Seung murmurou. — Se a gente pudesse só acessar as janelas de status deles, não seria tão irritante.

Harona assentiu, então afastou o pensamento com um gesto. — Tanto faz. Não importa que truques ele pegou. Esta provação não vai ser fácil.

— Bem, você garantiu isso… — Seung disse, com um meio sorriso.

— Só estou irritada porque os superiores ficam respirando no meu cangote! — ela rebateu.

A garota pequena soltou outro suspiro longo e irritado, então acrescentou de forma seca, como se cuspisse as palavras. — E se a gente falhar, eles vão entregar tudo para o Centro.

Esse era o verdadeiro motivo de estarem ali, desperdiçando tempo precioso para supervisionar pessoalmente a provação, porque o Projeto Caça tinha falhado. Nem um único candidato foi eliminado, um fracasso sem precedentes por qualquer padrão.

Graças àquela palhaçada, eles tinham ouvido um monte de “Vocês têm que dar uma crise para eles, não salvar todo mundo que veem!”

Além disso, agora havia uma ordem derradeira. Se não conseguissem lidar com isso pessoalmente, a tarefa seria reatribuída para outro departamento.

— A propósito, por que você acha que o Centro está tão interessado nele? — Seung perguntou.

— Como diabos eu vou saber? — Harona retrucou. — Eles caem em cima de qualquer coisa com a faísca mais fraca de potencial. É irritante.

Ela estalou a língua e rangeu os dentes de frustração. Seung a observou com cautela, preocupado que ela explodisse de novo, mas, por sorte, não parecia tão brava.

— Bem, ordens são ordens! — ela falou, dando de ombros.

Se a mandassem dificultar, ela dificultaria. Se a mandassem cortar a contagem de pessoas, ela faria isso também. Era assim que as coisas funcionavam ali.

Mesmo assim, Harona não conseguia parar de pensar que todo esse trabalho por um candidato problemático estava ficando ridículo.

Hunf.

— Mas você parece meio animada com isso, Lady Harona… — Seung disse, inclinando a cabeça.

Ele não estava imaginando. Apesar de tudo, um lampejo de expectativa surgiu na expressão dela. Ela até lambeu os lábios de empolgação sem perceber.

— O quê? De jeito nenhum. Não estou nem um pouco animada! — ela respondeu, embora soasse pouco convincente.


— O-o que está acontecendo? Não consigo ver nada!

— Isso é um apagão?! Façam alguma coisa!

— Liguem a lanterna! Espera… ?

Tinha algo errado. Não só as luzes do túnel, mas até as lanternas de mão que os participantes trouxeram tinham apagado.

Toda fonte de luz artificial apagou de uma vez, mergulhando-os numa escuridão total e sufocante.

— Por que está tão escuro? Eles selaram a entrada ou alguma coisa?

Aaah! Alguém pisou no meu pé!

O pânico se espalhou pelo grupo e a ausência de visão só amplificou os outros sentidos.

Rustle!

Cada sussurro, e cada espasmo de tecido arranhou o silêncio como lixa.

Rustle~

Uma mão quente da Ji-Eun roçou nas costas da mão do Eun-Ho. Então um cheiro fraco de xampu veio da Ji-Eun, segurando a barra da camisa dele.

— E-Eun-Ho? Você está aí, né?

— Sim, estou. E o pé em que você está pisando é o meu.

— Meu Deus! Sinto muito!

Ele praticamente a sentiu pular no lugar, assustada. Mesmo assim, ela não soltou a camisa dele.

"Ela tem medo do escuro?"

Eun-Ho a imaginou roendo as unhas de nervosismo a essa altura. Então, como se fosse sob comando, um som claro estalou no silêncio.

[Uma configuração defensiva foi ativada.]

[Sobreviva ao Caminho das Sombras.]

Um som robótico ecoou pelo túnel como um anúncio numa estação de trem.

— Uma configuração defensiva? Isso quer dizer que tem armadilhas? — alguém perguntou.

— V-você vai primeiro!

— O quê? Por que eu? Também estou com medo!

As vozes das pessoas começaram a tremer de confusão e medo, pintando cada palavra.

Então, Jae-Hyuk cortou o burburinho, já que estava por perto. — Hyungnim! Agora é a hora?

Ele quis dizer o fogo, mas Eun-Ho negou com a cabeça.

— Não, ainda não.

Eles tinham que esperar o momento certo até alguma coisa aparecer. Se acendessem qualquer coisa cedo demais, só entregariam a localização deles.

Por enquanto, a prioridade era impedir que as pessoas entrassem em pânico.

— Todo mundo, confiram os mapas! Vocês conseguem ver, certo?

Apesar dos arredores completamente escuros, quando o mapa era aberto, um círculo verde fraco brilhava suave na tela, como um farol em mar aberto.

O brilho era tão fraco que normalmente não seria registrado como luz, mas era o suficiente para criar esperança nessa escuridão.

— E-eu consigo ver! Consigo ver o mapa!

— Sim, também consigo ver!

— A Zona Segura está no fim do túnel!

A verdadeira Zona Segura estava marcada na extremidade distante do túnel. Em outras palavras, eles tinham que andar o comprimento inteiro desse caminho escuro para alcançar sem visão.

A compreensão finalmente começou a chegar. Um por um, as pessoas ali murmuraram baixo, processando o que vinha pela frente.

— Merda, como vamos andar até lá quando não conseguimos nem ver os próprios pés?

— É longo pra caramba!

Os gritos vieram, carregados de medo disfarçado de raiva.

[9:40]

Nove minutos e quarenta segundos restantes no relógio.

Enquanto Eun-Ho estava ocupado pensando, Sol-Ah, a esperta,  soltou do nada um “Ah!” como se tivesse acabado de lembrar de algo importante.

— Ei, moço! Vi uma placa antes! Este túnel tem um ponto de três quilômetros de comprimento, certo? Isso dá pra fazer em nove minutos, né?

— Sim! — Eun-Ho respondeu, assentindo. — Podemos chegar a tempo correndo. Mas isso só se não tiver obstáculos.

? Obstáculos?

Eun-Ho se lembrou do que ele tinha lido antes.

“Dificuldade: Intermediária-Alta a Muito Alta. Varia com base na configuração defensiva.”

A configuração defensiva estava em algum lugar do túnel. De acordo com o arquivo da provação, ela tinha a ver com criaturas noturnas que podiam ver perfeitamente no escuro, projetadas especificamente para mirar e esmagar sobreviventes privados da visão.

No entanto, Eun-Ho tinha formas de nivelar o campo.

[Tocha de Sinalização da Capital]

  • Uma tocha enterrada por 500 anos sob a torre de sinalização central.
  • Pode emitir chama ou fumaça, durando até uma hora.

— Vamos começar a andar! Fiquem perto e tentem não trombar em ninguém! — Eun-Ho chamou.

— Entendi, Eun-Ho!

— Entendi, Hyungnim!

Se obstáculos estavam no caminho, então só precisavam removê-los. Eles seguiram com urgência em cada passo, entre uma caminhada e uma corrida.

Tump.

— Espera. Vocês não estão ouvindo alguma coisa?

— Ouvindo o quê?

Tump. Tump.

No breu, os ouvidos deles se forçaram a captar qualquer som. Um ranger fraco de passos ecoou pelo ar, suave no começo, mas se aproximando a cada momento que passava.

"Eles estão aqui. A configuração defensiva."

Eram predadores do escuro, movendo-se livremente pela cegueira, abatendo sobreviventes antes mesmo de perceberem o perigo.

— Todo mundo! Peguem as armas!

?

— O quê? Por quê?!

Não havia tempo para explicar.

Stomp. Stomp. Stomp. Stomp. Stomp. Stomp.

Os sons chegaram mais perto e mais rápido.

— Jae-Hyuk! Agora!

— Sim, senhor!

Tump!

Jae-Hyuk largou o peso grande que tinha carregado o tempo todo. Mesmo sem luz, o farfalhar e o impacto pintaram a cena com clareza.

Fwoosh! Crash!

Ele largou o feixe de galhos secos que tinham coletado com esforço na noite anterior direto no chão. No entanto, antes que pudessem fazer qualquer coisa com isso, gritos explodiram por perto.

Aaaah!

— Que diabos foi isso?!

— Não consigo ver porcaria nenhuma!

Gritos ecoaram da escuridão. Eles já estavam sob ataque!

"Que tipo de monstros poderiam ser?"

Thunk! Clang!

“Chifres? Garras? Não… Isso parece…”

— Merda! Parece que esses desgraçados conseguem ver a gente!

— Isso é insano! Como diabos vamos lutar com eles? Isso é injusto!

Um lado podia ver, mas o outro não podia. Era uma emboscada de verdade, e completamente unilateral.

No entanto, Eun-Ho não ia deixar isso passar.

— Jae-Hyuk! Está pronto?

— Aqui! Tudo pronto!

— Boa. Invocar!

[Você gostaria de ativar a Tocha de Sinalização da Capital?]

[Escolha entre Fogo de Sinalização e Fumaça de Sinalização.]

— Fogo de Sinalização! — Eun-Ho gritou.

Ele segurou a tocha pesada na mão, sentindo os grãos da madeira entalhada.

Em seguida, uma explosão de chama acendeu instantaneamente, cortando o escuro como uma lâmina.

Fwooosh!

"Funcionou!"

Chamas sem fumaça eram totalmente irreais, mas ele não estava reclamando. Apenas encostou a cabeça seca da tocha na pilha de galhos grossos.

Crackle! Crackle! Whoosh!

Na escuridão total, onde nem uma mão na frente do rosto era visível, um tremeluzir de chama vermelha nasceu aos pés dele.

Whooom!

Em segundos, o fogo saltou, pegando na madeira seca e iluminando o túnel.

— Foquem! Peguem as armas agora!

O fogo subiu tão alto que parecia que poderia lamber o teto do túnel.

De repente, a escuridão cedeu a um brilho tingido de vermelho. Nessa luz, dezenas sombras surgiram, coladas às paredes e espalhadas pelo chão.

Então, como se fosse conjurada do nada, uma parede sólida se ergueu à frente, selando o túnel e os prendendo lá dentro.

"Então essa é a configuração defensiva?"

A superfície da parede tremeluzia como um véu vermelho, borrada e brilhando com a luz do fogo. Na frente dela havia dezenas de inimigos.

"Vinte? Talvez vinte e um?"

Até os monstros, que tinham avançado há instantes, hesitaram recuando do calor. Alguns dos outros também pareceram assustados, pegos de surpresa pela claridade súbita e pela temperatura subindo.

Mesmo assim, Eun-Ho não perdeu o ritmo.

— Temos que abrir caminho por eles e passar por essa parede! Estamos sem tempo!

Agora que o fogo tinha resolvido o problema da visão, só restava uma coisa a fazer, que era derrotar os inimigos no caminho.

— Meu Deus! Monstros?!

— Espera, eu consigo ver eles agora!

— Peguem as armas, todo mundo!

Um por um, as pessoas saíram do pânico com as mãos apertando as espadas e lanças. Eles semicerraram os olhos contra a luz crescendo, encarando o inimigo de frente. Ainda assim, alguma coisa parecia errada.

“Dificuldade: Intermediária-Alta a Muito Alta. Varia com base na configuração defensiva.”

Essa configuração defensiva deveria ser feras noturnas, o que significava animais e não pessoas. Pelo menos era isso que o resumo tinha dito. No entanto, o que ele via à frente parecia humanoide, coberto da cabeça aos pés em armadura e capacetes.

"Você está falando sério? Capacetes e armadura de corpo inteiro?"

Não havia morcegos estridentes nem feras sombrias. Eram soldados em forma humana, uniformizados e protegidos. Não fazia nenhum sentido!

"Tanto faz. Quem liga."

— Podemos fazer duplas e cada uma lida com um!

Eles podiam dar conta disso. Claro, o inimigo tinha equipamento e a vantagem do elemento surpresa, mas o grupo deles tinha números.

Além disso, agora que a maior arma do túnel, a escuridão, tinha sumido, as chances deles estavam muito melhores.

Swish!

Eun-Ho sacou a espada e avançou na figura blindada mais próxima.

No instante em que a lâmina dele chegou perto, o soldado guinchou e caiu no chão.

Kyaaaah!

"O que…?"

Ela então se encolheu numa bola com os braços erguidos, tremendo enquanto cobria a cabeça.

"Espera. Isso é uma pessoa?"

O capacete escondia o rosto, mas Eun-Ho sabia pela postura, pela reação e pela voz que não era um monstro.

— E-Eun-Ho?!

?

Ji-Eun pareceu incerta. Antes que ela pudesse falar, Eun-Ho deu um passo à frente e arrancou o capacete.

Os cabelos longos e ondulados se soltaram, os olhos estavam fechados com força. Ela estava congelada de medo.

"Sem chance. O nosso inimigo é…"

— Ye-Ji? — Eun-Ho falou.

"Essa é a mesma Lee Ye-Ji da contabilidade?"

— Eun-Ho! — Ye-Ji respondeu.

Ela era a mesma garota que tinha tirado uma espada rara de uma caixa misteriosa e então travou, com medo demais para brandir. A mesma que tinha esfaqueado um fantasma uma vez no trem KTX e desmaiado ali mesmo.

"Sério?"

Eun-Ho soltou um suspiro lento e exausto.

— Já não te falei para não fechar os olhos na frente do inimigo?

"Que diabos eu vou fazer com isso?"

Apoie a Novel Mania

Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.

Novas traduções

Novels originais

Experiência sem anúncios

Doar agora